Santo André 2 x 3 Santos – Primeira final SP-10

por Mauro Beting em 25.abr.2010 às 18:55h

 

Santo André!   

 

 

André saiu do banco e virou um jogaço para o Santos. A vitória por 3 a 2 deixa o melhor time do Paulistão com a vantagem de perder por um gol para o ótimo Santo André, que teve mais chances de gol

 

 

 

 

Santos foi dominado no primeiro tempo, mas, em 24 minutos, no segundo tempo, fez a diferença decisiva. Santo André teve 11 chances de gol contra 9 rivais. Fez uma primeira etapa brilhante, mas foi engolido em meia hora

 

 

 

 

André, em grego, pode ser “aquele que tem coragem”. O Santo André católico era um pescador. O time corajoso que jogou demais no primeiro tempo, e o atacante que armou a virada para o Peixe, foram os nomes de um santo domingo. O Pacaembu que havia visto a maior tempestade de gols e a maior bonança do futebol, pelo Rio-São Paulo de 1958 (Santos 7 x 6 Palmeiras) é o palco da decisão entre o ótimo time do ABC e o maravilhoso Santos que honra as glórias e tradições. Um time que não pode ser repetido tecnicamente pelas equipes brasileiras em 2010. Mas que pode deixar um legado de revalorização das formações mais ofensivas, mais ousadas, mais brasileiras.

 

Até quando Dorival Júnior opta por uma equipe mais pragmática, mais conservadora. A mesma que venceu o São Paulo por 3 a 0: Arouca na cabeça da área, ajudando a dupla de zaga contra o veloz ataque andreense; Wesley dando um pé como segundo volante na contenção quando o Santo André tinha a bola, e abrindo como terceiro meia, pela direita, quando a bola era santista  (e ela foi mais do Santo André na primeira etapa). Ele se juntava a Ganso e Marquinhos que, como todo o Santos, mais técnica que taticamente, jogaram abaixo da excelente média alvinegra.

 

À frente, sem André, Dorival optou pela qualidade, entrosamento e movimentação de Robinho e Neymar. Dois craques que sabem jogar por todos os lados, e contra uma zaga pouco rápida com Cesinha e Toninho. Com Rômulo improvisado na lateral esquerda no lugar do suspenso Carlinhos, com o bom lateral (no apoio) Cicinho dando os buracos usuais na marcação, o caminho era pelos pontas Robinho e Neymar. Com 49 segundos, uma linda troca de bola santista parecia dar o mote da decisão. Wesley escapou de Branquinho e mandou por cima. Parecia mais um dos tantos shows santistas. Mas, até o apito final no primeiro tempo, foram sete chances andreenses, apenas três do Santos. Se há como reclamar pênalti de Toninho em Neymar, aos 30, foi indiscutível a superioridade do time que jogou, não deixou jogar, e não se jogou ao gramado em todas as divididas como os peixes ornamentais.

 

O Santo André foi tão superior ao Santos que as poucas chegadas santistas foram em contragolpes. Os laterais se mandavam e davam as costas mal aproveitadas por Robinho e Neymar. Era jogo para André e um meio-campo santista mais leve (e menos nervoso), diferente do time do ABC que botou a bola no chão, ficou mais tempo com ela, e, numa falta tola de Edu Dracena, o ótimo Bruno César bateu com a canhota apurada, no canto de Felipe, que armou mal a barreira, e foi lento para a bola, aos 34.

 

Era jogo para André. E para explorar as costas dos laterais. Neymar não estava bem, desde o pisão de Rômulo aos 5 minutos, e saiu no intervalo, também por ter um problema no olho. Dorival abriu André com Robinho, adiantou Wesley para ser o terceiro meia, e o Santo Andre não conseguiu acertar o pé. Também pelo Santos ter voltado a ser o time vibrante e encantador de 2010. Em 24 minutos, teve quatro chances. Fez três gols: Ganso, no seu primeiro bom lance, passou por três e botou na cabeça de André, aos 12; quatro minutos depois, ele serviu Wesley, nas costas largas de Rômulo, para avançar sozinho e virar, na sequência de bela defesa de Felipe, em lance de Rodriguinho; o Santo André reequilibrava o jogo quando belo lançamento de Pará para Wesley, na falha de Rômulo, deixou o volante-meia avançar como ponta e definir a vitória.

Placar tranquilo com a expulsão de Toninho, aos 29. Placar mais justo pelo gol de Rodriguinho, aos 37, depois de bom loance de Rômulo, e finalização na trave do ótimo volante Gil.

 

Ficou mais apertado, porém muito mais justo pelo excelente jogo do Ramalhão. Mas ainda é difícil imaginar outro milagre de Santo André. O Santos segue favorito. Como nenhuma outra equipe foi tão favorita em duas partidas decisivas do Paulistão desde 1902.

 

 

(Escalado pela Rádio Bandeirantes e pelo LANCE!, estou na cabine do Pacaembu, sem acesso às imagens das demais decisões estaduais. Não é bairrismo. É escala. É o mesmo respeito a ela e que também tenho pelos demais clubes. O que, infelizmente, nem sempre é entendido pelos leitores. Quando não é totalmente desvirtuado. Alguns podem assistir a mais jogos ao mesmpo tempo. Quase sempre os mesmos que não comparecem aos estádios)

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