Marques das Alterosas

por Mauro Beting em 19.maio.2010 às 20:56h

 

Pode faltar um acento em cima da letra E no título acima. Mas não é um marquês com título de nobre. É o nobilíssimo Marques. Ponta-esquerda dos ótimos e dos últimos nestes tempos. Naqueles campos alvinegros das Gerais. Das arquibancadas atleticanas. Das torcidas que podem celebrar o que a massa como a corintiana viu nascer, a flamenguista soube celebrar, a são-paulina viu jogar bem, e a atleticana abraçou como último e eterno berço. Terna manjedoura do Marques dos melhores e dos piores momentos atleticanos nos últimos 10 anos.

Marques jogou muito. E jogou demais. Doidimais. Pelo Atlético Mineiro, mais que tudos, quase que mais que todos. Até mais que na Seleção. Onde não jogou tudo que pôde. Porque nem todos que não estão no Rio e em São Paulo podem. Por mais que tenha feito Guilhermo artilheiro histórico do Brasileirão. Por mais que tenha feito gols, dado gols, criado gols, criado elo com a torcida que independe de gols – mas não do Galo.

Marques merecia mais reconhecimento pelo Brasil. Mas tem a gratidão de uma das mais gratas e caras torcidas do país. É dos poucos craques-bandeira do Atlético e do Brasil. E é ainda mais rara bandeira. Até pelo modo como fez sua última participação na carreira. Se um gênio como Zidane se perdeu com a cabeça no peito de um Materazzi, Marque se encontrou com a glória de um gol de campeão mineiro.

Reproduzo agora o que escrevi na conquista do título de 2010. Refletindo a emoção do gol da vitória e do título. E de Marques:

 

Poucos, no Brasil, torcem como o atleticano. Raros atletas que tiveram o privilégio de serem apoiados por essa massa merecem o aplauso e o reconhecimento pela bola e pela luta como Marques. Nenhum outro jogador merecia tanto fazer o último gol do MG-10. O gol do 40o. título estadual do Galo, em belíssimo passe de Ricardinho. Como Correa já havia achado Muriqui, que deu a Diego Tardelli o primeiro gol, aos 25 do segundo tempo de quatro tempos inteiramente atleticanos contra o bravo Ipatinga. (…)

 

Mas o que vai ficar mais uma vez na história é o gol do título. O de Marques. Aos 42 minutos do segundo tempo, ele tirou a camisa junto ao poste de escanteio, ali na ponta esquerda, onde tantas vezes arrancou jogadas, aplausos e suspiros. Ali no escanteio ele vestiu o poste com sua camisa suada e sagrada. Colocou na ponta, arrancou o objeto do gramado, e tremulou a camisa como se fosse uma bandeira atleticana. Ele que é a própria bandeira atleticana. E acabou sendo a mais linda desfraldada entre tantas que fizeram mais uma festa do Galo.

 

Não muitos jogadores fizeram tudo que Marques já fez pelo Atlético, até nos momentos ruins. Mas raríssimos foram tão torcedores quanto ele. Quantos dos tantos alvinegros não quiseram ser jogadores para fazer os lances pela esquerda, e os gols que Marques marcou e ofereceu aos companheiros? Mas quantos podem celebrar um gol e um título como Marques. Como um torcedor?

 

Feliz o atleticano que vibra com o título. E com um torcedor-jogador como Marques.

 

Triste o atleticano, acrescento hoje, quando ele anuncia que irá pendurar as chuteiras. Mas quando se tem um ídolo como ele para louvar, fica aquela gostosa saudade de que, na hora da dureza, nos tantos jogos perdidos, ainda há um Marques para lembrar, inspirar, eternizar. E vibrar.

Um autêntico marquês atleticano.

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  • marcia

    Simplesmente lindo, verdadeiro e autentico