Adriano e a bundalização da vida

por Mauro Beting em 08.mar.2010 às 1:31h

Torço para que Adriano saiba ter a vida que merece ao aposentar as chuteiras.

Torço para que demore ainda um bom tempo.

Torço para que os reais amigos não o larguem pelas quebradas.

Torço para que os tratamentos o ajudem.

Torço para que ele queira se ajudar.

Torço para que o parceiro e goleiro Bruno não o defenda atacando as mulheres.

Torço para que ele mereça a confiança depositada por Dunga para a Copa.

Torço para que nada atrapalhe a vida dele, da Seleção e, por tabela, a da torcida brasileira.

Torço para que a provável ausência de Alexandre Pato seja justificável.

Torço para que Ronaldinh…, tá legal, não vou mais falar.

Enfim, como bom torcedor, eu torço.

É o que dá para fazer até o Mundial.

Quando – torço – Adriano estará concentrado na busca pelo hexa.

Quando estará torcendo pelo titular Luís Fabiano e pelos companheiros.

Quando nós todos torcemos para que saiba apreciar com moderação as merecidas horas de folga.

Que – torço – ele entenda que não são os tantos dias de folga que combinou com o Flamengo.

Quando – torço – se espera que ele não se meta onde não é chamado.

Que ele não se meta – e só pense na meta adversária.

Eu torço para que tudo dê certo – em campo.

Fora dele, você sabe como é Adriano. Ou imagina. Porque por mais pública que seja uma pessoa, a gente não conhece nem 10% do que ela é. No máximo, damos uma “espiadinha”, como se convencionou dizer naquele inominável programa da TV brasileira.

Talvez um dos problemas do rico menino pobre de Vila Cruzeiro seja essa banalização e bundalização da vida, para usar uma análise de botequim profunda como discussão de Big Brother. É muita gente querendo se meter debaixo do edredon do craque. Alguns aguentam. Alguns explodem. Outros tomam as dores. Alguns tomam todas.

Não temo por Adriano na Copa. Pela Seleção, até agora, o que ele fez não é nada diferente do que outros fizeram (pena que alguns paguem o pato pela esbórnia de outros).

Temo por Adriano na vida, depois de a bola parar.

E ele, que teve acesso a tudo, ainda pode acender a lâmpada e manter a ascensão.

Outros tantos menos famosos, menos talentosos, menos badalados, esse tantos podem se perder como Adriano insiste em se dar mal.

Essa legião que não aprecia com moderação vai na onda e é dragada pelo tsunami que ninguém assume a culpa e a bronca.

São muito mais Adrianos que mal conhecemos. E muito mal nos importamos. Até porque não dão ibope. Até porque quem exagera foi “alertado” só no fim da propaganda enganosa.

Adriano não é o fim da picada. É a primeira de muitas.

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