Carlos Alberto

por Mauro Beting em 15.jun.2009 às 23:03h

Brigaria para tê-lo por mais tempo no limitado elenco vascaíno.

E brigaria para ele parar de brigar com o mundo. Assim como a galáxia deveria parar de implicar com ele.

MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Assim como Kléber, o “Gladiador” cruzeirense, Carlos Alberto muitas vezes paga com cartões vermelhos injustos, como o que recebeu em Campinas no empate sem gols do Vasco com o Guarani – ainda líder da Série B, mas não mais com 100% de aproveitamento -, a fama de indisciplinado, violento e encrenqueiro que criou desde que começou sua carreira profissional, aos 19 anos, no Fluminense.

No Brinco de Ouro, o meia até vinha fazendo boa partida, apesar da irritação com a arbitragem do goiano Elmo Resende e a boa marcação do volante Cléber Goiano, destacado pelo técnico Vadão para seguir o grande destaque vascaíno. Aos 44, já com amarelo por reclamação, o camisa 19 do Vasco voltou acompanhando o zagueiro Dão e, em uma disputa de bola, o cotovelo do defensor do Guarani tocou no rosto de Carlos Alberto, que revidou instintivamente com um empurrão. Lance normalíssimo de jogo, mas como Dão fez uma cena pela falta por trás e o “infrator” era o polêmico Carlos Alberto, cartão vermelho apenas para o vascaíno.

O lance esquentou um primeiro tempo morno, de poucas oportunidades e fraco tecnicamente apesar do bom duelo tático entre os treinadores, que armaram suas equipes no 3-4-1-2. Pelo Vasco, Amaral foi o terceiro zagueiro pela direita, marcando o rápido Fabinho, e Nilton atuou mais plantado para vigiar Walter Minhoca, o meia de ligação do Bugre, que recuou o volante Luciano Santos para fazer a sobra da dupla de zaga e liberar os alas para o ataque. Os duelos pelos lados do campo também foram interessantes, com Eduardo mais contido para fechar a passagem de Paulo Sérgio e Maranhão e Ramon atacando e defendendo, sempre em alta velocidade.

A melhor chance de gol dos primeiros quarenta e cinco minutos foi do Vasco, com Nilton batendo falta e Douglas espalmando depois da bola quicar bem à sua frente.

Para o segundo tempo, Dorival Jr. avançou Amaral para o meio-campo e reorganizou o Vasco em um 4-3-1-1, com Alex Teixeira recuando para armar e isolando Edgar. Surpreendentemente, o time carioca melhorou ofensivamente com as mudanças, mas ficou mais fragilizado atrás. O jogo ficou aberto e as oportunidades começaram a aparecer para as duas equipes.

A melhor chance foi do Vasco, mas caiu no pé de Edgar, logo aos cinco minutos, após linda jogada de Alex Teixeira pela direita. O limitadíssimo atacante, livre na área e com o goleiro já batido, isolou bisonhamente. Pelo Guarani, que se abriu de vez com a entrada de Marquinhos na vaga de Luciano Santos, a oportunidade mais clara foi do volante Rodriguinho, que apareceu na grande área e bateu à queima roupa para grande defesa do ótimo Fernando Prass. Muito pouco para o confronto entre dois dos grandes favoritos à primeira colocação na Série B.

O 0 a 0 deixa lições. Para o Guarani, a certeza de que é preciso melhor bastante tecnicamente para que o bom jogo coletivo dê resultado; para o Vasco, a noção de que o acesso não será tão tranqüilo quanto se imaginava e que o time precisa de um ataque mais eficiente o quanto antes.

E para Carlos Alberto fica novamente o ensinamento que ele conhece tão bem: é preciso ter mais calma e paciência do que seus pares e oponentes, pois é muito visado pelos adversários e pelas arbitragens por tudo que já aprontou pelos campos do Brasil e do exterior .

Que ele, enfim, aprenda.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

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  • Rodrigo

    Quem fez uma cena foi o Carlos Alberto! Um leve toque de cotovelo e ele se atira no chão como se tivesse levado um soco de um pugilista. Assim como faz todas as vezes que perde a bola. Por isso não ficou muito tempo na Alemanha. Jogador cai-cai e falastrão não tem lugar no futebol europeu.

    Esse jogador é mascarado, desleal e um grande ator (tanto que parte da imprensa cai na dele). Ele se acha um astro e, na verdade, só atrapalha os times por onde passa. No Fluminense, quando jogava, o time quase sempre perdia. Foi quando descobriram o Thiago neves, no banco, e resolveram os problemas. No Botafogo, ele mais arrumava confusão. No Vasco, segue a mesma linha: muita encrenca para pouca produtividade. E o salário dele é bem alto! Será que vale a pena?

  • Gilberto

    Taí uma questão uma questão para qual eu não consegui resposta…

    Por que alguns jogadores são perseguidos e outros não? Por que as arbitragens são tão rigorosas com o Carlos Alberto, do Vasco, ou o Kléber, do Cruzeiro, dando amarelos quando outros jogadores receberiam advertência verbal?

    Claro que sei que eles não são santos (poupe minha inteligência dessa resposta fácil), mas podemos elencar uma seleção de jogadores que também não são santos e, ainda assim, não são perseguidos pela arbitragem… Exemplos? Claro! Fábio Costa… Juan… Ronaldo Traveco…(ultimamente tem puxado cabelos e pisado e adversários) Keirrison…

    Ok! O Juan é protegido por jogar no Flamengo e o Ronalducho por ser o queridinho da mídia, mas… e o Fábio Costa?

    Alguém saberia dizer?

  • Nick

    Quando da eliminação do Vasco na Copa do Brasil (e também em outros posts), comentei que a equipe é fraca, tecnicamente, apesar da grande disposição e voluntariedade.
    Diante dos comentários apaixonados dos cruzmaltinos, que alegaram ter sido a equipe carioca superior à equipe paulista, fiquei curioso para ver o desempenho do time frente ao Guarani, primeiro e efetivo grande teste na Série B.
    A partida apenas confirmou minhas convicções quanto à deficiência técnica do time.
    Veja, o Vasco deve obter, de forma tranquila, o seu retorno à elite do futebol. Mesmo que não conquiste o título da Série B, deve ficar no G-4.
    Contudo, para que isto ocorra com a citada tranquilidade, precisa resolver dois problemas urgentemente: (1) arranjar um atacante de verdade, que faça os gols que estão lhe faltando e (2) trabalhar o psicológico do sempre destemperado Carlos Alberto (será que ainda tem cura?).
    Abs.

  • gustavo

    cara, foi claro que o carlos alberto deu um “migué”. Viu que não ia alcançar o jogador, foi tocado e, de migué, derrubou o cara prá dizer que foi acertado. Foi muitíssimo bem expulso, ele que está no rol de jogadores que deveriam entrar em jogo com um amarelo, já que mais cedo ou mais tarde, ele iria tomar. Lista esta composta por kléber, Fabio Costa, Carlos Alberto, Edmundo, etc.

  • http://jornalismoesporteclube.blogspot.com Maurício Vargas

    O Carlos Alberto, por sua culpa, criou uma imagem de violento, marrento e encrenqueiro que nem sempre se faz verdade. Por isso, ele tem deixado de ser o jogador mais importante do time, já que o técnico sabe que não pode contar tanto assim com ele.

    Falei disso na coluna da Série B desta semana, na Trivela.

    Abraços!