Fluminense…

por Mauro Beting em 18.ago.2009 às 15:48h

ESCREVE ANDRÉ ROCHA

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Na entrevista coletiva depois da derrota do Fluminense por 3 a 1 para o Coritiba no Maracanã, o técnico Renato Gaúcho atribuiu o sentido revés, daqueles de desesperar pela importância da partida, ao comportamento apático dos jogadores. Segundo o treinador do Flu, sua equipe assistiu ao Coritiba jogar e não realizou o combinado antes do jogo. E ainda elogiou a postura do time comandado pelo estreante Ney Franco.

De fato, o trabalho psicológico é importante para a recuperação do time que representa um clube abalado por tantos problemas administrativos e políticos. Porém a parte técnica e o esquema tático também não podem ser esquecidos na equação que explica o péssimo momento tricolor.

Antes de tudo, é dever reconhecer os méritos do Coxa, que foi ofensivo e deu liberdade a seu jogador mais decisivo. Atuando no ataque ao lado de Bruno Batata, Marcelinho Paraíba desequilibrou com belos lances e dois gols, o segundo um golaço sensacional, o mais bonito da rodada. Mais um para a galeria do camisa 9 que vem se especializando em fazer estragos nas defesas adversárias com suas arrancadas e não lembra em nada o jogador individualista e polêmico dos tempos de Flamengo. Pedro Ken e Carlinhos Paraíba foram outros destaques de um time que sobrou em campo e poderia até ter alcançado uma goleada na segunda etapa.

Mas se o oponente mostrava bom futebol, era dever do time carioca se proteger melhor em seu sistema defensivo. E o que se viu foi novamente a “avenida Ruy” pela direita que Luiz Alberto e volante Diogo não conseguiram cobrir. O “Cabeção” é um jogador útil no apoio, mas só pode atuar em um esquema com três zagueiros ou no meio-campo, como Vinicius Eutrópio chegou a experimentar em sua rápida passagem como treinador.

Além disso, o perseguido Wellington Monteiro não dá a devida proteção à hesitante retaguarda que sucumbe diante da velocidade dos rivais. Na frente, a equipe depende demais da criatividade do técnico, porém inconstante Conca e da velocidade do veterano Roni para fazer a bola chegar a Kieza, que vem rendendo bem mais do que o esperado, mas não é o suficiente para garantir um time que precisa de vitórias com urgência.

A situação na virada do turno é gravíssima. A campanha atual, com apenas quinze pontos, é inferior à do Ipatinga, lanterna e o primeiro a ser rebaixado em 2008. Já passou da hora de reagir e fibra e determinação serão mais do que necessárias na seqüência da competição.

No entanto, Renato Gaúcho, em paralelo, precisa encontrar soluções dentro do elenco e no mercado para qualificar a equipe e também pensar mais nas questões estratégicas, sem o surrado recurso de encher o time de zagueiros e volantes fora de casa e escancarar a defesa no Rio de Janeiro usando vários atacantes.

Só na raça e motivação, o Flu de Renato pode até se tornar um adversário valoroso, que venda caro as derrotas. Mas o rebaixamento será inevitável.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA

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