logo lance
undo
Nacionais
Internacionais

BlogsL!

Colunistas

2 Pontos

por Rodrigo Borges e Fabio Chiorino

Blog da L!TV

Vídeos

Blog do Baldini

por Wilson Baldini

Blog do Bechler

por Marcelo Bechler

Blog do Kfouri

por André Kfouri

Blog do Garone

por André Schmidt

Blog do Gui Gomes

por Guilherme Gomes

Blog do Guilherme de Paula

por Guilherme de Paula

Blog do Janca

por João Carlos Assumpção

Blog do Mansell

por Eduardo Mansell

Blog do Marra

por Mário Marra

Blog do Salata

por Thiago Salata

Blog do Tironi

por Eduardo Tironi

Bulla na Rede

por Rafael Bullara

Crônicas do Morumbi

por Ricardo Flaitt

De Prima

por Fábio Suzuki e Igor Siqueira

Em Cima do Lance

por Bernardo Cruz e Igor Siqueira

Fora de Campo

O dia-a-dia dos atletas

Futebol & Ficção

por Valdomiro Neto

Futebol na Terrinha

por Thiago Correia

Gol de Canela FC

por Jonathan Oliveira

Humor Esportivo

Trollagem e zoação

Laguna Olímpico

por Marcelo Laguna

Lance! Livre

por Lucas Pastore

Made in USA

por Thiago Perdigão

Marketing & Economia da Bola

por Amir Somoggi

Números da Bola

por André Schmidt

O Mundo é Uma Bola

por Leonardo Pereira e Luiza Sá

Papo com Boleiro

por Luiz Otávio Abrantes

Planeta Fut

por Luiz Augusto Veloso

Press Start

por Lazlo Dalfovo e Pedro Scapin

Quem Não Sonhou?

por Gabriel Carneiro

Saque

por Daniel Bortoletto

Segunda Pele

por Leonardo Martins, Rafael Pereira e Vinícius Perazzini

Super-Raio X

por Alexandre Guariglia

Tênis

por Fabrizio Gallas

Clubes

Doentes

Julinho Botelho – O craque que virou a vaia do tamanho do Maracanã | Blog Mauro Beting
logo lance
undo
Nacionais
Internacionais

BlogsL!

Colunistas

2 Pontos

por Rodrigo Borges e Fabio Chiorino

Blog da L!TV

Vídeos

Blog do Baldini

por Wilson Baldini

Blog do Bechler

por Marcelo Bechler

Blog do Kfouri

por André Kfouri

Blog do Garone

por André Schmidt

Blog do Gui Gomes

por Guilherme Gomes

Blog do Guilherme de Paula

por Guilherme de Paula

Blog do Janca

por João Carlos Assumpção

Blog do Mansell

por Eduardo Mansell

Blog do Marra

por Mário Marra

Blog do Salata

por Thiago Salata

Blog do Tironi

por Eduardo Tironi

Bulla na Rede

por Rafael Bullara

Crônicas do Morumbi

por Ricardo Flaitt

De Prima

por Fábio Suzuki e Igor Siqueira

Em Cima do Lance

por Bernardo Cruz e Igor Siqueira

Fora de Campo

O dia-a-dia dos atletas

Futebol & Ficção

por Valdomiro Neto

Futebol na Terrinha

por Thiago Correia

Gol de Canela FC

por Jonathan Oliveira

Humor Esportivo

Trollagem e zoação

Laguna Olímpico

por Marcelo Laguna

Lance! Livre

por Lucas Pastore

Made in USA

por Thiago Perdigão

Marketing & Economia da Bola

por Amir Somoggi

Números da Bola

por André Schmidt

O Mundo é Uma Bola

por Leonardo Pereira e Luiza Sá

Papo com Boleiro

por Luiz Otávio Abrantes

Planeta Fut

por Luiz Augusto Veloso

Press Start

por Lazlo Dalfovo e Pedro Scapin

Quem Não Sonhou?

por Gabriel Carneiro

Saque

por Daniel Bortoletto

Segunda Pele

por Leonardo Martins, Rafael Pereira e Vinícius Perazzini

Super-Raio X

por Alexandre Guariglia

Tênis

por Fabrizio Gallas

Clubes

Doentes


Julinho Botelho – O craque que virou a vaia do tamanho do Maracanã

por Mauro Beting em 13.maio.2009 às 14:07h

A maior – e mais imerecida vaia – que qualquer mortal recebeu ha história do futebol.

Em 13 de maio de 1959, 127.097 torcedores no Maracanã queriam ver Garrincha com a camisa sete amarela no amistoso contra a Inglaterra.

O primeiro jogo da Seleção no Brasil desde o título mundial de 1958.

O treinador Vicente Feola deixou Mané no banco, possivelmente por questões disciplinares. O torcedor só soube da escalação de Julinho quando o sistema de som do estádio anunciou.

Foi a maior vaia para uma pessoa física da história do futebol. Algo que passou dos cinco minutos. Quase todos eles com lágrimas nos olhos dele. E a promessa feita ao parceiro Djalma Santos:

– Eles vão engolir essas vaias!

Justo um brasileiro que, de tão brasileiro, não foi defender o país, em 1958 – achou que não era “certo” ele, que atuava pela Fiorentina, “tirar” o lugar no grupo de um ponta-direita que atuasse no Brasil – como o flamenguista Joel.

Apupo e apuro injusto para qualquer pessoa. Mas Julinho Botelho era muito mais que uma pessoa física. A alma fez a diferença. Com dois minutos, numa bomba de raiva e potência, fez 1 x 0 nos ingleses.

Começou a virar a vaia. A deixar quem o xingava mudo. Ou virar o jogo e a vida, recebendo o aplauso que sempre mereceu.

Aos 28, todo o lance do gol de Henrique Frade, debulhando Armsfield e Flowers, foi de Julinho, já devidamente reconhecido pelo Maracanã.

E mais não fez o Botelho porque se machucou de tanto driblar e apanhar dos ingleses. Eles que, no jornal do dia seguinte, estampavam: “O Brasil agora tem dois Garrinchas”.

Até o fim da vida, Julinho garantiu ouvir as vaias:

– Sempre as escuto. Cheguei a ter medo no vestiário. Chorei. No Hino, mal conseguia ver porque as lágrimas me deixavam cego.

Este é o Julinho que virou nome de escola na Penha, em São Paulo, onde todas as homenagens ainda serão poucas pelo muito que fez, como craque, atleta e pessoa.

Muito melhor ler Nelson Rodrigues, em texto publicado em a “Manchete Esportiva”.

Amigos, Julinho começou a ser o meu personagem da semana a partir do momento em que o vaiaram. Foi, até, se me permitem a expressão, trágico. Insisto: trágico! Quem estava lá viu ou, por outra, ouviu. No instante em que o alto-falante do Maracanã anunciou Julinho em lugar de Garrincha, o estádio entupido foi uma vaia só. Menos eu. Eis a verdade: – eu não apupei, embora preferisse Garrincha. Parecia-me que o escrete sem o “seu” Mané era um mutilado. Na pior das hipóteses, eu achava que o Feola devia ter posto os dois: – Julinho na ponta direita e Garrincha na esquerda. Mas um técnico tem razões que a razão desconhece. Puseram só Julinho e esqueceram o Garrincha. Verificou-se, então, o amargo e ululante desagrado da multidão. Naquele momento, ninguém se lembrou, no Maracanã e fora dele, de quem é Julinho na história do futebol brasileiro. Sim, amigos: – o homem andou pela Itália e quando voltou nós o olhamos, de alto à baixo, como se fosse um gringo qualquer ou pior do que isso, como se fosse um perna de pau. Não há nada mais relapso do que a memória. atrevo-me mesmo a dizer que a memória é uma vigarista, uma emérita falsificadora de fatos e de figuras. Por exemplo: – ninguém se lembrava de que, no mundial da Suíça, contra os húngaros, Julinho fizera um carnaval medonho. De certa feita, driblara toda a defesa contrária para finalizar com uma bomba e que bomba! O arqueiro nem viu por onde a bola entrou. Esse gol foi uma obra-prima e devia estar numa vitrine de turismo, para a admiração pateta dos visitantes. Pois bem: – ao ser anunciada a escalação de Julinho, a nossa memória apresentou-nos a imagem não autêntica, não fidedigna do craque, mas de um quase penetra do escrete.

Ao ouvir o apupo,, eu fui um pouco oracular para mim mesmo. Imaginei o seguinte vaticínio:

– “Julinho vai comer a bola!”

Podia parecer uma piada e, no entanto, era uma grave profecia. Eis a verdade: – para o jogador de caráter uma vaia é um incentivo fabuloso, um afrodisíaco infalível. Imagino que Julinho a de ter entrado em campo crispado da cabeça aos sapatos ou, retifico, às chuteiras. Nunca um craque foi tão só. Era um único contra duzentos mil. Mas homem de brio indomável, Julinho aceitou a luta: – bateu-se contra a multidão que o cercava por todos os lados, disposta a crucificá-lo em outras vaias. Mas se nós tínhamos e esquecido Julinho, Julinho não estava esquecido de si mesmo. Foi Julinho em cada um dos 45 minutos, foi sempre Julinho e só Julinho. Em inúmeras ocasiões o que ele fez com o adversário foi pior que xingar a mãe. E o primeiro gol, ah, o primeiro gol! Ele o marcou contra os ingleses, sim, mas também contra os que o vaiaram. Enfiou a bola de uma maneira, por assim dizer, sádica. Jamais houve um gol tão amorosamente sofrido como este. A partir da abertura da contagem, todo mundo passou a reconhecê-lo, todo mundo admitiu para si mesmo:

– “Este é o Julinho !” E era.

Ele não parou mais. Aquela multidão se arremessara contra ele como um touro enfurecido. Pois bem: – ele agarra o touro a unha e lhe quebra os chifres. Então, aconteceu o milagre. O ex-touro brabo, já manso, tornou-se em outro bicho. Sim, amigos: – do primeiro gol em diante, a multidão transformou-se a “macaca de auditório” de Julinho. Se ele apanhava a bola, os duzentos mil espectadores arreganhavam o riso enorme e já gozavam, por antecipação, o que o Julinho iria fazer. Vejam vocês as ironias da vida e do futebol: – de um momento para outro, o vaiado, o apupado, o quase cuspido, transformava-se num triunfador. E, de fato, Julinho foi grande. Nos pés de Julinho a jogada se enfeitava como um índio de carnaval. De certa feita, como um, dois, três, quatro e quase entra com bola e tudo. Imagino que, neste momento, Lord Nelson há de ter perguntado, lá do alto, para o mais próximo companheiro de eternidade:

– “Quem é esse cara ?” O “cara” era Julinho, sempre Julinho.

Assim é o brasileiro de brio. Dêem-lhe uma boa vaia e ele sai por aí, fazendo milagres, aos borbotões. Amigos, cada jogada de Julinho foi exatamente isso: – um milagre de futebol

Tags:

  • Amaro

    O grande tricolor Nelson Rodrigues e seus textos mágicos!

  • carlos amendola

    Nada é mais belo que um texto de Nelson Rodrigues.
    Um verdadeiro gênio!

  • Marcelo

    Fantááááááááástico !!!! o texto e a História

  • Guilherme Marcondes Ferraz

    Eu estava no Maracanã , minha primeira visita ao Maracanã aos 07 anos , como paulista acompanhava mais o Julinho do que o Garrincha , o que me lembro foi a vaia e o primeiro gol , o resto acho que tenho na lembrança pelo meu pai e o folclore. Salve Nelson Rodrigues , um poeta , não deixem de ler ” As chuteiras imortais ” crônicas que eu lia na minha infância na edição de esporte do Estadão toda segunda , e que originou o Jornal da Tarde.

  • Alaerte

    Não vi Julinho Botelho jogar, mas sei que foi um dos maiores jogares que Palmeiras, Fiorentina e o Brasil já viram.
    O que não sei é o que foi maior: o talento do craque de chuteiras ou do craque com a Remington. Me comove até as lágrimas sempre.
    Parábens Mauro.

  • Fernando Miller

    Mauro,segue aqui uma sugestão bem no estilo “miltoneviano”,mas que pode ter algum retorno interessante – já pensou em fazer uma espécie de livro de autoajuda (não gosto do gênero,mas desse livro eu gostaria…) só com histórias do futebol ?Pelé criança prometendo para o pai que chorava que ia trazer uma Copa ( ou,já adulto,mandando entregar a bola para a mãe de um dos zagueiros que ficou se perguntando “onde estava o rei”),essa história fantástica do Júlio Botelho,a Arrancada Heróica de 42…são histórias bonitas que eventualmente podem motivar alguém a fazer algo de bom por suas vidas.Preferiria que você um Torero ( ou você e o Torero…) fizessem um livro desses do que um Paulo Coelho ou Lair Ribeiro…

  • carlos seno neto

    mauro, tenho 59 anos, te acompanho na bandeirantes, sempre, voce é um dos melhores que ja passaram por lá. O JULINHO BOTELHO, tenho no meu coracao palestrino desde 1959 (supercampeao), como o maior ponta direita da historia do palmeiras, foi ultra fora de serie, como atleta e homem,me fez lembrar de meu pai que adorava o JULINHO. Chorei no dia de seu falecimento, como estou chorando agora pelas suas palavras e pela obra prima do NELSON RODRIGUES, outro fora de série,daqueles que só aparecem de seculo em seculo.
    ABRACOS.

  • Pingback: Edição nº 8 « Opiniões em Campo()

  • Paulo Cesar – Tricolor

    Os textos de Nelson Rodrigues são um primor!!! Não tem como não vivenciar as suas narrativas!!!

    Salve grande Tricolor

  • Bruno Leonardo

    Sabia das coisas o Nelson Rodrigues, apesar de ser tricolor!

  • Claudio Sacramento – Salvador/BA

    Já conhecia a história. Não conhecia essa crônica brilhante de Nélson Rodrigues. Já vi gols de Julinho em VT e já li sobre ele há um bom tempo. Foi o maior jogador da história da Fiorentina, um dos 2 maiores da história do Palmeiras, o segundo maior ponta-direita do Brasil, um dos melhores do Mundo na posição em todos os tempos. Deu azar de ser contemporâneo, em parte, de Garrincha. E azar também do Brasil ter os 2 maiores jogadores da posição na mesma época. Nem pra julinho ter nascido na década de 50…

  • Adilson Torres

    Infelizmente não vi este monstro sagrado do futebol mundial jogar, pelo que eu li até agora ele é disparado o melhor ponta direita do futebol mundial, que pena que um craque a expressão da palavra como o JULINHO não disputou uma copa do mundo, o futebol tem esses pecados que ningém explica. VALEU JULINHO.

  • ¨Reginaldo

    Julinho como jogador da Portuguesa de Desporto, fez o que quis no quadrangular em Pernambuco, entre Sport, Náutico e Santa Cruz¨, Ninguém pode com ele não¨

  • Pedro Luiz Boscato

    55 anos hoje, Mauro, do grande show de bola do grande Julinho Botelho transformando as vaias em aplausos no Maracanã naquele 13 de maio de 1959. Pior de tudo que não pude assistir esse jogo que foi transmitido pela TV. Estudava a tarde aqui no Colégio Manuel da Nóbrega na Vila Maria Zélia, tínhamos combinado, a classe toda, que não entraríamos em aula, a notícia vazou, assim que íamos nos retirando eis que surge o saudoso Professor Alceste e faz com que entrássemos no Colégio. Oh raiva filha da mãe que deu! Assim que foi dado o sinal da última aula saí desesperado para casa que ficava bem perto do colégio, o jogo já tinha acabado, dois primos corinthianos que assistiram a partida logo falaram assim que cheguei que Julinho tinha dado o maior show de bola. Infelizmente não tinha vídeo tape na época. Foi mais um espetáculo brilhante na carreira do extraordinário Julinho Botelho.

  • Pingback: Julinho Botelho – O craque que virou a vaia do tamanho do Maracanã | Hilton Muccillo | Portifólio 2014()