Para pensar na grama

por Mauro Beting em 28.fev.2010 às 3:47h

Escreve ANDRÉ ROCHA

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As imagens chocantes da contusão de Aaron Ramsey do Arsenal, na vitória fora de casa dos Gunners sobre o Stoke City por 3 a 1, além de trazer à tona a memória do drama vivido por Eduardo da Silva no próprio clube londrino há pouco mais de dois anos, também fazem refletir sobre um estranho paradoxo do futebol jogado na Inglaterra.

Apesar da edição 2009/10 da Premier League ser a menos forte tecnicamente das últimas cinco temporadas, a intensidade, a dinâmica e, principalmente, a velocidade continuam estonteantes. E como os árbitros deixam o jogo seguir e não marcam qualquer falta mesmo prezando a lealdade, a grande maioria dos jogo é disputada num ritmo que tira o fôlego até de quem assiste.

Com cada palmo de terreno sendo cobiçado e dividido de forma cada vez mais vigorosa, em meio a tanta correria, quando um jogador erra a bola ou chega atrasado e acerta a perna do adversário, o impacto fortíssimo é capaz de romper ossos e proporcionar cenas como a que entristeceu a todos no Brittania Stadium.

As lágrimas de Shawcross na saída do campo após a justa e óbvia expulsão são a prova de que não houve a mínima intenção do suposto agressor em sequer machucar Aaron. Ele apenas queria a bola, mas chegou no lance como em todos os demais: no limite. A velocidade desproporcional acaba gerando uma violência assustadora.

O texto não é uma defesa do jogo mais lento e com muito mais faltas anotadas de outros campeonatos, em especial os disputados no Brasil. A EPL deve ser, sim, a referência de um futebol mais jogado e interessante de se ver. Porém, embora esses acontecimentos infelizes sejam exceções, já seria o momento de pensar em equipamentos modernos mais resistentes que aumentem a proteção dos atletas.

Ainda que não garanta plenamente a integridade física – e uma espécie de “armadura” seria solução exagerada, inviável e até ridícula -, qualquer iniciativa que evite ao máximo o desespero do jovem meia, de seus companheiros de time e de profissão e dos torcedores no estádio que consternaram o planeta bola será mais que bem-vinda.

Escreveu ANDRÉ ROCHA

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