8 ou 80 – 15 de agosto a 1o. de setembro de 2001

por Mauro Beting em 01.set.2009 às 15:18h

O blag faz uma sessão de regressão. Volta oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em agosto-setembro de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde trabalhava como comentarista, além de também comentar na Band.

Notas que contam um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

17 de agosto de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Brasil de Felipão venceu o Paraguai por 2 a 0, no Olímpico, pelas Eliminatórias-02–

Deu, mas o time e esse jogo não dão

PORTO DOS MILAGRES – A sugestão do novo nome da capital gaúcha é de um radialista paraguaio que chorava, entre chuletas e picanhas, as pitangas pela derrota na Porto Alegre rebatizada. A seleção gaudéria venceu as incertezas, os temores, os tremores e o misto paraguaio por 2 a 0. Uma grande vitória pelo placar elástico demais para um jogo tão apertado. Um placar enganoso para uma atuação tão discreta. Três pontos preciosos conquistados com uma bela mãozona do árbitro, que não viu a de Rivaldo quando o jogo era todo adversário.

A seleção acabou o jogo sem encontrar o próprio. Terminou a partida que não poderia perder atuando de um jeito para empatar: três zagueiros, dois alas presos como laterais, quatro volantes de fato, e um solitário (e solidário) Denílson à frente. Uma formação de emergência para uma situação ainda crítica. Levamos três anos para não formar uma equipe que ainda precisa fazer contas a apenas quatro jogos de um longo torneio.

É pouco para quem tanto tem. Mas não é muito para quem não definiu um time. Ou pior: para quem já mandou 59 jogadores a campo em apenas 14 jogos. Mais de cinco times comandados por quatro treinadores diferentes. Não por acaso Denílson agradeceu ao “professor Luxemburgo” pela chance dada, como deslizou ao microfone de Tatá Muniz, na PSN.

Denílson, Edílson, Luxemburgo, Felipão, é tudo igual num país que marcou tanto por ser desigual. Mas estes são os nossos dias. De um futebol marcado, mascado, massacrado (mascarado?). De uma equipe que reencontrou a vitória, mas continua tão distante do time ideal e do bom jogo quanto Porto Alegre do porto de Hiroshima.

Melhor do Brasil

Marcou um gol, marcou Arce, marcou por Rivaldo, marcou muito para uma estréia num jogo tão importante. Marcelinho Paraíba Merece novas chances.

Bem na foto

Denílson, Juan, Roberto Carlos e Belletti foram outros brasileiros que jogaram mais que a própria seleção. Ainda é muito pouco, quase nada. Mas pode ser tudo.

Alas

O esquema com três zagueiros libera o apoio de Belletti e Roberto Carlos. Não é acaso a boa partida dos ex-laterais. Mas não é mais o caso de escalar tantos volantes.

2002

A Argentina chegou lá. Com 11 titulares que atuam na Europa, e jogam juntos há um ano e meio por uma seleção que só escalou 26 jogadores em 14 jogos das Eliminatórias.

O jogo

Era preciso vencer o Paraguai. De qualquer jeito – ou até sem jeito. Agora é necessário encontrar um time, um banco, e um modo de jogar.

19 de agosto de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Brasil de Felipão venceu o Paraguai por 2 a 0, no Olímpico, pelas Eliminatórias-02, atuando com tês na zaga

Todos babam – ou cospem – nele

Se o Chilavert cospe em Roberto Carlos, o brasileiro baba por RC. A baba que corre pelas mais diversas bocas vem da bola boa e cheia que voltou a bater o nosso melhor lateral-esquerdo. Ou (muito) melhor: o nosso novo ala-esquerdo.

A explicação pelo reencontro técnico do nosso melhor RC é tática. Como ala do 3-3-2-2 do Brasil, ele não precisa mais marcar como lateral, cercar como volante, armar como meia, e atacar como ponta, as singelas atribuições dos laterais brasileiros nos tantos esquemas com quatro zagueiros que o Brasil utiliza desde Falcão. Como ala, com a devida cobertura de um zagueiro (mesmo que Cris) e, eventualmente, de um volante (mesmo que Eduardo Costa), Roberto tem livre acesso ao ataque. Atuando do meio para a frente, chega mais fácil ao gol, e explora melhor a patada que Chilavert respondeu a gota.

Também não foi um sortilégio a boa atuação de Belletti pelo outro lado. Com as mesmas liberdades concedidas pelo esquema, ele pôde fazer o que nem Cafu vinha mandando bem no esquema com quatro zagueiros.

O Brasil pode e deve continuar atuando com três na zaga. Só não pode insistir com tantos volantes no meio. Com três homens à frente de Marcos (e um deles, cada jogo mais, tem de ser Juan), dá para o Brasil só escalar um volante.

Fortuna

“Sorte” é “fortuna” em italiano. A Internazionale, a Nike, a bola, o Brasil e a Seleção torcem pelo joelho da nossa maior estrela. Forza, Ronaldo!

Diferente

Nem Ronaldo sabe que Ronaldo volta a campo hoje, pela Inter. Só sei que os pés dele têm condição de, se preciso for, continuar fazendo dele um craque. Um outro craque.

1º. de setembro de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Brasil de Felipão se preparava para enfrentar a seleção argentina, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias-02–

Bairrismo burro é redundância

Fernando Menegazzo, o novo convocado por Felipão, é o mesmo Fernando elogiado outro dia nestas linhas. Sabe marcar como primeiro volante. Tem porte para tanto. E sabe criar algumas ações de ataque, armando alguns lances, virando bem algumas bolas e, também, chegando ao ataque para fazer seus gols, como o golaço marcado contra o São Paulo.

Fernando tem potencial de seleção. Tem pés bem educados para tanto. Mas não tem quilometragem para assumir uma seleção brasileira em jogo de Copa do Mundo no estádio do River Plate, em Buenos Aires. É o 18o. calouro chamado para uma partida de Eliminatórias. É o 78o. convocado para apenas 15 jogos. Mesmo que 26 atletas tenham sido cortados por motivos de contusão, ainda é muita gente para tão pouco futebol. E para quatro treinadores…

Fernando já tem o bico virado pela naturalidade gaúcha. O império do Sudeste acha que a convocação tem mais de um sentimento nativista do Sul que qualquer outra coisa. É um preconceito besta como o que já se ensarilha nos pampas no contra-ataque. Uma guerra burra e bairrista (o que é redundante) fomentada pelas tribunas de imprensa, e, também, não sem alguma razão, alimentada pelos arroubos regionalistas de Felipão, que enxerga inimigos em todas as trincheiras, epa, em todas as tribunas.

Essa praga que empesteou o futebol brasileiro não pode voltar. Aquela burrice sem visão que queria Oreco em 58 no lugar de Nílton Santos, que enxergava mais bola no flamenguista Dida que no santista Pelé (detalhe: um alagoano por um mineiro), e que só “enxergava” Zico como um “craque do Maracanã” não pode atrapalhar a seleção que é brasileira. Não paulista, nem gaúcha.

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  • http://www.91rock.com.br/blog/futebolecoisaseria/ Cleverson Bravo

    legal isso hein Mauro! O Paraíba pedia passagem há oito anos e hoje carrega o Coritiba nas costas, como um dos três melhores jogadores em atividade no Brasil, pelo menos. Continua não sendo lá muita coisa, o coxa sofre pelas tabelas, nem é motivo para torná-lo selecionável, mas vale a citação

  • Guilherme

    Po, Leandro Bonfim é bom… Não é tão valorizado como deveria, infelizmente. Esse ano chegou a jogar pelo Fluminense, mas a diretoria burra, estúpida e incompetente (a mesma que acabou de ter aquela idéia genial de trocar de técnico de novo) o dispensou. Melhor que o Marquinhos ou o Carlos Eduardo, outros jogadores que ocupam a posição na qual ele joga.

  • Guilherme

    Puts, falou bobagem na época, heim 😛
    Ronaldo foi o herói do penta em 2002, e foi um dos integrantes da campanha pífia de 2006… Mas tudo bem, o gorducho é imprevisível. Eu mesmo não dava um ovo por seu retorno ao futebol pelo Corinthians.

  • Luiz

    Vc vê ein Mauro… A Copa de 2006 será do Ronaldo… Leandro Bonfim vai dar craque… E o Kanu até que fez a parte dele… Mas bem legal mesmo ler estes textos antigos…

  • João Paulo Santos Leite

    Leandro Bonfim é triste em Maurão!!!!!
    Mas é assim mesmo agente ve o jogador se impressiona e dps ele some.
    O Kaka era reserva do Harisson e do Hugo na copinha de 2001, fz o q ne?
    Abraço