Joel Santana x Estevam Soares no Botafogo

por Mauro Beting em 25.jan.2010 às 8:27h

Foram 11 vitórias. Onze derrotas. Oito empates. Pelo time que recebeu, pela péssima campanha no BR-09, Estevam fez muito pelo Fogão. Mas uma tunda como os 0 x 6 para o Vasco precisa de reação. Algo que esteve riscado do time no Engenhão. Algo que pode ser restituído com Joel Santana. Um acerto da direção. Joel sabe das coisas, das bolas, e do clube.

Mas só o carisma dele pode não resolver. O elenco não é pavoroso. Não é time para perder por 6 x 0. Também não é para ganhar do mesmo jeito.

MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA

Estevam Soares não resistiu à surra no Engenhão e é o segundo treinador demitido na temporada entre as principais equipes (Hélio dos Anjos foi o primeiro a ganhar o “bilhete azul” no Goiás).

Cabe o questionamento sobre o destino dos jogadores que contribuíram para a derrota vergonhosa para o Vasco, como Alessandro, Fahel e, principalmente, Eduardo. De fato, sempre soa injusta a demissão apenas do treinador. Estevam não tinha muito a fazer com elenco limitado e o time em desvantagem numérica logo aos 14 minutos do primeiro tempo, já perdendo por 1 a 0 para um oponente inspirado. O desastre era inevitável.

Mas parece claro que o equívoco maior não foi demitir o treinador após a terceira partida do ano, mas sim mantê-lo ao final da temporada após campanha sofrível no Brasileiro.

Os números, neste caso, falam por si: Estevam Soares assumiu o Botafogo na 15ª posição e terminou a competição uma colocação abaixo, muito próxima da zona de rebaixamento. No geral, foram 11 vitórias, oito empates e 11 derrotas, o que corresponde a 45,5% de aproveitamento. Muito pouco.

O caso é mais um exemplo de um fato corriqueiro entre os grandes clubes brasileiros: a manutenção do treinador por gratidão pela salvação do rebaixamento ou por uma campanha de recuperação. A visão de que o “bombeiro” da vez merece começar um trabalho do zero no ano seguinte, participando da montagem do elenco e comandando a pré-temporada, nem sempre é a mais correta.

Em 2008, René Simões livrou do descenso o Fluminense deprimido pela perda da Libertadores e foi mantido no ano seguinte. Só que o discurso otimista que sacudiu o elenco tricolor não era mais necessário e problemas políticos e administrativos também atrapalharam o trabalho. Com a demissão, o clube trocou de técnicos até se acertar com Cuca no final do ano.

Joel Santana já assumiu times pouco depois do início da temporada, como em 1998 no Flamengo, sucedendo Paulo Autuori, e em 2007 no Fluminense assumindo o lugar de PC Gusmão, e não foi tão feliz em ambos, saindo meses depois. No Botafogo, ainda há tempo de fazer os ajustes no elenco com contratações e algumas dispensas que se fazem a cada dia mais necessárias. Mas a situação do Glorioso já é preocupante ao final do primeiro mês de 2010.

O insucesso no alvinegro é um passo atrás na carreira de Estevam após o bom trabalho no Barueri. Seu erro foi apostar em um “projeto” fadado ao fracasso desde a gestação porque um sentimento nobre, mas o menos indicado por colocar a emoção muito acima da razão, ficou acima da avaliação da competência.

Qual será a próxima vítima?

escreveu ANDRÉ ROCHA

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  • Raphael

    Beting, Joel com seu carisma e irreverencia carioca pode ser soluçao, alias boa solução para o estadual; e ponto final. Em uma copa do brasil pode ate ir longe, porem a pergunta e ate quando nos cariocas nos reforçaremos visando o Carioca sendo necessario como consequencia contrataçoes em meados de setembro por causa de nossas atuações pífias no Brasileiro. Joel tem o dom desejado por todoss os tecnicos, o poder do “se vira nos trinta”. Porem seria otima combinação, com reforços precisos para o Bota em todas posições afim de evitar mais uma enchurrada como a de domingo ( ta bom … foi um acidente de percurso).

  • Iran Né

    Caro Mauro, O Joel ou outro qualquer não faz milagre, ou como diria o saudoso Otto Glória, “não se faz omeletes sem ovos”. E este time do Botafogo é pior do que o do ano passado. Pois perdeu bons jogadores na defesa e no ataque. E com esses reforços contratados o time não ficou nem igual. Está certo que não é time para perder de 6 x 0, nem de ganhar por placar igual. O problema é perder para esse time do Vasco por um placar deste. Já que este time do Vasco não é a oitava maravilha do mundo do futebol.. É apenas um time mediano.
    Um grande abraço !
    Iran Né

  • sylvio beato

    Mauro: Analisar o time agora é uma “baba” para qualquer um que se julga entendido de futebol.Acontece que o problema vem de longe e para explicar poderiamos, ou teriamos que escrever um livro.Mas só para resumir; o Botafogo vem se apequenando faz muito tempo.Quer um exemplo? Na decada de sessenta, muito raramente, um jogador de qualquer time do Brasil para conseguir vaga no time do Botafogo tinha que jogar muita bola. Hoje eu pergunto, qual jogador do atual time deste pseudo Botafogo jogaria como titular num São Paulo, num Cruzeiro num Inter ou até mesmo no Corinthians? Eu respondo Apenas o Jeferson e possívelmente o Leandro Guerreiro.Do resto,Mauro, para ser muito sincero, poderiam até ser titular em algum clube mas de menor expressão.
    Lamentavelmente esta é a realidade a que várias diretorias incopetentes e descompromissadas com a instiuição BOTAFOGO, levaram o clube.
    Nem tradição eles respeitam mais. Veja a camisa que inventaram; isto só pode ser brincadeira de mau gosto de algum gaiato que não conhece a historia do Clube.

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