8 ou 80 – julho de 2001

por Mauro Beting em 28.jul.2009 às 16:24h

Toda semana, o blag faz uma sessão de regressão. Volta oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em julho de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde trabalhava como comentarista, além de também comentar na Band.

Notas que contam um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

(Por motivos de força maior, o 8 ou 80 está um tanto desatualizado. Em breve promete estar no tempo exato. Grato)

9 de julho de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Flamengo x São Paulo decidiam o primeiro jogo da final da Copa dos Campeões, durante a criste entre Rogério Ceni e o presidente tricolor Paulo Amaral

Futebol é o que se viu na Paraíba

São Paulo x Flamengo foi o melhor jogo que vi em campos brasileiros nos anos 80. Um espetacular 4 a 3 no Morumbi para o time de Zico. São Paulo x Flamengo foi o melhor jogo que vi em gramados brasileiros em 2001. Um excelente 5 a 3 para o time de Petkovic, o 10 da Gávea.

Deu Flamengo, mas poderia ter dado São Paulo. Ainda dá para dar Tricolor no jogo de Maceió. “Basta” o time de França fazer metade dos gols que não fez dos 19 aos 25 minutos do segundo tempo. Não fosse a falta de cacoete de definidor de Carlos Miguel, e a sobra de categoria de Júlio César debaixo das traves, o São Paulo poderia ter feito uns cinco gols. Do outro lado do campo, não fosse a infelicidade de Jean ao chutar as bolas nas pernas de Edilson, e, também, a de Rogério Pinheiro, que, sem querer, meteu gol adentro um rebote de Rogério Ceni, o Flamengo teria feito menos que os cinco gols marcados em Alagoas.

Foi um jogaço que não merece restrições, nem críticas aos derrotados. Nelsinho mudou a marcação de meio-campo, com os mesmos jogadores: Simplício foi um volante misto à esquerda, em vez do meia pela direita que vinha sendo (e muito bem). Desse modo, Douglas ficava na cola de Pet, e Souza, livre para armar, do outro lado do losango do meio-campo.

O problema é que não se marca fácil alguém tão bom como o sérvio. E não há como confiar plenamente em alguém tão irregular como Souza. Pet fez o serviço. Souza sumiu. Só quando Carlos Miguel e Kaká entraram, mudando a qualidade técnica, mas não a disposição tática à base de um equilibrado e dinâmico 4-3-1-2 (idêntico ao do Flamengo de Zagallo), o São Paulo entrou no jogo. Mas as bolas, não.

O time com mais jogadores desequilibrantes venceu o time mais “equilibrado” – como time, claro. Porque como estará o ídolo e capitão que cogita entrar na Justiça contra o presidente do clube? Um grupo cujos atacantes estão de bico virado para os cartolas que sonhavam com Edmundo? Um time que conta os dias para contar os dólares das vendas de Souza e Belletti?

Não gosto de entrar na questão salarial de ninguém. Tenho aversão à mídia que faz pública a vida privada, e nojo dos que trazem a privada para o público. Mas as partes envolvidas no caso Rogério Ceni-São Paulo trouxeram para dentro de campo questões internas e intestinas – em qualquer acepção do termo. Expuseram chagas e cheques do Morumbi para o Brasil. Não sei quem tem razão. Só sei que quando dois brigam do jeito que baixaram o nível as partes, sou inclinado a dizer que não há vestais, muito menos vencedores. Só há um grande perdedor: o São Paulo.

O clube deve perder o seu maior ídolo, um dos maiores goleiros do país, e um dos maiores cobradores de falta do Brasil. São Paulo que vai continuar perdendo muita coisa se não resolver suas intrigas políticas internas, e se continuar entregue às lideranças enfraquecidas por essas lutas ginasianas de grupelhos de coroinhas de cardeais, e pelas briguinhas de factóides das facções e falanges do clube.

10 de julho de 2001

N.R.-2009 – Felipão ainda não havia definido a Seleção para a Copa América

Pesquisas

“O Globo” (no Rio) e “Placar” (via internet) escalam Marcos, Cafu, Antonio Carlos, Roberto Carlos, Émerson, Juninho Paulista, Rivaldo e Romário na Seleção. O Rio quer Juan na zaga, Mauro Silva no meio, e Edilson na frente. A internet vota em Lúcio atrás, Vampeta como volante, e Ronaldo no ataque. A base é a mesma. Moral da história: o time é esse que Felipão também aposta. É hora de repeti-lo, como Leão não quis fazer, como Luxemburgo não pôde, como o Brasil pode e deve escalar

Sinceridades

“Existe uma carência de bons laterais-direitos no futebol brasileiro”. Palavras de Alessandro, o lateral-direito do Atlético-PR e da Seleção, à Rede Globo.

Sinceridade, como se vê, nem sempre é virtude. O Corinthians foi transparente ao listar os nove dispensáveis. Mas teria sido correto? Teria sido inteligente? Poucos dos nove afastados têm bola para continuar no Parque. Mas todos foram desvalorizados pelo corte profundo feito pela cartolagem corintiana. N.R.-2009 – Entre os cortados estava Marcos Senna, titular da Seleção Espanhola no título da Euro-08, que eu e muito menos Luxemburgo demos maior atenção em 2001

13 de julho de 2001

Times justificam Copa dos Campeões

Nelson Piquet costuma dizer que o segundo colocado é o primeiro perdedor. Num torneio de tiro curto como a Copa dos Campeões, a análise é irretocável. Sobretudo quando só o vencedor tem o bilhete para a Libertadores de 2002.

Mas pelo que Flamengo e São Paulo fizeram em inesquecíveis 180 minutos de uma decisão com 13 gols, a Copa teve mesmo dois campeões. Um de fato e de direito. O título ficou nos melhores pés do ótimo Pet. O gol de falta de Pet contra o Vasco levou o Flamengo à Copa dos Campeões. O gol de falta contra o São Paulo levou o rubro-negro de volta à Libertadores.

O Flamengo esteve melhor e foi mais feliz nas conclusões. Tem um time há mais tempo acertado, e com estrelas mais “cintilantes” (essa é do tempo do Zagallo jogador)… O treinador tem méritos inegáveis na conquista. Mas que ele ajudou o São Paulo a ganhar o jogo, deixando apenas Edilson isolado à frente na primeira etapa, ah… isso ele ajudou.

O novo São Paulo de Nelsinho foi quase tão bom quanto o Flamengo do velho Lobo. A derrota dói, deixa lições e amarga certezas. Há fatos, porém, que o Tricolor não pode deixar de louvar. O talento de Kaká, aquele garoto com cara de bebê que fez golaço de gente grande. A boa safra que vai se consolidando no Morumbi. O jeitão de time que vai se ajeitar com o tempo.

Se tem deixado muito troféu escapar pelos dedos, pelo menos tem tocado e cheirado o sucesso. O São Paulo tem potencial de crescimento muito grande pelo trabalho constante e competente nas divisões de base. Para esse grupo dar títulos tanto quanto dinheiro em caixa é preciso crédito. Tempo. Fé. Como esse mesmo São Paulo um dia já foi o time da fé. Bem antes de ser esse clube de cardeais encastelados, coroinhas obedientes, e conselheiros mais acacianos que os de Eça de Queirós.

N.R.-2009 – Felipão estreava com derrota para o México na Copa América na Colômbia

As bombas da Copa e do time do medo

Kuntz; Telefone e Barata; Laís, Alfredinho e Dino; Zezé, Candiota, Nonô, Machado e Orlandinho. Esse foi o último Brasil que perdeu quatro jogos seguidos. Isso em 1921. O “scratch” brasileiro foi goleado uma vez pelo Uruguai, e levou mais três lambadas da Argentina.

De 1921 até 2001, a odisseia brasileira não havia registrado quatro derrotas seguidas. Até a exclusão brasileira de Émerson Leão perder para a França por 2 a 1 na semifinal da Copa das Confederações; veio a Austrália na decisão do terceiro lugar, e o mistão deles (com boa parte dos titulares dispensados para que pudessem comparecer a um casamento) ganhou por 1 a 0. Chutado Leão, o Brasil de Luiz Felipe Scolari perdeu para o Uruguai por 1 a 0 em Montevidéu, e pelo mesmo placar para o México, em Cali.

São quatro derrotas seguidas. Há 80 anos a Seleção brasileira não repetia tamanha “façanha”. Já são seis partidas sem vitória. Marca ainda distante dos oito jogos de jejum do Brasil de Lazaroni e Falcão, de 1990 a 91. São três partidas sem um mísero gol. Desde 1990 a gente não fica tanto tempo em branco. Mais 90 minutos sem gol e a seleção baterá o recorde histórico. O Brasil, qualquer Brasil, nunca ficou quatro jogos sem marcar. O problema é que esse Brasil é um time qualquer. Amedrontado. Desarrumado. Desorientado. E, mais que tudo, de mal com a bola.

Não à toa o treinador mexicano Javier Aguirre apareceu às gargalhadas com o atacante reserva Osorno. Trinta e três minutos do segundo tempo, o México ganhando do Brasil tetracampeão do mundo por apenas um gol de diferença, e o técnico deles fazendo graça.

A camisa amarela não anda pesando para os adversários. Mas tem sido um fardo que tem valido mais do que pesa para os nossos pobres jogadores ricos.

Não à toa Mauro Silva estava com medo dessas bombas todas. Melhor não embarcar por protestar contra o absurdo de se realizar a Copa numa Colômbia convulsionada que jogar e perder feio.

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  • Patricia

    Oi mauro sou sua fan, sempre frequento seu blog e gostava muito das suas analises na tv esporte interativo, sou aqui de goiania, e bom, meu pai é amigo de alguns diretores do goiania futebol clube, o clube do tulio maravilha, ele disse hoje na hora do almoço que as negociaçoes pro tulio disputar o segundo turno do brasileiro pelo botafogo estao fechadas só falta assinar, voce sabe oque dizem disso ai em sao paulo e no rio?

    PATRICIA, a informação que tenho é a mesma que a sua. está quase tudo certo, se já não estiver. uma boa contrataçao.

  • Guilherme

    Nossa, estranhíssimo ler o nome de Kaká não relacionado as ligas top da Europa. Mais estranho ainda ler que ele entrou no segundo tempo, ou seja, que começou o jogo no banco. Petkovic em seus momentos áureos e Felipão em maus lençóis… Eu mesmo não dava um ovo pelo Felipão, principalmente após a polemicíssima não-convocação de Romário.

    Mas no geral, 2001 me traz boas recordações futebolísticas. O Fluminense voltava da maior crise de sua história desacreditado, e com um time sem grandes estrelas (salvo Roger Flores, que estava ainda sendo revelado), ficou em 3º na primeira fase do Brasileirão e caiu nas semi-finais por conta de um gol nos acréscimos na Arena da Baixada. Era um time forte e que dava gosto de ver – perdeu apenas três das vinte e três partidas da primeira fase. Além do mais, o Flamengo quase caiu. 2001 foi um ano de QUASE!’s para a torcida tricolor, mas vai ser bacana poder reler notícias a esse respeito ao longo de 2009.

  • Moisés

    O velho provincianismo paulista. O Flamengo ganha e o jornalista só se preocupa em justificar a derrota do São Paulo, lamentável! Duas Copas se passaram e pelo visto quase nada mudou. :-)

    MOISÉS, o velho provincianismo de quem lê com o fígado. Méritos divididos. E, sempre lembrando, que a coluna foi publicada num jornal paulistano.

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