São Paulo 2 x 3 Santos

por Mauro Beting em 11.abr.2010 às 18:50h

 

Na decisão do SP-78, Pita, Nilton Batata, Juari e João Paulo levaram a molecada santista ao título, depois de uma melhor de três contra o São Paulo, no Morumbi. Nas quartas-de-final do BR-02, o São Paulo só sabia vencer, era o melhor time da primeira fase. Mas enfrentou Robinho, Diego, Renato e ótima e jovem companhia, perdeu as duas, e o Santos partiu para brilhante título brasileiro, encerrando a fila.

 

No primeiro clássico da semifinal do SP-10, o time com 82% de aproveitamento em 19 jogos, com 11 pontos a mais que o rival na primeira fase, com quatro vitórias a mais (três derrotas a menos), com 20 gols marcados a mais, e um saldo positivo de 15 gols a mais que o São Paulo, fez 2 a 0 no primeiro tempo. Na segunda etapa, com um a mais desde a correta expulsão (ADENDO – Acabo de rever o lance que, no estádio, da cabine, me pareceu correto; revendo agora, pela TV, não teria mostrado o primeiro amarelo; o segundo, sim) de Marlos, aos 34 minutos, assistiu a mais uma impressionante recuperação são-paulina. O Tricolor empatou como fizera no Pacaembu, há duas semanas, contra o Corinthians. Mas, novamente no fim, uma cabeçada foi letal. Desta vez do santista Durval, que sofreu a falta que Madson colocou na cabeça dele, e deixa o Santos com a vantagem de perder de até um gol por diferença para ser finalista.

 

O São Paulo achou o time nos últimos dois jogos na primeira fase. Com a velocidade de Marlos pelos cantos, encostando em Dagoberto e Washington na frente, com Hernanes e Jorge Wágner marcando e armados pelos lados. Quase um 4-3-3, com a proteção de Rodrigo Souto na entrada da área. Um time mais ofensivo que o de quase toda a primeira fase. Contra um Santos que voltou a adotar o ofensivo e abusado 4-1-2-3, com Robinho e Neymar pelas pontas (mas livres para se mexer), Ganso e Marquinhos armando e tentando marcar, e Arouca (em mais uma excelente atuação, mesmo sobrecarregado pela esquema ousado) na cabeça da área.

 

O clássico mais ofensivo dos últimos tempos em São Paulo. Na prancheta. Nem sempre na prática. O nervosismo travou as equipes e o jogo no início. O Santos era um pouco melhor, também pelo recuo de Marquinhos para ajudar Arouca no meio, e tinha mais a bola. Pela esquerda criava mais, para cima de Jean. Aos 21, Ganso foi ao fundo e cavou um escanteio. Aos 26, Neymar fez a parceria com Leo, que cruzou para a área, e Júnior César fez contra.

 

A bobeada de Marlos, aos 34, abriu o campo ao Santos. Ricardo Gomes fixou Dagoberto à direita, para evitar o apoio de Leo por ali. Não deu como segurar Neymar que, como craque, de bico, serviu André para ampliar, aos 40.

 

O São Paulo voltou reclamando da arbitragem, e muitos reclamando do treinador, por sacar Washington, adiantar Dagoberto como único atacante, e colocar Cicinho como o meia pela direita, na segunda linha de quatro. Do 4-3-2 do final do primeiro tempo passou para um 4-4-1. O Santos recuou Robinho e esperou. Hernanes não quis saber. O único que criava e armava e chutava arriscou da meia esquerda, aos 8 minutos, e fez um belo gol. O Santos não reagiu. O São Paulo chegava só com chutes longos de Hernanes. A alma acabou fazendo a diferença quando Cicinho cruzou, Wesley deu condição a Dagoberto, e o atacante fez de cabeça.

 

O Santos tentou se acertar depois do empate com Pará na lateral direita, Wesley como volante e meia (como Ganso), Zé Eduardo e Madson pelas pontas, Robinho como centroavante. Gomes respondeu com Fernandinho e Marcelinho Paraíba para dar velocidade ao time que definhava fisicamente pelo esforço incomum.

 

O jogo caminhava para um empate heroico pelas circunstâncias, mas ainda ruim para o São Paulo. E ficou pior. O talento e a grande fase de um grande time fizeram a diferença. A história do Pacaembu se repetiu como tragédia para o São Paulo. Durval sofreu falta de Miranda. Madson chutou-cruzou para a área. Ceni não alcançou a bola que Durval mandou para o fundo da rede, garantindo um senhor resultado para os abusados Meninos da Vila. História que vai se repetido como festa em Santos.

 

 

(ESCALADO PELA RÁDIO BANDEIRANTES E PELO LANCE!, estou na cabine de rádio do Morumbi. Parte deste texto estará na edição desta segunda-feira do LANCE! Quando possível, comento mais de outras partidas decisivas pelo Brasil)

 

 

 

Tags: