São Paulo 2 x 0 Cruzeiro (4 x 0 no agregado)

por Mauro Beting em 20.maio.2010 às 0:24h

 

* Se ainda havia algo a fazer no Morumbi para o Cruzeiro, acabou com 71 segundos. Kléber enfiou a mão no rosto de Richarlyson e foi expulso pelo conjunto da obra e pela fama que deitou na grama. Jorge Larrionda é outro que não poupa vermelho. Na dúvida, bota para fora. E tirou a chance de o Cruzeiro ser o que havia sido em 2009. O que havia sido na Libertadores-10 até o jogo da semana passada no Mineirão. Quando o Cruzeiro pouco jogou. Porque o São Paulo jogou como São Paulo em Libertadores. Como o Tricolor voltou a ser o tricampeão da América no Morumbi que, ao final, merecidamente reverenciou Telê Santana. Ainda o mentor de tudo de lindo e de impressionante que faz o São Paulo na competição. Numa atuação que havia meses o São Paulo não fazia. Foram 14 chances criadas. E ainda foi pouco pela superioridade.

 

* Adilson repetiu o 4-3-1-2. Mas, com dois minutos, já virava um 4-3-1-1. Só Gilberto tentava chegar em Thiago Ribeiro. E como Gilberto quase nada tem feito, e teve momentos patéticos no Morumbi, ficou muito difícil. Mas não foi só o Cruzeiro que pouco jogou. Foi o São Paulo que jogou demais. Repetindo de início o 3-4-2-1 que deu muito certo no Mineirão. E que virou um 2-5-2-1 com o avanço de Richarlyson, que não precisou ser um terceiro zagueiro. Virou um segundo volante, liberando Hernanes para ser mais um articulador, com Marlos e Dagoberto pelos cantos encostando em Fernandão. Adilson ainda respondeu aos 30, com Thiago Heleno como terceiro zagueiro, Diego Renan na ala direita, Gilberto na outra, e Fabrício mais solto; no intervalo, o volante foi trocado por Wellington Paulista. Mas nada mudou. Não apenas por deméritos individuais do sistema  defensivo celeste; também pelos imensos méritos são-paulinos.

 

* Insisto. Eu não teria investido tanto em Fernandão se fosse o São Paulo. E, mais uma vez, ele queimou minha língua. Jogou muito. Demais. Como se estivesse no Tricolor desde que nasceu. O entrosamento dele não foi de 180 minutos no novo clube. Parecia ter 180 jogos pelo São Paulo. Flanou à frente, aproveitou-se dos ainda maiores erros individuais dos zagueiros cruzeirenses, e serviu Dagoberto, no belo segundo gol, no segundo tempo. Com a inteligência que nem sempre sobra aos rápidos – muitas vezes afobados – Marlos e Dagoberto, Fernandão deu o ritmo ao time. Botou a bola no chão. Deu inteligência, paciência, categoria ao ataque paulista.

 

* Marlos voou. Como sempre, nem sempre pensou nos lances, atropelou-se. Mas deu a liga a um time que ultrapassou os rivais com a velocidade de Júnior César, que fez sensacional lance para o gol do maior ambidestro brasileiro – Hernanes. O gol que aos 23 minutos abriu o placar, e j;á sacramentou o resultado. Escore que só não foi maior porque Fábio (o cruzeirense que merecia estar na Copa) fez quatro grandes defesas – uma de Banks).

 

* O São Paulo mudou de patamar. Ou virou São Paulo em Libertadores. Pela nona vez é semifinalista da competição. Em seis foi até a final. Só ficou pelo caminho em 1972 e 2004. É o brasileiro que mais chegou tão longe, e o que mais jogou a competição.

 

 

MAIORES SEMIFINALISTAS DE LIBERTADORES
SEMIFINALISTA PAÍS QUANTAS TÍTULOS
Peñarol Uruguai 19 5
River Plate Argentina 15 2
Boca Juniors Argentina 13 6
Nacional Uruguai 13 3
Independiente Argentina 12 7
Olimpia Paraguai 11 3
América de Cali Colombia 10 0

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