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DIA 1 – A vuvuzela vai roncar. Eu já estou roncando

por Mauro Beting em 04.jun.2010 às 20:00h

 

Cheguei. No computador está escrito 15h32, horário de Brasília (mas prefiro chamar de hora de Campos do Jordão – no mínimo é mais bonita, no máximo é mais querida). Aqui, em Johanesburgo, são 5 horas a mais. Ou a menos, não sei. Sim, são mais. E como foram mais desde que o Airbus A340-600 decolou de Cumbica! Estava na poltrona 69 A. Até onde estava Ricardo Teixeira e Nicolas Léoz (turma de primeira – classe), parecia que havia um fuso horário dentro do avião. Além da diferença de classes. Mais diferença que classes naquele mundão de avião.

Os amigos e colegas (nessa ordem, até pela desordem) de Rádio Bandeirantes, Bandsports e Band (por onde aparecerei por estes dias de Copa), e também Bandnews FM e E-Band, fizeram as 7 horas e meia menos apertadas apesar do apartheid físico entre a turma de frente a do fundão. Sei que as companhias aéreas voam com o dinheiro esvoaçando. Mas cada vez menos elas são menos companheiras dos passageiros espremidos como sardinhas para tomar aquele café com gosto de bala de café com detergente frio, e para comer aquela opção de Chicken Gororoba ou Pasta Dental, com a coisa mais fria que existe no planeta – talher de avião.

Ou pior, existe algo mais gelado – Johanesburgo. Na sala do flat que divido com Sérgio Patrick e Alexandre Praetzel, estou de agasalho, duas blusas, e a temperatura a 25º. E me sinto como um brasileiro no Maracanazo de 1950. Com um pé frio, uma alma gelada de saudade da mulher, dos dois filhos, e da cachorra. Agora, inventei uma filhinha para babar ridiculamente pelo Skype! E nem posso postar e falar nada porque o responsável pela internet sem fio já foi para casa nesta Copa hospitaleira. De gente amável e esforçada que fala gostoso e adora o Brasil (ou melhor, o futebol brasileiro, o beatiful game, os “Samba Kings”).

Isso porque eles não viram alguns dos jogos da Seleção, não sabem da convocação do Dunga, e não me viram dançar samba. Ou mazurka, polca, pouco importa. Só sei que tive de pular na rua no almoço para não congelar como a salada que empurrei para não engordar mais. Pareço uma pipa por estes dias. Ou como maldosamente falou um vendedor de tralhas ao mostrar uma foto de um elefante: “The animal is called Ronaldo”.

E olha que o craque Neto estava ao lado. Ele que chegou distribuindo uma foto dele com o Fenômeno. E o sujeito que tirou a minha foto da credencial estava com ela, autografada, ao lado do computador. Os sul-africanos sentem a ausência de Ronaldo. De Roberto Carlos. De Ronaldinho Gaúcho, mais ainda. E olha que eles nem sabem a saudade que dá de Ganso e Neymar, se já conhecessem.

Adoraria mostrar a eles se a internet já estivesse pronta. Ou mais disposta que eu que ainda sinto o jetlag, o nariz escorrendo, o fuso, a confusão de credenciamento, o tripé da câmera que não veio, a demora para sair do aeroporto, o motorista que se perdeu até o Soccer City, e que, tenho quase certeza, pela primeira vez dirigia um ônibus. E ainda do lado direito, na tal mão inglesa, que deixa minha orelha brasileira ainda maior.

Só sei que tentei varar o dia, mesmo tendo dormido quase nada. O dia estava lindo. O país em que estamos é uma pequena Europa, quase como um Jardim Paulista paulistano. Mas a cidade consegue ser ainda mais injusta socialmente que a metrópole brasileira. Dizem as contas que é uma das três piores. Não sei. Mas foi uma das mais bonitas nesta sexta-feira onde o sul-africano foi convidado a se vestir de Bafana Bafana, com a camisa da Seleção deles. E foi o que se viu nas ruas de Europa e nas ruas de África de Jo’Burg: um mar amarelo e verde de gente sorridente e confiante. Enfrentando os menos de 9 graus de temperatura com mangas de camisa para deixar o dia mais quente. E a acolhida melhor e menos dolorosa para quem já morre de saudade da família.

Que comece logo a Copa. Que logo eu consiga me conectar à internet e ao planeta para travar essa ligação sem fio e sem fim com a família que ficou do outro lado do Atlântico. Tenho um exercício horrível como as flexões de braço que tentei fazer para me deixar acordado que uso em todas as viagens longas, em todas as quatro Copas da minha vida cobertas in loco por este louco: quando me despeço no aeroporto beijando minha mulher há 16 anos, quando abraço o meu mais velho há 11 anos, quando recebo aquele olhar do menor há 8 anos, penso nos pais que deixavam o país para lutar em guerra.

Não, Copa não é guerra. Não é isso. Mas um pai privado dos filhos, um marido da mulher, e até o dono de sua cadelinha se sente o pior dos seres. Não há alegria perene como uma de qualquer Copa que pague essa saudade. Por mais que eu seja um privilegiado por viajar para ser pago para ver o que todo mundo faria de graça, não tem preço pensar que, agora, a Fifa (sim, meus filhos batizaram nossa pastora de Shetland de Fifa) poderia estar pulando em mim, eu poderia estar perdendo de goleada no futebol no campinho para o Gabriel, perdendo de goleada no Playstation para o Luca, e ganhando minutos de cafuné com a Helen.

Mas, perdão, isso é só um desabafo de quem não está nem um dia por aqui. Ou estou já 24 horas fora de casa, acho que é isso. Sei lá. Tem tanta coisa que a gente não sabe em Copa. Exemplo: acabo de saber que Excellet Wallazza, da África do Sul, não está na lista dos 23. Mas que Surprise  Moriri está garantido para a estreia no Mundial contra o México. Isso lá são nomes de jogadores?

São. Claro que são. Copa é essa profusão de gente que mal vimos antes, mal iremos ver jogando mal durante, e, quem sabe, mal lembraremos depois deste interminável festival que nem começou. Mas que já dá a mesma saudade de sempre. E mal posso esperar a festa de 2014. Mesmo sabendo que será uma farra para os poucos da primeira classe do meu voo de ida.

Só espero que, no Brasil, a gente comece o torneio com tudo prontinho e direitinho, sem o canteiro de obras que ainda vemos por todos os lados, por aqui.

Afinal, torcer é isso. Achar que vai dar tudo certo mesmo quando fazemos tudo errado.

Também por isso acredito no time do Dunga. Não por ser brasileiro, guerreiro, ou o nome comercial que me for dado. Mas porque eu torço. E acredito que é possível o Brasil ganhar a Copa mais uma vez. Como foi possível a África do Sul fazer uma Copa pela primeira vez.

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