Parabéns, Arena Palestra Itália

por Mauro Beting em 29.maio.2010 às 0:43h

 

 

O ano é 2042. Avô, pai e filho lancham antes de partida decisiva do Palmeiras no Palestra, como fazem há mais de uma década. Eles passam o domingo no clube. Fazem esporte pela manhã, almoçam  no estádio, compram sempre alguma coisa na loja, vêem o jogo, e celebram numa pizzaria perto de casa, depois da missa. É a rotina dos últimos anos, tanto quanto celebrar um título.

 

– Nonno, é verdade que meu Babbo me disse que quase que a gente fica sem estádio? Que o Palmeiras teria de jogar em outro lugar há uns 30 anos atrás?

 

– Sim, meu bambino. É “vero”. Se fossem por algumas pessoas que pensavam mais nelas que no Palmeiras, isso lá em 2010, quase que a gente não tem a nostra casa. Quer dizer, ela ainda seria a mesma do tempo do meu bisavô. Que seria o seu tatatatata… Não, tri… Tetra? Pentavô? Existe isso, figlio mio?

 

– Não, Babbo. Não exagera pro seu neto. Mas é quase tudo isso, filho. Tinha até gente boa, decente, que achava que o Palmeiras estava dando de presente a nossa casa, que viria gente de fora para cuidar dela, tirar da gente. Não era nada disso. Você está vendo hoje. Era tudo companheiro que queria fazer parceria. Que queria ganhar dinheiro com a gente. Mas apenas melhorando a nossa casa.

 

– Não entendi. A casa é nossa, mas quem manda são eles?

 

– Quase isso, filho. Mas eles mandam dinheiro, eles cuidam da casa. Mas quem mora é a gente. E, agora, depois de 30 anos aprendendo como se faz, podemos tomar conta do negócio sozinhos. Nós agora sabemos. E ainda ganhamos dinheiro com eles. Fora que sempre ficamos com nosso estádio, que está uma joia.

 

– Mas como é que os palmeirenses não gostavam de um estádio melhor para nós? Eles eram mesmo palmeirenses, Nonno?

 

– Claro que eram, meu neto. Mas, infelizmente, antes disso, alguns eram mais outras coisas. Ou pensavam em outras coisas. Ou nem pensavam, sei lá. O pior é que muitos deles também foram contrários a uma outra parceria, com uma empresa chamada Parmalat, que deu tudo de ótimo para o clube, anos antes. E eles ainda acharam mau negócio, dizendo que só a empresa ganhou dinheiro com o Palmeiras, que não deixou nada no clube… Dio mio!!! E os títulos e troféus? E os tantos craques e timaços que montaram? É uma pena. Essa gente não entende que parceria é um casamento. Todo mundo entra com um pouquinho para dar frutos e filhos maravilhosos. Ainda bem que é assim. É esse amor que constroi. Não fosse assim, meu neto, você e seu pai não estariam aqui, vivos como eu.

 

– Até porque, Babbo, se a minha mãe não gostasse de você do jeito que ela ama, se ela não acreditasse em casamento e na parceria…

 

– Tem razão, filho. Porque eu não tinha dinheiro para nada, e a sua avó era de uma família bem de vida. Se eles não me aceitassem com a única coisa que eu tinha, que era o amor por ela, não teria acontecido o casamento. E vocês não estariam aqui. Uma parceria também é isso. Não precisa entrar com meio a meio. Precisa confiar. Doar e dar para receber algo que não tem preço. Algo que não se conta. Mas que, no final das contas, vale mais que tudo. Eu até acho que 30 anos é muuuito tempo. Mas pensa bem quanto tempo tem nosso Palestra. E quanto tempo mais ele vai ter depois daquelas obras?

 

– Mas é verdade que tinha quem não queria um estádio novo?

 

– Não foi fácil, netinho. Nunca é dentro de um clube. Ainda mais no Palmeiras. Mas o bom é que teve muita gente que entendeu que valia a pena mudar algumas coisas no acerto inicial para fazer as obras. Até porque nem eram tantas coisas assim. E o Conselho já havia discutido e aprovado. Mas sempre tem quem faz mais oposição ao Palmeiras que ao presidente.

 

– Ele deve ter sido um grande presidente quem fez o novo estádio, né, Nonno?

 

– Serei sincero, carino. Ele errou bem mais do que eu imaginava. E ele sabia que errava demais. Tentou acertar, porque era um homem bom. Eu diria ótimo. Mas, por vezes, fazia errado. Dava ordens que não eram cumpridas. Ouvia quem não devia. Mantinha quem não poderia. Ou fazia tudo pela cabeça dele e se dava mal. Quando não fazia apenas pelo coração, e acabava dando ainda mais errado. Mas uma coisa o presidente fez muito bem. Lutar pelo que o antecessor havia conseguido: a nova arena. Este estádio onde a gente vem ver jogo desde que você nasceu. Onde você vai trazer seus filhos para ver o nosso Palestra do tamanho que ele é!

 

– Mas, Nonno, toda vez você diz que o estádio está cada vez menor, que quase sempre lota…

 

– E o tamanho dele era ótimo quando foi reinaugurado. Mas é que desde aquele tempo, o clube e o time cresceram demais. Também porque a Arena resgatou o orgulho e a honra do clube, trouxe novos parceiros (e não só no futebol), mais gente jovem e com ideias e ideais voltou ao clube (ou apareceu pela primeira vez), e tudo rejuvenesceu. A Arena Palestra plantou uma semente de um novo Palmeiras. E os resultados voltaram a germinar no campo e fora dele.

 

– Puxa, Nonno! Que legal! Bom saber um pouco disso tudo. Mas eu ainda não entendi como é que tinha gente que não queria um estádio novo e com parceiros tomando conta dele?

 

– Meu neto, os adultos são muito complicados… Só não são mais que os conselheiros de alguns clubes.

 

– Quando eu crescer eu vou querer ajudar esse tal Conselho que você tanta fala!

 

– Conselho de Nonno, meu neto: seja sempre muito mais torcedor do Palmeiras que sócio do Palmeiras. Até quando for votar como associado.

 

– Não entendi, Nonno.

 

– Não importa, meu neto. Quem precisou entender respondeu “sim”, em 31 de maio de 2010. Agora, chega. Que eu tô louco para ir pra arquibancada para ver os últimos jogos do filho do grande São Marcos. Eu só não sei se ele jogou mais ou menos que o pai… Sabe como é: goleiro o Palmeiras faz em casa. Imagine se a gente não tivesse a nova Arena para ver o filho do Santo honrando nosso time e o pai dele!!!

 

 

 

P.S. (Falando ainda mais sério, leia no Terceira Via Verdão: http://www.terceiraviaverdao.com.br/3vv/InformativoLista.aspx?p0=11&p1=4065&TITULO=O_QUE_TODO_PALMEIRENSE_TEM_QUE_SABER&SECAO=CAMPO DE JOGO)

 

 

 

 

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