Ceará 0 x 2 Vasco

por Mauro Beting em 18.maio.2009 às 15:54h

ESCREVE ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

O que o Dorival Júnior tem?

Até se contundir, o sempre controverso Fernando era o mais seguro entre os zagueiros do elenco vascaíno. Carlos Alberto, irriquieto e problemático, agora é exemplo entre os mais jovens e líder incontestável. E o time, cheio de caras novas, ganhou padrão de jogo com rapidez incrível durante o Estadual e o mantém agora no início da Série B e na seqüência da Copa do Brasil.

Apenas pelo descrito acima, o técnico Dorival Jr. – auxiliado pela sua comissão técnica e pelo diretor-executivo de futebol Rodrigo Caetano – já mereceria todas as reverências em São Januário. Mas, dentro de seu perfil exigente e perfeccionista, o treinador agora sinaliza a busca de duas conquistas que tornarão o Vasco ainda mais forte.

A primeira é uma homogenização do elenco, com a equipe sentindo menos os desfalques. Na vitória sobre o Ceará no Castelão, mesmo com seis ausências, dentre elas o capitão Carlos Alberto e o atacante Rodrigo Pimpão, o Gigante da Colina conseguiu impor seu melhor futebol na maior parte do primeiro tempo, apesar do sufoco no final, mostrou muita garra depois do intervalo e venceu com mais uma ótima atuação de Ramon, que ainda marcou seu primeiro gol pelo clube. Fernando Prass voltou a mostrar segurança na meta, o miolo de zaga fez jogo simples e eficiente e o meio-campo, repleto de reservas, conseguiu ser eficaz.

E é no setor de criação que aparece outro “projeto de milagre” de Dorival: Léo Lima parece ter assimilado bem o espírito da segunda divisão e vem aliando à sua técnica já conhecida um espírito de luta inimaginável para a sua personalidade. Seja atuando na armação ou como um volante-meia pela esquerda, o antes indolente meio-campista tem corrido demais e participado ativamente das partidas. No sábado, marcou o gol que definiu a vitória por 2 a 0 e foi um dos destaques.

É óbvio que se o jogador não quiser, o treinador nada pode fazer. Mas nas entrevistas, Léo Lima comprova a tese de que o técnico tem enorme participação em sua mudança de atitude dentro de campo. E o “segredo” que responde a pergunta do título do parece simples e até óbvio, já que funciona em qualquer outro campo de atividade: metas traçadas, trabalho incessante e nenhuma acomodação.

Quando chegou ao Vasco, Dorival Jr. já tinha sua competência reconhecida pelos trabalhos anteriores. Mas é baseado no que vem realizando em São Januário que o treinador, assim como fez Mano Menezes no Corinthians, pode mudar de patamar entre os seus pares no Brasil. Pelo que vem conseguindo dentro e fora de campo, com resultados e a conquista de respeito e admiração em um dos maiores e mais populares clubes do país, Dorival Jr. caminha a passos largos para entrar no grupo seleto dos melhores técnicos brasileiros.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

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  • Felipe

    Muito bom esse post. É exatamente esse sentimento que nós vascaínos estamos passando, e com certeza seremos campeões da Copa do Brasil e subiremos para a Série A. O sentimento não pára !