RAIO X – Mano a Mano de Internazionale x Bayern de Munique

por Mauro Beting em 21.maio.2010 às 15:35h

 

JÚLIO CÉSAR X BUTT – Covardia. Nem quando vice-campeão europeu pelo Bayer Leverkusen o goleiro alemão Butt inspirava muita confiança. Talvez seja o nome (em francês, com um T a menos, é “gol”). Nada bom para um goleiro nada confiável. Seria um excelente reserva, como foi tantas vezes de Kahn. Agora, apenas quebra um galho. Incomparável a JC, o melhor do mundo em tantos meses. Mas, dever dizer, com algumas falhas que raramente se viu na carreira brilhante. Não é o melhor momento dele. Ainda assim, superior a Butt. De longe.

MAICON X ALTITOP – O lateral-direito brasileiro e o meia aberto pela direita turco vivem ótimo momento. Com a bola, o jogador do clube bávaro irá para cima, mas por dentro, contra o brasileiro. Sem a bola, fará importante papel na contenção, como o terceiro meia pela esquerda, substituindo o excelente francês Ribéry. Vantagem técnica e tática para o lateral da Inter.

LÚCIO + SAMUEL X OLIC – As duas equipes atuam num mesmo 4-2-3-1. Espelhadas taticamente, os confrontos individuais podem decidir. No ataque alemão, apenas o croata Olic (em fase espetacular, vice-artilheiro da UCL) para dois excelentes zagueiros, no auge de suas carreiras, também. Empate ultratécnico. Por baixo, o croata está demais. Pelo alto, contra o brasileiro, não tem jogo. O caminho alemão é pela direita, para cima de Samuel. É mais fácil jogar por ali para o atacante, torcedor confesso da Inter, na Itália, onde Olic treinou por um tempo, em 1998, e ficou ainda mais fã de Ronaldo.

CHIVU X ROBBEN – Pau para toda obra, o romeno é zagueiro, é lateral-esquerdo, e até volante pela esquerda, num 4-3-1-2, como já foi com Mourinho. E quase sempre muito bem. O duro será encurtar espaços de Robben, melhor jogador do Bayern. O excelente ponta holandês pode atuar em qualquer lado. Mas é pela direita do clube de Munique que foi letal contra Fiorentina, Manchester United e Lyon. É o pé canhoto que desequilibra. O romeno terá de fazer uma barreira com Zanetti, provável volante pela esquerda de Mourinho (pela sensível ausência do brasileiro Thiago Motta, suspenso). Outra alternativa é o capitão argentino, há 15 anos brilhando na Inter, seguir pela lateral esquerda, com Chivu como volante. Quando Robben cortar por dentro, entrando em diagonal com sua infernal canhota, um dos dois destros estará no encalço. Parada duríssima, que apenas taticamente pode ser compensada por Mourinho. Robben, hoje, ganha de qualquer um. De qualquer time.

CAMBIASSO + ZANETTI X MÜLLER – O volantaço argentino, absurdamente esquecido por Maradona, é outro que vive o auge. Não apenas defensivamente, como brilhou comandando a tropa nerazzura no cerco de Barcelona, no Camp Nou. Cambiasso também aparece no ataque para fazer gols ou construir jogadas pelo pentacampeão italiano. O homem é fera. E parece pronto para vencer o promissor meia-atacante Müller. Boa revelação do Bayern, não tem sentido tanto o noviciado. Essencial para encostar em Olic no 4-2-3-1 de Van Gaal, também precisará ajudar na contenção à saída do volante interista. Dono de ligeira vantagem no confronto. Seja com a ajuda de Zanetti, pela esquerda (ou mesmo pela direita), seja com Chivu. Em ambos os casos, melhor Cambiasso pela direita. Como canhoto, ficaria mais difícil acompanhar, como volante pela esquerda, uma entrada em diagonal de Robben, da direita para o centro da área italiana.

CONTENTO X PANDEV – O artilheiro camaronês pode atuar pela direita ou pela esquerda sem problemas, no 4-2-3-1 de Mourinho. Troca de lado com o canhoto macedônio Pandev sem problemas. Mas como Contento (ou Badstuber) deve sair menos, embora saiba atacar (até pelo prenome Diego Armando), o canhoto (e menos ágil e hábil) Pandev deve dar conta. Deixando o veloz Eto’o azucrinando pela esquerda, impedindo o apoio qualificado de Lahm pela direita alemã. Um duelo menor na grande decisão. Com tintas interistas. Mais uma vez.

VAN BOMMEL + SCHWEINSTEIGER X SNEIJDER – A dupla de volantes do Bayern sabe jogar. Até demais. São muito mais armadores recuados como volantes que homens de contenção. Muitos dos problemas da vazada e incerta linha de zaga alemã vêm daí. Se o passe sai correto dos pés do capitão holandês Van Bommel, se o jogo ganha velocidade com a partida de Schweinsteiger para o ataque a partir da esquerda, o sistema defensivo se abre. E contra um Sneijder iluminado, o principal assistente da UCL, fica ainda mais difícil. A única boa nova para o Real Madrid que o vendeu para a Itália por apenas 15 milhões de euros é que no caso de dar a Inter (meu palpite, com 51% de probabilidade, no máximo!), o clube merengue recebe 3 milhões a mais do time italiano. Ou, no caso, usa o dinheiro acordado para amortizar os 8 milhões que deverá pagar para rescindir o contrato de José Mourinho. Sneijder dita o ritmo da Inter, e tem sido eficiente em qualquer cobrança de falta. É o nome a ser encaixotado pelo Bayern, que normalmente não consegue realizar esse tipo de marcação, até pela característica dos homens de meio. Pela fase de Sneijder, pelas dificuldades naturais da dupla de volantes-armadores de Van Gaal, ligeira vantagem interista nesse confronto.

LAHM X ETO’O – O duelo mais técnico pela beirada do campo ofensiva. Eto’o tem sido meia no 4-2-3-1 da Inter. Mais comprometido taticamente, acompanha o avanço do lateral rival. E Lahm sabe jogar, criar, cruzar, abrir o jogo, ou mesmo derivar para dentro. Com Robben faz uma ala letal. É por ali que sai o melhor do Bayern. É por ali que Eto’o, Zanetti e Chivu precisam barrar a dupla. Empate ultratécnico.  

VAN BUYTEN + DEMICHELIS X DIEGO MILITO – Não é o duelo dos sonhos. Mas a temporada do artilheiro argentino – e italiano – foi tão impressionante que qualquer defesa o temeria. Ainda mais a alemã, com um belga e um argentino discutíveis. Bons pelos altos, mas com recuperação lenta pata enfrentar um ataque (e um contragolpe) veloz e inteligente. Pelo chão, lançado em velocidade, o argentino é muito mais eficiente. E não fica tão atrás e tão por baixo no jogo aéreo. Vitória interista neste confronto.

JOSÉ MOURINHO X LOUIS VAN GAAL – O holandês busca o bi. Foi campeão com um brilhante Ajax, em 1995. Logo depois foi trabalhar no Barcelona. Onde teve como assistente o português marrento – e mais brilhante. “Ele fazia ótimos relatórios dos rivais. Muito competente e trabalhador. Mas não imaginava que se tornaria um treinador deste nível”. Falou Van Gaal. Que deixou parecer que não vê com ótimos olhos a chegada do ex-assistente ao Santiago Bernabéu para treinar o Real Madrid. Deixou entender que Mourinho talvez seja “retranqueiro” demais para a escola merengue. Talvez… Mas, neste sábado, não só a Inter parece mais forte. O treinador também é. Não tanto quanto “The Special One” se acha. Mas, certamente, mais que Van Gaal – outro que tem um espelho gigantesco no vestiário. Mourinho parece mais pronto para o bi – foi campeão pelo surpreendente Porto, em 2004.  Treinador que desde 23 de fereveiro de 2002 não perde um jogo de campeonato nacional como mandante: são 136 jogos invictos, com 80% de aproveitamento.

INTERNAZIONALE X BAYERN DE MUNIQUE – Pontos corridos, apostaria Inter. Seco. Num mata-mata molhado, ainda Inter. Num jogo só, 90 minutos – mesmo podendo ter 120, ainda sou um pouco mais Inter. Nestes 90 minutos, 2 x 1 Inter. Por mais que respeite a história tetracampeã europeia do Bayern (1974 a 1976, e ainda 2001), por mais que o futebol alemão pregue tantas peças (como a eliminação do United em Manchester), por mais que o clube alemão tenha melhorado durante o torneio, a Inter eliminou Chelsea e Barcelona. É a pentacampeã italiana. Tem mais gente desequilibrante. Se não terá Motta, o time alemão não terá Ribéry. Vantagem para a Inter tentar o tri. Honrando o tático (por vezes chático) time bi europeu, em 1965 e 1965, com o mago Helenio Herrera.

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