Injúria qualificada é a sua genitora!

por Mauro Beting em 25.jun.2009 às 13:09h

Narigudo! Baixinho! Banguela! Pirulão! Careca! Peruqueiro! Balofo! Filé de borboleta! Orelhudo! Zoiudo! Quatro olhos! E.T.! Chaminé do avesso! Branquelo! Retardado! Burro! Múmia paralítica! Cego! Surdo!

Mas, mudo, ninguém é. Xinga-se tudo e a todos. No calor da hora, sai tudo que está escondido, como pústula. Se não sair o pedido de desculpa depois da erupção, a irresponsabilidade deve ser punida. Não dá mais para achar que sempre foi assim e assim será. Que é coisa de jogo… Que jogo, cara-pálida que nem fica rubra? É compreensível imaginar um cutucão moral em um rival para desestabilizá-lo durante um jogo. É praxe deplorável, mas um código aceito. Daí a achar que todos devam aceitar o que se fala nas desalinhadas quatro linhas é atalho ao desfiladeiro. Especialmente no momento de intolerância e ignorância que vivemos.

Não pode mais. Quem quer deixar passar tudo em branco (sem o perdão do trocadilho) é quem não vê, não lê e não ouve o mundo à volta. Mazelas precisam ser combatidas na raiz. Passou da hora de passar a mão na cabeça e não frear a língua.

É do jogo se falar bobagem e é uma estratégia usual desestabilizar o adversário? Claro que é, até o cardeal carmelengo sabe disso. Mas era normal escravizar alguém e até o papa achava um negócio natural – mais negócio que natural.

Claro (com trocadilho e sem perdão) que tem gente que ganha com tudo isso. Mas é dando um basta e um pontapé no primeiro réu que os próximos vão ter de pensar antes de ver um futuro negro. (E agora? Que termo eu uso?)

A questão vai muito além de Máxi López x Elicarlos, de Grêmio x Cruzeiro, de Argentina x Brasil. Até porque não é por aí. E será menos ainda ali no Olímpico. Foi deplorável, foi lamentável – ou deve ter sido, porque não estava lá, e apenas imagino que foi tudo isso, pela reação de Wágner ao ouvir o que deve realmente ter dito Máxio López a Elicarlos. Deve ter sido realmente quase tudo isso. Como também é detestável dizer que isso é coisa de “argentino”. É coisa do ser humano, hermano. Ou das coisas que nos tornamos muitas vezes quando falamos sem pensar. Ou, ainda pior, falamos o que realmente pensamos.

Não é Brasil x Argentina, não é branco x negro. Paradoxalmente, é questão sem pátria, nem cor. Argentinos não podem se sentir ultrajados. Nem os brasileiros podem discriminar os hermanos. Wellington Paulo, brasileiríssimo zagueiro do América Mineiro, um mês antes do episódio Desábato-Grafite, em 2005, chamou o zagueiro atleticano André Luís de “macaco”. Punido por 30 dias pelo TJD estadual, não ganhou um zilionésimo do espaço (devidamente) dado à história corajosa que escreveu Grafite no Morumbi, naquela Libertadores.

O termo técnico para o que Máxi deve ter falado é “injúria qualificada”. Uma das ações mais desqualificadas que alguém pode cometer. Até a Justiça é paradoxal na questão.

O que não pode é levar apenas ao campinho de jogo a questão. O que não vale é espetacularizar o que aconteceu, como nós, da mídia colorida (sem alusão) tanto gostamos. Não faria mal algum ao planeta tentar enxergar o mundo com suas várias cores, com suas nuances e matizes. Sobretudo, com seus vários tons de cinza.

Nem tudo é escuro, nem tudo é claro. Sobretudo em uma vida tão turva, com cada vez menor utilização de massa. Cinzenta.

P.S. – Sim, é muito provável que Elicarlos também tenha atazanado de forma xenófoba Máxi López. Também não é legal, também não é respeitoso, também é lamentável. Mas as nuances são mais que conhecidas. As diferenças dos casos também. Até porque somos todos iguais. Ou deveríamos ser.

Só um pedido: por favor, nos comentários, não vamos ser reducionistas, bairristas, clubistas. A questão é muito maior para opiniões tão menores.

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  • http://blogs.abril.com.br/futebolearte André Rocha

    Concordo sem tirar nem por.

    E é bom que CBF, Federação Sul-Americana e as autoridades do Rio Grande do Sul fiquem alertas, porque o que já vi na Internet da parte de muitos gremistas é preocupante. O ambiente em Porto Alegre na semana que vem não vai ser nada bom.

    Abraço, Mauro!

  • Anderson

    Porque a xenofobia vinda do mesmo Elicarlos não é comentada? Porque? Porque a direção do Cruzeiro NÃO ACEITOU a acareação entre os dois envolvidos? PORQUE? Ah sim, entendi tudo. Imprensa do eixo…

    ANDERSON…

    Está no texto que a xenofobia também é detestável. Embora também seja a versão x versão. E tão absurdo quanto tudo é vir com essa historinha de imprensa do “eixo”… Pff…

    sou dos poucos de São Paulo que combatem FRONTALMENTE o descaso para com o futebol mineiro e gaúcho, sobretudo. você tem razão em reclamar em muitos casos.

    mas vir aqui com essa historinha é preconceito de sua parte. além de clubismo exacerbado. oportunismo rasteiro, inconsequente, leviano.

    a questão é muito maior que Cruzeiro x Grêmio.

    pena que vc não entendeu. e, pelo visto, não irá compreender pela sua ótica direcionada.

    concordamos com a falta de atenção – para não dizer bairrismo – de SP e RJ para o restante do país. Daí a me incluir nessa história é de uma total falta de cabimento e desrespeito. de um pensamento condicionado.

    do tipo “qualquer coisa que esse paulista dizer é prova cabal de que é bairrista, clubista e contra o Rio Grande do Sul”…

    Não vá por aí por aqui. Em outros lugares, reitero, vc tem razão.
    aqui, só teve emoção. que deturpa. que cega.

    que chegue.

  • Luiz Alberto

    Parabéns pelo texto corajoso, muito mais corajoso do que os teus amigos “engajados” Benja e Juca Kfouri que nem tocaram no assunto, racismo é um câncer, e achar natural este tipo de atitude do jogador do Grêmio é a chance que o cañcer precisa para se perpetuar.

  • Jovaneli

    Confesso que estou entre aqueles que acha uma bobagem dar bola para as besteiras que os jogadores falam em campo. Até porque acho complicado avaliar a intenção da pessoa ao proferir este ou aquele xingamento.
    Só que eu adorei essa sua linha de pensamento, Mauro. De verdade. Não dá para não sonhar com um mundo melhor. Até dentro de campo, nas quadras, nas pistas, nas piscinas etc.

  • Jovaneli

    Completando…

    “Para mim, isso é frescura. É algo que acontece o tempo todo dentro de campo. É totalmente normal. Não entendo como algo fora do comum. Aconteceu comigo várias vezes. E já fiz também. Eu não denunciaria. Mas o Elicarlos está no direito dele. A denúncia é compreensível, o que não pode é ter uma dimensão exagerada”, disse Alex, meia do Fenerbahçe e ex-cruzeirense, presente no estádio.

    *Obs.: essa declaração está no ótimo blog “Além do Jogo” do colega Marcelo Damato.

  • Gleyton

    EXCELENTE TEXTO. PARABÉNS!!!!!!!

  • Dmitri Miranda

    Ótimo texto,Mauro. Tão violento quanto o episódio é a omissão de opinião de seus colegas de profissão, como se nada tivesse acontecido.

  • Guilherme

    Racismo no futebol é o fato de um treinador negro, como Walmir Louruz, ganhar uma Copa do Brasil por um clube do interior do RS e depois disso passar pelo Inter, onde não foi bem como muitos outros, e sumir do mapa, nunca mais ser lembrado por qualquer clube. Qualquer comentário preconceituoso é lamentável, mas a dimensão que se dá a um comentário durante um jogo de futebol é exagerada. Não aceitamos, com certa razão, um suposto xingamento de Maxi Lopez a Elicarlos. Mas deixamos passar em branco situações como a de Louruz, tratamos em tom jocoso a procedência nordestina do Presidente Lula, mal comentamos os focos de ação neonazista em Curitba e no interior do RS, enfim, o preconceito étnico que realmente traz consequencias para nossa vida em sociedade. Somos um país de hipócritas mesmo.

  • Pedro Dockhorn

    Parabéns pelo texto. Não está relacionado a futebol, a mineiros e gauchos, cruzeiro e grêmio. É histórico e deve ser punido como tal. No meu ver, não precisa de cadeia. Um pedido de desculpas e aceitar o erro já bastava. E provavelmente não daria nada desse reboliço todo.

  • Luiz Felipe

    Tchê,

    De fato tu és um dos jornalistas (e não são tão poucos como pregam os xiitas) que combate o descaso para com os times fora do eixo rio-são paulo. Por isso o teu blog é leitura diária para mim.

    Parabéns pelo teu trabalho e pela coragem de escrever sobre o assunto!

    Não dá bola para o pessoal com síndrome de perseguição. O cara que te acusa de bairrismo, com certeza, não acompanha o teu trabalho, ou sofre de “sérios problemas”…

    Algum palpite para Inter x LDU hoje???

    Abraço

  • Lourenço

    Prezado Mauro,
    É triste como um tema relevante como a questão racial venha a ser tratado de forma leviana, demagógica e irresponsável, como tem sido pela mídia em geral.

    Deveríamos estar discutindo o que realmente ocorreu, se realmente ocorreu, ao invés de discutir se racismo é coisa séria ou não é, se “macaco” ofende ou não.

    Para quem julga no mesmo dia, antes de ouvir o réu, antes de analisar prova alguma, a justiça realmente deve ser lenta.

  • http://futeboldorio.wordpress.com Dudu

    A grande questão é que isso deveria ter sido tratado pelo STJD, e apenas por ele. Racismo é deplorável. Foi errado o que o Maxi fez. Mas Elicarlos errou em ir à polícia. Criou um clima muito mais hostil do que já seria.

    A polícia foi até o local pra prender(?) o Maxi, mas deixou, logo ali do lado, cruzeirenses atirarem pedras nos gremistas. Será que isso num é tão errado quanto?

    E outra, discriminação racial é crime. Mas e ofensa (ou injúria racial) é crime também? Será que não é tão chato pro Elicarlos ser chamado de “macaco” como pro Maxi ser chamado de “branco filho da puta” (não sei se foi isso, é só um exemplo).

    Discriminação racial é patético em quaisquer circunstâncias. Injúria também. Sò que a injúria tem o mesmo peso, sendo ela racial ou não. Só que ela tem um peso descomunal quando é de branco pra negro, e quando é o contrário, ninguém liga. É preciso se abrir os olhos.

    Até pq todo mundo acha bacana falar “Bicharlysson”. Mas aí agora todo mundo ficou ofendido com isso.

    Achei legal a atitude do Wagner. Só achei babaca a atitude do Elicarlos.

  • Pedro

    simplesmente incrível o texto.
    e muito bem escrito principalmente no que diz nao ser o racismo particularidade dos argentinos, o que muita gente na imprensa quer transmitir! infelizmente o racismo ainda existe no mundo inteiro, e cabe a nós lutarmos para acabar com isso!

  • Robson

    Os 2 trocaram ofensas, se o Maxi disse o que Elicarlos afirma ter dito ( e achoque disse) ele nãoé só vítima, com certeza ele não elogiou a família do Maxi na discussão, Maxi está errado,mas Elicarlos também está,nada de ser politicamente correto e criticar só o Maxi. O pior de tudo é o clima que está criado para o jogo da volta,sou de Porto Alegre e posso te dizer que as coisas com toda certeza irão além das quatro linhas, futebol mexe com a emoção de muitas pessoas e em TODAS as torcidas existem maus elementos e o clima está propenso para atuação de tais pessoas, agora sópeço que não fiquem rotulandotoda uma torcida,um clube, um povo pelo que vai acontecer na estada celeste em Porto Alegre. Leio seu blog todos os dias e sei de sua imparcialidade e lhe admiro por isso,és um excelente jornalista e profissional, embora o STF entenda diferente.

    Ps: sou gremista, e negro, acredito que o time do Grêmio tem condições de reverter o resultado e estou envergonhado pelo fato ocorrido mas não concordo com a ampla vitimização de Elicarlos, ele foivítima,mas não é só isso.

    ROBSON, valeu, amigo. esse é o tom. Devemos desvitimizar a questão, e desarmar espíritos.

  • Robson

    Mudando um pouco de assunto, falandodo jogo em si,tu achas que o Grêmio tem chances?
    Pode um time perder tantos gols??? o pessimista afirmaria isso, eu prefiro ver o lado otimista e dizer que o Grêmio cria muuuuuuuuitas chances de gol, sou torcedor né, sempre tenho que ver o lado bom,e crer nele….. jogos como o de ontem reafirmam um nome………….Ronaldo é Ronaldo,com 1 décimo de tonelada ele fazia ao menos 2 gols ontem.

  • Gustavo Tavares

    Considerando o Mauro um dos melhores comentaristas do centro do país (um dos poucos não é parcial contra os times gaúchos e a favor dos paulistas e cariocas). Mas não posso concordar com o post, pois ele dá a entender que a ofensa realmente ocorreu. Como se pode pressupor isso com as informações divulgadas até agora? O bloguista tem uma câmera ou uma informação exclusiva para poder afirmar isso de modo tão peremptório? Das imagens que existem, não há nada que permita afirmar que realmente aconteceu, é a palavra de um contra a do outro. Isso, por si só, recomenda cautela na análise da questão. O mais estranho de tudo é que nada foi dito no intervalo; só depois, quando o gol do Souza complicou a classificação do Cruzeiro, é que os dirigentes do Cruzeiro e o Elicarlos começaram a falar. Tem outra coisa: qualquer pessoa sabe que ‘macaco’ na Argentina e no Uruguay não tem a mesma conotação que aqui. E em que idioma eles se ‘entenderam’, em português ou em castelhano? O Maxí não fala o português, o Elicarlos não fala o espanhol. Como foi, então? Me parece que tudo isso é superdimensionamento de uma questão de jogo por parte dos dirigentes do Cruzeiro para tumultuar o jogo de volta.

    GUSTAVO, o post vai muito além da questão, e deixa isso muito claro. Entendo seu posicionamento, e é similar ao meu durante toda a transmissão pela rádio Bandeirantes. Não ouvi, e não estou julgando. Mas quero discutir a questão. apenas isso.

  • Anderson

    Mauro, entendi sim a sua posição.

    Só que, pelo que se pode ver através de toda a imprensa (salvo raríssimas excessões), é uma espécie de vilão x mocinho (maxi x elicarlos) neste caso específico!

    Para não dizer que é triste, é, no mínimo, engraçado isso.

    ANDERSON, também concordo nisso. a exploração e exagero sào deploráveis, também. valeu!!!!

  • Rafael d´Paula

    Parabens, pelo texto, realmente uma obra prima, não sou torcedor do cruzeiro nem do grêmio, mas como afrobrasileiro e advogado queria dar minha opinião a respeito do assunto de suma importância, visto por muitos como delicado. Bem, não podemos e nem devemos encarar com naturalidade o fato nem tão pouco achar que foi algo normal( coisa do esporte) como vi, li e ouvi muitos dizerem. NÃO É NADA NATURAL, NÃO É NADA NORMAL NEM TÃO POUCO COISA DO ESPORTE, devemos enxergar a gravidade e importancia desse tipo de conduta, e mais nos questionarmos que tipo de pessoas acham tal fato normal. Este tipo de conduta é deploravél.

  • Nick

    (1) Descupe discordar, em certos aspectos, da maioria dos amigos que aqui escreveram (inclusive do Mauro). Quando se trata de racismo, de discriminação, não há de haver questionamento quanto a exageros. A reação e a punição têm que ser rápidas, rigorosas, severas. O que disse EliCarlos a Máxi não interessa muito, porque até onde eu sei, negros não escravizaram brancos ao longo de quase um século, colocando-os em navios como animais e tratando-os como coisas. Até onde sei, brancos não eram impedidos, nos EUA, de comer em certos restaurantes, frequentar certas faculdades, utilizar determinadas linhas de ônibus. O argumento de que “macaco”, na Argentina, não tem conotação racista não cola. Mesmo que fosse assim, Máxi Lopes joga no Brasil, e é de bom tom respeitar a cultura local do país que acolhe o trabalhador estrangeiro. Reproduzo abaixo trecho do comentário que enviei para o post “Cruzeiro 3 x Grêmio 1”.
    “Prezado Michel, tecnicamente, do ponto de vista jurídico, sua explanação está correta (o crime seria de injúria e não de racismo). É a linha defendida pelo Luis Flavio Gomes. Contudo, do ponto de vista ético-moral, parece-me que a tese serve para acobertar atitudes de racismo, beneficiando muito mais o agressor do que o ofendido. Afinal, retira-se um tipo penal muito mais grave (inafiançável e de competência do MP), para se aplicar um tipo muito mais leve (injúria). Você realmente acredita que todos os demais negros do Brasil, que acompanharam a partida ou que souberam do fato, não se sentiram atingidos em sua raça? Ao permitirmos uma menor repressão, permitimos também que este tipo de conduta se repita, retirando-se dela a gravidade que a mesma apresenta. Esta postura racista (ou injuriosa?) é típica e reiterada por parte de argentinos e de urugaios que, de forma imbecil, “se orgulham” de não ter a raça negra na formação de seus povos, esquecendo-se que esta ausência os privaram de um Pelé, de um Machado de Assis, de um Pixinguinha e tantos outros gênios da expressão humana que tinham a pele escura. Enquanto a humanidade não esquecer as diferenças de pele e credo, a insensatez, a vilania e a crueldade continuarão a ser as nossas marcas registradas, como acontece há milênios. O que você acha que aconteceria se o Máxi Lopes tivesse gritado: “Seu porco judeu”, em vez de “macaco”? Qual seria a reação das entidades ligadas à preservação da memória do holocausto, a fim de se evitar que a tragédia se repita no futuro? O jogador não seria acusado de anti-semita? A palavra “macaco” utilizada pelo Máxi foi direcionada contra o jogador do Cruzeiro, mas atinge toda a comunidade negra, com a qual a humanidade tem um dívida secular, em decorrência da triste página da história que foi a escravidão. Abs.”
    (2) Já estive na Argentina várias vezes, tenho amigos argentinos e, repito, a maioria da população têm orgulho da ausência de negros no país. O racismo contra negros é cultural por lá. É triste, eu odeio generalizações, mas é verdade. Lembram o que o maior jornal de esportes da Argentina (Olé, o Lance de lá) publicou como manchete após a Argentina se classificar para a final olímpica de Atlanta-96? “QUE VENHAM OS MACAQUITOS”. Detalhe: a outra semi-final era Brasil x Nigéria. Não foi um grito de um jogador isolado em um momento mais quente de uma partida decisiva, foi uma manchete de jornal, de circulação nacional, previamente apresentada ao Editor-Chefe, diagramada, impressa. Eles sabem muito bem o que significa “macaco”, se não soubessem, diriam em momentos de confraternização, e não em tom de ofensa, de agressão.
    (3) Desde quando Alex Soneca é negro?
    (4) A propósito, não sou negro.
    Abs de paz e harmonia a todos, de todas as raças e todos os credos.

  • Missioneiro

    Já fui chamado de “alemon batata”, “branquelo”, “chopão”, “mandioca branca”, “coalhada”, “frischtick”, “chucrut” e outros adjetivos q nem lembro mais. Será que eu poderia ter processado meus detratores?

  • ricardo barbosa

    Eu acho que a atitude do Elicarlos foi correta. Não entro no mérito do Maxi ter dito aquilo por racismo ou não. Mas qualquer pessoa que se sinta lesada, injustiçada, e acha que tem a lei a seu lado, tem o direito de correr atrás disto. Foi o que Elicarlos fez. O que pode ser nada pra um, pode ser ofensivo pra outro.
    A polícia mineira foi correta também. Ela recebeu a denúncia do jogador cruzeirense, buscou o Maxi, MAS NÃO PARA PRENDÊ-LO, como alguns disseram aqui no blog, mas para que ele também deponha, e dê sua versão dos fatos, nada mais. Os gremistas é que complicaram, se exaltaram demais, e ai foi aquele tumulto na delegacia do Mineirão… Com certeza o Maxi deporia e seria liberado em seguida.
    A imprensa também é culpada nisso, pela exposição exagerada do fato.
    De qualquer forma, o circo está armado. O jogo no Olímpíco será muito nervoso, catimbado e complicado. Dentro e fora do campo. E ao contrário do que muitos dizem, não por culpa do Elicarlos.

  • Débora

    Texto muito lúcido, Mauro. Diferente de muitos jornalistas por aí, você se posicionou e com maestria. Ver pessoas defendendo e aplaudindo Maxi Lopes me faz ficar muito descrente no ser humano,como alguém pode ser conivente e defender uma atitude desta? Deveria haver declarações de repúdio ao racismo e o que vemos são pessoas legitimando esse ato, naturalizando algo que não deveria nem existir.
    Parabéns mais uma vez.

  • Alex

    Porquê é mais grave ser chamado de macaco do que “ARGENTINO @#$%!@#$#”? O cara que ofende preconceituosamente você e seus compatriotas ( Argentinos no caso ) está sendo tão racista quanto o que chama de macaco.

  • Rafael

    Ao Missionário: estou com a mesma pergunta na cabeça…pq o “branquelo”, “cor de leite”, “macaco albino” não pode ser enquadrado na mesma categoria? Sou totalmente contra qq forma de racismo, até pq esse é um termo biologicamente errôneo, mas dentro de campo, por favor, acho que merece punição muito maior o responsável por uma contusão de um companheiro de profissão por uma falta ignorante do que aquele que profere xingamentos (mais comuns no futebol do que em qq outro esporte) no calor da “batalha”.

  • Humberto

    Gostei muito do post do Divino Fonseca. Falou muito bem sobre o episódio sem beatificar o Elicarlos. Acho que vale a pena ser lido.

    E Mauro, comecei a frequentar seu blog este ano e não parei mais, na minha humilde opinião (também devo ser uma anta, por achar que o episódio é grave) não tem nada de bairrismo, pelo contrário. Parabéns pelo trabalho sério.

    PS: Já escutei com relação a mim (sem sentido pejorativo) coisas como “branquinho assim que nem você”, mas para mim “branquinho” é algo que não existe muito neste país. Sou autodeclarado pardo, e uma vez que para o IBGE (de onde provêm os números vistos aqui e acolá) “negros” são a soma dos autodeclarados “pretos” com os autodeclarados “pardos” (estes quase a metade da população), também sou negro. Ocorre que na maioria dos países (Argentina, inclusive), não há essa salutar mistura étnica existente por aqui. E então mesmo eu, de certa forma, me sinto ofendido com o que SUPOSTAMENTE ocorreu, pois sei que lá alguém “branquinho assim que nem” eu, de branquinho não tem nada. Preconceito por causa da cor da pele? Poxa, que coisa mais estúpida…

  • Daniel Mello

    Eu considero a reação do Elicarlos demasiadamente exagerada!
    Como o Alex (ex-cruzeiro disse), é normal provocações.
    Não que por ser corriqueiro seja apreciável, pelo contrário, acontece que é perigoso enfatizar demais algo normal, pois as reações tendem a ser mais extremadas.
    Por exemplo, e se a torcida do grêmio xingar os jogadores do cruzeiro de macacos (o Elicarlos em especial, visto que este já demonstrou que se encomoda), como ja ocorreu na espanha com o Eto’o??
    Isto sim seria preocupante!! (e a torcida pode pegar mais pesado)
    E detalhe que isto ja aconteceu no sul, se não me engano com a torcida do juventude hostilizando jogadores do time adversário…
    Isto sim é temerário!!

    Quando criança, cansei de ouvir que quando alguém era provocado, como quando alguém ganhava um apelido que não gostasse, devia fingir que não era consigo que logo esqueciam o apelido.
    Acho que é isso que o jogador deveria fazer, para o bem do espetáculo e de seu time (e se o wagner ao tomar satisfações com o maxi (barbie) lopes o agride e é expulso??)

    Agora, e os jogadores que batem de leve no adversário na tentativa de desestabilizá-lo (jogadores que dão chutes de leve, pisam no adversário, ao separar confusões põe a mão no rosto do adversário, emburram o adversário, ao sofrer uma falta revidam deixando a perna ou braço) não cometem ato mais grave de hostilidade??

    O richarlysson por exemplo é um que deve ouvir um monte dentro de campo, mas ao que me consta releva…

    Bom seria se o Fair Play no futebol fosse mais próximo ao do tênis, onde há toda uma etiqueta, sendo mal vistos pela torcida, jornalistas e demais jogadores os atletas que não a seguem…
    No orkut, vários torcedores defendem que seus zagueiros cheguem mais forte para impor respeito, que provoquem jogadores conhecido por terem a cabeça quente (Kleber, dentinho), isso faz parte do futebol…
    E enquanto ficar apenas no campo entre o jogadores é tolerável, ou como disse o maxi, é “tranquilo”!
    O problema é estes atos se espalharem para as torcidas, para declarações pós jogo…

  • Julio Cesar

    Na época quando isso com o Grafite, eu detonei a atitude covarde do Bambi sao paulino em dar voz de prisao ao Desábato, e detono tambem esse jogadorzinho de quinta divisao que quer mais é aparecer, pobre Elicarlos, isso é coisa de futebol, é um tentando desestabilizar o outro, se nao aguenta a marimba vai pra um convento!!!! futebol nao é pra mariquinhas, vc está no lugar errado!!! lembro que o Maldini na final do mundial em Milan e Sao Paulo, humilhou o atacante Muller o tempo inteiro desonrando sua honestidade, ele só foi se calar quando o Muller fez aquele gol espírita, e nem por isso o cara perdeu a cabeça, o mesmo aconteceu com Zidane na final da copa, ou alguem acha que aquele zagueiro da italia estava querendo justamente em campo acertar as contas com o craque frances? Parem com isso!! Va jogar futebol de botão Elicarlos e deixe o futebol pare jogadore do ramo!!!!

  • Marcos SP

    seria leviano imaginar que somente ocorreu a ofensa pelo Máxi, certamente foi reciproco, nem que não tenha sido no mesmo porte, mas ninguem sairia desferindo palavras de racismo se não tivesse sido provocado, o que não se pode é deixar de lado atitudes como essa. No mais as entidades responsaveis pelo torneio deveriam tomar as medidas necessárias contra ambos para que sirva de exemplo para outros atletas não repetirem a cena. Quanto a apuração na esfera criminal deveriam ter feito uma acreação entre as partes envolvidas com o fito de esclarecer o que realmente ocorreu.

  • Guilherme Lemos

    Sou contra a pirotecnia e o julgamento antecipado, mas não tem cabimento o jogador se defender alegando que nem sabe o que significa “macaco” no Brasil, que não poderia ofender o jogador do Cruzeiro por falta de conhecimento da língua. Pior ainda é escutar ele falando isso para a imprensa, e todos os reporteres escutarem calados, de onde vem a expressão “macaquitos”? Será que nenhum repórter poderia ter perguntado isso para ele?

  • Charles

    Tivesse o Grêmio agido com profissionalismo, teria simplesmente indicado um diretor para acompanhar o jogador no depoimento enquanto o restante da delegação seguiria para o aeroporto. Qualquer delegação profissional faria isto, visto que não vivemos em um país em regime de exceção, e onde as leis são respeitadas. O jogador prestaria suas declarações e seria liberado para o proceguimento do processo investigativo e processual. Como o Grêmio agiu como uma equipe de amadores sem comando, todos tomando as dores do jogador em questão, a coisa atingiu outras proporções. Mais profissionalismo e mais futebol o Grêmio vai precisar para seguir na disputa. Não vai ser na base do grito e da intimidação que vão conseguir a vaga. E outra coisa, estou vendo que muitos gremistas estão atacando os dirigentes do Cruzeiro, dando a entender que eles teriam algum preconceito contra o Maxi Lopes pelo fato dele ser argentino. Vocês estão muito enganados. Um dos maiores ídolos da torcida cruzeirense é o argentino Sorin, e até nas bandeiras do clube estão estampados motivos argentinos em homenagem a ele, que ainda faz parte do plantel do clube. Outro ídolo foi o argentino Perfumo, na década de 70. Então não é por aí que eles vão se pegar para defender o argentino deles.

  • Fábio Chamusca

    Bom, Mauro. Eu penso o seguinte… NUNCA o ser humano será bom e correto em tudo. NUNCA. Haverá sempre espaço para pequenas (ou grandes) violências e cretinices… Como essa deste episódio. Xingar alguem só porque é argentino ou só porque é negro é pequeno e vazio, mas é. E sempre será. E não será o futebol que corrigirá isso. Não será ninguem.
    Eu faço a minha parte. Tenho consciência, moral e minhas virtudes. Procuro passar isso aos que me cercam. E quando tiver meu filho, sua educação será meu foco na vida. Farei tudo para que seja um ser humano digno de respeito e que respeite a todos. Mas isso tudo é o que eu acredito. Pena que milhões e milhões não acreditem nas mesmas coisas que eu. Já perdi a inocência de achar que um dia isso acontecerá…
    Quanto ao episódio da delegacia, achei frescura. Um racista baiano diria que “quando preto não caga na entrada, caga na saída”… E sabe o que é pior? Embora ache esse ditado absolutamente ridículo, eu sempre dou risada quando ouço ou leio.
    Por que nenhum negro aparece na TV reclamando das mulheres que fazem uso do racismo sexista? (risos) Um amigo meu foi pra Europa certa vez e, embora tenha levado um fora de uma alemã que disse que transar com ele seria como transar com um bicho, catou várias eslovenas apenas porque era negro. A tal da fama, né? (risos) Que segundo uma ex-namorada minha, que hoje é casada com um cara negro, é tudo folclore… (Sinal de que “tô bem na fita!”)(risos)

  • Rodrigo Azeredo

    Bom texto, Mauro, mas gostaria de fazer duas ponderações.
    O primeiro ponto é em relação ao racismo na sociedade.
    A origem do racismo, via de regra, está nas diferenças físicas ou na disputa por oportunidades. Tanto em um como em outro caso são extremamente repugnantes. O que dificulta o seu fim, e de todo o tipo de preconceito, é justamente a repetição constante no cotidiano de certas afirmações que ficam incutidas na mente das pessoas. Frases e atitudes que diminuem uma raça ou um povo tomadas como aceitáveis transformam-se em verdade. O tom jocoso com que se tratam determinados grupos, como se não houvesse nada demais nisso, é que mantém vivos os preconceitos na sociedade. Mas tem solução.
    A revolução feminina prova isto. As mulheres que até outro dia estavam em posição social inferior, hoje dividem o mercado de trabalho com os homens. Melhorou muito. O problema é que todos têm de se conscientizar de sua responsabilidade enquanto cidadãos para que esse câncer social seja extirpado. Não basta a criação de leis que tipifiquem o preconceito como crime nem discursos midiáticos exaltando a diversidade. Enquanto as pessoas continuarem deixando seus filhos acreditar que é aceitável chamar alguém de macaco ou dizer que um sujeito não pode jogar futebol porque é gay estaremos longe de uma solução.
    Lendo comentários dos leitores sobre seu texto, e mesmo assistindo a jornalistas lidarem com o tema, fica evidente a necessidade de uma reflexão urgente. A maioria das pessoas não tem noção de que esse problema existe de fato. E quando sabem que existe não conseguem perceber quando acontece, o que dificulta muito a luta contra o preconceito.
    O exemplo clássico é quando surgem opiniões indignadas contra o fato de que chamar de negro não pode, mas de branco pode.
    Chamar alguém de negro durante muitos anos (e ainda hoje em alguns lugares por esse Brasil) foi de conotação depreciativa. Era uma forma de diminuir o sujeito. Já chamar alguém de branco, nunca teve esse significado. Pelo contrário, ser branco sempre foi considerado ser normal. Nunca ninguém diminuiu ninguém chamando alguém de branco. Portanto, não é difícil entender, com um mínimo de esforço, que quando alguém, por exemplo, usa uma camisa 100% negro não está depreciando quem é branco, mas querendo dizer que é igual a ele. Já se um sujeito branco aparecer com uma camisa 100% branco só pode estar querendo lembrar que é superior, pois nunca esteve em posição de inferioridade social diante de quem é negro. Se for difícil entender isso, basta lembrar que até hoje é complicado quantificar a proporção entre brancos e negros no país porque ainda há negros que se dizem brancos e não há notícia de que o contrário ocorra.
    Há de se ter noção da história, do país e da humanidade, para perceber que o foco do problema são nossas próprias idiossincrasias, para usar uma palavra que está na moda.
    Já o segundo ponto é a respeito de que crime Maxi Lopes cometeu, se é que disse alguma coisa.
    Muita gente não está conseguindo distinguir racismo de injúria qualificada. E isso faz muito sentido, pois o liame entre os dois crimes é muito pequeno, ao contrário do que se tem lido por aí.
    O critério para determinar a diferença entre as condutas que caracterizam um ou outro é o alcance das expressões, gestos ou qualquer modo de exteriorizar o pensamento preconceituoso. Por isso há necessidade de saber exatamente o que o argentino disse para caracterizar o crime que possa ter cometido.
    O crime de racismo (artigo 20 da Lei 7716/89) caracteriza-se com a manifestação de um sentimento em relação a uma raça ou coletividade. Por exemplo, quando alguém afirma “o sujeito tinha de ser preto”, ou então, “só podia ser judeu mesmo”.
    Já o crime de injúria qualificada (artigo 140, parág. 3o. do CP) protege a honra subjetiva da pessoa, que é o sentimento que cada um tem sobre os próprios atributos físicos, morais e intelectuais. O exemplo é chamar um sujeito de macaco, fazendo a pessoa se sentir humilhada por um atributo físico seu.
    A diferença entre os dois crimes, portanto, é que na conduta tipificada na Lei Caó (racismo) a expressão dirigida ao interlocutor não se resume a uma ofensa a sua honra subjetiva, mas a desqualificação de todo um grupo de pessoas (negros, judeus, homossexuais, etc).
    A importância de saber distinguir os dois crimes na prática não é nem em virtude das penas previstas, pois são idênticas. O que prova que ambas as condutas são igualmente reprováveis do ponto de vista moral, como disse acima o Nick.
    A relevância é que o crime de racismo, como tem uma abrangência maior, é imprescritível e inafiançável, sendo de ação penal pública incondicionada (quem move a ação é o MP, independente da vontade da vítima). Já a injúria qualificada prescreve no mesmo tempo que os crimes contra a honra, sendo de ação penal privada (a vítima tem de procurar um advogado para dar início ao processo).
    Só estou explicando isso porque acho relevantíssimo que as pessoas tenham consciência de que essas ofensas são todas reprovadas por nossa legislação.
    Uma pena que também não sejam no dia a dia, quando se repete a torto e a direito depois de um fato como o do Mineirão que é hipocrisia criticar o preconceito contra um grupo porque outro grupo não é defendido com tanta veemência.

  • Cleiton Bica

    Infelizmente o Cruzeiro sabe o que o espera aqui em Porto Alegre…
    O presidente do cruzeiro agiu de uma forma impensada, tivesse deixado isso passar seria apenas um jogo normal na quinta-feira, porém…
    É claro que o Máxi deve ter dito alguma coisa pro Elicarlos (que teve seus 15 min de fama, junto com a Delegada que deu voz de prisão ao Autuori), mas é o que o Elicarlos disse à ele? o Máxi vai processar o Wágner por ter dito que “isso é coisa de argentino”? o Máxi vai processar que chama ele de forma pejorativa de “La Barbie”? Nós gaúchos vamos processar quem nos chama de gay?

  • leigam

    http://esportes.terra.com.br/futebol/estaduais2006/interna/0,,OI905409-EI6195,00-Gremio+acusa+Antonio+Carlos+do+Juventude+de+racismo.html

  • Rogério

    Crime é crime onde quer quer seja praticado. Racismo é racismo em qualquer lugar, mesmo que esse lugar seja o campo de futebol. Se há destempero por parte de um jogador, é porque ele não está habilitado a ser atleta profissional. No campo há, sim, jogadas ríspidas e até deslealdade, mas nada justifica o julgamento infundado, seja pela cor da pele ou pelo local de nascimento. Principalmente, porque ao proferir tal espécie de injúria, o que se está insultando não é apenas a pessoa, mas toda a coletividade que esteja em situação idêntica.

  • Hernán – Livramento

    Eu sou gremista de Livramento. Desde de sempre, todos que nascem nessa região são “doblechapa” ou bilíngues. No caso, sei mais espanhol do que o próprio português. Macaco não é uma palavra muito usada no espanhol, apesar de existir. Mono é a palavra que mais se usa para designar o animal macaco. Se qualquer um ver num dicionario espanhol, verá que macaco significa o “animal macaco” e tb significa Bobo insignificante. Eu uso muito esse adjetivo macaco e na realidade todo mundo usa, mas obviamente sempre com o intuito de bobo e insignificante, com certeza o Maxi deve ter usado com o mesmo intuito.
    Mas o brasileiro está muito receoso com relaçào a racistas, e acham que qualquer um está ofendendo demasiadamente. Pena que qualquer coisa que aconteça em jogo já esta indo para a policia.

  • Bruno Leonardo

    Não a nada mais desprezível e ignorante na história da humanidade do que a descriminação de um ser humano pela cor de sua pele, ou pela sua escolha (as vezes sem escolha) de sua religião.

    Historicamente falando a escravidão dos negros pelos países ibéricos, foi uma INVOLUÇÃO na história da Europa. Mais à frente o mesmo comércio de seres humanos foi levou ao colapso das economias daqueles países que dele tanto usufruíram.

    A famigerada escravidão também foi um dos motivos da queda do maior império da história, o romano.

    O que eu quero dizer com isso, é que naqueles tempos discriminar ou escravizar seres humanos era visto com naturalidade, era normal e por isso conduta aceitável. Li em alguns algumas opiniões que consideraram normal uma pessoal se referir a outra, pelo termo de “MACACO” de conotação obviamente RACISTA como coisa do jogo. Como se na Arena tudo fosse permitido. Não, não é! É estúpido, é ignorância, é racismo como em qualquer outro lugar. Conduta MORALMENTE INACEITÁVEL para os dias atuais, e para qualquer tempo. Independente ou não do que tenha proferido o jogador do Cruzeiro, nada justifica.

    Quanto ao jogador do Cruzeiro, se descriminou o jogador gremista por ser argentino, igualmente inaceitável e igualmente MORALMENTE CONDENÁVEL.

    Deixo claro que condeno aqui a atitude de um cidadão para com o outro, concordo com o Mauro que não se deve tirar por e por outro, uma torcida, um povo, uma Nação.

  • Lucas

    Cara, parabéns pela coragem na escolha do assunto e pela serenidade nos comentários. Serve de lição para os “Trajanos” da vida que acham que “besteiras” como essas devem morrer no campo (afinal, isso é “comum” e “todo mundo faz”)…
    Infelizmente o racismo é um tema que cerca o grêmio a toda hora – seja no caso do jogador argentino, seja no caso de parte da torcida que não gosta de ver a bandeira com o desenho do Everaldo.

  • http://www.eliseogallery.com/Life-Insurance.html Komatsu

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