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HISTÓRIA EM JOGO – COPA-82 – Brasil 2 x 1 URSS | Blog Mauro Beting
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HISTÓRIA EM JOGO – COPA-82 – Brasil 2 x 1 URSS

por Mauro Beting em 08.fev.2010 às 15:38h

Meu irmão ficou dez anos sem ir a estádios depois de 5 de julho de 1982. Como escreveu João Moreira Salles, é indigno de compaixão quem, ao menos uma vez, achou que não valia a pena viver depois da derrota do Brasil na Copa da Espanha. Não apenas a derrota da melhor seleção brasileira desde 1970. A derrota do próprio futebol. Por anos, e ainda se pensa e se age assim, passou a ser preferível jogar feio e ganhar a tentar jogar bonito e, eventualmente, perder. A praga pragmática entrou de sola nos campos planetários. Com a derrota brasileira, perdeu o futebol bem jogado, expulso de campo a pontapés nada gentis, tudo Gentile.

Meu pai, para ficar em família, gosta de dizer que o Brasil perdeu jogando feio em 1974, 1978 e 1990. Perdeu, tentando jogar bonito, em 1982 e 1986. Ganhou, jogando feio, em 1994. Ganhou, jogando bonito, em 1958, 1962 e 1970. Façam as contas. Escolham seus times.

Ou faça como um treinador campeão do mundo. Para o argentino Cesar Luis Menotti, vencedor pela Argentina, em 1978, Telê é o único técnico do mundo que pode reclamar da sorte. Porque merecia tê-la em 1982. Na história que contaremos a partir deste post. A campanha brasileira na Espanha.

Não por acaso, a única equipe nacional que não foi campeã do mundo que está muito bem apresentada no livro de MILTON LEITE, “AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS” (Editora Contexto), que será lançado em 16 de março, terca-feira, a partir das 18h30, na Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo. Lá também estarei, auografando meu novo livro, primo daquele, chamado “As Melhores Seleções Estrangeiras de Todos os Tempos”.

Lançamento em 16 de março, na Saraiva do Shopping Eldorado

Lançamento em 16 de março, na Saraiva do Shopping Eldorado

No blag, na sessão HISTÓRIA EM JOGO, vamos contar o que vi então, e o que estou revendo agora, com a inestimável ajuda de Gustavo Roman (www.futebolpitacos.blogspot.com), que disponibilizou as imagens, e de André Rocha (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), que inspirou a série.

PARA VER MELHORES MOMENTOS, com Luciano do Valle, pela Globo –

http://www.youtube.com/watch?v=MTpPzU4096I

http://www.youtube.com/watch?v=jaxgnEPAtO0

ONDE? QUANDO? QUANTOS? POR QUÊ? – Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla. 14 de junho de 1974. 21h15 locais. Primeiro jogo do Brasil na Copa-82. Grupo 6. 68.000 presentes.

PLACAR VIRTUAL 1o. TEMPO – BRASIL 7 X 4 URSS

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – BRASIL 8 X 1 URSS

PLACAR VIRTUAL FINAL – BRASIL 15 x 5 URSS

BRASIL – 4-2-3-1

Valdir Peres-1 (São Paulo)

Leandro-2 (Flamengo); Oscar-3 (São Paulo), Luisinho-4 (Atlético-MG) e Júnior-6 (Flamengo);

Falcão-145 (Roma-ITÁ) e Sócrates-8 (Corinthians);

Dirceu-21 (Atlético de Madri-ESP), Zico-10 (Flamengo) e Éder-11 (Atlético-MG);

Serginho Chulapa-9 (São Paulo).

TÉCNICO – Telê Santana

BANCO – Paulo Sérgio (Botafogo), Edevaldo (Internacional), Edinho (Fluminense), Renato (São Paulo) e Paulo Isidoro (Grêmio).

O time da estreia contra a URSS

O time da estreia contra a URSS

URSS – 4-3-3

Dasaev-1 (Spartak Moscou, 25, anos, russo);

Sulakvelidze-2 (D.Tbilisi, 25, georgiano), Chivadze-3 (D.Tbilisi, 27, georgiano), Baltacha-5 (D.Kiev, 24, ucraniano) e Demyanenko-6 (D.Kiev, 23, ucraniano);

12-Bal (D.Kiev, 24, ucraniano), Bessonov-8 (D.Kiev, 24, ucraniano) e Daraselia-13 (D.Tbilisi, 24, georgiano);

Shengelia-7 (D.Tbilisi, 25, georgiano), Gavrilov-9 (Spartak Moscou, 29, russo) e Blokhin-11 (D.Kiev, 29, ucraniano)

TÉCNICO – Konstantin Beskov (russo)

[Cinco ucranianos, quatro georgianos, dois russos]

BANCO – Chanov, Andreev, Oganesian, Brovskiy, Susloparov

COMEÇOU – Brasil ataca à direita.

1min – Sevilla aplaude a bela troca de bola entre Falcão, Dirceu, Leandro e Sócrates, no campo de defesa brasileiro. URSS responde com drible-da-vaca de Shengelia em Luisinho, pela ponta direita.

2min – Zico arranca por dentro, tabela com Chulapa, e bate da entrada da área para boa defesa do excelente Dasaev, que manda a escanteio. Primeiro contragolpe brasileiro. PLACAR VIRTUAL – 1 X 0 BRASIL.

3min – Serginho toca de cocoruto, mas não consegue vencer o goleiro soviético, que saiu mal depois do escanteio cobrado da direita pelo canhoto Éder. Típico lance do time de Telê: escanteio fechado no primeiro pau. Zico sempre por ali, Serginho Chulapa na segunda trave. PLACAR VIRTUAL – 2 X 0 BRASIL.

5min – O excelente Blokhin (melhor jogador da Europa em 1975) escapa pela esquerda, passa por Leandro e cruza no segundo pau para a cabeçada de Bal, que passa à direita de Valdir Peres. Jogo franco e aberto. Excelente. PLACAR VIRTUAL – 2 X 1 BRASIL.

6min – Contragolpe idêntico ao primeiro bom ataque brasileiro. Zico desta vez serve Júnior, que bate para boa defesa de Dasaev. Mais uma saída errada do nervoso time soviético facilita o trabalho nacional. Mas também é mérito da equipe que deixa apenas Chulapa à frente, com Dirceu e Eder abertos pelos lados, Sócrates um pouco mais atrás, e Zico com mais liberdade de ação. É quase um 4-1-4-1, variável para um 4-2-3-1 com o recuo de Sócrates. Falcão, pela ausência do suspenso Toninho Cerezo, é sacrificado como único volante. PLACAR VIRTUAL – 3 X 1 BRASIL.

7min – Serginho recebe às costas de Baltacha, e de canhota, da entrada da área, isola a bola maravilhosamente lançada de trivela por Júnior, em sensacional contragolpe brasileiro. Lindo lance. Mais um. Serginho foi um baita artilheiro. Maior goleador da história são-paulina, maior artilheiro pós-Pelé no Santos… Mas, naquele timaço de Telê, destoava tecnicamente. PLACAR VIRTUAL – 4 X 1 BRASIL.

9min – URSS escapa pela esquerda com o meia Daraselia. É o buraco verde-amarelo. Dirceu, torto pela direita, não o acompanha. A única deficiência do espetacular lateral Leandro era a marcação. Apenas Falcão era volante naquela formação. O Brasil corria risco assumido.

17min – Pênalti não marcado para a URSS. O ótimo atacante Shengelia, veloz e abusado, escapa no mano a mano por dentro, supera Luisinho na corrida, mas é seguro pelo braço pelo excelente zagueiro atleticano. O árbitro espanhol Lamo Castillo nada marca, e é vaiado por boa parte do estádio. PLACAR VIRTUAL – 4 X 2 BRASIL.

17min – Linda tabela de Serginho com Zico. Dentro da área, o bom zagueiro e capitão soviético Chivadze divide com o goleador, e a bola sai longe da meta. PLACAR VIRTUAL – 5 X 2 BRASIL.

19min – Falcão é derrubado na ponta esquerda. Impressionante a movimentação e a volúpia ofensiva brasileira. O único volante apoiou como se fosse ponta, coberto pelo próprio Éder, e também por Sócrates, mais um segundo volante que iniciava o jogo brasileiro que o quarto armador do time de Telê.

20min – Éder manda um canudo da ponta, numa bola que deveria ser cruzada. Era o cartão de visita do grande ponta atleticano.

21min – Brasil exagera nos chuveiros para Chulapa. Dasaev sai bem em quase todas. E a Seleção vai ainda melhor quando apoia com Júnior, mal marcado por Bessonov. Como Leandro, ele arma o time por dentro, não pela lateral. Característica utilizada desde 1980 no enorme Flamengo então campeão mundial, sul-americano e brasileiro.

25min – Sensacional arrancada de Sócrates desde o campo de defesa. Até o Magrão corria!

26min – Chulapa entra na área, divide com a zaga, e quase abre o placar. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 2. Outra boa jogada brasileira.

29min – Brasil toca de primeira, com qualidade, e arranca aplausos. Mas exagera na filigrana. E corre riscos defensivos desnecessários.

31min – Leandro faz bem a cobertura pela direita e salva contragolpe rápido do ótimo time soviético. Mais uma vez a zaga estava exposta.

32min – Sócrates manda de canhota, por sobre a meta, depois de rebote de mais um escanteio cobrado com violência e efeito por Éder.

33min – GOOOOOOOL. 1 X 0 URSS. BAL. PÉ DIREITO. FORA DA ÁREA. Rápido contragolpe soviético, boa troca de bola e o chute na dividida de Bal. Valdir Peres já pensava no que fazer com a bola e nem se agachou para fazer a defesa correta. Levou um gol que o marcou para sempre. Uma pena, pois foi um baita goleiro. Três brasileiros davam o bote no volante soviético, mas não foram felizes. Uma pena. Mas não uma injustiça – um pênalti não havia sido marcado em Shengelia. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 3.

35min – Juizão espanhol compensa o pênalti não marcado em Shengelia inventando um pé alto na área soviética em vez de marcar mão na bola de Baltacha. Absurdo. Em vez do pênalti, marcou tiro livro indireto para o Brasil.

38min – Shengelia limpa o lance no meio de três brasileiros, pela ponta esquerda. Parte da torcida em Sevilla passa a torcer pelo ótimo time soviético.

39min – Gavrilov dá um rolinho sensacional em Sócrates, no grande círculo. Xiiii…

41min – Leandro pega duro em Shengelia. Era para cartão amarelo, juizinho espanhol fingiu que não era com ele. Xiiii…

42min – Bessonov manda na trave esquerda de Valdir Peres, depois de rolo na atrapalhada grande área brasileira. Diriam os entendidos, “momento psicológico” do jogo para o Brasil. Xiiii… PLACAR VIRTUAL – BRASIL 6 X 4

45min – Serginho receba na meia lua, vira rápido como de costume, e bola passa perto da meta de Dasaev. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 7 X 4

INTERVALO – Brasil melhor contra ótimo rival até levar o gol em falha de Valdir. Sentiu o golpe e terminou o tempo pedindo para acabar logo a partida.

SEGUNDO TEMPO – MUDA BRASIL. PAULO ISIDORO-7 X DIRCEU. A lógica. Torto pela direita, o meia do Atlético de Madri não marcou, não ajudou Leandro, e quase nada criou. Telê deveria ter iniciado com o Tisiu Paulo Isidoro. Para Falcão e Zico, entrevistados por Milton Leite no livro “AS MELHORES SELEÇÕES BRASILEIRAS DE TODOS OS TEMPOS” (Editora Contexto, que será lançado em 16 de março, em São Paulo, juntamente com o meu novo livro, “AS MELHORES SELEÇÕES ESTRANGEIRAS DE TODOS OS TEMPOS”), todo mundo estranhou a entrada inicial de Dirceu no lugar de Paulo Isidoro, que vinha atuando pela direita havia quase dois anos. Mas tinha a ver com a intenção de Telê em preparar o time para o quarteto de meio-campo que seria formado com Toninho Cerezo (Atlético Mineiro) voltasse de suspensão.

2min – Leandro corta para dentro, bate de canhota, e Dasaev faz mais uma boa defesa. Lance lindo iniciado na defesa, em troca de bola de primeira entre Júnior e Falcão. Não era só um time que criava bastante e que gostava de jogar à frente, com os laterais como se fossem meias (e tinham qualidade técnica para tanto. Era uma equipe que adorava jogar bonito. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 4

4min – Gavrilov recebe livre, às costas de Falcão, e bate de canhota bola que explode no peito do inseguro Valdir Peres. Brasil se expõe mais. Falcão deixa a entrada da área, Sócrates é cada vez mais o quarto armador brasileiro, por dentro, com Paulo Isidoro e Éder bem abertos, e Zico mais próximo de Serginho Chulapa. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 8 X 5.

5min – Linda tabelinha brasileira até o desvio da zaga soviética. Leandro e Júnior se mandam, Éder começa a articular por dentro. Grande jogo.

6min – Gavrilov deixa o comando de ataque e recua para combater Éder; o ponta vai ao fundo e cruza, Dasaev não só sai bem da meta como lança no campo de ataque, no contragolpe, pela esquerda, o ótimo Blokhin. Que goleiro!

9min – Éder lança Chulapa, que ajeita de cabeça para a tentativa de bicicleta de Zico. URSS começa a recuar demais, sem sair no contragolpe.

10min – Brasil nervoso. Júnior desce até o vestiário para buscar mais rapidamente a bola que caiu no túnel.

11min – Pela segunda vez seguida, Éder arrisca de longe, da meia esquerda, um chute fraco à direita de Dasaev. Não era o caso. O Brasil até pode chutar mais. Mas não demais.

13min – Leandro avança e manda o pé na bola que desvia no capitão Chivadze. Brasil aperta. Já merece o empate. URSS sufocada em seu campo não consegue mais explorar Shengelia e Blokhin pelos cantos. Gavrilov se junta aos três do meio para acompanhar Falcão. É ataque contra defesa.

Zico à frente de Bessonov

Zico à frente de Bessonov

16min – Éder cruza para Luisinho, Chivadze isola. Até os zagueiros brasileiros aparecem lá na frente. Na prática, Valdir Peres fica na meta, Oscar acompanha Shengelia, e o resto se manda, com Paulo Isidoro e Éder bem abertos, Chulapa e Zico dentro da área, Leandro, Sócrates, Falcão e Júnior organizando o jogo brasileiro.

17min – Júnior recua bola marota para Valdir. Estádio faz um “oohhh” de preocupação com a defesa. Infelizmente, o gol de Bal na falha do ótimo goleiro são-paulino baqueou o time e o torcedor.

18min – Escanteio para a URSS. Só quatro deles na nossa área.

19min – Falcão arranca pela esquerda num lance que termina com Chulapa batendo de canhota, à direita de Dasaev. Brasil exagera no chuveiro. Mas tem criatividade para rodar todo o ataque. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 9 X 5.

21min – Bela tabela entre Júnior e Paulo Isidoro, aberto pela esquerda, mas o excepcional lateral flamenguista se atrapalha com a bola. A URSS não destaca alguém para segui-lo. E explora as costas dele até mesmo com Blokhin, que sai da esquerda para a direita.

22min – Éder mete a bomba, da meia esquerda, por sobre a meta rival. Zico sai mais da área para tentar chamar a atenção soviética. Márcio Guedes, comentando pela TV Globo, fala com propriedade: “Zico precisa chutar mais”. Fato. Até pela fase excepcional que vivia o Galinho – o que é quase um pleonasmo.

23min – Zico arranca pela esquerda, mas o incansável Bal o segue e alivia.

24min – Éder avança pela meia e bate firme para Dasaev espalmar para escanteio. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 10 X 5.

25min – Paulo Isidoro quase empata de peixinho, no segundo pau, depois de escanteio pela esquerda. Primeira falha de Dasaev na saída da meta. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 11 X 5. Seguimos criando e perdendo gols. Como torcedor, estava desesperado nesse momento, lá em 1982, do baixo dos meus 15 anos.

26min – Leandro cruza. Dasaev fica com ela. Sócrates se mandou para ficar mais próximo à área, até para aproveitar o 1m91. Ele vinha muito bem no desarme. Mas o Brasil, agora, precisa dele mais próximo de Chulapa. Zico sai da área para articular o time.

27min – Blokhin ganha na velocidade e na categoria sobre Luisinho. Brasil mais exposto.

29min – MUDA URSS – SUSLOPAROV-18 x Gavrilov-9. Um meio-campista para fechar ainda mais a marcação soviética. À época, eram apenas duas alterações. E só cinco atletas no banco.

29min – GOOOOOOOL. 1 X 1 BRASIL. SÓCRATES. PÉ DIREITO. FORA DA ÁREA. GOLAÇO. Zaga soviética se atrapalhou sozinha, com direito a um balão para cima, e dois na mesma bola. O Doutor dominou a bola na entrada da área, passou pelo primeiro – Susloparov -, desviou do segundo, e emendou um canudo no ângulo direito do gigante Dasaev, que ainda tocou na bola antes de ela raspar o travessão. Um gol espetacular de um jogador idem. O Brasil não merecia perder do bom time soviético. E merecia ao menos o empate com um golaço desse tipo. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 12 X 5.

31min – Zico entra de carrinho e toca à direita. Éder cruzou da esquerda no segundo pau para Chulapa, que ajeitou para o Galinho chegar um pouco atrasado. Segunda vez que deu certo o lance bem ensaiado. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 13 X 5. Maldade ficar só no 1 a 1.

34min – Leandro, como centroavante (?), tenta de bicicleta… Brasil até exagera na volúpia pelo gol e na movimentação.

35min – Pênalti não marcado pela fraca arbitragem espanhola. Mais uma vez Luisinho. Tocou deliberadamente o braço esquerdo numa bola levantada para a ponta direita. Se não deu para o árbitro ver, foi na cara do bandeirinha número um. Não só os deuses da bola são brasileiros. Alguns diabinhos também. Dois pênaltis não marcados para os soviéticos. Parte do estádio vaia o soprador de apito.

37min – Éder cruza pela milésima vez. Dasaev sai bem da meta pela bilionésima. Ele só não bate os tiros de meta, executados por Baltacha. O resto fica tudo nas mãos do goleiro russo da URSS.

39min – Belo lance de todo o Brasil até uma bomba de canhota de Falcão, bem defendida pelo goleiro soviético.

41min – Shengelia recebe livre e teria feito o segundo gol soviético. Aparentemente lance bem anulado pelo bandeirinha. Parece que ele estava adiantado. Mas como essa arbitragem era nossa…

43min – GOOOOOOOOL. 2 X 1 BRASIL. ÉDER. PÉ ESQUERDO. MEIA DIREITA. ASSISTÊNCIA DE PAULO ISIDORO + CORTA-LUZ DE FALCÃO. GOLAÇO. Paulo Isidoro (por que não entrou desde o início?) pegou um rebote rente à linha lateral. Tocou para dentro para Falcão, que abriu as pernas e deixou a bola limpa para Éder. Pela segunda vez no segundo tempo, apareceu pela meia direita para levantar a bola e bater de sempulo, de canhota, à meia altura de Dasaev, que só olhou o golaço da emocionante virada brasileira. Havia três soviéticos em linha à frente do goleiro. Quando ele enxergou a bola, já estava quase dentro da meta. Golaço. Merecido. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 14 X 5.

44min – MUDA URSS. ANDREEV-15 x Shengelia-7.

45min – Falcão apareceu dentro da área e quase ampliou. O único volante estava dentro da área rival depois do gol da virada… Não tinha jeito. Era uma seleção com vocação irrefreável para o gol. Não é que não sabia segurar o jogo. Gostava tanto dele que adorava jogá-lo.

46min – Mais uma vez Falcão se mandou para dentro da área soviética…

47min – Lindo lance de Zico com Chulapa. Serginho bateu cruzado e o Galinho quase fez de carrinho. PLACAR VIRTUAL – BRASIL 15 X 5.

47min – Balãozinho de Sócrates no grande círculo. E lá vai o Brasil buscar o terceiro gol… Só não fez porque o árbitro terminou a partida com Falcão sozinho à frente de Dasaev… Por três vezes o único volante foi à frente como se não houvesse amanhã. Impressionante. E seria preocupante mais à frente.

FIM DE JOGO – E que jogaço. Tanto do Brasil quanto da URSS. Seleção muito aplaudida ao final da partida.

NOTA PARTIDA – 9

NOTA BRASIL – 8

NOTA URSS – 7

NOTAS

VALDIR PERES – 4 – Uma falha terrível e uma dúvida por quase toda a Copa.

LEANDRO – 8 – Problemas na marcação na primeira etapa. Muito melhor quando jogou livre, explorando o imenso talento que tinha, no segundo tempo.

OSCAR – 8 – Um senhor zagueiro. Veloz, bem posicionado, contra um ótimo ataque rival.

LUISINHO – 5 – Outro senhor zagueiro, muito mais técnico que Oscar. Mas menos confiável. Cometeu dois pênaltis. E teve dificuldades com os excelentes Shengelia e Blokhin. Como toda a zaga, exposta por um time e um esquema ofensivos.

JÚNIOR – 8 – Problemas com Blokhin e Shengelia. Mas muitas soluções ofensivas, com parceria com Éder pela esquerda, ou armando por dentro.

FALCÃO – 8 – Sacrificado como único volante, rendeu mais, como todo o Brasil, quando teve mais a bola. Ainda assim, notável pela elegância rara.

SÓCRATES – 8 – Irretocável exibição. Um gol magnífico, frieza para conduzir o time como capitão, e o mais sacrificado taticamente, atuando praticamente como um segundo volante. O melhor do Brasil.

DIRCEU – 4 – Torto pela direita, sem ritmo e entrosamento, teve dificuldades para ajudar Leandro, e foi engolido por Demyanekno e Blokhin.

(PAULO ISIDORO – 7 – Entrou muito bem, aberto pela direita, se movimentando bastante, e criando o lance do gol da virada).

ZICO – 6 – Pelo potencial, pela liderança, pelo talento, pela fase que vivia, esperava-se mais. Mesmo quando saiu mais da área, na parte final do jogo, errou mais do que a excepcional média de um gênio.

ÉDER – 8 – Quem mais chutou. Quem mais cruzou (até demais). Quem mais arriscou. Quem mais assumiu o time quando ele perdia. Recompensando pelo golaço.

SERGINHO CHULAPA – 6 – Pela luta merece mais pontos. Tática e tecnicamente, a melhor opção para Telê no comando de ataque seria o lesionado Careca. Chulapa se virou e criou bons lances.

TELÊ – 8 – Tudo de ótimo em suas equipes esteve na estreia em Sevilla. O gosto pelo bom jogo, a vontade de atacar, a sanha em buscar sempre mais e render acima do limite. Mas ainda faltava definir o lado direito do ataque. Uma defesa menos exposta. Uma equipe mais, digamos, copeira, que não passasse tantos sustos.

URSS

Dasaev-8 – O Brasil merecia vencer. Ele não merecia ser derrotado. Era o melhor goleiro do mundo na época.

Sulakvelidze-5 – Sofreu demais com Éder e Júnior.

Chivadze-7 – Um senhor zagueiro, travou grande batalha aérea com Chulapa.

Baltacha-6 – Batia os tiros de meta. Mas não batia além da conta.

Demyanenko-6 – Bom primeiro tempo contra Dirceu, quando apoiou mais, e apuros com Paulo Isidoro, depois.

Bal-7 – Não só pelo gol, mas pela obstinada marcação em Zico, no segundo tempo.

Bessonov-7 – Sabia armar e também marcar.

Daraselia-5 – Marcava e jogava menos. Morreu ainda em 1982, num acidente automobilístico.

Shengelia-8 – Sofreu um pênalti, estava no lance do segundo pênalti, fez um gol bem anulado, e jogou e correu demais.

(Andreev- sem nota)

Gavrilov-6 – Muito técnico, também tático, tanto foi o terceiro atacante quanto o quarto homem no meio. Cansou antes pelo calor e pelo ritmo brasileiro.

(Susloparov – Entrou para fechar o time. No primeiro lance saiu o empate o Brasil…)

Blokhin-8 – O craque do time armou grandes contragolpes. Faltou apenas finalizar um pouco mais. Como Zico, se esperava um pouco mais. Mas foi melhor que o Galinho.

TÉCNICO – Konstantin Beskov – 8 – Conseguiu segurar os tantos talentos brasileiros e só levou gols de fora da área.

Árbitro – AUGUSTO LAMO CASTILLO (ESPANHA) – 3 – Ruim na parte disciplinar, ainda pior na técnica. Dois pênaltis não marcou para os soviéticos.

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