Santos 2 x 3 Santo André – Santos campeão (5 x 5 no agregado)

por Mauro Beting em 02.maio.2010 às 15:38h

 

(Escalado pela Rádio Bandeirantes e pelo LANCE!, estou na cabine do Pacaembu. Mais tarde vejo e analiso os outros grandes campeões)

 

 

 

Maioridade campeã 

 

 

Neymar & Ganso; Robinho; Giovanni. Três gerações vencedoras. Santos 18 anos campeão paulista. A maioridade dos Meninos da Vila 3.0 que conquistaram o SP-10 e um lugarzão na história

 

 

 

Santos foi brilhante em todo o campeonato, mas foi dominado pelo rival em dois jogos, e teve de ser raçudo para suportar a pressão

 

 

Santo André teve mais chances de gols nos dois jogos (20 contra 14 santistas) e foi um dos vice mais campeões da história

 

 

 

Meninos da Vila ainda não “haviam ganho nada”? Agora, ganharam tudo que já disputaram. E como gente grande. E contra um Santo André que poderia ter sido campeão em vários estaduais em 2010.

 

 

Giovanni. O Messias. O profeta. O maior craque do jejum santista. O meia que não pôde dar a volta olímpica porque foi demitido no início do SP-06. O ídolo que poderia ter sido campeão brasileiro em 1995 no mesmo Pacaembu onde não conseguiu se despedir porque o Santo André mais uma vez foi um gigante: ganhou por 3 a 2, e terminou com dez bravos guerreiros contra oito herois santistas.

 

Giovanni já havia sido o nome mais aplaudido dos 18 à disposição de Dorival Júnior para a decisão. O único que teve o nome gritado antes do jogo. E o veterano foi uma criança no banco comandando de fora o que outro paraense genial fez, até no antijogo no segundo tempo – Ganso.

 

Não foi só o título do melhor time do campeonato, que joga o futebol mais vistoso e brilhante do país. Foi uma vitória do futebol brasileiro. O melhor do mundo quando quer. Quando joga brasileiro. Como historicamente joga o santista. O primeiro do Brasil a marcar 10 mil gols. O primeiro paulista a anotar 100 gols em apenas 16 jogos do Campeonato de 1927, com Omar, Camarão, Siriri, Arakém e Evangelista. O primeiro ataque infernal a inspirar a belíssima companhia de Ganso, Robinho, André e Neymar. Mas que, em 180 minutos, criou menos que o brilhante Santo André. E teve de apelar ao antijogo depois de infantis expulsões. Mas que mostraram a maturidade da turma para segurar o tranco e o ótimo rival, na segunda etapa.

 

 

Ramalhão que, com 25 segundos, fez um golaço, em bola de Branquinho (em atuação de gala) para Cicinho limpar Felipe, e Nunes abrir o placar. Mas, em terra e em time de Rei Pelé, quem tem um olho só é Neymar. Sem óculos de proteção, mas com a antevisão do craque, recebeu belo passe de Robinho, passou pelo goleiro, pelos zagueiros, e fez outro golaço, aos 3 minutos.

 

Mais não fez o Santos. O Santo André continuou em cima, teve um lance de gol muito mal anulado de Rodriguinho (impedimento inexistente de mais de metro de Carlinhos), aos 16, e fez o segundo com Alê, escorando escanteio de Bruno César, que Durval e Felipe nem passaram perto.

 

A atrapalhada arbitragem involuntariamente ajudou o Santos, tirando Nunes (nem tanto Léo), aos 23. Dorival trocou o lado de Pará, tentou colar Mancha em Bruno César. Mas Branquinho seguia livre. Como Ganso, aos 31, recebeu de Robinho e, de calcanhar, serviu Neymar para fazer outro golaço. De costas, o meia santista tem jogado mais que qualquer reserva de Dunga. Mas, caindo tantas vezes no gramado, Neymar pode cavar mais a cova na Copa-10 que um lugar entre os 23 de Dunga.

 

Mas o Santos seguia nervoso. Marquinhos deu uma tesoura em Branquinho e foi expulso, aos 37. Seis minutos antes do meia receber de Bruno César e marcar o terceiro, na sétima chance andreense no primeiro tempo, contra apenas duas alvinegras.

 

 

Sérgio Soares voltou com Rômulo para atacar pela lateral direita e não levar o amarelo que Cicinho já tomara. Dorival precisava marcar Branquinho, e orar para Mancha achar e marcar Bruno César. Mas só tinha Brum no banco para tanto. Dorival trocou a marcação dos volantes. Mancha foi seguir Branquinho, que virou atacante. Arouca, incansável, tentou parar Bruno César. Duas mexidas infelizes de dois ótimos treinadores (Robinho e Branquinho não poderiam sair) deixaram a partida muito mais um antijogo dramático, bem conduzido por Ganso, que fez o que poucos sabem, até para segurar o rival que só chegou duas vezes:  uma que Arouca salvou aos 4, outra que a trave de Felipe tirou de Rodriguinho, aos 44.

 

Houve um pênalti para discutir em Arouca, aos 19. Mais um vermelho para Brum, aos 37. Mas mesmo perdendo gente e bola, ainda havia o santista para empurrar o Santos à frente e ao título.

 

Santos que marcou 6,2 gols por jogo em 1927, e nem campeão foi. Em 1959, também não conquistou o Supercampeonato paulista. Mas marcou inacreditáveis 151 gols em 38 jogos, com Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe. A base que, em 1958, marcou 143 gols e foi campeã paulista, com Pelé marcando 58 vezes. Ou em 1961, quando Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pelé anotaram 113 gols. No ano seguinte, quando o Santos ganhou tudo e mais um tudo, foram 102 gols de Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Mais que os 100 gols de 1960, quando Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe fizeram a marca centenária.

 

Histórica.

 

Como os 72 gols do Santos de 2010. Uma equipe que levou adversários à exaustão pela intensidade do jogo, à irritação pela irreverência dos dribles, à exaltação pela qualidade que não se mede hoje. Mas que em qualquer campo e tempo pode ser repetida se um talentoso grupo for bem preparado, bem focado e muito bem ensaiado e ensinado para atacar sempre. Para tentar quase sempre marcar no campo adversário. Para tentar repetir uma história que desde 1927 os campos paulistas e do Brasil começaram a conhecer. E que o Pacaembu, nos dias em que celebra 70 anos, teve a honra de rececer uma equipe para a história. Para a glória. Para o Santos Futebol Clube. Campeão paulista em 18 anos. O título da maioridade dos Meninos da Vila 3.0.

 

 

 

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