8 ou 80 – 17 a 23 de junho de 2001

por Mauro Beting em 26.jun.2009 às 14:52h

Toda terça-feira, o blag faz uma sessão de regressão. Volta oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em junho de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde também trabalhava como comentarista, além de também comentar futebol na Band.

Notas que contam um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

17 de junho de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Prévia da finalíssima da Copa do Brasil, no Morumbi. No Olímpico, Grêmio 2 x 2 Corinthians

Um favorito, e um que não sabe disso

O Corinthians tem melhores jogadores. Um treinador mais experiente e obstinado pela remissão em campo dos pecados conhecidos (e supostos) fora dele. Vai ter quase todo um Morumbi jogando junto. Tem uma considerável vantagem regulamentar, ampliada pelos gols marcados no Olímpico como critério de desempate. Se não pode perder de jeito algum, o Corinthians é campeão se empatar sem gols, ou por apenas um gol. Até o 2 a 2 pode dar pé.

O Corinthians não tem Luizão, não vai ter André Luiz. Mas tem tido Gil no segundo tempo, vai ter que ter Marcos Senna todo o tempo. Tem na alma a tocante recuperação técnica, tática, física e mental no Paulistão-01. Tem o caneco na estante como prova. Tem a decisão de hoje como diploma de graduação.

Tem como rival um Grêmio que sabe que o dono da casa tem melhores e maiores condições de título. Mas é esse Grêmio, como quase todos os Grêmios, o que sabe de mais coisas. É daqueles poucos times que são campeões com pouco time. E essa equipe de Tite não é pouco time, não. Tite armou muito bem esse grupo de campeoníssimos como Zinho, Mauro Galvão e Danrlei, e de aspirantes como o ausente Eduardo Costa, o reaparecido Marcelinho Paraíba, e Tinga.

O Grêmio sabe das limitações, mas joga como se não as conhecesse. É quase sempre assim. Tem sido sempre assim com essa equipe de Tite. Parecia entregue em Porto Alegre, e achou um empate perdido. Um resultado que deixa o Grêmio vivo. Confiante. Respeitável e perigoso até depois do último minuto.

O Timão ainda é o favorito. Se, claro, souber das coisas que o Grêmio sabe. E não conta.

O Tricolor que calou o Morumbi e ganhou o tetra da Copa do Brasil

O Tricolor que calou o Morumbi e ganhou o tetra da Copa do Brasil

18 de junho de 2001

N.R.-2009 –O Grêmio foi brilhante no Morumbi e venceu por 3 a 1. Abriu o placar com Marinho. Depois deu um show sobre um Corinthians que não se achou e começou a se perder na madrugada, numa conturbada concentração

Azul é Marinho, campeão é Zinho

O Grêmio pode. Ele sabe. Parece que só os adversários do Sudeste não sabem que, quando o tricolor gaúcho chega, eles não podem cantar vitória e contar taças. O Grêmio é daqueles times que ganham mesmo quando tem menos time que o rival.

Tinha menos qualidades individuais, sim. Mas não tinha menos equipe. Muito pelo contrário. Não há time mais ajustado por estes campos. Joga certo para fazer o adversário atuar errado – e como errou o Corinthians em quase toda a decisão! Joga no erro para acertar o gol, como mais uma vez João Carlos deu para trás (e, desta vez, nenhum gol a 16 segundos salvou, nenhum Botafogo de Ribeirão Preto facilitou).

O Grêmio mina as forças do rival no campo dele. Rouba as bolas e a alma alheia na trincheira contrária. Mesmo sem grandes craques, mesmo sem um artilheiro de fato, o Grêmio está mais perto do gol por entender que não há campo do adversário, nem dele mesmo. Todo o gramado está à disposição de quem estiver mais disposto. E ninguém esteve mais disposto, e cada um no seu posto, que o Grêmio desse jovem craque chamado Tite. Comandante de velhinhos como vinho, como Galvão, como Zinho.

Como esse velho e novo Grêmio. Uma vez mais campeão. Uma vez mais contra tudo e contra todos. Deixando a pé o rival, com o torcedor indo a pé para onde for. Para mais uma Libertadores.

O Timão pode reclamar de um discutível pênalti de Roger em Gil. Pode lamentar a ausência de André. Só não pode reclamar da imensa superioridade gremista. Uma derrota de 3 a 1 foi pouco para quem faz pouco caso de um Grêmio campeão pela quarta vez.

Só não viu quem não quis o que o Tricolor vinha fazendo na Copa do Brasil fora de casa. Só não querem ver paulistas e cariocas. O Grêmio continua sendo “azarão”, mesmo tendo levado muito mais “sorte” desde 1981 contra “nós” – e “eles”. O Grêmio de Tite não deixa o adversário respirar. Transpira em todo lance. Marca os melhores do rival, e ainda marca os gols. Faz um, busca outro. Força o erro, não espera que ele caia do céu na grama.

O Grêmio não surpreendeu. Diferente, mesmo, ele foi no Olímpico, quando tomou um gol estranho de Marcelinho, e sofreu cinco minutos de blitz até o golaço de Muller. Estranho ele foi no jogo de ida. Na partida de volta ele foi igual ao que vinha sendo. De tão parecido, tão “previsível” que foi, o Grêmio foi mais igual que todos os times. Logo, diferente.

Ah! E para os chatões que têm aversão aos esquemas “europeus” – ou não querem mesmo é aprender: o Grêmio atua num 3-4-1-2, que pode variar para um 3-4-2-1, ou um mais ortodoxo 3-3-2-2. Um time que deu show com três zagueiros. Foi equilibrado – e ofensivo – com três atrás. Do jeito que dá para ser o Brasil de Felipão.

Tags:

  • Gregorio – Natal

    Mauro, faz um Raio-X dos “Timões” de 95 e 2009. Tá aí a sugestão. Pode plagear, é um prazer!!! Tentei mandar no seu e-mail, mas voltou. Espero que dê certo!!

    RAIO-X: TIMÃO 1995 X TIMÃO 2009

    No Gol: Ronaldo X Felipe > goleiros de muita personalidades, marcados por aquelas entrevistas-bomba logo após o jogo, onde o que vem na cabeça sai pela boca;

    Na Zaga: Henrique X William > zagueiros de classe, ambos capitães;
    Célio Silva X Chicão > zagueiros de raça, decisivos nas cobranças de falta;

    Na Lateral: Sylvinho X André Santos > ótimos laterais, com grande poder ofensivo e força na marcação;

    No Meio-Campo: Zé-Elias X Cristian > exímios marcadores, muita raça e forte identificação com a torcida;
    Souza X Douglas > ambos camisa 10, ambos sonolentos! Acordados acabam com o jogo!

    No Ataque: Marques X Jorge Henrique > velocidade da ponta esquerda, pressão nos zagueiros e preciosas assistências;
    Viola X Ronaldo > os camisa 9 que adoram uma decisão! O Viola deu o título Paulista de 88 na sua estréia, o Fenômeno conduziu o time para o título de 2009.

    É isso aí Mauro, fica a dica, e a sugestão de fazer o mesmo com o Inter. Nós adoramos uma nostalgia!!

    Um grande abraço e parabéns pelo trabalho!!

    Luis Carlos Gregorio Ramos – Natal / RN

  • Carlos Eduardo

    Ahhhh que saudade desse tempo Mauro.. quando o Gremio ainda jogava com raça e tinha jogadores de tecnica.. zinho,tinga,Marcelinho Paraiba

    foi um dos melhores Gremio que vi na vida.. talvez até melhor tecnicamente que o Gigante Grêmio de Felipão..

    Quem diria 8 anos depois Tite estaria nessa mesma situação. só que agora é o Inter. e o Corinthians tem o GRANDE ASTRO DA COPA DE 2002.

    RÓ-NAAAALDO!!!!

  • Renato Guarapuava

    Time Rídiculo esse atual Grêmio, A camisa é imortal, mas esse ataque se juntar todos não dá um Marcelinho Paraíba. Aliás, não lembro nos últimos 20 anos de um atacante gringo que jogasse alguma coisa no Grêmio. Porque contratar essas Barbies argentinas. Se esses argentinos que estão no Grêmio prestassem estariam nos times argentinos que estão caindo pelas tabelas, atualmente contratar argentino é uma furada, a seleção deles está apanhando até da Venezuela, a propósito o Dunga (técnico meia-boca) vai derubar o Maradona, pois vai golear a Argentina dentro de Buenos Aires, aguardem. Acho que a diretoria do Grêmio, na falta de prata da casa, deve procurar atacantes no Nordeste, ou estão achando que o André Catimba, Jardel, etc.., eram argentinos. A propósito ontem faltou o Cangaceiro Dinho no meio-de-campo. Com ele o Grêmio não perdia o jogo e com certeza não chamaria ninguém de macaco, a resposta para aquela Boneca cruzeirense seria um cotovelaço na cara; porque no jogo do mineirão vamos concordar que foi uma palhaçada, os cara do Cruzeiro bateram, e apitaram o jogo. Bons tempos o do Grêmio de Felipão; que graças a Deus não tinha nheum argentino Barbie no ataque.

  • leigam

    Mas esse grêmio não bota medo no meu Cruzeiro
    q sempre os eliminou e ganhou títulos em cima dele
    1993 copa do Brasil
    1997 eliminados na grande conquista do bí da américa
    pra os racistas um fraternal abraço Azul Celeste!

  • Felipe

    O que não muda com o passar das décadas é o fato dos comentaristas do Sudeste sempre duvidarem do Grêmio… e de dizerem que “o time é limitado”, ou “tem jogadores inferiores ao rival” – mesmo que depois os mesmos atletas virem ídolos nos clubes do mesmo sudeste…

  • Humberto

    O melhor do texto foi o final. Muitíssimo bem observado (à época) Mauro. Cada vez me impressiono mais contigo. Realmente, a seleção de 2002 teve “três” (para defender; relevemos a posição do Emerson quando de posse da bola) zagueiros e era bem ofensiva. Eu, particularmente, gosto muito do 3-5-2 para marcar por pressão, no campo do adversário, roubando a bola mais próximo do outro gol, principalmente se tiver um goleiro ágil (para eventualmente cobrir os espaços atrás da linha da zaga, que no caso fica compacta com o meio para não abrir campo para o adversário). Acho que o time assim fica muito mais ofensivo que muito 4-4-2 por aí… Por que em geral (me corrija se eu estiver errado) se associa o 3-5-2 com defensivismo? É por causa do número de zagueiros ou dos treinadores que na prática botam um volante-zagueiro (que na verdade não faz bem nem uma nem outra função) e às vezes dois laterais recuados (ao invés de alas, que não são laterais ofensivos, mas sim meias pelos lados, pelo menos na minha visão)?

  • Jonas Rafael

    Valeu Mauro! Sempre é bom lembrar essa época. A última em que se viu alguma inspiração no Olímpico. Esse talvez tenha sido o Grêmio mais técnico que eu vi jogar desde 83. O Tite sabe montar um time com bons jogadores como poucos (como agora no Inter). Mas naufraga legal quando tem um grupo mediano. Esse Grêmio de agora é uma dor de se ver. Não passa pelo Cruzeiro de jeito nenhum. Não tem raça nem torcida que faça esse milagre…