8 ou 80 – 29 de abril a 5 de maio de 2001

por Mauro Beting em 05.maio.2009 às 2:06h

Toda terça-feira, o blag faz uma sessão de regressão. Volta oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em abril de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde trabalhava como comentarista, além de também comentar na Band.

Notas que contaM um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

30 de abril de 2001

NOTA DO REDATOR-09 – O Guarani era rebaixado no SP-01 pela primeira das seis vezes desde então…

O Guarani não vai mais tocar por aí

Não vi o melancólico empate sem gols e sem graça do Guarani contra a Portuguesa santista. Mas eu vi o time de Neneca; Mauro, Gomes, Édson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó ganhar duas vezes do Palmeiras e sair campeão do BR-78.

Eu vi a dupla Jorge Mendonça e Careca encher de gols as redes paulistas e brasileiras em 1982.

Eu vi a arbitragem impedir o segundo título brasileiro bugrino, em 1986, quando o time de João Paulo, Evair e Ricardo Rocha empatou um jogo fantástico com o grande São Paulo do mesmo Careca de outras glórias.

Eu vi Viola estragar a festa do primeiro título paulista da turma de Neto e Evair, em 1988.

Eu vi Rivaldo e Velloso travarem a chegada do bom time de Amoroso e Luizão às finais do Brasileirão de 1994.

Eu vi um joelho torcido negar ao Guarani um ataque com Amoroso, Luizão e Djalminha, no SP-95.

Eu vi sempre um Guarani temível em Campinas, um time chato de vencer em qualquer lugar. Mesmo trocando de técnico como Leão troca de seleção com Beto Zini. Mesmo trocando o elenco como quem troca de camisa com Beto Zini.

Mesmo com equipes apenas medianas, como no BR-99, o Guarani sempre chegava. Sempre aprontava.

Agora, não está pronto. Está rebaixado. Mesmo com Carlos Alberto Silva no banco. Nem Carlos Gomes sabe tocar melhor o Guarani que o Carlão. Nada foi mais tocante que o choro do comandante pelo fracasso. Que treinador (e que jogador?) chora pelo insucesso de um clube? Quem sente vergonha pelo que fez ou deixou de fazer nos dias de hoje? Não se rebaixa quem é grande.

A história bugrina é linda, mas a campanha no SP-01 foi ridícula. Um empatinho com gols teria salvado o Guarani, a equipe que mais empatou por zero a zero. Uma pena. Mas foi merecido.

Pouco do Guarani se viu neste campeonato. Eu vou ver menos vezes o Guarani em 2002. Todos nós vamos nos enxergar um pouco menos. É da vida, sim. Mas que dói, até o ponte-pretano sabe.

Primeiro de maio de 2001

NR-09 – O regulamento do SP-01 previa disputa de pênaltis em caso de empate nos 90 minutos de cada partida. O vencedor dessa disputava ganhava um ponto a mais. Sorte do Botafogo de Ribeirão Preto.

Acabaram com o verde no SP-01

Foi a pior campanha do Guarani desde 1950. Foi a pior do Palmeiras desde 1988. Foi a pior do São Paulo desde 1990. Foi a pior da Lusa desde 1993. Mas tudo isso não teria sido tão ruim para eles – e tão maravilhoso para o Botafogo – se o regulamento levasse em conta o usual nos campos de futebol. Nem escrevo dos mandos que fizeram a festa no interior e, por tabela, em Campinas e Ribeirão Preto. Basta fazer as contas dos pontos extras nas disputas por pênaltis.

Pela matemágica da Federação Paulista, deu Ponte, Santos, Corinthians e Botafogo nas semifinais. Em qualquer outro lugar, os três primeiros continuariam sendo Ponte, Santos e Corinthians. A diferença começaria no último classificado. O Botafogo, um dos três times que mais empataram, foi o que mais venceu as disputas por pênaltis (5 das 6). Logo, ganhou 5 pontos de lambuja. Resultado: em vez de acabar como nono classificado em qualquer campeonato, o time de Ribeirão pulou para o quarto lugar.

O maior prejudicado pelo novo regulamento foi o Palmeiras. Com os 24 pontos que teria obtido com qualquer regra, seria o quarto – e último – classificado.

3 de maio de 2001

100% de margem de erro

Pesquisa de opinião costuma ter margem de erro de 3%. Em futebol, o calor da paixão faz com que qualquer enquete tenha uma margem de acerto de 3% – para cima ou para baixo ou para os lados. O Datafolha mediu o humor do paulistano dois dias depois do vexame do Morumbi contra o Peru [empate por 1 as 1]. O resultado tem distorções típicas da bola. Mas uma constatação sem erro: estamos mais perdidos e desgovernados que o Senado Federal.

A pergunta “se Leão fosse demitido, quem deveria ser escolhido para dirigir a seleção” teve o cruzeirense Felipão como o preferido para assumir o time para 19% dos entrevistados. O corintiano Luxemburgo ficou com 14% (o mesmo técnico que não servia para 90% dos torcedores em novembro…). O flamenguista Zagallo teve 9%.

O problema é o número de paulistanos que não têm a menor idéia de quem deveria assumir: 43%! Para quase metade do estádio, tanto faz quem senta no banco.

Pior fica a situação se você pegar as últimas pesquisas sobre a “seleção ideal”. Oito em 11 jogadores são os titulares de Leão até a derrota para o Equador – se é que você sabe quem são os titulares do técnico, se é que ele sabe qual é o time dele.

Conclusão da pesquisa, com zero por cento de margem de erro: o time ideal é esse que está aí; o técnico ideal não existe.

4 de maio de 2001

Recorde

Mesmo com o time reserva em 3 jogos, o Vasco bateu um recorde histórico na Libertadores: 100% de aproveitamento na primeira fase. Desde 1965, nenhuma equipe havia vencido todos os jogos, quando Santos e Boca venceram as quatro partidas da fase inicial.

Antes disso, só o Botafogo, em 1963, havia tido 100% de aproveitamento no grupo inicial. Com seis jogos na primeira etapa, só o Vasco-01 conseguiu vencer todas as partidas.

O time de Joel Santana tem todos os méritos pela façanha. Mas não há como negar que a fase inicial da Libertadores está mais fácil do que era até 2000. Com a ampliação do número de participantes para 32 clubes, não existindo mais os confrontos diretos entre clubes do mesmo país – o que equilibrava os grupos -, está tudo menos compli

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  • Luiz Henrique(S.E.PALMEIRAS)

    Comenta o VERDÃO MAUROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

  • rafael j.

    po, logo o trecho q vc falava de uma façanha do meu vascão ficou cortada. ô fase. rs

    e pensar que o vasco se dava ao luxo de jogar a metade da primeira fase de uma libertadores com time reserva.