Pauta do dia – Vasco x Botafogo

por Mauro Beting em 19.fev.2010 às 1:14h

A pauta da redação. Listar pontos fracos e fortes dos finalistas da Taça Guanabara.

Palpite? O Fogão vem muito, mas muito animado. Merece ainda mais respeito.

Mas o Vasco tem mais time. É favorito. Até nos pênaltis.

DEFESA –

PONTO FRACO – O desempenho defensivo vascaíno – o melhor da Taça GB – se deve mais à forma de Fernando Prass e dos três volantes que à fase atual da dupla de zaga Fernando e Titi. Também ao comprometimento de Élder Granja, que apoia menos à direita, e libera Márcio Careca pelo lado esquerdo. Pelo alto (como tem acontecido) ou pelo chão (mais raro com Abreu e Herrera), o Botafogo pode causar estragos.

PONTO FORTE – A confiança pelo desempenho na Taça GB permite ao Vasco entrar com ligeiro favoritismo no clássico. Fernando Prass tem sido fundamental (como já havia sido em 2009) para tranquilizar um setor bem protegido por Nilton, que será crucial também na bateria antiaérea contra o Fogão. Nilton deverá atuar ainda mais próximo de Fernando e Titi para combater Loco Abreu. Souza e Leo Gago terão de ajudar Granja e Márcio Careca na contenção aos alas rivais.

PONTO FRACO – Mesmo perseguido impiedosamente pelo torcedor alvinegro, Fahel tem crescido de produção atuando como zagueiro pela esquerda. Teve um desempenho razoável contra Vágner Love. Mas ainda, como todo o time, sofre com a pegada menos forte no meio. Eduardo não dá a segurança pela esquerda que Leandro Guerreiro dá pelo outro lado. O Flamengo trabalhou muito fácil a partir do meio-campo na quarta-feira. O Vasco pode fazer o mesmo.

PONTO FORTE – Nas faltas e escanteios, com a ajuda de Abreu, o sistema defensivo melhora, também pelo bom desempenho pelo alto de Antonio Carlos e Fábio Ferreira. Apesar de estabanado, o zagueiro-direito vive um bom momento. E terá de estar 110% para conter a habilidade de Dodô e Phillipe Coutinho. Para tudo funcionar, Leandro Guerreiro precisa ajudar Alessandro a conter o lado forte canhoto do Vasco.

MEIO-CAMPO –

PONTO FRACO – Falta maior velocidade aos volantes vascaínos. Mas o posicionamento é muito bom para um setor que mudou para 2010. Nilton terá de se desdobrar no cerco a Lúcio Flávio e ainda ajudar o sistema defensivo a conter o forte jogo aéreo botafoguense. O posicionamento de Souza é fundamental. Deverá atuar mais adiantado, a fim de travar o apoio de Marcelo Cordeiro, e criar pela direita os melhores lances vascaínos.

PONTO FORTE – A marcação e o rápido entrosamento do setor contribuem para a boa campanha. Nilton e Leo Gago são excelentes finalizadores, e Souza melhora a cada partida, dando um pé atrás e se juntando eventualmente a Carlos Alberto e Philippe Coutinho. A movimentação do jovem armador é essencial para garantir companhia a Dodô. Carlos Alberto, pela técnica e experiência, também pode ser decisivo se superar problemas físicos.

PONTO FRACO – O time fez uma campanha ruim na Taça GB também pela marcação frágil no meio. Nunca foi a de Eduardo, muito mais um armador ou um ala que o volante pela esquerda que tem sido. Mesmo Leandro Guerreiro, que honra o sobrenome, tem atuado abaixo da média. Com Fahel recuado para a zaga, e a pouca aptidão dos alas Alessandro e Marcelo Cordeiro na marcação, muitas vezes se faz o buraco que o Flamengo não soube aproveitar.

PONTO FORTE – A saída pelos lados dos alas Alessandro e Marcelo Cordeiro. Este chega com facilidade até dentro da área, como aproveitou para empatar o clássico, na semifinal. Falta ainda Lúcio Flávio oferecer mais alternativas além da bola parada, por ora suficiente. Como Eduardo ficará (ou deverá ficar) atento à chegada de Souza, e Leandro não poderá sair muito pelo outro lado, ou Lúcio joga com os alas. Ou ficará sobrecarregado.

ATAQUE

PONTO FRACO – Por vezes falta companhia a Dodô. Philippe Coutinho desequilibra, pelos dois lados. Mas nem sempre está próximo ao artilheiro. Carlos Alberto precisa encostar mais para a tabela. E Souza, para não deixar o lado direito carente, e segurar um pouco mais Marcelo Cordeiro, terá de ser mais um terceiro meia pela direita que um terceiro volante. Ainda assim, é o ponto alto de um time com mais possibilidades técnicas.

PONTO FORTE – Dodô. Phillipe Coutinho. Carlos Alberto. Os nomes já mostram a força do setor. Vágner Mancini foi feliz ao liberar o jovem craque para articular pelos dois lados, e se aproximar de Dodô. Como meia-atacante talentosíssimo, Coutinho não pode ficar amarrado. Solto, ele é o jogador para desequilibrar de um time que tem mais que a bola levantada para tentar fazer gols. O repertório vascaíno é muito mais rico.

PONTO FRACO – Se não for pelo alto, o Botafogo não chega. A jogada é manjada. Porém difícil de ser marcada. A questão é criar alternativas para os cruzamentos dos alas. Se Alessandro e Marcelo Cordeiro forem bem cercados pelos vascaínos, só Lúcio Flávio criará. E a fase do meia, como mal sabe o botafoguense que tem adorado odiá-lo, não é das melhores. Só levantar bola pode ser muito pouco numa decisão.

PONTO FORTE – É só olhar para cima. Para o 1m93 de Abreu. Para a movimentação de Herrera. Para a chegada dos zagueiros Antonio Carlos e Fábio Ferreira nas bolas paradas. É pouco? Pode ser o suficiente, como foi na semifinal. Não é bonito de ver, mas foi lindo de torcer. E quando um clube vence um algoz depois de 10 jogos com um time reconhecidamente limitado, é dever respeitar um gigante, mesmo que adormecido por tanto tempo.

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