Zé Carlos, Zequinha, outros Josés

por Mauro Beting em 27.jul.2009 às 12:03h

Ele teve momentos brilhantes na meta rubro-negra. Talvez não fosse o caso de ter sido o terceiro goleiro brasileiro na Copa-90. Mas ele foi muito importante na Gávea. Foi campeão do Brasil em 1987. Foi mais rubro-negro que goleiro muitas vezes. No Flamengo, é o que é preciso para entrar no panteão de grandes torcedores-jogadores.

Ele foi discreto em campo, foi eficiente demais, e foi bicampeão mundial em 1962 como reserva de Zito. Reserva de caráter. Volante de passe qualificado, jogador de poucas palavras e gols. Supercampeão paulista de 1959, fez notável dupla com Chinesinho. Foi reserva de Dudu. Foi companheiro de Ademir da Guia. Foi muito pelo Palmeiras.

Ele conseguia jogar num time maravilhoso como a Máquina Tricolor de 1975-76. Armava como bom meia que era, e ainda conseguia dar um pé na marcação como os bons armadores. Era Kléber, que no sábado morreu jogando bola

Foram para o céu Zé Carlos e Zequinha. Muito perto dele chegou o campeoníssimo Andrade, pentacampeão nacional por Flamengo e Vasco. Vencedor do clássico contra o Santos na Vila Belmiro, dedicou a vitória que não acontecia desde 1976 ao ex-companheiro. Com as lágrimas nos olhos não só do amigo. Mas do colega de paixão, de profissão, de vida.

O Flamengo perdeu Zé Carlos. Mas quando se ganha alguém como Andrade (da mesma posição e categoria de Zequinha), a bandeira continua desfraldada.

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  • Leandro Ferreira

    Ao ver Andrade chorando, fazendo declarações de amor ao clube e lembrando de Zé Carlos, confesso que chorei junto com ele.

    Falta exatamente esse sentimento aos dirigentes que sempre se revezam no poder na Gávea: amor ao clube.

    Se essa corja de dirigentes pensasse mais no Flamengo do que em seus próprios interessantes pessoais certamente não estaríamos nessa situação de penúria há tantos anos.

    Obrigado Andrade. Obrigado Zé Carlos.

    SRN a todos.

  • Igor

    Parabéns pelo comentário. Para nao gerar rumores ao que escrevo, esclareco logo de cara que sou Rubro-Negro e admirador de Zico e da geracao que jogou ao seu lado. Mas, nao é de Zico que quero falar (pelo menos nao diretamente). Até a geracao dele (Zico) se notava, e ainda se nota em alguns que ainda trabalham no futebol (Andrade, Dinamite, Júnior, Raul, Júlio César, Adílio etc…) uma simplicidade e um respeito, uns pelos outros que é admirável e que falta aos jogadores “profissionais” do futebol atual. Nao me refiro aqui ao “abraco e lembranca amiga” que é realizada diante do microfone em uma entrevista coletiva. Mas da que é fruto da conviência sadia entre pessoas que convivem bem e se respeitam, respeitam suas diferencas, suas qualidades. Entao, voltando a Zico, você facilmente identifica que ao lado dele jogaram Nunes, Péu, Julio César, Júnior, Mozer, Júnior Baiano, Zinho, Leonardo, Tita, Marinho, Rogério, Carpegianni e tantos outros. Era uma época que o craque fazia os seus companheiros jogarem, e nao jogava sozinho, uma época que os jogadores se admiravam, e admiravam o mais talentoso entre eles. Que nao fosse Zico, que fosse Dinamite, no Vasco também havia o Dinamite que impulsionava os seus companheiros a jogarem melhor, que os guiava e inspirava, sem falar no casal 20 do fluminense. Enfim, é bonito ver o Andrade recordar o amigo do futebol e saber que pelo menos em uma geracao o futebol formou amigos verdadeiros dentro de campo.

  • Realmente é de se admirar quando alguém em um momento de conquista e euforia se lembra e homenageia outra pessoa de forma tão sincera e emocionada. Acho que não só o esporte como o mundo está precisando mais disso.

  • Raphael

    Parabéns ao Andrade – Concordo.
    Parabens ao Zequinha – Concordo.
    Agora, dizer que o Zequinha tinha a mesma habilidade que Andrade, ta brincando né?

    Se não tinha, era bem próximo.

  • André

    Andrade é um cara sensacional. Poderia ter se exaltado, mas não, lembrou do velho companheiro no momento de alegria. O futebol precisa de caras como ele. O choro sincero dele comoveu a todos, com certeza.

    Valeu Andrade pela lembrança de um grande torcedor rubro-negro.

    Valeu Zé Carlos.

  • José Victor Oliveira

    Belas pela lembranças… num país em que há pouco respeito aos ídolos do passado, você fez uma bela homenagem.

    e.t. talvez um descuido… o Dudu que foi reserva de Zequinha; este só foi perdeu a posição em 1967 – em 65 Dudu só jogou várias partidas por que Zequinha, o Sapo, estava machucado.

    Parabéns

    JOSÉ VICTOR, muito grato. de fato, em 1967, ele perdeu a posição.
    mas tanto o Dudu era titular a partir do segundo semestre de 1964 que ele foi o volante da primeira Academia, e foi titular também da seleção brasileira, em 1965.

  • Christiano

    Muito bonito o comentário, mais bonito ainda foi ver um super profissional, lembrando de outro companheiro de conquistas, de labuta. Confesso que fui mais um que ficou em frente a TV completamente sempalavras, tamanha a emoção da simplicidade do gesto de um campeão.Torço para que o Andrade se mantenha a frente do Flamengo e que os verdadeiros flamenguistas retornem e devolvam o clube à nação.

  • Eduardo Costa.RJ

    Imagino quantos Rubro Negros e fãs de futebol, se sentiram comovidos com aquela cena. Eu que há tempos, não me emociono com o Flamengo. Não pude conter o choro. Foi o momento de ver que apesar dos pesares, eu não estou sozinho no meu sentimento pelo Flamengo. Ainda há profissionais que amam e se dedicam aos clubes que os projetaram. Valeu Andrade. Por me fazer ver, que ainda há tempo e esperança para o Meu Flamengo. Basta ele ser comandado e administrado por verdadeiros rubro negros, rubro negros como você!
    Saudações Rubro Negras.
    Sempre Flamengo

  • http://rodrigofutebolgarcia.blogspot.com Rodrigo Garcia

    Eu achei muito legal o Andrade,ter dedicado a vitória ao Zé Carlos.Eu fiz uma homenagem ao Zé,no meu blog,foi um guerrero quando vestia a camisa do meu mengão.Convoco toda a nação flamenguista para protestar no meu blog,para efetivação do Andrade.

    http://rodrigofutebolgarcia.blogspot.com (Futebol sem Censura )

  • Gabriel

    Mauro,
    “talvez não fosse o caso de ser o terceiro golerio em 90”? Você só pode estar de brincadeira, né? Primeiro por vir com um papo desses numa hora dessas. Depois, por levantar uma questão que, além de insignificante (terceiro goleiro em Copa do Mundo), não gerou nenhum problema na época. Ou você levaria o Zétti (que usava calça de tão gordo) ou o Ronaldo – que era o Fábio Costa (muita marra, pouco futebol) da década de 90? Fala sério!

    GABRIEL, o Zetti estava parado na época. O Velloso (Palmeiras) era uma opção. Sérgio (Santos) era outra. Gilmar Rinaldi (São Paulo) poderia ser. Todas do mesmo nível de Zé Carlos. E não é desrespeito algum comentar isso. Devemos lamentar a morte de todos. Mas não mitificar todos os mortos como fazemos no Brasil.