Muricy, ex-Palmeiras

por Mauro Beting em 18.fev.2010 às 17:07h

Foi mais fácil demitir Muricy que contratá-lo.

O que o Palmeiras demorou para acertar com o treinador tricampeão brasileiro (por conta da vontade dele próprio), a direção do clube agiu mais rapidamente para encerrar um ciclo decepcionante. Em 34 jogos, 13 vitórias, 11 empates, 10 derrotas. Aproveitamento de 49%. Pelas minhas contas e as de Dassler Marques, do Terra, http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais/2010/noticias/0,,OI4272119-EI14489,00-No+Palmeiras+Muricy+perde+para+Caio+Jr+Roth+e+Luxemburgo.html, um desempenho ainda pior que os sempre contestados Celso Roth e Caio Júnior, no Palmeiras.

E sempre lembrando que Muricy herdou um clube líder do BR-09 e que terminou não classificado nem para a Libertadores. E, que agora, dá toda a pinta de que não irá chegar no G-4 paulista.

Não era o elenco dele (em 2009). Também não é o de 2010. Mas já era próximo àquilo que pretendia. Àquilo que a direção não conseguiu contratar – ou por falta de dinheiro, ou por falta de vontade dos atletas, ou por falta de Libertadores do clube.

Não deu liga. Tempo, é dever dizer, até que foi dado. Não era o caso de encerrar o relacionamento em dezembro. Pode parecer precipitado agora. Mas algo precisava ser feito. Faltou algo. A ele. À direção. E, mais ainda, ao time. Que não era uma maravilha, uma sumidade. E ficou ainda pior com a pressão sempre forte nas alamedas e arquibancadas palestrinas. E com os tantos desfalques que atrapalharam um elenco já limitado. E com as escolhas táticas discutíveis do treinador.

Partidas realmente boas o Palmeiras teve pouco nos 34 jogos. Os primeiros 30 minutos do empate em casa com o Grêmio; a vitória sobre o Inter por 2 a 1; a metade final do clássico com o Santos, na Vila (3 a 1); o 4 a 0 no Goiás e o 3 a 1 no Atlético Mineiro, ambos no Palestra; em 2010, bom futebol só no empate decepcionante contra o Ituano, em casa, por 3 a 3. Isto é, quase nada.

O ambiente, é dever dizer, não era ruim. Com Love ou sem Love. Mas faltou algo. Como faltaram tantos palmeirenses contra o São Caetano. Como, por vezes, parece faltar um pouco mais de Palmeiras no clube.

A coisa é tão complexa que, de fato, por vezes dá a impressão de sobrar Palmeiras em muitas coisas. Aquela paixão irrefreável que ergue como derruba. Que faz do erro menor uma falha gigantesca.

Algo que multicampeões como Luxemburgo e Muricy não conseguiram resolver.

Algo que Paulo Autuori conseguirá?

Jorginho?

Não sei. E esse é o maior problema palmeirense. Até quem sabe parece saber menos nos últimos tempos na Academia.

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