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por Mauro Beting em 09.abr..2010 às 16:16h

 

Mendes não quer apostar em ninguém no clássico espanhol. Está perdendo muito dinheiro seguindo os meus palpites.

 

 

– Seu Mário Betti, acho que vou chamar a sua ombudsmãe, dona Lucila, para puxar suas orelhas. Lá na Band você pediu a saída do Shrek daquele arroto de Crush do Manchester quando estava 3 a 0 e os alemães viraram. Me falaram que “Beting” é “apostando” em inglês… Sei, sei…

 

– Pô, Mendes, mas o Bayern não estava jogando nada, amigo. O Rooney apanhava feio, o time alemão precisava de dois gols… Não era o caso?

 

Não, né, seu Mário! Você mesmo fica falando o tempo todo dos alemães, coisa e tal… Me falaram que no seu livro você baba-chucrute para os caras, que eles sempre isso, sempre aquilo na Copa-74… E agora, cadê o seu Manchester? Não vou nem perguntar do jogo do Real contra o seu Barcelona…

 

– Mendes, em casa, só o meu menor, o Gabriel, é Manchester. Eu sou Palmeiras na Inglaterra. Mas, confesso, por uma série de motivos, tenho uma queda pelo Barça, na Espanha. E, mesmo se fosse um time de incas venusianos, também torceria pelo belíssimo futebol que apresentam. Por isso são favoritos na Liga. E, dependendo de amanhã, também no Espanhol.

 

– Como você marcaria o Messi se algum maluco convidasse você para ser treinador de algum time?

 

– No Real Madrid, Mendes, eu faria algo parecido com o que o nosso considerado André Rocha publicou no blog dele, Olho Tático, no globo.com. (colunas.globoesporte.com/olhotatico/). Mas recuaria um pouco mais o Xabi Alonso. Um só não dá conta. Aliás, dois, também não. O Messi, hoje, só se marca com ferro e fogo. Também por isso parece que o Sergio Ramos vai ser o terceiro a dar combate. O que pode abrir as costas dele para o Iniesta… Enfim, não vai ser fácil.

 

– Mas dá para ter uma chegada mais forte no argentino, né? O seu amigo André falou que o Arsenal deu mole pra ele. Também achei.

 

Deu, Mendes. Mas o talento dele é superior. Muito superior. E, pela fase, sai debaixo. Da frente. De todos os lados. Mérito também do Guardiola, que mudou o esquema, e está se saindo ainda melhor nesse 4-2-3-1 da moda. Não é fácil ser ousado mudando um time que não só vinha ganhando. Também encantando. Mas eu acho que dá empate no Bernabéu.

 

Seu Mário, o Real Madrid é maior que o Barça em títulos. Joga em casa. Está na frente na tabela. Está entalado com aquela goleada lá do campeonato passado. Vai ter de aturar a final da Liga dos Campeões no estádio dele. É o jogo da vida dos caras. O do Barça, se perder, não é o fim do mundo. Mas eu acho que essa pressão é que vai fazer o Real melhor e vai ganhar. Os caras ganharam os últimos 12 jogos!

 

– Fato. Estão a três vitórias do recorde merengue (e espanhol) de 15 vitórias, estabelecido em 1961. Fizeram dois pontos a mais que o Barça em 2010. Tem 32 pontos a mais que o Barça neste século. Mas, amigo, acho que o primeiro gol vai definir mais que o último gol este jogo, Mendes.

 

Essa é boa, seu Mário. Parece um colega seu.

 

– É meio patuscada, mas a ideia é esta: se o Barça abrir o placar, a pressão no Real pode ser insuportável. Por isso, Mendes. Mas, claro, o time madridista tem tudo para vencer – menos Kaká, e um time realmente confiável e consistente.

 

– Mas eu tenho visto uns jogos do Real Madrid. Os caras estão jogando melhor, viraram vários placares… Sei, não.

 

– Este é outro jogo, Mendes. Sempre. Claro que o Real venceu 15 jogos em 15 este ano. Só o time de 1986 ganhou todos os jogos em casa na Espanha, em ligas com mais de 16 clubes. Mas o Barça é diferente. É outro nível. Hoje, acima de todos. Mas é clássico, né? Assim como o Santos, que está num nível quase de Barcelona se comparado aos rivais, pode sofrer demais diante de um São Paulo que começa a tomar jeito e forma. No Rio, a mesma história. O Vasco cresce a cada minuto contra o Flamengo baleado e abalado pelo empate em cima da hora. O Fluminense é mais time que o Botafogo – que era menos time que todos nas finais da Taça Guanabara…

 

Entendi, seu Mário. Usou um monte de exemplo só para fugir da raia.

 

– Também, Mendes. Mas como palpitar a respeito de grandes jogos de enormes clubes com gigantescas surpresas de uma partida a outra?Ah, e tem outra coisa: o Cristiano Ronaldo é jogador para esse tipo de partida. E a preocupação que se deve ter triplicada com Messi, o Barça precisa ter em dobro com o português.

 

Você já me disse que é contra marcação individual e fica falando em pegar esses caras pelo pé. Cada vez mais eu entendo menos você, seu Mário. E, como disse o Tuninho do Canal Seix, é por isso que estou mais entendendo de bola.

 

Mendes, não gosto de perseguição individual. Mas menos ainda de ser frouxo como o Arsenal, no Camp Nou.

 

– E você faria o que para brecar o Cristiano? O Barça, você diz, marca bem demais lá na frente, e nem tão bem atrás…

 

Daniel Alves vai sofrer com isso. O Xavi terá de ficar mais ligado. Mas é jogo para o Busquets comprovar a grande fase. E ainda pensar em Van der Vaart, criando por dentro. Enfim, como é ótimo falar de equipes com tantas alternativas técnicas e táticas.

 

Por isso que não vou nem mais falar dos jogos pelo Brasil, seu Mário. Mas vou te cobrar os chutes. Vamos lá:

 

– Anote, Mendes: Pai Neto, meu personal-arúspice, crava seco: o Flamengo ganha do Vasco nos pênaltis. O Fluminense ganha do Botafogo nos 90 minutos. No Morumbi, São Paulo vence o Santos por 3 a 2 (mas acho que, na Vila, o Santos vai se classificar). Em Prudente, o mandante também vence – porém, o Santo André tem mais chances na volta. Na Espanha? Hummm. 3 x 3. Um jogo fantástico como a espera. Jamais as equipes chegaram tão bem, com tantos pontos, a este clássico. Há três temporadas, quando chegaram empatados ao final, tinham menos pontos que agora. E anda faltam 8 rodadas até o fim do Espanhol!

 

– Boa, seu Mário. Para cada placar você fez uma média. Tá certo, 2010 é ano de eleição. Eu votaria no senhor.

 

 

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