8 ou 80 – 24 a 30 de junho de 2001

por Mauro Beting em 08.jul.2009 às 17:05h

Toda semana, o blag faz uma sessão de regressão. Volta oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em junho de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde trabalhava como comentarista, além de também comentar na Band.

Notas que contam um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

25 de junho de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Felipão começava a preparar o Brasil para a estréia dele, contra o Uruguai, no Centenário

Camisa-de-força

Erro básico da maioria dos técnicos de Seleção é desenhar um esquema tático e nele prender os convocados. É o time que faz o jogo, não o treinador. Técnico de seleção deve ter suas ideias de jogo. Mas sempre terá de adaptá-las ao time, jamais o contrário – como tantos já fizeram. Felipão é o boné da vez. Tem mais qualidades táticas que os detratores imaginam. Está preparando algumas opções distintas para esse Brasil. Se derem a ele tempo (que jogadores ele tem), o Brasil pode fazer desse discurso todo uma linda canção de vitória.

Principalmente se ele escalar um meio-campo mais leve que esse que vem treinando. Com três zagueiros dá para o Brasil atuar com um só volante.

26 de junho de 2001

N.R.-2009 – Felipão não sabia que time levar para a Copa América na Colômbia

Férias coletivas aos estrangeiros

Vale a pena tirar as férias dos europeus para desgastá-los em mais uma Copa América? E ainda por cima na Colômbia convulsionada? Compensa deixar mais gente boa sem descanso a um ano do Mundial? Para que esgotar Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu, Émerson, Antonio Carlos, Lúcio e companhia num torneio esvaziado pelas Eliminatórias?

São perguntas com respostas mais ou menos óbvias. Motivos também existem para Felipão aproveitar o torneio para dar liga a um time que só terá tanto tempo junto na Copa de 2002. Com o elenco escalado para uma competição oficial, a cobrança será maior. O técnico poderá testar novos modos de jogar, adaptar funções, e investir em algumas apostas. Por outro lado, qualquer tropeço do grupo titular contra seleções mistas dos vizinhos da América pode desencadear processos semelhantes aos que levaram Luxemburgo e Leão a você sabe onde – e aonde a gente não sabe mais nada.

Fosse eu o técnico, não levaria Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu, Émerson, Antonio Carlos, Lúcio e Élber para a Colômbia.

Supertécnicos…

Na Band, Levir Culpi, Candinho e Carlos Alberto Torres desceram a lenha no 3-5-2. E todos elogiaram Tite, que foi campeão de tudo com um 3-4-1-2… Os três falaram que o “3-5-2” está ultrapassado na Europa. De fato, “só” o campeão europeu (Bayern de Munique) joga desse jeito. E a “europeia” Argentina, com o 3-3-1-3, também.

Nós, jornalistas, damos muita bola aos técnicos. E, também, damos algumas boladas que eles não merecem. Eles não são tudo. Mas também não são pouco.

27 de junho de 2001

N.R.-2009 – CBF e Pelé apresentam projeto de calendário

Um Pelé por trás e dois pés atrás

Para os donos da bola, calendário no futebol é como aquela folhinha na parede de borracheiro ou no quarto de adolescente: é um negócio onde são mostradas as vergonhas das pessoas que estão bem na foto.

Esses mesmos homens de bravatas e gravatas já marcaram até a data da final do Brasileirão-2005 [N.R.-2009 – E o melhor é que acertaram…] – embora não saibam quantos times participarão do campeonato deste ano… Sem credibilidade, eles foram jogar com Pelé. Com Ele por trás, o torcedor com o pé atrás em relação aos cartolas fica menos cético. Ou menos crítico.

Podem até cumprir o prometido. Mas quem promete que a bola saiu ganhando com isso? Enquanto o Brasil não se adaptar ao calendário mundial da Fifa (férias em julho), não há jeito de a CBF arrumar tempo para a Seleção. Enquanto o Brasileirão tiver mais de 20 clubes, não há como torná-lo viável. Enquanto o maior campeonato nacional de clubes do planeta continuar sendo disputado no menor espaço de tempo do mundo [agosto a dexzembro], não dá para sonhar com menos jogos e mais futebol. Enquanto a pré-temporada (sic) durar quatro dias (como está previsto para o campeão brasileiro deste ano), não há como racionalizar nada. Só racionar.

Se a temporada começasse em agosto, seria possível dar mais tempo ao que mais importa (o Brasileirão), e menos bola aos tantos torneios eliminatórios bolados – ou eliminados do calendário. O nível técnico do Brasileirão seria melhor, a repetição de jogos dos vários torneios do primeiro semestre seria evitada, e daria até datas para um torneio internacional. Um bom campo para dar cancha a nossos times e atletas, globalizando a nossa bola. Na melhor acepção do termo

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  • Victor

    Grande Mauro! Tenho lido há um tempo as postagens “oito ou oitenta” e hoje resolvi me manifestar. Em um ato simples, como esta seção do blog, percebemos a destreza em recaptular (cruamente) análises passadas que demonstram o percurso seguido por nosso futebol. Trata-se de um “topar de frente” com a nossa vivencia anterior… Magnífico!
    É por ações como a sua, de grande brilhantismo, que me faz acreditar ainda num jornalismo esportivo sério sem deixar de ser inovador ou crítico.
    Parabéns cara!

  • http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html Kurtulu

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