Argentina x Peru, 24 anos depois

por Mauro Beting em 10.out.2009 às 21:23h

A Argentina precisava empatar no último jogo das Eliminatórias em casa, contra o Peru, para evitar a repescagem. Com um minuto, o lateral argentino Camino deu um bico no joelho direito do peruano Navarro. Uma das mais violentas agressões já vistas na história do vale-tudo, ops, do futebol. O brasileiro Romualdo Arppi Filho, tecnicamente o mais completo árbitro brasileiro (e, taticamente, o mais complexo…), só mostrou o cartão amarelo. O Peru não amarelou. Faltavam dez minutos no campo do River, em Núñez, e a seleção peruana vencia de virada por 2 a 1. Até que um lançamento longo de Burruchaga para a ponta direita encontrou Daniel Passarella, o capitão de 1978. O caudilho da zaga invadiu a área e bateu cruzado. A bola bateu na trave e só foi empurrada pelo centroavante Gareca para o gol chorado do empate que só não virou derrota, no fim, porque Fillol fez mais uma grande defesa e garantiu a Argentina na Copa. De 1986. Lembra Maradona:

– Até o empate, eu só pensava na repescagem. Eu estava fundido fisicamente. Doía o meu tornozelo, a bola não entrava… Mas, quando acabou o jogo, disse ao Gareca: “Vai ser assim até o final da Copa; vamos sofrer, mas vamos ganhar esse Mundial”.

E ganharam. Ou ele, Diego, ganhou praticamente sozinho. Na gorda canhota. Ou no punho esquerdo na bola contra os ingleses, na cidade do México. Ele, você sabe, é Maradona. O treinador que suava e se molhava na chuva de Núnez, no sábado, 10 de outubro de 2009. Temporal que na segunda etapa fazia tremer até a câmera da transmissão. Ou era o vento – que bem poderia ser o Peru? Ou era o temor de ficar fora da Copa de 2010?

Só sei que, de novo, a Argentina só tinha a camisa da Argentina. Não tinha time. Organização. Comando. Até teve chances de Argentina. Umas dez. Mas era para sofrer tanto contra apenas o Peru? Era para levar um gol aos 44min44s que quase não se viu. Não pelas gotas de chuva na lente, mas por lágrimas e/ou suor de Núnez? Era para fazer o gol da vitória com Palermo aos 47min13s, em posição irregular? Era para quase levar o gol de empate do meio-campo aos 48 minutos, na saída de bola? Era para quase cometer um pênalti não fosse o apito final do árbitro boliviano um segundo antes de Schiavi cometer a falta fatal?

Acabou o jogo e Diego se agarrou ao autor do gol que deve classificar a Argentina como fizera há 24 anos.

A história não se repetiu como tragédia e tango. Mas como uma crônica maluca, angustiada e indescritível. Como uma vitória argentina.

Veja os melhores momentos de 1985.

http://www.youtube.com/watch?v=rBhs91pwW5g

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  • Almir Moura

    Grande Maur(o)”R”adona.

    Texto épico, vitória irretocável.

    Ops, o inverso.

    Rigorosamente, o oposto.

    Vitória doida, doída, aquatica, chorada.

    Vitória da sobrevida hermana, assim como da uruguaia diante do Equador.

    Equador e Chile em Santiago.

    Uruguai e Argentina em Montevidéu.

    Que rodada (tensa, emocionante, histórica) nos aguarda!

    Simplesmente imperdível.

    Abraços,

  • Flávio

    Mauro,

    A vitória da Argentina foi épica… e ganhou única e exclusivamente por causa da camisa… porque tática e tecnicamente a equipe foi um catado em campo…
    Abraços

    Visitem o meu blog:

    http://semfirulaesporteclube.blogspot.com

  • Rodrigo

    Mauro, comente sobre o milagre q a Venezuela tem q fazer para ir para a repescagem.

  • TRICOLOR PAULISTA (ANTES ÚNICO PENTA, AGORA ÚNICO PENTA E ÚNICO HEXA)

    Que adianta seleções como a Paraguaia, Chilena, Colombiana , Equatoriana e até a Uruguaia se classificarem para a copa se só fazem números, sem mais nenhuma pretensões, dai pq. estou na torcida para que a Argentina se classifique, que mesmo este ano estando numa fase ruím, pode ser que no ano que vem tenha melhorado em muito e volte a sua normalidade, como o exemplo citado pelo comentarista em 85, para ser mais uma seleção do continente Sul Americano, com chanches de conquista na copa, pq. só dependendendo única e exclusivamente do Brasil neste continente, seleções Europeias como a Italiana, Alemã, Inglesa, Espanhola, Holandesa , Francesa e outras , vão agredecer e muito.

  • http://www.descurvo.blogspot.com Hugo Albuquerque

    Eu ficaria de olho na Argentina. Mesmo que desde que José Pekerman, com toda sua canhestrice, não conseguiu levar mais longe aquele bom time na última Copa e tudo venha dando terrivelmente errado para a Argentina – e nem mesmo a ascenção de Maradona como treinador tenha conseguidi representar uma mudança significativa nesse rumo -, eu ainda teria meus cuidados: Isso me lembra muito o Brasil do quadriênio 99-02; sucederam-se inúmeras tragédias até que Felipão assumiu o time, conseguiu classifica-lo para a Copa sem muito brilho e lá foi campeão com louvor. Não me surpreenderia se Maradona conseguisse fazer o mesmo – em que pese o grande trabalho de Dunga que se não fizer como Parreira e largar mão na preparação para a Copa, tem grandes chances de levar o Brasil ao título.

  • Lucas Aguiar

    Quando chega o domingo eu encilho o meu pingo que troteando sai,
    Rumo as velhas barrancas de histórias tantas do rio Uruguai
    Eu sou fronteiriço de rédea e caniço o perigo me atrai
    Sou de Uruguaiana de mãe castelhana igual a meu pai…

    I Gaucho! jugamos a muerte a los hermanos argentinos