Barcelona 1 x 0 Internazionale (2 x 3 no agregado)

por Mauro Beting em 28.abr.2010 às 18:44h

 

* Não existe time imbatível no futebol. Nem o melhor que vi nos últimos 15 anos, este impressionante e encantador Barça. A equipe que não vi no Meazza, mesmo que tenha perdido para uma não menos entusiasmante Inter (mas com um gol irregular). no jogo de ida.

 

* Para o bem do futebol, melhor seria uma equipe abusada e ofensiva ser bicampeã europeia. Mas o futebol permite o jogo da Inter de Mourinho. Uma equipe vibrante no Meazza, e pragmática no Camp Nou. Excessivamente recuada depois da expulsão de Thiago Motta, aos 28 minutos – excessivo o vermelho direto, mas compreensível o segundo amarelo – não mostrado.

 

* Mil vezes ver uma bela partida do Barça a uma atuação tática como a da Inter. Mas isso também é futebol. Aquilo que o time de Messi e Xavi não conseguiu jogar, na partida de volta. Se teve o gol de Milito em impedimento, na Itália, na Espanha, o zagueiro Piqué estava impedido, ao receber mais um belo passe de Xavi (outro que deveu bola), no único gol do jogo amarrado. Mas eu não teria anulado o lance que daria no gol de Bojan, logo depois. Para mim, bola no braço de Touré. Só isso.

 

* Mourinho é mala. Mas é o melhor do mercado. E não inventa tanto como Guardiola pareceu se seduzir pelas mudanças. O treinador do Barça foi infeliz ao tentar jogar com Gabi Milito na lateral esquerda, com Busquets, Xavi e Keita (quanta falta faz Iniesta!) armando para Messi, Ibrahimovic e Pedro. Xavi não saiu tanto, e Messi não esteve livre. Pelo esquema do Barça. E pela Inter que de novo marcou demais.

 

* Na primeira etapa, só aos 22 o Barça chegou, com Pedro mandando pra fora um cruzamento de Daniel Alves. Aos 32, o outro lance blaugrana, a única arrancada de Messi, que JC salvou com a categoria usual. Já com a Inter com um a menos. Embora parecesse ter 17 menos, pelo recuo excessivo em toda partida.

 

* Wanderley Luxemburgo entende que contra um time talentoso como o Barça, a saída é fazer o que fez Mourinho. Embalar e encaixotar o rival com as duas linhas de quatro, e só um à frente. A questão é que faltou Sneijder, o encarregado de ser a referência, jogar além do meio. Toda a Inter ficou atrás, muito atras. Diego Milito e Eto’o foram marcadores de laterais, apenas. Não era o caso.

 

* Mas acabou sendo perfeito para travar um Barça pesado e tenso como o Camp Nou. Tudo que a torcida da Inter ajudou em Milão, a culé não deu mão na Espanha. Para o treinador do Atlético Mineiro, também faltou o drible que tanto encanta no Barça. “Contra times tão fechados quanto a Inter, a saída é o drible. E o Barcelona não tentou nada disso”.

 

* Fato. Além de chutar pouco, quase nada, o Barça não driblou. Não apenas por mais uma atuação individual e coletiva abaixo da excelente média. Também por excepcionais atuações como a de Cambiasso, à frente dos zagueiros, e mesmo de Chivu, improvisado como um volante pela esquerda, no 4-3-1-2 de Mourinho. Com um a menos, ele quase virou um quinto na zaga, revivendo o catenaccio célebre de Helenio Herrera, pentacampeão europeu. Um esquema com um zagueiro na sobra de uma linha de quatro, dois homens no meio, e três atacantes.

 

* Tão pouco fez o Barça que, na segunda etapa, a primeira chance real só saiu aos 36, quando Messi botou na cabeça de Bojan para cabecear para fora. Era o único lance até então. Chuveiro. E sem Ibra (ou o bancário Henry) para tentar algo. era jogo para Jeffren e Pedro pelas pontas, Xavi mais próximo de Messi por dentro. Não para Keita o tempo todo. E, se era para chuveirar, os baixinhos catalães não eram solução.

 

* Depois do gol de Piqué, muito bonito, aos 38, embora impedido, o Barça chegou num chute longo de Xavi, aos 42 (a primeira defesa de JC no segundo tempo!!!), e no lance mal anulado de Bojan. Pouco, quase nada para um timaço que. contra o Arsenal, em Londres, havia criado 8 chances de gol em 20 minutos. E não mais que 5 em 90, precisando vencer a Inter, em casa, por dois de diferença.

 

* A arbitragem não foi boa. O ambiente estava lindo, mas não com o fervor esperado. E o jogo, na ótima, foi bem chato. Não por causa da classificação do time menos vistoso. Mas porque a equipe que desequilibra foi mal escalada, esteve mal tecnicamente, e muito pressionada. Mereceu, nos 180 minutos, ser eliminada por uma Inter que, se a decisão fosse na semana que vem, chegaria mais forte que o Bayern.

 

* Eram oito sul-americanos na Inter no início do jogo. E foram oito argentinos e brasileiros jogando como se estivessem na Libertadores. Segurando a partida, fazendo cera, fazendo milonga, irritando um Barça amuado e preso também por isso.

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