MENU DO DIA – Santo André x Santos; Grêmio x Náutico

por Mauro Beting em 04.jun.2009 às 18:47h

Mendes me apresenta Tuninho do Poxto Seix, santista da boca limpa:

– PIIII! PIII! Como jornalista fala PIII! Como é que você me fala aquela PIII que não houve pênalti pro Vasco? Você é pago para quê, seu Mário Betti?! PIII do PII!!!

– Primeiramente, prazer falar contigo, Tuninho. Conheço teu primo, o Nevex. Mande um abraço pra ele. E me escute hoje, na 89 FM, ao lado dos caríssimos Luís e Felipe Andreoli, no Camisa 89. O programa começa 23h. Quanto ao pênalti, digo o que (não) dissemos na transmissão da Rádio Bandeirantes: não vimos. Nem o narrador (o melhor da história da transmissão radiofônica para o meu gosto, o José Silvério), nem eu, nem os três repórteres. Nem muita gente no Pacaembu. Não vimos o puxão absurdo do Chicão. Acontece. Por isso até inocento o árbitro – e mesmo o bandeirinha. Eles podem não ter visto o pênalti claro – pela TV. No estádio, dava para não ter visto. O jogo do estádio é diferente do jogo do estúdio.

– Essa imprensa de PIII é tudo igual! Ainda mais pro PIII do Corinthians. Imagine se fosse pro Santos, PIII! Mas não quero falar mais, se não você vai lembrar do pênalti no Chicão no Maracanã, no primeiro jogo e…

– Pênalti que deve ser lembrado, sim, Tuninho. É disputa de placar agregado. O que não vale é achar que tudo é compensação, teoria da conspiração. Isso é que não pode.

– Grande PIII! O Vasco jogou mais no Pacaembu e não levou. O Coxa fez o mesmo no Couto e também não ganhou. Queria ver vocês dessa PIII dessa PIII da mídia se eles passassem… A cara de PIII que vocês fariam!

O Chicão do Corinthians mandou uma boa: “todo mundo estava falando que o Inter era favorito… E eu também…”. Perfeito. Ele se colocou entre os que achavam que daria a lógica da hora. Quando a coisa não anda, parece que só a imprensa é que fala, que erra.

– Mas chega desse papo de PIII sobre aquela PIII daquele time. Quero falar do Santos! Apesar do PIII do Kléber Pereira, a gente vai ganhar do Santo André. Pena que não vai jogar o Marcelinho Carioca…

O Ramalhão tem atuado mais livre e solto fora de casa. Mas é um time chato. Jogo para empate, apesar da ótima fase santista.

– Isso que eu não aguento de vocês dessa PIII dessa PIII da imprensa! O Santos é melhor e vocês dizem que não ganha. O PIII do outro lá é pior, ou joga pior que o adversário, e vocês falam que ele ganha na raça, que é a PIII da camisa, a PIII da mística. Vão pra PIII!

A gente exagera, Tuninho. Mas muitas vezes é isso mesmo. Não dá para brigar contra os fatos.

– Claro que dá. Vocês brigam com a imagem. Vão PIII! Aposto que no jogo do Grêmio, vão falar que é a tal da PIII da Batalha dos Aflitos, que o Tricolor é Imortal, que o PIII do PIII, PIII da PIII!

– O Autuori ainda está tateando o time, e o Náutico vem embalado. Mas acho que dá Grêmio.

Viu que PIII, PIII! Palpitou a favor do time de maior torcida só porque joga em casa, tem a avalanche do PIII, um frio da PIII, o Autuori da fala grossa do PIII. Assim não dá, PIII! Vocês falam tudo sempre igual!!! É o mesmismo dessa imprensa de PIII! E nem para falar mais taticamente dos times. É um chute do PIII atrás do outro. Vai se PIII!

– Tuninho, é que o post ficaria muito grande. O pessoal vai reclamar…

– Vai nada, PIII. Ninguém xinga jornalista como ele merece, PIII. É todo mundo educado da PIII. A gente quer conversar em alto nível e vocês dessa PIII dessa PIII é que baixam o nível. Vai se PIII!!!

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  • João Vascão Até Morrer

    Mauro, boa noite! Te acho, dos Paulistas, o mais imparcial de todos.
    Agora uma coisa é que: O Juíz, ou árbitro, Leonardo Gaciba, foi formado para ver a droga do penalti, independente de câmera de televisão ou cabine de rádio, ou torcedor na arquibancada, ou repórter atráz do gol, enfim de onde ele estiver, ele tem que ver.
    Só uma lembrancinha: O único que viu penalti do Júnior Baiano, na copa da França de 98, contra a Suécia, foi o Juíz, ou árbitro, como queira. Aliás, ele e um câmera amador que estava atráz do gol, lembra-se?
    Se fôsse contra o Corinthians, a Paulistada ficaria até semana que vem metendo o pau no pobre do Gaciba, igual vcs fazem com o Márcio Rezende de Freitas, naquela final de 95.
    Abraços, e continuo sendo seu admirador.

    JOÃO, de fato, você não deixa de ter muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuitas razões. fosse contra um time paulista, quase que certamente, o barulho seria ENORME.

  • Mario Corá (Santo André – SP)

    Mauro, eu sou sãopaulino, não tenho nada a ver com as semifinais da Copa do Brasil mas, ouvindo o Terceiro Tempo da última quarta, eu não posso deixar de perguntar:

    Por que você não falou que foi pênalti pro Vasco, Maurooooooo?

    Grande abraço.

    MARIO, hahahahaha, boa, amigo.

    de fato, eu não vi, ninguém da transmissão viu.

    desta vez, e só desta vez, valeu a pena ser comentarista de estúdio, como alguns de meus queridos colegas que não vão ao estádio.

    abração.

  • Luciano

    É sério isso que vc tá comparando os dois pênaltis, Mauro? O do Maracanã foi a vários metros da disputa da bola, garanto a vc que houve outros assim nas duas áreas, nos dois jogos. Não interferiu em nada no lance. Já no Pacaembu, o Elton pegaria em cheio na bola (poderia ir na Lua, é verdade) se não tivesse sido puxado de forma acintosa. Ele era o homem que receberia a bola, portanto o juiz tinha obrigação de olhar praquele local. Vergonhoso o que aconteceu quarta-feira.

  • http://notenho Markus Vinicius

    kkkkkkk… Seu Mário Betti… Muito bom esse tal de tuninho, só perde pro Noir… Sobre o penalti no Elton, eu, de casa, pela tevê, não vi penalti. Mas eu não tenho obrigação de ver, não é verdade? Já o árbitro… O time do corinthians não é ruim, mas é impressionante como ficou na cabeça do povo aquele jogo contra o são paulo que o corinthians matou a pau. Parece que ninguém vê que o corinthians que jogou contra o vasco, é o corinthians de verdade. O Corinthians naquela semifinal só foi bem porque deu tudo certo. Então, tá na hora de parar de esperar que o corinthians jogue sempre bem, pois a realidade é outra.

  • http://www.timaoblogfiel.blogspot.com Samuel

    Mauro Beting,

    Você como uma das poucas mentes sãs desse jornalismo esportivo, sugiro a leitura do texto abaixo, da jornalista Leonor Macedo, sobre a verdade dos acontecimentos de quarta-feira, quando um torcedor corinthiano foi assassinado por centenas de vascaínos. Acho que para se ter um opinião balizada precisa se ouvir todos os pontos de vistas, a verdade sob vários ângulos, e não só aquela produzida conveniente por promotor de justiça que não consegue fazer seu trabalho e vive de aparecer com frases de efeito e desrespeitosas, como esse tal de Paulo Castilho. Leia, por favor: O papel de cada um
    por Leonor Macedo

    Quando o William foi incendiado por faíscas de sinalizadores e papéis picados, resultado de uma equação bem simples e capaz de ser prevista até por uma criança ainda bem pequenina, boa parte da imprensa sorriu. Achou curioso – para não dizer engraçado – que diante de um Pacaembu lotado, o capitão do time campeão paulista de 2009 pegasse fogo ao lado do Ministro dos Esportes Orlando Silva, do Secretário de Esportes da Cidade de São Paulo Walter Feldman e do presidente do clube Andres Sanchez. E, mais uma vez, limitou-se a resumir o fato somente em manchete e noticiou-o em duas linhas como se fosse um acidente casual.

    Ao atear fogo no ônibus da torcida do Vasco ontem, 03/06, os torcedores corinthianos conseguiram uma atenção pouco maior por parte dos jornalistas. Digo pouco porque, apesar de ter sido massacrada com notícias sobre o fato em todos os veículos de comunicação, nenhum jornalista buscou, novamente, saber o que aconteceu na noite de ontem.

    Li um promotor discursar sobre uma possível emboscada de corinthianos, associados aos Gaviões da Fiel e pertencentes ao movimento da Rua São Jorge, preparados para pegarem a torcida do Vasco na Ponte das Bandeiras. Ouvi a polícia dizer que nos quatro carros que acompanhavam o ônibus das pessoas da Rua São Jorge havia barras de ferro e uma espingarda de calibre 12. Vi a Ana Maria Braga gritar com um papagaio falante ao seu lado que “aquilo não era torcedor, mas um bando de marginal e vagabundo”.

    E precisei de três ou quatro telefonemas para tentar ouvir quem nunca é ouvido. Alguém que, infelizmente, é sempre um de nós.

    **

    Quando o Mandioca me procurou na arquibancada ontem, no intervalo do jogo, e me disse que havia ocorrido um confronto entre torcedores da Rua São Jorge e torcedores do Vasco, eu busquei com os olhos algum amigo integrante do movimento. Achei e perguntei se ele tinha alguma informação.

    – Estou esperando alguém me dar notícias, mas há bastante gente ferida porque o negócio foi feio. Parece que houve um tiroteio.

    Vi as lideranças das torcidas conversando próximas ao alambrado até o intervalo do segundo tempo. Senti um clima tenso, pesado, frio, preocupado e preocupante. Mais do que já estava naquela noite gelada de outono, de uma semifinal vencida por 0 a 0 em uma partida mal disputada.

    Ao sair, esmagada por uma multidão desorganizada, peguei uma carona com um amigo. Ligamos o rádio e ouvimos que havia um ônibus da torcida do Vasco incendiado do lado de fora do Pacaembu em represália à morte de um torcedor corinthiano na Marginal Tietê.

    Cheguei a minha casa e as primeiras informações já estavam na internet: emboscada, briga, tiro, espancamento, fogo, ônibus, nada. Liguei para dois ou três amigos que provavelmente estariam no ônibus de corinthianos da Marginal, já que eles são lideranças do Movimento Rua São Jorge e costumam sair do Corinthians em dia de jogo até o Pacaembu. Nada mais coerente. Nenhum atendia ao telefone. Dormi mal e preocupada.

    Quando acordei, as notícias eram as mesmas. Exatamente nada apurado. Liguei o MSN e encontrei um amigo que havia visto ontem no estádio:

    – Está sabendo de alguma informação?
    – Sim. Saí do jogo e fui ao PS de Santana, para onde foram levados os torcedores feridos. O torcedor morto não foi reconhecido. Foi encontrado pelado, só de cueca, na Praça Campo de Bagatelle, sem nenhum documento e desfigurado.
    – E o que aconteceu?
    – 15 ônibus do Vasco cruzaram com um do Corinthians na Marginal Tietê.

    Difícil acreditar que torcedores de um ônibus do Corinthians fizessem emboscada para 15 ônibus com torcedores do Vasco. Nem toda a falta de bom senso do mundo atropelaria essa matemática.

    Depois falei de novo com o Mandioca, que tinha conversado com o Sid, que tinha falado com o Gabriel, todos tentando encontrar alguma informação do que aconteceu, de algum amigo ferido, morto.

    O Gabriel não tinha conseguido entrar no estádio porque um dos meninos que estava com o ingresso dele também estava no ônibus da Rua São Jorge, indo para o Pacaembu. Às 21h50, horário em que começaria o jogo, ele ligou para esse amigo:

    – Pô, são 21h50. Cadê você com meu ingresso? O jogo está começando.
    – A polícia parou a gente para uma revista aqui na frente do Clube Esperia. Acho que já já eu to aí. Peraí, mano, putaquepariu!!!!! Peraí que os caras da Força Jovem estão correndo para cima da gente.

    E desligou o telefone. O Gabriel não entendeu bem o que tinha acontecido e continuou na porta do estádio, na esperança de conseguir o seu ingresso e entrar para ver o jogo. Um tempo depois, apareceram de táxi algumas pessoas que estavam na briga para contar o que tinha acontecido. Pareciam zumbis, inchados, cortados, com os agasalhos encharcados de sangue.

    – Quem conseguiu escapar está aqui. Quem não conseguiu, está preso ou foi parar no hospital – disse um deles para o Gabriel.

    **

    Depois li na internet o promotor declarando que a emboscada já estava armada há muito tempo. Que na quarta-feira de manhã ele já tinha recebido uma denúncia e que a torcida do Vasco tinha proposto deixar os ônibus nas sedes da TUP e da Mancha Verde, organizadas do Palmeiras e que são co-irmãs da Força Jovem, como eles gostam de dizer. Mas que a promotoria e a polícia não tinham aceitado porque, no trajeto a pé ao Pacaembu, haveria enfrentamento entre torcedores.

    Ficou decidido que ao chegar a Guarulhos os ônibus da torcida do Vasco receberiam escolta policial até o Pacaembu, fazendo o caminho pela Marginal Tietê. Mesmo caminho que fazem os torcedores corinthianos lá da Zona Leste e que a polícia do estado saberia se tivesse alguma comunicação até mesmo por um walk talk.

    Foi neste trajeto que tudo aconteceu. E só quem estava lá saberia me dizer o que tinha rolado. Até que consegui falar com um dos amigos lideranças do movimento, hospitalizado.

    – Como você está?
    – Sem dente, cabeça cheia de ponto, com dor até para respirar. Talvez tenha que operar a mão e o braço.
    – E o que aconteceu?

    O que aconteceu foi que a Rocam parou o ônibus dos torcedores do Corinthians para uma revista. E parou quatro carros de corinthianos que estavam junto. O ônibus dos torcedores corinthianos não tinha nenhuma escolta policial porque, segundo a promotoria, eles não são torcedores organizados com CNPJ. Mas são. Torcedores dos Gaviões da Fiel que se reúnem longe da sede. Só que em um Estado de Direito, onde existe uma constituição que alega que é dever desse Estado zelar pela segurança de seus cidadãos, qualquer pessoa física deveria ter garantida a sua integridade física. Não precisaria pertencer a nenhuma associação, agremiação, clube, empresa, fundação, OSCIP, ONG para conseguir chegar viva ao estádio de futebol. A qualquer lugar.

    Com a proteção policial negada e sob ameaça de bater e apanhar, provavelmente a mesma que o promotor havia recebido na manhã de quarta, esse grupo de corinthianos resolveu fazer a própria segurança. Gentileza gera gentileza, estupidez gera estupidez.

    Ao ver a Rocam parada em frente ao Clube Esperia, dando uma batida policial no grupo de corinthianos, outros 20 policiais da Rocam que trabalhavam na escolta da torcida do Vasco e que não foram avisados que por aquele caminho fatalmente as torcidas se encontrariam, resolveram parar os ônibus do Vasco a fim de evitar esse confronto. Mas pararam muito perto. Aos poucos, eles foram descendo, 800 deles.

    Incontroláveis como toda massa enfurecida por uma rivalidade bestial, porém histórica, os vascaínos partiram para cima dos corinthianos. Carregando barras de ferro, armas, paus, rojões e outros objetos que serviram de arma e que não foram tomados pelos policiais da escolta em uma revista que não aconteceu. E massacraram os corinthianos. E mataram um deles atirando o corpo em uma praça que foi palco da comemoração do Campeonato Paulista de 2009, no mesmo dia que o William pegou fogo.

    **

    Eu que estava no estádio, soube disso no dia seguinte, mas não saberia se não tivesse ligado para meia dúzia de amigos e só esperasse a notícia que me dão. O que sei é que, naquela noite – e falo agora como se tivesse passado muito tempo porque será daquelas noites que carregarei para sempre – os 800 torcedores do Vasco que brigaram antes do jogo chegaram atrasados na partida, mas chegaram. Conseguiram entrar no estádio, assistir a partida do seu time que, mesmo perdendo, lutou até o final pela classificação. Mas o Clayton, que morreu nu e desfigurado em uma praça da Zona Norte de São Paulo, não vai conseguir chegar nunca mais.

    **

    Essa é a versão que não é publicada nos jornais, que não aparece na televisão, que não se ouve no rádio, mas que mesmo assim existe. Que é fruto de uma equação tão banal quanto àquela que fez o William pegar fogo na alegria de se comemorar um título. E que, nem por isso, é evitada.

    Quem sofre a violência dentro e fora dos estádios sabe quais são os motivos que o levam a ela. Sabe que qualquer violência é fruto de algo muito maior: de uma nação deseducada, desorganizada e cada vez mais desumana; de um Estado omisso, corruptível, impune, burocrático; de uma polícia despreparada, mal paga, preconceituosa; de uma imprensa burra, preguiçosa e reacionária; de um futebol paternalista, aproveitador, interesseiro e explorador.

    E sabe justamente o que fazer para combater a violência. Toda a promotoria, comissão de paz, clubes, polícia, torcedores, ministério, imprensa, todo mundo sabe qual é seu papel nessa história. Mas só o que se vê é a repetição dos mesmos erros. E a simplificação das soluções. Porque é muito mais fácil criar uma camisa e um ônibus à prova de fogo do que parar de atear fogo em jogador e matar torcedor, cidadão. Todos nós inflamamos o William. Todos nós matamos o Clayton.

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    Leonor Macedo é jornalista, mãe de um menino de quase 8 anos e freqüentadora das arquibancadas do Pacaembu desde pequena. Apesar de tudo o que relata no texto, não desiste de fazer parte de um mundo diferente. Dentro e fora dos estádios.

  • Guilherme

    Só uma correção pro João: em 98 o Brasil não jogou com a Suécia. Jogou com Escócia, Marrocos, Noruega, Chile, Dinamarca, Holanda e França. O Júnior Baiano fez PIII foi contra a Noruega. Já em 94 o Brasil enfrentou a Suécia, mas acho que o Júnior Baiano ainda não era da Seleção.

  • João Vascão Até Morrer

    É isso mesmo Guilherme! O jogo realmente foi contra a Noruega e perdemos por 2×1.
    Obrigado amigo!
    Saudações Mauro!