Santos 3 x 0 São Paulo

por Mauro Beting em 18.abr.2010 às 18:57h

 

Neymar é solução. E já é seleção.

  

Santos do Pará. Terra do Messias Giovani. Do Ganso do Peixe. E do Pará. O lateral-direito que representa a grande fase de um enorme clube. Em outras equipes, Pará seria mais um. Neste Santos, vale por dois numa equipe que joga mais que o dobro de qualquer rival. Não apenas no Brasil.

 

Um clássico sem centroavantes: Dorival Júnior escalou Robinho e Neymar no ataque, com Ganso e Marquinhos articulando. O Santos só jogou assim uma vez, desde o início: na magra vitória diante do Rio Claro, no Pacaembu, por 2 a 1. O time ficou sem o homem de área (André, vice-artilheiro na temporada, com 17 gols e três assistências), mas reforçou o meio-campo, espelhando o 4-1-3-2 tricolor: Arouca mantido na cabeça da área, Wesley eventualmente dando um pé mais atrás, mas usualmente aberto pela direita, numa linha de três armadores com Marquinhos do outro lado, e Ganso por dentro, mais próximo dos atacantes. Um jeito mais precavido de armar uma equipe ofensiva por DNA.

 

A ideia inicial de Dorival não era errada. Taticamente semelhantes as equipes, a técnica faria a diferença. Como a bola adora essa molecada, por que não? O modo que Dorival Júnior optou para embolar a intermediária também faz sentido pelo meio-campo lotado pelos três armadores tricolores: Rodrigo Souto na cabeça da área, com Cléber Santana dando um pé pela direita, Hernanes e Jorge Wágner abertos pelos lados,  tentando dar gás ao veloz ataque composto por Dagoberto e Fernandinho. Como Dorival, Ricardo Gomes sacou o centroavante Washington (arilheiro tricolor em 2010 com 11 gols e três passes decisivos) no jogo em que precisava vencer o excepcional rival por dois gols – na casa dele… Clássico que o São Paulo só soube perder no SP-10…

 

Washington não só é temido na área rival. É essencial na bateria antiaérea tricolor. Talvez tenha feito falta no gol que definiu a merecida classificação santista à final do SP-10, na última bola, no Morumbi, quando Durval subiu sozinho para desempatar o clássico do último domingo. É possível atuar com Washington no comando de ataque, Dagoberto e Fernandinho pelos lados. E trocar um centroavante por um meio-campista lento como Cléber Santana, a escolha não é das mais felizes. Ainda mais porque Gomes prendeu Santana próximo à própria área, muito mais como um segundo volante que um terceiro meia necessário. Desse modo, Hernanes assumiu toda a criação, mesmo marcado por Arouca. Do outro lado, Wesley travou Jorge Wágner. E Pará, bem, Pará foi o único dos 11 santistas que teve o nome gritado pela Vila no primeiro tempo sem gols.

As cinco chances foram santistas. Rogério impediu três delas, e participou de um lance discutível com Robinho, que pediu pênalti, aos 14 minutos. A primeira, em trivela de craque de Neymar para Robinho perder o gol. Na último do primeiro tempo, Pará completou um lance brilhante de quase todo o Santos, que trocou bola com facilidade e extrema felicidade. O São Paulo só começou a ter mais bola quando Cléber virou o terceiro meia, arrastando Ganso, prendendo mais Marquinhos, e chegando mais. Mas ainda faltava algo. O meio-campo lento não fazia a bola chegar ao ataque veloz, porém mal municiado, e pouco solidário.

 

Era jogo para Washington. Também no reinício. Mas Gomes manteve o time. O São Paulo apertou a marcação, Dorival berrava para o time sair para o jogo, mas a equipe pecava por não jogar simples quando contagolpeava. Aos 8, só não abriu o placar porque Alex Silva salvou sensacional arrancada de Robinho. O São Paulo enfim abriu o time com Washington no lugar de Cléber. O time veio para o 4-1-2-3 possível e necessário. Mas o Santos está impossível. Aos 14, lindo lance pela direita, Marquinhos cruzou para Neymar tocar com o braço direito, depois de ter sido tocado por Alex Silva. O pênalti poderia ter sido marcado antes tanto quanto o braço na bola. Mas não havia como Neymar tirá-lo do lance. E não tem havido jeito de tirar Neymar de campo.

Aos 25, um pênalti poderia ter sido marcado de Alex Silva em Neymar. Aos 36, um lance “menos” faltoso virou pênalti de Miranda em Neymar. O craque (não há outro termo para o que faz esse guri de 18 anos tem feito) novamente bateu com paradinha, novamente venceu Rogério, e novamente a Vila teve outro nome para pedir aos céus, e a Dunga: “Ão, ão, ão, Neymar é seleção”.

 

Não só ele. Ganso, discreto, ainda fez o terceiro, aos 41, depois de lance do reserva Madson, que passou por Cicinho como quis, e tocou para a festa, para a classificação justa pelo placar agregado (6 a 2), e pela consagração do melhor time do futebol paulista nos últimos 15 anos. Time para honrar os 98 anos santistas.

(ESCALADO PELO LANCE! E PELA RÁDIO BANDEIRANTES, ESTOU NA VILA BELMIRO. MAIS TARDE VOLTO PARA FALAR DAS DEMAIS DECISÓES PELO BRASIL)