Presidente Timóteo-14

por Mauro Beting em 06.ago.2009 às 12:44h

A “cidade” que fica quase no coração do país (ali pelo pâncreas) ainda é candidata à sede do Mundial no Brasil, em 2014. A frase é do líder do clã que domina o município, o prefeito Renavan de Alcantara: “A esperança é a última que morre – depois dos nossos opositores”. A coluna teve acesso a um telefonema entre o prefeito e a filha Benesse Britney de Alcantara:

– A bênção, pai.

– Que Deus lhe abençoe, filha, e o BNDES nos pague.

– BNDEUS? É a igreja que o meu tio está montando?

– Não, querida, essa é outro negócio… Eu já estou vendo aquela parada para o seu namorado aqui no mimeógrafo da prefeitura…

– Obrigado, pai. Mas é outra história que precisa falar. É que no site do Comitê Organizador da Copa, o Cocô-14, tem uma frase sua dizendo, em junho, que “a nossa Arena Escatológica não terá dinheiro público”… É que acho que não vai ser assim, né?

– É, filha, será uma parceria público-privada. O poder público entra com 99% do dinheiro e os outros 11% são das empreiteiras.

– Um por cento, né, pai?

– Onze por cento, filha… Parece que você não sabe fazer conta, nem comissão…

– Mas tem outra frase sua, de abril, dizendo que a prefeitura “não vai gastar um centavo” no estádio…

– Não vai mesmo, Benesse. Vai ser muito mais!

– Tá… O senhor disse em março que “só os parceiros do 31 de Abril F.C. é que participarão do bolo e da vaquinha para pagar as contas”, que só o clube, dono do estádio, é quem tocará a obra…

– Minha filha, sustento tudo! Não tenho nenhuma ingerência no clube da nossa cidade. Não temos nenhum negócio com o 31 de Abril. É uma sociedade sem fins lucrativos. Por isso não quero nada com ela… O fato de eu ser presidente do 31 de Abril não tem nada com isso. Não participo de nada, e não sei de nada. E se as reuniões do Conselho coincidem com o amigo secreto de Natal da família, também é mera casualidade. Querer imaginar que temos alguma participação nisso é leviandade dessa imprensa irresponsável! Esse denuncismo barato é terrível. Aliás, Benesse, precisamos reestudar as nossas cotas de patrocínio municipal para a mídia. Fale com o seu namorado.

– Pai, esse é o meu antigo namorado. Aquele que o Depevatson indisponibilizou os recursos vitais dele depois de o jornal do pai publicar a foto do senhor no fim da festa do Musaranho Etrusco no Rolete…

– Ah, tá. Aquele que entrou no rolete logo depois, né? Falei pro Depevatson pegar mais leve… Mas o desgraçado não poderia publicar a minha foto daquele jeito. Há limites para o trabalho da imprensa. A liberdade deles termina onde começa a minha, que é dentro do nosso município. Mas, enfim… Depois a gente fala, então, Benesse. Preciso ligar para meus aliados do Conselho de Ética da Câmara…

– E tem?

-Tem “aliados” ou “Conselho de Ética”?

– Os dois, pai.

– Claro que tem! Chico Picadinho, os irmão Tattaglia, o Barzini, o Dartvaderson, estão todos comigo.

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  • http://bloguedotimao.wordpress.com/ Álvaro

    Muito bom!

    Existe uma tremenda confusão que as pessoas estão fazendo entre dinheiro público e desenvolvimento.

    O certo era não termos nos candidatado.

    Agora que temos a Copa, não adianta mais. Temos de fazer o melhor possível com os recursos disponíveis e aproveitar a “agenda positiva” da Copa.

    http://bloguedotimao.wordpress.com/2009/08/04/nao-nao-nao/

  • http://lance jnunes

    sem graça esse seu comentário, porque voce não procura escrever coisas melhores??fraquinha,fraquinha essa sua colocação..

    JNUNES, obrigado pela crítica construtiva.
    Não é para ter graça. É para lamentar.

  • Pingback: Pra bom entendedor, meia palavra basta. « Blog do Allex()

  • http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html Aarrestad

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  • Flávio Domingues

    Gostaria de enviar alguns artigos que tenho produzido sobre Copa do Mundo. Trato dos vínculos com o turismo, com o desenvolvimento econômico, com integração regional. Continuo estudando o assunto e quando sobra tempo crio algo novo. Abraço. Flávio Domingues
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    Copa do Mundo de 2014 e Turismo
    Por Flávio Domingues
    Consultor de Turismo em Pernambuco

    O Brasil debate os preparativos para a Copa do Mundo de 2014. Exaustivamente, falam no legado que o evento deixará. Bilhões de reais investidos em obras de infraestrutura que auxiliarão na mudança da face do País. A cada dia, através de mecanismos de busca da internet, lemos uma centena de notícias das cidades que receberão as seleções que aqui disputarão o certame esportivo de maior visibilidade do planeta.

    Para se ter uma ideia da repercussão midiática do torneio, na Copa de 2006, colocando em apenas um canal de TV tudo que foi exibido pelas televisões de cada país, atravessaríamos oito anos assistindo programas não repetidos a respeito da passagem do circo futebolístico por paragens germânicas. Só analisando o efeito da mídia já consideraríamos que foi acertada a decisão do governo brasileiro de aceitar o desafio de produzir um dos maiores espetáculos da terra.

    Todavia, nessa massa de notícias diárias, acima aludida, temos a oportunidade de perceber que todo o foco das discussões encontra-se no campo das obras de infraestrutura e da qualificação da mão de obra para receber os quase 1 milhão de turistas que chegarão ao País.

    Obras de infraestrutura são muito importantes, contudo, não se faz turismo sem investir em pesquisas de oferta e demanda; qualificar produtos turísticos; ofertar boa programação turística; sensibilizar a população; ter mecanismos eficazes de informação turística (em vários idiomas); promover os destinos; apoiar a iniciativa privada na comercialização de pacotes, que serão, necessariamente, integrados com as outras cidades-sede, pois as tabelas de jogos fazem os times passar por vários estádios e, por fim, organizar receptivos para os fanáticos por futebol que desembarcarão no País. Sendo assim, o Governo Federal e cada Governo Estadual e Municipal que estiver se preparando para receber a Copa do Mundo deve delinear os investimentos também necessários aos feitios do turismo propriamente dito. Dessa maneira, o Brasil lucrará com o evento tendo o melhor retorno de possível, tanto no legado que se construirá, quanto na imagem que permanecerá na mente dos que aqui vierem e dos impactados pela repercussão do evento.

    Garantidos os investimentos no turismo acima destacados, um dos nossos principais desafios será fazer com que o Recife seja a cidade-sede mais animada de toda Copa do Mundo. Este poderá ser nosso grande diferencial, que deixará como legado a melhor marca que vemos para nossa região – Um povo trabalhador, que está sempre com o sorriso no rosto e que sabe brincar como poucos no planeta. Essa marca poderá ajudar a vender os destinos turísticos que rodeiam o Recife induzindo o desenvolvimento turístico de todo Estado e mesmo dos estados vizinhos. Para nossa sorte, a Copa acontecerá no período junino, quando Caruaru, Recife e Campina Grande, animarão os torcedores em grandes festas. Se isso já seria suficiente para uma excelente programação, devemos lembrar que teremos uma oportunidade ímpar para mostrar todos nossos produtos e, por isso, uma edição especial do Carnaval Multicultural do Recife, com direito a Galo da Madrugada e tudo mais seria muito bem vinda.

    A Copa do Mundo é uma grande vitrine, sendo assim, ainda, poderíamos pensar em apresentações especiais da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, da Batalha dos Guararapes para relembrar o nascimento da pátria, que hoje usa “chuteiras”. Acomodaríamos também a agenda do festival de Garanhuns e demais eventos de inverno que acontecem em várias cidades do interior, encaixando-os com os dias que não têm jogos, complementando a programação turística que fará o torcedor permanecer no Estado o maior tempo possível.

    Com uma programação assim, que – sem bairrismos – o pernambucano sabe fazer muito bem, ficarão pasmados os turistas e jornalistas que aqui estiverem e sagrarão o Recife como o melhor destino na Copa do Mundo de 2014. Isto nos credenciará para receber turistas muitos anos depois do fim do campeonato que, oxalá, será conquistado pelos donos da casa.

  • Flávio Domingues

    Segue outro… para avaliação do Sr. Beting
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    Copa do Mundo de 2014 e Integração Regional
    Por Flávio Domingues
    Consultor de Turismo em Pernambuco

    Sudene e o Ministério da Integração Regional são algumas das tentativas de se integrar o Nordeste economicamente. Apesar dos esforços, os resultados ainda são aquém do que sonhava Celso Furtado. Mas vem ai a Copa do Mundo de 2014 e quis o destino que quatro cidades nordestinas sediem jogos. Salvador, Recife, Natal e Fortaleza fazem parte do seleto grupo de capitais que ganharão destaque mundial nos próximos anos fruto da mídia positiva que o evento da FIFA gera e, este, pode ser o vetor que acelerará a integração para vermos realizados os sonhos do fundador da Sudene.

    O modelo das tabelas de jogos das últimas copas levou os países a jogarem em cidades diferentes e, por isso, forçou deslocamentos de grandes contingentes de torcedores seguindo suas seleções. Para citar o exemplo da Copa da Alemanha, nos jogos de Alemanha, Brasil, França e Itália, apenas o Brasil teve dois jogos seguidos na mesma cidade. Raciocinando desta maneira, os jogos das seleções que estiverem no Nordeste, provocarão uma grande ação para integração do Nordeste. Torcedores hospedados no Recife, por exemplo, terão que ir a Salvador e depois a Natal ou Fortaleza, acontecendo fatos semelhantes com os que estiverem nas outras sedes nordestinas, mas para que isso aconteça, é necessário garantir meios de transporte que levarão os torcedores a se deslocar com rapidez e segurança entre as cidades.

    Pelas estradas, deveremos ter a BR-101 duplicada entre Natal e Maceió, mas é necessário garantir a duplicação em todo trecho que une as quatro cidades e pensar na possibilidade de se ligar Fortaleza a Salvador em nova estrada que já deveria estar planejada que também encontrar-se-ia com a BR-232 e conectaria a nova estrada ao Recife, levando o turismo também ao sertão e ao agreste. Pelo mar, alguns navios de cruzeiro devem aportar e levar turistas, que estarão hospedados nos próprios, para acompanhar os jogos de seus times em cruzeiros. Mas não acreditamos em grande oferta de navios, visto que há a concorrência do verão europeu e os armadores não desarticularão suas estruturas que mandam turistas para sul da Europa facilmente, pois correrão o risco de perder postos de receptivos, acesso a portos, parceiros comerciais, etc.
    Porém, consideramos críticos dois gargalos que parecem ser intransponíveis. O primeiro é o sistema ferroviário, que poderia ser excelente alternativa para o transporte de passageiros usando as ferrovias que estão sendo construídas para transporte de carga, compartilhando o uso e racionalizando os investimentos da Transnordestina.

    O segundo, no espectro da iniciativa privada, são as conexões aeroviárias nordestinas. Temos, hoje, uma malha área interregional deficiente. Não existem conexões sistemáticas e intensas entre as sedes e isso será necessidade premente. O poder aquisitivo do torcedor da Copa é mais elevado que o do turista que tradicionalmente vem ao Brasil. Este novo consumidor estará muito mais disposto a pagar por um confortável vôo que o leve para outra cidade no mesmo dia que acontecerá o jogo de sua seleção e o trará de volta ainda logo após o final da peleja.

    Imaginamos que estatísticos das companhias áreas saberão contabilizar os ganhos significativos e convencerão seus diretores a criarem novas rotas que atendam essa demanda. Mas o poder público deve estar atento e cobrando destes concessionários essa prestação de serviço, que, com certeza, lançará as bases de um novo turismo no Nordeste. Um turismo verdadeiramente integrado, mas não só por terra, mar e ar, integrado no planejamento, nas pesquisas, na preparação de roteiros, de eventos, que se complementem e não concorram entre si, como acontece hoje no Carnaval e no São João. Também nos unamos em promoções que tragam o turista para passar alguns dias em cada cidade, mas muitos dias no Nordeste.

  • Flávio Domingues

    Segue o terceiro pronto… o próximo que estou pesquisando é sobre sensibilização dos brasileiros quanto a importância da Copa do Mundo e qual a responsabilidade de cada cidadão (mesmo sabendo que moramos em um país pobre)….
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    Copa do Mundo de 2014 e o Desenvolvimento Econômico
    Flávio Domingues
    Consultor de Turismo em Pernambuco

    É inquestionável que o crescimento do Brasil nos últimos anos foi grande. Os principais índices da economia, a importância do país no debate político, a projeção do Presidente Lula que, segundo o presidente americano, é “o cara”, entre muitos outros indicadores, confirmam o sucesso do país. Receber eventos do porte de Copa do Mundo e Olimpíadas é a medalha de ouro entregue pela comunidade internacional aos brasileiros por nossa entrada no seleto grupo de países que têm IDH acima de 0,8 – os considerados desenvolvidos. Por outro lado, ninguém duvida que haja muito ainda a ser feito e que desigualdades sociais não serão solucionadas com construção de novos estádios de futebol, rodovias e viadutos, o tal “legado”, que foi incluído no vocabulário de todos que falam de Copa e Olimpíadas, como sendo panaceia para as mazelas nacionais.

    De fato, esses eventos trarão consigo muito mais. Trarão a oportunidade de conclamar a sociedade e realizar ações concretas que, verdadeiramente, ataquem as ditas mazelas. Este debate deve ser iniciado, pois não podemos correr o risco de, ao final de 2016, lamentarmo-nos de perda, não dentro dos campos, mas na vida dos brasileiros. O país precisa fugir do discurso uníssono do legado da infraestrutura e discutir sobre o aproveitamento da Copa do Mundo para acelerar o desenvolvimento econômico e social da nação como um todo. Pensando nisso, propomos um plano de ação, para captação de investimentos produtivos, apoiado de forma consistente na realização da Copa do Mundo no nosso território.

    Todos que militam na atração de empreendimentos internacionais sabem que trazer empresas para um novo polo de atração é uma atividade que exige muito mais que inspiração, exige mesmo transpiração. Além desse esforço, é necessária uma conjunção de fatores que façam um investidor optar por este ou aquele país para receber o seu empreendimento.

    A visita in loco é, talvez, uma das melhores maneiras de influenciar uma decisão de milhões de dólares e a Copa do Mundo é um gigantesco atrativo para seduzir grandes investidores para conhecer o que temos a oferecer, associando a convites para jogos. Em outros momentos, esses investidores estão sempre muito ocupados e pouco dispostos a desbravar novas fronteiras de desenvolvimento. Assim, cada uma das sedes da Copa poderia atrair mil ou dois mil investidores internacionais e fazer um gol decisivo para captar grandes empresas para se instalar no país e gerar emprego e renda para o povo brasileiro, tornando realidade os tão sonhados benefícios da Copa do Mundo.

    O capital investido nessa estratégia será insignificante comparado aos vultosos investimentos que o país fará na construção civil e será perdoado o governante que gastou nossos impostos quando aportarem investimentos semelhantes ao de uma Kraft Foods, que para Pernambuco destinou mais de R$ 100 milhões para a economia local.

    Não podemos deixar de lembrar que este campo é da iniciativa privada e as empresas nacionais devem iniciar seus planejamentos para Copa e Olimpíadas buscando melhor se posicionarem no mercado e ampliarem seus negócios. Se não podemos estar presentes nas placas publicitárias dos estádios, temos que encontrar caminhos para também marcar gols e consolidar o país como grande destino de investimentos.

    Pernambuco tem a chance de sair na frente potencializando o sucesso do evento, atraindo investimentos, promovendo o turismo e garantindo a sustentabilidade do desenvolvimento conquistado por, quem sabe, 30 ou 40 anos.