8 ou 80 – 27 de maio a 2 de junho de 2001

por Mauro Beting em 02.jun.2009 às 19:29h

Toda terça-feira, o blag faz uma sessão de regressão. Volta oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em abril de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde trabalhava como comentarista, além de também comentar na Band.

Notas que contaM um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

27 de maio de 2001

NOTA DO REDATOR-2009 – Corinthians poderia perder a finalíssima no Morumbi até por 3 a 0, para o Botafogo, que ainda assim seria campeão paulista de 2001, depois de ter flertado a zona de rebaixamento

Título ao rumo do Corinthians

“Jogador é tudo filho da p. Para ser técnico também é preciso ser filho da p.” A frase é de um importante campeão paulista. Autocrítica de qualquer filho da p. que joga pra c.

Luxemburgo é bom que ele só. É o melhor dos técnicos que jogam bonito. É tão bom como Felipão. É tão campeão quanto. E é tão f.d.p. quanto os f.d.ps. que dirige (no sentido bíblico do termo). Ele conseguiu (re)fazer do Corinthians o Timão que sumiu no segundo semestre em 2000. No papo, no trampo, na trama, e até na tramóia do ponto escondido na orelha, Luxemburgo trouxe a bola de volta para quem sabe. E até para os que sabem menos, mas que acabaram jogando mais do que sabem (e você sabe bem quem são).

Luxemburgo transformou um balaio de gatos (sem alusão) num ninho de cobras (com alusão). Mandou a escanteio as vaidades (de todos), deu um bico nas questões pessoais (dele), e fez o Timão jogar bola. Conseguiu excelentes 75% dos pontos para um time que ganhava 27% com Dario Pereyra. Mágica? Trabalho. Sorte? Competência. Forças ocultas? Talento. O grande campeão? Um deles. Injustiçado? Nem um pouco. Seleção brasileira? Um dia.

Pelo carinho e respeito que tenho por Luxemburgo, só torço para que nem ele, nem os porta-vozes, nem os joga-ovos, ninguém use a brilhante e comovente recuperação do Timão e de Wanderley para justificar supostos e/ou sabidos erros do cidadão Vanderlei. Não é hora e nem tempo de misturar as bolas…

A festa pela vitória e pelo golaço de Ricardinho, contra o Santos

A festa pela vitória e pelo golaço de Ricardinho, contra o Santos

28 de maio de 2001

N.R.-2009 – O t(r)ítulo rubro-negro no RJ-01 contra o Vasco.

Uma vez Flamengo, três vezes Mengo!

Faltava pouco. Falta! Camisa 10 do Flamengo na bola. Camisa de Zico, campeão em 1974, 78, 81 e 86 contra o Vasco. Falta distante, como a de Rodrigo Mendes, no primeiro caneco do quarto tri, em 1999. Falta boba, cometida por Jorginho, campeão do mundo, do Flamengo, do Vasco, e que agora deu de fazer todo tipo de falta. Falta desnecessária. Uma “falta tudo”, falta bem brasileira.

Quer dizer, falta sérvia. Petkovic não precisou brigar com Reinaldo para cobrá-la. Não precisou olhar feio para o desafeto Edílson para acertar o ângulo. Não precisou sair no tapa com Beto para sair para o abraço. Não precisou jogar mais que cinco minutos em todo o campeonato para ser campeão. Bicampeão. Tricampeão.

Mais não precisa fazer o Pet. O Beto. O Edílson. O Zagallo. O Flamengo. Mesmo com tantos se batendo, mesmo com o clube se batendo para arrumar grana, mesmo fazendo tudo errado, o Flamengo acertou tudo ganhando do Vasco. Outra vez.

O Flamengo tinha muito menos time que o rival e foi campeão estadual em 99. Ainda tinha menos equipe quando foi bicampeão em 2000. Tinha um time quase tão bom como o Vasco, e também levou em 2001. E nunca teve um grupo tão brigado, tão desunido, tão perdido de véspera. E levou tudo no peito, onde carrega mais uma faixa campeã.

Mais um troféu de antologia para acabar com essa história de que apenas um time unido é campeão. Time bom, mesmo, só se une para dar a volta olímpica.

PETerno - PETri em 2001

PETerno - PETri em 2001

Uma vez

O goleiraço Júlio César não deixou o império rubro-negro cair a cada contra-ataque de um Vasco que, sem Romário, não soube acabar com sina.

Duas vezes

Se tem um time que é campeão de qualquer jeito, esse é o grande vencedor do Maracanã, pela 17a. vez desde 1950. Campeão mesmo quando tem menos time que o rival.

N.R.-2009 – A Seleção Z do Brasil, dirigida por Leão, fazia amistoso no Japão, antes da Copa das Confederações, na Ásia.

Papo real

Almoço em família, no sábado. O irmão mais velho quer saber quanto foi o jogo da seleção. “Dois a zero”, respondo. “Para quem?”, pergunta…

Quando alguém não sabe quanto foi o jogo do Brasil, e quando alguém não tem certeza se a seleção ganhou do Verdy Tokio, aí é que a gente não sabe mais nada.

De penultimão ao grande campeão

A festa era tão antecipada que até o Hino foi tocado antes da entrada dos times. O 24o. título paulista do Timão era tão esperado que a partida do Morumbi só lembrou o futebol das primeiras rodadas de Corinthians e Botafogo no SP-01, quando os dois times lutavam para não cair.

O 0 a 0 é para esquecer. A campanha alvinegra, jamais. Foi a mais bonita, emocionante e inacreditável conquista paulista do Corinthians. Se a final do Paulistão contra o Botafogo foi a mais fácil em 100 anos, a semifinal contra o Santos foi das mais tocantes de todos os campos, de todos os tempos.

Contra o Santos, o pé milimétrico e a orelha eletrônica de Ricardinho (que em dezembro não aguentava tantas cobranças) definiram o finalista. Contra o Botafogo, os gols e lances de Marcelinho (que em dezembro ninguém queria vê-lo pintado de preto e branco) definiram o título. Contra todos, o comando e a capacidade de Luxemburgo (que em março ninguém queria em nenhum banco, a não ser o dos réus) definiram tudo. E teve Luizão (um “insubstituível” bem substituído por Gil), e Éwerthon, e André. Teve até João Carlos levantando o caneco. Teve de tudo de onde nada se esperava. Nada mais lindo.

Primeiro de junho de 2001

N.R.-2009 – No Mineirão, o Palmeiras de Celso Roth eliminou o Cruzeiro de Felipão nas quartas-de-final da Libertadores-01

A mão que defende e o pé que chuta

Os rivais vão reclamar que é “sorte”. A imprensa vai manchetar que é “raça”, “determinação”, e outros termos que a gente costuma falar sem dizer. O palmeirense vai gritar que é “fé”. E é.

Só quem torce por Marcos tinha fé depois dos pênaltis perdidos pelo mais infeliz Alex de todos os jogos. Só quem virou os pênaltis contra o Deportivo Cali em 99 enxergava chance de virada depois dos erros de Galeano e Felipe. Só quem vibrou com as seis vitórias em sete disputas de pênaltis em Libertadores achava que o ex-palmeirense Jackson não faria aquele gol. Só quem chega pela sexta vez a uma semifinal de Libertadores sabe o que é ter fé no pé de quem bate, e força na mão de quem defende.

Um par de luvas e uma chuteira. Um goleiro e um lateral. Marcos atrás, Arce na frente. É simplismo, sei. Mas foi disso que precisou o Palmeiras para eliminar o Cruzeiro. Se o Verdão não foi melhor que o Azulão do ABC e que o time Azul de BH, também não foi pior. Foi igual. E sempre foi melhor para empatar os jogos e as disputas. E foi ainda melhor nos pênaltis que tanto conhece (e que tantos o conhecem por isso, também).

Três dos quatro batedores verdes repetiram os cantos cobrados contra o São Caetano. Nem assim o Cruzeiro repetiu o feito do Boca em 2000. Apenas repisou o fracasso de seis em oito disputas contra o Palmeiras.

Um Verdão de fé, de sorte, de raça, de bola, do que você quiser chamar. Desde que diga um Palmeiras de chegada.

Dois de junho de 2001

N.R.-2009 – O Flamengo celebrava o tri estadual. Mas tinha um elenco caro, rachado, e uma diretoria perdidda e perdulária

O brasileiro ainda não sabe vencer

Além da inusitada derrocada do Vasco – em uma semana perdeu tudo que ganhava no estadual e na Libertadores, ao contrário de 2000, quando ganhou tudo que parecia perdido -, o tricampeonato do Flamengo deixa uma lição aos vencedores: nem tudo é perfeito quando se ganha um campeonato.

Exceto as vozes do coração, os cabeças e as cabeças rubro-negras sabem que o time precisa melhorar, que a manutenção de Zagallo como técnico deve ser discutida, que os contratos das estrelas precisam ser revistos, que as divisões de base merecem ainda mais atenção, que as contas têm de ser equacionadas, que todo o futebol precisa ser repensado. Ou, em alguns casos, pensado pela primeira vez.

Há muito tempo não via, ouvia e lia tantas vírgulas colocadas antes dos pontos de exclamação de um título. Do mesmo modo que no Brasil são colocados pontos de interrogação depois de qualquer fracasso (como vascaínos e cruzeirenses andam caçando bruxas e bagres), no país não existe a saudável avaliação do sucesso. Houvesse algo do tipo, o São Paulo não teria chutado Vadão no início do trabalho. Existisse essa mentalidade – o que não significa ainda a prática dessa idéia -, os campeões do Rio-São Paulo de verão não teriam passado por invernos tão rigorosos em cada temporada.

O Flamengo parece ter aprendido que troféu de verão não sobe a serra. Um título não apaga os erros. Falta, agora, os vices e outros derrotados entenderem que há vida após a derrota. Que existem acertos nos fracassos.

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  • claudio romanelli

    O Timão é superior a essa timaiada ruim..esse interregional é fogo de palha e logo vai mostrar sua cara…O Adriano ja deu o calote no menguim e o Ronaldo ta rindo atoa..Essa conversa de que amgo de Adriano é pra amenizar a inveja dos flamenguistas…Ronaldo é rei e esse Adrino é um prebleu,,pode esperar coloridas a sua hora vai chegar..

  • CLAUDIO

    LAMENTÁVEL QUE A TAL DA GRIPE SUÍNA, QUE TALVEZ JÁ EXISTA HÁ SÉCULOS NO MUNDO, TENHA SIDO FEITA APENAS PARA CLASSIFICAR O SÃO PAULO QUE ESTAVA EM PÉSSIMA FASE E PROVAVELMENTE SERIA ELIMINADO. A GRIPE TAMBÉM ESTÁ NO BRASIL E OUTROS PAÍSES PARTICIPANTES DA LIBERTADORES E O CAMPEONATO CONTINUA NORMALMENTE. UÉ, A GRIPE ACABOU DE REPENTE ???? O SÃO PAULO PODERIA MUITO BEM TER JOGADO NO MÉXICO, EM ÁREA NÃO TÃO ATINGIDA PELA GRIPE.

  • http://blogs.abril.com.br/palestra Thiago Liberal

    Todo palmeirense que se preze “sabia” que o Jackson ia errar aquele pênalti.

    Talvez tenha mais decisão desse tipo no dia 17…e que o Marcos só use o par de chuteiras para dar bicões na bola ou, quem sabe, pegar um (dois, três, quatro..) pênalti(s).

  • Luiz

    Isso aí, tomara que o Nacional ganhe do Palmeiras, São Paulo ganhe do Cruzeiro, os dois atropelem nas semis, e se peguem na final para todos os chorões cantarem que já tava arranjado!!! São Paulo e Nacional já tinham pago para passarem direto pra final!!! Fora o campeonato de cartas marcadas!!!