Grêmio 0 x 1 Internacional – Grêmio campeão (2 x 1 no agregado)

por Mauro Beting em 02.maio.2010 às 15:37h

 

* O melhor time do turno, o mais eficiente do RS-10, a equipe que mereceu vencer o jogo que acabou sendo decisivo, no Beira-Rio, foi campeã. Mesmo perdendo a decisiva para o rival, em casa, e desfalcado de cinco titulares.

 

* O Inter mandou no Olímpico, no primeiro tempo, com o gol do redivivo Giuliano. Uma escalação remendada, um time mais precavido, e foi melhor que o Tricolor que não teve a fluência de outros jogos, com Leandro abaixo do bom nível, e Douglas bem marcado.

 

* Hugo ajudou a reequilibrar o clássico e definir o segundo tempo e o título merecido. Se o Grêmio teve muitas partidas discutíveis em 2010, indiscutivelmente foi muito superior ao rival, atolado com uma campanha abaixo da média e da crítica na Libertadores. Mas que pode ter algum alento pela vitória no Olímpico. Mesmo que de Pirro. Mesmo que vice-campeã.

 

 MELHOR ESCREVE THIAGO CECONELLO SEBEM

 

Não vou falar do título, em si, mas do principal personagem dele.

 

“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Valhala!”

 

É aludindo à Santíssima Trindade que um cristão dá princípio à sua oração. É entoando uma cantiga ou um brado de guerra que um guerreiro busca alento para adentrar no campo de batalha. O homem sempre teve a necessidade de iniciar a sua luta, a sua prece, de maneira especial e emblemática. No caso dos cristãos, citar a Santíssima Trindade antes da prece é um ato poderosíssimo que impulsiona a fé. Entretanto, no caso dos guerreiros, entoar um cântico ou grito de guerra é um ato que pode envolver dois significados: proteção e, sobretudo, vaidade.

 

Entoar um cântico ou um grito de guerra fortalece e motiva o lado psicológico do guerreiro, mas também não deixa de ser uma investida desesperada de conseguir, por meio de palavras, a imortalidade. Afinal, as palavras, e Don Pedro sabia muito bem disso, são “Independência ou morte”. Em alguns casos, são a independência sem morte; em outros, são a independência pela morte; ou, em casos especiais como o de Lara, são a imortalidade pela morte.

 

Não pensem vocês, advogados dos dogmas tradicionais, que o desígnio de quem vos escreve é transformar esse texto insignificante em homilia, epopeia ou oração. Não sou Padre Antonio Viera, tão pouco Homero. Sou apenas um homem de fé que acredita na força das trindades e na força das palavras. Falando em fé, quem diria que justamente ela seria usada covardemente como pretexto para afirmar que um homem, por tê-la demasiadamente, não seria capaz de conduzir uma religião onde as trindades de santíssimas não nada têm? Pois saibam que o homem de fé foi feito justamente para estar ao lado dos mais fracos e dos pecadores, ensinando-lhes bons preceitos e conduzindo-lhes para as boas vitórias.

 

 

O melhor lugar para o homem de fé é estar ao lado de Douglas, Borges e Jonas. É estar ao lado, e acreditar, em Mário, Hugo e Neuton. Essas humanas trindades da religião Grêmio que cospem, dão carrinho, falam palavrões e pecam. Essas trindades de carne e osso, de qualidades e pecados, que nasceram, estão vivendo e um dia morrerão. São guerreiros do submundo do futebol, guiados por um homem de fé que busca colocar os seus fiéis escudeiros na história do planeta. Não o planeta terra, mas o planeta Grêmio. O planeta de milhões de apaixonados, o planeta imortal onde reinam em seus castelos suntuosos Lara, Lupicínio, Gessy e tantos outros que, com paciência e sapiência, aguardam a chegada de novos ídolos-reis e novas “bandas loucas” para alentar e dar compasso à festa.

 

Santo Agostinho, grande teólogo e sábio da Igreja, esforçou-se exaustivamente para compreender e revelar o enigma da fé. Após muito tempo de reflexão, empenho e trabalho, chegou à conclusão que nós, devido à nossa mente extremante limitada, nunca abrangeríamos e assimilaríamos de modo pleno a grandeza (infinda) de Deus unicamente com as nossas próprias forças e o nosso juízo. Então, concluiu que a compreensão plena e factual deste inextricável enigma só é possível quando, na vida eterna, encontrarmo-nos frente a frente com o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

Aplicando a teoria de Agostinho na nossa realidade, podemos dizer que algumas pessoas preconceituosas e intolerantes, que julgaram o Silas pelo fato de ele ser religioso, só irão compreender plena e definitivamente o enigma da fé de Silas quando, na vida eterna, estiverem ao lado das trindades humanas tricolores rememorando esse momento mágico e sublime dizendo: – Foi coisa de Deus. Silas, o homem de fé, além de aniquilar preconceitos e assegurar um espaço precioso para os seus escudeiros neste planeta seleto e fantástico chamado Grêmio, também plantou a esperança de que muitos outros títulos poderão vir. Silas deu aos seus comandados a imortalidade pela vida, pela luta, pela garra. E, se continuar deste jeito, não restam dúvidas: muitas taças virão.

 

Transcrevendo as primeiras palavras de Silas depois do título:

 

Glória a Deus!

 

Glória, também, aos deuses tricolores!

 

Valhala e Amém!

 

 

 

 MELHOR ESCREVEU THIAGO CECONELLO SEBEM

Tags:

  • músico

    Tiago!!! vai afinar teu violão…. antes de qquer coisa… e aprenda a ser humilde, para poder crescer….