EUA 2 X 0 Espanha

por Mauro Beting em 24.jun.2009 às 17:21h

Esta anta que vos tecla publicou no LANCE! de ontem o texto abaixo. Louvando as qualidades brasileiras e espanholas para a mais que esperada decisão da Copa das Confederações. Que, agora, depois da impressionante vitória norte-americana (que poderia ser ao menos um empate se a Espanha não perdesse tantas chances), já não será mais aquela. Foram 22 conclusões europeias contra sete norte-americanas. Apenas duas as corretas. As duas que foram gols para um time que errou 79% dos passes contra um rival que acertou 90% deles (dados do Footstats). “Só” faltou acertar o gol…

Méritos dos EUA, que estavam “eliminados” até os últimos minutos de domingo, e passam agora a finalistas. Quem é que sabe alguma coisa? Eu sei cada vez mais que sei cada vez menos.

A invencibilidade impressionante ficou pelo caminho. Não por acaso depois de a Espanha levar o primeiro gol e não ter tido forças (ou competência e ou felicidade) de vazar o 4-4-2 americano que foi redondinho. E nada além disso.

O pior é que pela manhã, na Rádio Bandeirantes, disse que era “impossível” não dar Brasil x Espanha no domingo… Com todas as letras e com toda a intransigência que não é própria desta anta de antanho…

Mereço ter os cabelos puxados. O que será um perigo.

E o ainda pior é que, na segunda-feira, no meio do trânsito paulistano, pensava com meu zíper – estava sem botões na camisa: na Eurocopa, a Espanha não levou gols contra Itália, Rússia e Alemanha, nos jogos decisivos. Não precisou saber como lidar contra um gol sofrido como levou o de Altidore, o primeiro; o segundo de Dempsey foi doado por Sergio Ramos.

Tudo o que a Espanha não soube na semifinal da Copa das Confederações. Tudo o que eu mais uma vez não soube analisar.

Abaixo, o meu mico.

Um señor

adversário

Um señor adversário

Espanha é um temível rival para a Seleção de Dunga e para qualquer equipe do planeta. Mas está longe de ser um time imbatível – mesmo sem perder há 35 partidas

Desde antes de a bola rolar e as vuvuzellas soarem, imaginava-se que Espanha x Brasil fariam a decisão da Copa das Confederações, na África do Sul. Mas, no futebol, o Uruguai ganha do Brasil no Maracanazo de 1950, a Alemanha bate a Hungria em 1954, e todos os exemplos de sempre – e mais alguns que a bola cria, como no domingo, quando se faziam as contas a cada gol dos Estados Unidos contra o Egito, e a cada gol brasileiro no gianduia contra os italianos. Até que… “Epa! Nem vai dar Itália, nem vai se classificar o Egito! Quem se classifica é o time norte-americano!” Das maiores zebras que já vi. Quase do nível da vitória deles sobre a Inglaterra, no Independência, em Minas, na Copa de 1950 – sempre ela…

Mas, agora, quem pode imaginar que os Estados Unidos (que não têm muita bola para mostrar…) possam derrubar a “invencível armada” espanhola? Campeã da Europa, que não perde há 35 jogos (igualando o recorde brasileiro, entre 1993 e 1996), e há 15 jogos só vencendo (recorde mundial, desde a semifinal da Euro-08)? “No one” – cantaria Alicia Keys (que não entende de futebol, e nem precisa). Como nem a família Santana (a de Joel Natalino, não a de Telê) pode imaginar que a incipiente seleção sul-africana consiga vencer o Brasil. Mesmo se atacar pela “ráit”, pela “léfti”, ou pelo “midium”.

Dando a lógica mais que esperada, a belíssima festa sul-africana será para brasileiros e espanhois. E, se tudo der ainda mais certo, uma festa para o futebol. Do Brasil do contragolpe certeiro, letal, perfeito, e da defesa bem resguardada, melhorada com Maicon e André Santos nas laterais, e qualificada pela presença de Ramires no meio. Fiesta garantida da Espanha do “tiki-taka”, aquela troca de bola em velocidade, da inteligência somada à categoria e juventude de uma armada disposta a conquistar o mundo – mesmo sem Iniesta e Marcos Senna, mas com Xavi, Fábregas, Xabi Alonso, David Villa e Fernando Torres prontos para conquistar a primeira das duas Copas em disputa na África do Sul.

Uma senhora equipe do futebol. Mas nada que não possa ser derrubada por um Brasil em jornada brasileira.

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  • Barneze

    Uma boa postura defensiva dos EUA, contra uma Espanha soberba e dona de si. Os EUA jogaram como sabem jogar: marcando forte e saindo rápido no contra-ataque. Nos jogos em que tentou ser ofensivo, se deu mal: Brasil e Italia. Os gringos não são favoritos a nada no futebol masculino, mas sempre dão trabalho para os adversários. Não nos esqueçamos da Copa de 1930, 1950 e 1994. A Espanha se mostra uma seleção que não sabe reverter placares.

    Em suma, bom jogo, boa vitória. Orgulho ibérico quebrado!

  • Jovaneli

    O salto alto espanhol antes do jogo pode ter contribuído, e a lição vale também para o Brasil. Só que, mais do que respeitar a África do Sul na tentativa de chegar à final desse torneio de relativa importância, penso que a lição vale muito mais para a Copa.
    Isto porque a Espanha verdadeira (refiro-me ao aspecto técnico, não o emocional, claramente um problema deles) joga de forma diferente. O brasileiro Marcos Senna e o volante ofensivo Iniesta dão outra cara para essa seleção. Obviamente que não é desculpa para a derrota de hoje.
    O que quero dizer é que se o Brasil tiver a chance de enfrentar a seleção campeã européia na Copa do Mundo, não pode achar que encontrará facilidade.
    Insisto no alerta: o meio-campo titular espanhol tem Marcos Senna e Iniesta. Xavi Alonso e Fabregas são reservas. Até o David Silva foi titular na Euro.
    Não se enganem: a Espanha continua muito forte, apesar do trauma, de sentir o peso de jogar decisões. Mas ainda assim é forte. Não me iludo com o jogo de hoje.

  • Paulo

    Uma emoção maior que aquela sentida em 1950 pelos jogadores ítalo-americanos (oriundi) da Comunidade de “La Montagna” nos Estados Unidos, da década de 50, que integravam o American Team que venceu o English Team em Belo Horizonte, na Copa do Brasil, pode ser conhecida agora… A América vai decidir a Copa das Confederações com Brasil ou África do Sul! Parabéns àqueles que trouxeram a zebra de volta a um “esporte” que andava muito “viciado” em seus resultados…

  • Renato Mello

    Caro Mauro,
    Como grandíssimo FÃ seu, estou desde domingo aguardando seus comentários nos 2 posts abaixo sobre o jogo de GALO x Santos… sei que teve problemas técnicos no dia, mas assim que tiver um tempinho, não deixe de postar lá, beleza? Tenho ido nos 2 posts todos os dias… não perco UM comentário seu, sobre os outros times também… mas PRINCIPALMENTE sobre meu querido e AMADO GALO!
    Grande abraço,
    Renato Mello 😉

  • Wanderley Takahashi Assis

    E a Espanha voltou ao normal… Quando todo mundo pensa que agora vai… não vai..
    Todo mundo já devia estar cansado de saber.. ZEBRA É QUANDO A ESPANHA GANHA ALGUMA COISA!!

  • Nick

    Pois é, Mauro. Acho que você e os demais amigos que cantam em verso e prosa esta atual “Fúria”, campeã européia, desprezaram uma das características históricas da Espanha: a de nadar, nadar e, sempre, morrer na praia. Nesse sentido, tomo a liberdade de transcrever trecho do meu post após Brasil 4 x Egito 3: “(…) Voltando à Espanha: os mesmos que atacam o Brasil, falam da Fúria como se fosse a sétima maravilha do mundo. O que a Espanha (a seleção) ganhou até hoje em termos de relevância no mundo do futebol? A Espanha é uma tradicional Portuguesa no mundo da bola mundial, sempre nada para morrer na praia. (…)”
    Aí está, confirmada a tradição espanhola e, de quebra, o recorde brasileiro de vitórias não foi superado.
    Que o jogo de hoje sirva de lição para o Brasil amanhã. Seriedade, garra e disciplina, afinal, sabemos que a África do Sul é um zero à esquerda no mundo da bola, mas hoje em dia, camisa e tradição sem suor e garra não ganham mais jogo nenhum. Abs.

  • Neto

    Putz cara

    a Espanha é pipoqueira msm.

    “Só” ganhou a Eurocopa do ano passado, pq sempre joga bem mas quase nunk chega lá.
    E tipo Beting, vc foi até modesto com esse seu texto do “mico”, pq eu só assisti o jogo de hj pra ver uma goleada da “Fúria” em cima de um time aplicado taticamente mas que nunca mostrou muita “alma” nos seus jogos. Mas q hoje teve muita sorte, contando com a imcompetencia do adversário em concretizar as oportunidades criadas e com um goleiro q mostrou ter muita estrela hj, além de uma ajudinha da defesa adversária. A Espanha dominou o jogo todo, mas quem não faz leva.
    Enfim, se não tiver outra zebra no jogo de amanhâ e se na final o Brasil aproveitar as oportunidades como vem fazendo, já somos campeões.

  • Ricardo

    Pois é, os Gringos venceram usando tática e sendo coletivos se aplicando na marcação e o Donovan, Dempsey, Bradley e Altidore sabem jogar.

  • Paula

    Uai Mauro, ainda pode existir um super confronto Brasil X Espanha!

  • Igor Vinicius

    Mauro, no futebol quem não faz, toma!

  • http://www.itaratan.com.br Janete

    é, sou eu Mauro. Te conheci ontem no lançamento do livro do Juca.
    Sabe o que me pareceu esse artigo? Coisa do Milton Neves. Sabe? Quando ele fica falando que tal time vai ganhar, e tal time vai perder..?
    Toda vez que o Cabeção cita algum time ganhando, o coitado do time vai lá e …pimba! PERDE! Só porque o Milton falou… E ele deve ter te influenciado…ahahha..só espero que o time canarinho veja nesse resultado um alerta: lá vem a África do Sul e seu técnico carioca, “que não gosta de mulher no futebol”, de inglês ininteligível!!”Forevis, Joel!!!”
    Que venha!! vai lá BrasiL!!
    beijinho na bochecha!
    Janete

  • http://www.itaratan.com.br Janete

    Zieeeeeeeeeeeeeeeeebra!

    Já pensou no que aconteceu no mundo de apostas hoje??

  • alan

    foi bom ver a crista dos espanhois quebrada, mais uma vez o futebol nos dá uma lição de que não se ganha as partidas com favoritismo. dentro de campo são 11 contra 11, tudo pode acontecer…

    ao mesmo tempo fiquei decepcionado, pois, assim como o mundo inteiro, gostaria de assistir uma final entre BRA x ESP…

  • César

    Imagina se fosse o Brasil a seleção eliminada pelos EUA. O Dunga seria empalado na frente da sede da CBF. Mas como foi a Espanha tem gente pedindo respeito porque os espanhóis são melhores que isso. Ou dando essa desculpa esfarrapada que o Marcos Senna e o Iniesta não estavam jogando. Chororô! O que faltou a Espanha foi seriedade. Quem, em sã consciência, tenta, em uma semifinal, dominar a bola e sair jogando no meio de um bate e rebate dentro da PEQUENA área!? Qualquer zagueiro brasileiro que não “tivesse metido um bico pro lado que estivesse virado” seria execrado nos jornais. A Espanha perdeu porque ainda não aprendeu a ganhar. Quem sabe depois de ontem tenha aprendido. Veremos na Copa de 2010.

  • gustavo

    Mauro, parabéns pela humildade. Por isso que aconteceu ontem que o futebol demorará para não ser o esporte mais famoso do mundo. Ninguém esperava, inclusive você. E Janete, me desculpe, mas comparar o mauro com o milton neves é xingá-lo no fundo da alma. Poucos, não só no jornalismo, mas na vida real, são como o milton.

  • Nick

    Concordo, César. Empalado e depois esquartejado. A Espanha tomou o segundo o gol porque não tem o Lúcio. Conforme você disse, era lance para chutão, e o nosso tão criticado zagueiro campeão do mundo sabe dar os seus quando preciso. Adios, Fúria!

  • http://www.eliseogallery.com/Home-Insurance.html Abbas

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