Cruzeiro 2 x 0 Flamengo

por Mauro Beting em 11.maio.2009 às 13:53h

* PLACAR VIRTUAL – CRUZEIRO 4 X 6 FLAMENGO.

* O Flamengo era mais time, ao menos mais perigoso, até o pênalti discutível de Jancarlos. Sim. Discutível. Teve o lateral real intenção de meter a mão na bola? Dava tempo para raciocinar depois da cabeçada de queimar a roupa e a pele de Emerson? Eu não marcaria. Mas sei que seria marcado a ferro e fogo por isso.

* Ah, sim: se marco o pênalti, sou obrigado a expulsar Jancarlos, por ter “deliberadamente” impedido – com a mão – uma oportunidade clara de gol. Está na regra. Como também está que só há falta quando o jogo INTENCIONALMENTE mete a mão na bola. Foi o que aconteceu?

* No pênalti perdido por Juan, Fábio fez as duas primeiras das ao menos quatro defesas durante o jogo. Se Doni joga na Seleção (e o romano é bom goleiro), Fábio é melhor. Há muito tempo.

* Também não marcaria o pênalti cavado por Wágner, no lance com Wellinton. Para mim, foi lance de jogo. E, se foi falta, foi fora da área.

* Mesmo com dez por mais de 75 minutos, o Cruzeiro soube muito bem como se segurar. E foi letal no contragolpe. Marquinhos Paraná mais uma vez fez de tudo – desta vez como lateral, Fabrício ajudou a fechar, e Ramires, bem, Ramirez corre por dois e joga quase tudo isso. Deu para compensar.

* Não só o ataque rubro-negro não faz gols. Até Kleberson, em grande fase, perdeu um que não se perde, em belo lance de Ibson. Quando acertou a meta, Fábio fez das dele.

* Ramires fez um golaço de Ramires, em bola longa muito bem trabalhada pelo Cruzeiro. Um placar dilatado demais pelo que foi a partida.

* O Cruzeiro tem mais é de celebrar os 2 a 0 contra o tri carioca – e com 10!; o Flamengo pode dizer que fez boa partida, mesmo com a derrota.

* Não foi pênalti o lance reclamado, no segundo tempo, entre Henrique e Juan. Mas foi falta fora da área, não marcada por Paulo César de Oliveira, que mantém a histórica média de um pênalti para cada equipe. E bota média nisso!

* Athirson é ótima opção para o segundo tempo. Com sequência de jogos, deve ser mais do muito que foi pela Portuguesa.

* Everton é outra alternativa interessante para composição de frente com Adriano.

MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA, com seu OLHAR TÁTICO

http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Aproveite e acesse o blog do André para ver as variações táticas do clássico.

O grande jogo da primeira rodada aconteceu no Mineirão. Não fossem as oportunidades desperdiçadas pelo ataque de inoperância crônica do Flamengo e a expulsão de Jancarlos aos 14 minutos do primeiro tempo que empurrou o Cruzeiro para a defesa, a partida poderia ter sido ainda mais eletrizante e cheia de gols. Não faltaram lances de boa técnica, fibra e vontade de atacar das duas equipes. E os jovens treinadores Adilson Batista e Cuca, ambos com ótimas leituras de jogo, proporcionaram um belo duelo tático na disputa.

O rubro-negro tentou surpreender o adversário atuando em um 3-4-3, com Léo Moura e Everton pelas pontas e Emerson centralizado na área. Na marcação, o plano era que Willians fosse um “dublê” de lateral-direito vigiando Wágner, que quase sempre atua pela esquerda, Kléberson acompanhasse Ramires, Angelim marcasse Thiago Ribeiro, que joga invariavelmente aberto pela direita, Aírton pegasse Kléber, com Wellinton na sobra.

Pelo lado cruzeirense, a ordem era fechar os alas com os laterais e a colaboração dos volantes Henrique e Marquinhos Paraná, que ainda teriam que vigiar Ibson e as penetrações de Kléberson. Ofensivamente, a surpresa foi a inversão do posicionamento de Wágner e Ramires, que circulava pela esquerda e atraiía a marcação de Willians, com Wágner ganhando mais liberdade pelo meio.

Com a mexida do adversário e o gol de Kléber, em falta de Wellinton sobre Wágner fora da área que o árbitro Paulo César de Oliveira viu pênalti, Cuca partiu para uma mudança de “risco calculado”: tirou Willians, que tinha um cartão amarelo e poderia ser expulso pelo árbitro na tradicional “compensação”, e colocou Éverton Silva. Com isso, o time ganhou uma opção mais incisiva pela direita e deixou dois zagueiros para vigiar o único atacante cruzeirense com o avanço de Aírton para o meio-campo. A equipe manteve o domínio e a velocidade do substituto ainda impediu o segundo gol do “Gladiador” em rápido contragolpe.

Com o Fla todo na frente e o Cruzeiro num inimaginável 4-3-2-0, com Ramires e Athirson voltando para marcar e aparecendo no ataque, o time carioca foi cansando de tentar atacar e esbarrar nas próprias limitações, além da boa marcação do oponente. Errando muitos passes e com a defesa escancarada, o Flamengo facilitou o trabalho cruzeirense no final e, antes do belo gol de Ramires, que a cada dia lembra mais o inesquecível ídolo flamenguista Adílio, Athirson havia perdido grande oportunidade após falha grotesca de Wellinton.

Em jogo equilibrado e com variações táticas interessantes, vitória justa da equipe que tinha os jogadores mais decisivos e com categoria para ir às redes. Na disputa entre Cuca e Adílson, venceu a técnica e a eficiência nas conclusões.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA

http://blogs.abril.com.br/futebolearte

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  • Neto

    Bom foi ver a marcação sobre Kleber funcionar, Éverton jogando um nível acima de suas apagadas atuações no carioca e Íbson andando no meio campo. Adriano encaixa em um time que vai jogar só com um atacante, ao que parece, já que Emerson deve sair da área, o que faz melhor que Josiel que, como Dadá (guardadas as devidas…), faz gols mas tem pouca intimidade com a bola. Falta ao rubro-negro um zagueiro a altura do capitão Fábio Luciano e um meia ‘pensador’ para não obrigar Kléberson e Íbson a virarem armadores, embora joguem muita bola. Me agradei do mengão. Quanto a Ramirez, será que Helano, Anderson, Felipe Melo e Gilberto Silva estão (já há muito tempo) jogando mais bola que o volante do Cruzeiro?

  • ANTONIO

    OLÁ MAURO!

    GOSTARIA DE PARABENIZÁ-LO PELA ANÁLISE DA PARTIDA, MAS GOSTARIA DE RESSALTAR QUE NO BRASIL, NINGUÉM FALA DE MARQUINHOS PARANÁ, PARA MIM O MELHOR JOGADOR DO BRASIL. PELO MENOS É O QUE VEM MOSTRANDO UM BOM FUTEBOL EM UMA GRANDE SEQUENCIA DE JOGOS.
    MUITOS DA IMPRENSA ESPORTIVA NACIONAL, FALAM DE HERNANES, NILMAR, KLÉBER, RAMIRES, RONALDO…
    MAS É IMPORTANTE FRISAR QUE SEM O PARANÁ O CRUZEIRO NÃO É CRUZEIRO.

  • ANTONIO

    AH! TERIA O MARQUINHOS PARANÁ COM 32 ANOS, UMA CHANCE NA SELEÇÃO, COMO TEVE O MINEIRO, NA ÉPOCA JOGANDO PELO SÃO PAULO?

  • http://japansoccer.wordpress.com/ Roger

    Olá Mauro Beting! Resido no Japão e acabei de criar um blog sobre o futebol japonês. Gostaria que desse uma olhada, se possível.
    Meus parabéns pelo trabalho!

    Abs!

  • Gustavo Figueiredo

    Um jogo excelente e de variações táticas bastante interessantes, não deixando aquém daquilo que se esperava para uma grande primeira rodada de Brasileirão. O Flamengo fez uma ótima partida, há tempos não via um time tão coeso nas saídas para o ataque, mas o problema insistente do time da gávea está na ausência de um trido básico no futebol – Um atacante matador, um meia armador craque, uma recomposição de defesa rápida e eficiente (com zagueiros bem postados). Então ontem foi mais uma demonstração do que se comenta por aqui quase que de forma uníssona quando o assunto é Flamengo. O Cruzeiro foi oportunista, eficiente, mostrou que o time se adapta a situações difíceis que lhe são apresentadas. Ramires estava excelente, assim como Marquinhos Paraná, o próprio Fabrício teve seus bons momentos e Athirson poderá ser muito bem utilizado no decorrer do campeonato e Kleber parece estar conseguindo se policiar o suficiente RS… Enfim dois grandes clubes, grande começo.

  • Bernardo Dória

    Concordo com tudo que foi falado. O Cruzeiro não é um jogador, por mais que se destaque um ou outro, é o dedo do Adilson Batista aparecendo uma vez que ele explora de cada o jogador sua melhor característica, liberdade aos habilidosos e disciplina tática aos operários. Todos estão de parabéns, foi a vitória da raça e da garra, que tanta gente diz que não é característica do time celeste.

    Agora, o Flamengo criou várias chances sim, pecou nas finalizações, mas ninguém citou que jogamos praticamente o jogo inteiro com um a menos. Será que essa “superioridade” rubro-negra teria aparecido se estivéssemos em igual número, sem que o Cruzeiro precisa-se sacar seus atacantes?

    Valeu demais, soma 3 pontos aí meu querido!!!

  • Lets

    Mauro, o Kleber tem sido caçado, insultado, agredido em campo de forma desleal, e a imprensa só lembra das expulsões e dos erros dele no passado e não vê que ele tem se segurado e jogado muita bola, mas tem um lado positivo nisso, ELE AGUENTA, e enquanto os adversários se preocupam com ele esquecem um pouco o Ramires e o Wagner, e aí dá no que todo mundo tá vendo, o time mais ofensivo do Brasil e maior candidato ao título, pois o Inter é só no papel.

  • Diego Calandrini

    Gostaria de saber quem é o padrinho desse garoto Welliton, como esse garoto se tornou profissional????Como ele foi parar na seleção sub-20???? O cara não sabe marcar, não sabe sair jogando e bate mais que Guiñazu…Além do penalti ele cruzou uma bola na frente da área que o Athirson pegou mas perdeu o gol e o gol do Ramirez foi em cima dele também…Resumindo ele ganhou o jogo pro Cruzeiro….

    Que partida fez o Ibson, novamente correndo sozinho, pena que vai embora…

  • Bruno

    O cruzeiro e o melhor time do brasil.

  • alessandro rodrigues

    ainda bem que temos pessoas na mídia como vc . parabéns pela imparcialidade.
    ps; o cruzeiro não precisa do zé roberto, pois, temos o
    Bernardo que com certeza vai ser a revelação do brasileirão caso o
    wagner relmente saia

  • luciano clemente

    Mauro, quantas faltas foram cometidas pelo Flamengo e quantas pelo Cruzeiro? Será que aí está um dos motivos para a derrota do Fla? Além do pênalti mandrake em cima do ator Wágner e do medo do juiz expulsar mais um do Cruzeiro (Ramires, dando chamada no juiz e Kléber, batendo em todo mundo, mereceram).
    Um abraço

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