Gatunagem

por Mauro Beting em 16.out.2009 às 9:00h

“Gatunagem” também deveria ser roubar a idade para jogar mais tempo de bola útil. Você sabe: o jogador “gato” tem 17 anos no papel, mas 20 de vida. Ganha melhores contratos e por mais tempo roubando vagas de quem faz as coisas direito, de quem não mente a idade. Gato que ganha jogos e títulos roubando bolas, partidas e placares de rivais limitados pela idade.

Nada justifica o crime. “Pobreza”? Só de espírito. Outros mais pobres foram mais corretos. “Eram jovens e não sabiam o que faziam”? Qualquer criança de um ano sabe erguer o indicador para mostrar o primeiro ano de vida. Uma pessoa de boa fé sabe que errar a idade não é certo.

Hoje, no Egito, o Brasil tenta o penta mundial contra a boa e forte seleção de Gana. Ou de “Gata” para muitas boas e más línguas (não de gato, como o chocolate negro – opa! – de uma fábrica famosa). Sem preconceito racial, apenas constatação física, é humano duvidar dos supostos 20 anos de muitos dos ótimos africanos. Mas é irresponsável imaginar que sejam todos “gatos” que adulteram documentos. Aí, sim, entra o preconceito abominável. Sobretudo o brasileiro. País rico de vida e de bola pela miscigenação. País de Pelés que parece ficar sem cor quando quer.

Por que os negros da África são gatos e os do Brasil não? Carlos Alberto, lateral do Atlético Mineiro, foi campeão Sub-20 em 2003. Era gato de cinco anos! Meia década mais velho. Roubou camisas de gente mais jovem (ou mais honesta) até ser descoberto. O Brasil ganhou um mundial com essa gatunagem. Eriberto, ops, Luciano, foi campeão sub-17 gatunando quatro anos. Negro como Carlos Alberto, era o nosso negro. Não levantava suspeita. Não por ser negro. Mas por ser brasileiro.

E Sandro Hiroshi e Anaílson? Baixos e magrelas, quem poderia supor que fossem mais velhos? Eram. E o Brasil foi campeão com eles. Mas comos os vencedores fomos “nós”, “malandro é o gato que nasce de bigode”… Malandragem tupiniquim de gatos brancos, amarelos e negros. Na escuridão das tribunas ditas de honra, todos os gatos são pardos. Todos iguais. Japoneses.

“São todos africanos os gatos”. Sempre! Nem adianta pedir para alguém de boa fé imaginar como eram os zagueiros Cléber (Atlético Mineiro e Palmeiras nos anos 90), Ronaldão, Júnior Baiano e Fabão quando tinham menos de 20 anos. Como são nossos, aqueles galalaus jamais eram gatos – e não são mesmo! Mas se jogassem em Gana, a desculpa para uma possível derrota estava dada antes de a bola rolar.

Nossos gatos não têm sete vidas. Têm 171.

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  • http://nopiquedabola.wordpress.com Raul Torres

    Mauro esse das fiz um post exatamente sobre essa “gatidão” do futebol africano.

    Dá uma chegada lá: http://nopiquedabola.wordpress.com/

    Abs!

  • RV

    É verdade, nós somos tão culpados quanto eles. Eu acho que a diferença maior é que o Brasil tem uma enorme quantidade de craques profissionais. Como o Brasil sempre ganha Copas e torneios profissionais, fica menos óbvio que nós também temos salafrários nos nossos times juvenis.

  • Vinícius

    Mauro, você se lembra daquele time ROMA, que venceu a Copa SP Júnior? Que fim levou? E os jogadores, algum destaque?

  • daniel morelo

    o fred do fluminense é 5 anos mais velho do que diz!!! pergunta pro coronel da cidade dele! dizem que foi por intermédio do mesmo que aconteceu.