Ronaldo is following Romário

por Mauro Beting em 28.abr.2009 às 11:32h

ESCREVE ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

O título é inspirado na febre do Twitter e também lembra a bela canção “Orange Crush”, do R.E.M (“Follow me, don’t follow me!”). E o vídeo acima remete a um momento espetacular do nosso futebol: em 1997, a seleção, então comandada por Zagallo, reuniu em seu ataque dois dos maiores artilheiros de sua história.

Ronaldo e Romário formaram naquele ano a dupla de ataque mais sensacional de todos os tempos – não necessariamente a mais eficiente ou a de melhores números. Até porque nem foram tantos jogos.

Na tela,

http://www.youtube.com/v/onSM6OyG_do&hl=pt-br&fs=1

Romário e Ronaldo convocam a torcida para a estreia da dupla no amistoso contra a Polônia no Serra Dourada. E no ambiente descontraído, o Baixinho pega um globo e tenta apontar no mapa por onde o então menino Ronaldinho “perseguia” o ídolo. Romário se atrapalhou um pouco, mas a mensagem era clara: àquela altura, as semelhanças eram muitas. Início no Rio de Janeiro, depois PSV e Barcelona. E ainda uma Bola de Ouro para cada um.

Depois as trajetórias perderam o ponto de contato. Até porque tudo aconteceu mais rápido para o garoto de Bento Ribeiro e Romário cansou rapidamente da Europa. Além disso, o eterno camisa 11 nunca teve uma contusão grave na carreira, enquanto Ronaldo enfrentou mais do que poderia vislumbrar em seu pior pesadelo.

Doze anos se passaram e as coincidências parecem unir novamente os dois craques geniais. De volta ao Brasil, Ronaldo vem mostrando no Corinthians, por força das circunstâncias, um estilo de jogo mais pragmático, objetivo e minimalista. Poucos toques na bola, mas intervenções precisas e decisivas. O aproveitamento de passes e chutes do Fenômeno na acertada equipe de Mano Menezes impressiona. Faz lembrar Romário na reta final de sua longa carreira, quando chegava ao ponto de tocar apenas 10 vezes na bola durante noventa minutos e terminar com dois gols e uma assistência, por exemplo.

O sorriso de volta ao rosto do camisa 9 corintiano mostra que ele está feliz de volta ao seu país, assim como Romário se sentia em casa pelos nossos campos. E gênios alegres, motivados e enfrentando uma concorrência mais fraca podem fazer coisas belas e inimagináveis, como Ronaldo brindou o público na Vila Belmiro com dois gols de quem conhece muito mais que seus pares e oponentes. Da mesma forma que Romário estufava as redes adversárias com regularidade impressionante e jogadas fantásticas.

Difícil predizer o que virá, mas parece que teremos em um futuro bem próximo mais um acontecimento reunindo os protagonistas dos últimos Mundiais conquistados pelo país pentacampeão.

Se em 2002 o povo pedia Romário com a camisa verde e amarela, mas o clamor popular não dobrou o técnico Luiz Felipe Scolari, desta vez a história poderá se repetir com outro craque e mais um gaúcho teimoso.

Com Ronaldo marcando gols em profusão pertinho da torcida brasileira e reconstruindo a forte identificação com o Brasil, até por sua história de luta e superação, é certo que Dunga será pressionado para promover o retorno do maior artilheiro da história das Copas do Mundo. Talvez o técnico atual até ceda aos pedidos, já que os dois se conhecem bem, jogaram juntos com a camisa canarinho e Dunga não tem a vivência e o currículo que Felipão tinha quando descartou o Baixinho gênio da grande área, mas polêmico e desagregador.

Mas é preciso saber se quem dá as ordens na CBF já esqueceu ou é capaz de relevar tudo que aconteceu há dois anos atrás no Mundial da Alemanha. É dever lembrar que Dunga foi chamado para “botar ordem na bagunça” que teve como “protagonista” (ou bode expiatório) um Ronaldo em forma física lamentável, mas com disposição para ser o “presidente” dos boleiros que partiam para a farra em seus dias de folga. A mania brasileira de encontrar culpados para seus fracassos fez com que os dedos acusatórios fossem, em sua maioria, apontados na direção do Fenômeno, mesmo com os três gols marcados, mesmo que apenas ele tenha chutado a gol naquela noite de Zidane (outro gênio da bola!) e da França em Frankfurt. A questão é: será que Ronaldo será perdoado pelo chefe do treinador novato?

Por enquanto, fica apenas a certeza de que, depois da despedida do Baixinho e a sensação de que faltava uma grande atração em nossos estádios, alguém que monopolizasse as atenções em seus momentos mais ou menos felizes, os acontecimentos fizeram com que Ronaldo novamente seguisse o rastro de Romário e trouxesse a genialidade e o agito que movimenta as massas de volta ao nosso insosso e combalido futebol.

“Valeu, Peixe!”

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

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  • Neto

    E vc, Mauro, fosse o treinador, convocaria o fenômeno? E quem seria seu companheiro ideal para o ataque?

  • Augusto Frutuoso

    O texto diz td… EU ainda acho o Romário melhor que o Ronaldo.

  • Diego Calandrini

    Gosto muito do Ronaldo, gostaria muito que ele tivesse acertado com o meu Flamengo. Mas acho um tremendo exagero falar em seleção no momento, acho que devemos esperar um pouco pois fisicamente ele não está nem 50%…Em minha opinião o primeiro gol foi mais genial, pelo dominio de bola e a simplicidade(apenas dois toques na bola).

  • Léo Timão

    Sinceramente, amigo Mauro, prefiro que o Ronaldo não seja convocado. Não vejo vantagem nenhuma nele voltar à Seleção, já que esta, atualmente, só serve para transformar jogadores medíocres e de pouco valor de mercado em estrelas com salários e multas rescisórias exorbitantes. Em 1999, a CBF “roubou” nosso ótimo técnico, Wanderley Luxemburgo, na época um cara muito mais respeitado do que é hoje, pelo que fizera anos antes no Bragantino e no Palmeiras. Conclusão: ficamos sem a Libertadores de 1999 e o Luxemburgo foi praticamente escorraçado da Seleção. Em 2003, a CBF “rouba” outro ótimo técnico nosso, Carlos Alberto Parreira, na época outro cara muito, mas muito mais respeitado do que é hoje, pelo que fizera na Copa de 1994 e, principalmente, pelo que vinha fazendo no meu Corinthians. Conclusão: ficamos sem a Libertadores de 2003 e, após a Copa de 2006, o Parreira foi escorraçado da Seleção, pela própria CBF e pela nossa população. Até o livro que ele escrevera um ano antes foi esquecido nas prateleiras das livrarias. Conclusão final de um corintiano que já cansou da CBF: Ronaldo, fique no Corinthians, recupere sua condição física e sua autoestima, não perca tempo com o que não vale a pena. Jogue, faça gols e encerre aqui a sua carreira, para a alegria da Fiel Torcida!

  • Jovaneli

    Ronaldo tem mais técnica e, principalmente, inteligência para jogar futebol, o que é um diferencial nesse nosso futebol brasileiro repleto de atletas e carente de talento.
    Se nada mudar no Brasileirão, poderemos ver o raio cair duas vezes no mesmo lugar, em diferentes épocas, mas com personagens igualmente vencedores no futebol europeu e com a camisa da seleção.
    Em 2005, aos 39 anos, Romário sagrou-se artilheiro da principal competição nacional, jogando pelo Vasco, com 22 gols. Ronaldo, que também não é atleta, a exemplo do baixinho, pode, sim, brigar pela artilharia do Brasileiro jogando pelo Corinthians. E nem precisa fazer muito mais que Romário.
    Com os mesmos 22 gols anotados pelo baixinho naquele ano, por exemplo, Ronaldo não só seria artilheiro do Brasileiro do ano passado, com um gol a mais que aqueles que mais gols fizeram naquela competição (Keirrison, pelo Coritiba, Washington, com a camisa do Fluminense e Kléber Pereira, pelo Santos), como seria o goleador em outros dois Brasileirões, em 2006 e 2007, que tiveram como artilheiros, respectivamente, Souza, ex-camisa 9 do Goiás e atual jogador do Corinthians, autor de 17 gols, e Josiel, ex-atleta do Paraná Clube e que hoje atua pelo Flamengo, que marcou 20 vezes naquele ano.
    Os estaduais, é verdade, não servem como parâmetro para uma competição muito mais forte como é o Campeonato Brasileiro. Mas como duvidar de alguém com a história de Ronaldo e que, longe de sua melhor forma física, consegue marcar oito gols em 10 jogos (sendo que na partida contra o Itumbiara, atuou por apenas 25 minutos), média de 0,8 gols por partida? Por que não também no Brasileiro?

  • http://1982esporteclube.blogspot.com/ 1982 Esporte Clube

    As críticas ao Ronaldo foram justíssimas (esse superlativo). E é bom lembrar que ele não foi “bode expiatório”, nem apontado com único responsável. Cafu, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaucho, Gilberto Silva, Parreira…também foram apontados pela opinião pública. E repito: nenhuma injustiça foi cometida.

    Só lamento o fato de ´não ser destrinchada toda verdade que envolve uma Copa do Mundo. Não consigo aceitar a idéia de que aquele grupo foi aquela zona toda sem ter um motivo, no mínimo, estranho para aquele comportamento.

    Depois do João Havelange dizer que não deixaram o Brasil ganhar a Copa de 66 e 74 porque já havia sido campeão nas Copas anteriores, eu que nunca acreditei não duvido de mais nada no meio do futebol.

    Se alguém que foi presidente da FIFA admite isso, o que não há de podre para ser revelado, ,hein?

    Prá mim, aquele grupo de 2006 já sabia que não poderiam ganhar aquela Copa. Prtá alguns esse tipo de teoria conspiratória é motivo de chacota. Que seja! Mas não acredito que aquele grupo de 2006 foi tão tão despreparado, tão descompromissado, tão irresponsável como foi se não tivesse “algo” mais.

    De qualquer forma, acredito que, em breve, o Ricardo Teixeira, exigirá a convocação do R9 assim como exigiu a do R10. E aquela emissoa de TV,também, é claro!

    (Espero que meu comentário não seja barrado só por dizer o que acredito ser a verdade. Aguardo!)

  • http://1982esporteclube.blogspot.com/ 1982 Esporte Clube

    As críticas ao Ronaldo foram justíssimas (esse superlativo). E é bom lembrar que ele não foi “bode expiatório”, nem apontado com único responsável. Cafu, Roberto Carlos, Ronaldinho Gaucho, Gilberto Silva, Parreira…também foram apontados pela opinião pública. E repito: nenhuma injustiça foi cometida.

    Só lamento o fato de ´não ser destrinchada toda verdade que envolve uma Copa do Mundo. Não consigo aceitar a idéia de que aquele grupo foi aquela zona toda sem ter um motivo, no mínimo, estranho para aquele comportamento.

    Depois do João Havelange dizer que não deixaram o Brasil ganhar a Copa de 66 e 74 porque já havia sido campeão nas Copas anteriores, eu que nunca acreditei em tudo,não duvido de mais nada no meio do futebol.

    Se alguém que foi presidente da FIFA admite isso, o que não há de podre para ser revelado,hein? Mas, é compreensível: essas revelções não interessam a ninguém.

    Prá mim, aquele grupo de 2006 já sabia que não poderiam ganhar aquela Copa. Prá alguns esse tipo de teoria conspiratória é motivo de chacota. Que seja! Mas não acredito que aquele grupo de 2006 foi tão tão despreparado, tão descompromissado, tão irresponsável como foi se não tivesse “algo” mais.

    De qualquer forma, acredito que, em breve, o Ricardo Teixeira, exigirá a convocação do R9 assim como exigiu a do R10. E aquela emissoa de TV,também, é claro!

    (Espero que meu comentário não seja barrado só por dizer o que acredito ser a verdade. Aguardo!)

  • Gabriel

    Uma das minhas maiores frustrações no futebol (como torcedor é claro) foi não ter visto vingar a dupla Ronaldo e Romário. Os dois juntos debulhavam os adversários. Talvez tivéssemos mais sorte em 98 se o baixinho estivesse no time.

  • Jose Carlos

    Amigo, comparar Romário e Ronaldo é o mesmo que comparar Senna e Schumaker, foram gênios com muitas virtudes semelhantes e alguns predicados minimamente diferentes. (Estou me referindo a ambos no auge da carreira) Romário, mesmo baixinho, cabeceava melhor. Ronaldo tinha mais velocidade partindo do círculo central. Romário era mais requintado no trato com a bola. Ronaldo tinha uma perna esquerda bem melhor. Na explosão dá empate. Na precisão e no drible também. Na colocação o baixinho levou pequena vantagem. Na mobilidade Ronaldo era um pouco mais fácil de achar. Ronaldo chutava melhor de fora da área. O baixinho abusava do biquinho. Ambos falavam a língua da tabela com desenvoltura.
    Nenhum dos dois marcavam. (Isso é coisa de cabeça-de-bagre) Romário mais auto-confiante. Ronaldo mais agregador. Estão jogando no time dos meus sonhos ao lado de Garrincha, Pelé, Maradona e Zico.

  • Thiago

    A REALIDADE FENOMENAL. E O SONHO DO CENTENÁRIO.

    http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2009/04/28/ult59u196685.jhtm

    28/04/2009 – 07h01

    Após autógrafo para Tevez, Ronaldo já supera início do argentino

    Alexandre Sinato
    Em São Paulo

    Carlitos Tevez foi o último grande atacante que passou pelo Corinthians até a chegada de Ronaldo. Com gols e dedicação, o argentino logo caiu nas graças da fiel torcida. Mas seus números não resistiram ao ídolo Fenômeno. Adorado por Carlitos, o camisa 9 já exibe início superior ao do último atacante “medalhão” do clube.

    No Parque São Jorge, a história corrente é que um dos poucos autógrafos com dedicatória dados pelo Fenômeno em sua apresentação oficial, em dezembro, foi para o argentino, ainda na sala da diretoria. Carlitos Tevez teria ligado para o presidente Andres Sanchez pedindo uma camisa autografada por Ronaldo.

    Tevez, inclusive, é um sonho do mandatário corintiano para 2010, ano do centenário do clube. Andres já externou diversas vezes que sua dupla de ataque ideal para a próxima temporada é formada por Carlitos e Ronaldo. O argentino ainda mantém um imóvel em São Paulo.

    Sonhos à parte, Ronaldo é uma realidade para lá de festejada no Corinthians. E com um início que elimina dúvidas quanto a seu retorno ao futebol após a grave lesão sofrida no joelho esquerdo. Com oito gols em dez jogos, o Fenômeno já supera o marcante início de Tevez pelo time alvinegro.

    Em 2005, Carlitos começou sua trajetória pelo clube fazendo seis gols em dez jogos, aumentando a empatia da torcida por seu futebol. Ronaldo exibe números superiores: até agora, foram oito gols em dez partidas, sendo quatro em clássicos: dois contra o Santos, um sobre o São Paulo e um diante do Palmeiras. Todos importantes.

    No período, o Corinthians também venceu mais com Ronaldo em campo do que com Tevez. Nos dez primeiros jogos do argentino, a equipe de Parque São Jorge colecionou cinco resultados positivos, dois empates e três derrotas. Já com o Fenômeno, o time se manteve invicto com sete vitórias e três empates.

    O desempenho é exaltado pelo Fenômeno. Ele compara seu recomeço ao de 2002. Naquele ano, ele havia acabado de se recuperar de grave problema no joelho direito e fez história na Copa do Mundo do Japão e da Coréia do Sul: foi o artilheiro da edição com oito gols e anotou os dois na final contra a Alemanha, na vitória brasileira por 2 a 0.

    “Esse recomeço está sendo tão bom quanto foi da última vez em que me machuquei seriamente, a única diferença é que daquela vez foi em uma Copa do Mundo. Mas a satisfação pessoal é exatamente a mesma, pois foi muito difícil atingir a condição de jogar novamente. Estou realmente muito feliz, está sendo igual a 2002”, comemorou Ronaldo.

  • marcelo martins

    Ronaldo é extraordinário!tem toque requintado,chuta com as duas pernas e daí se não cabeceia bem?Ainda outro dia ,em um programa passaram imagens dele em diversos times e o cara o perguntou:”vendo essas imagens do que você sente falta Ronaldo?”ele respondeu:dos joelhos bons.Fiquei engasgado ao ouvir isso.E é por isso, que nutro tremendo respeito e admiração pelo Ronaldo.Que superação,que guerreiro que craque!Me alegro de vê-lo em campo,ele emociona a cada toque na bola,afinal,foram tantas cirurgias sérias que qualquer coisa que Ronaldo faça é grande.Mas Ronaldo surpreende pela sua inteligência,classe e jogadas maravilhosas,olha ,estou contente em ver Ronaldo em campo me é suficiente mas ver o que ele anda fazendo é extasiante!

  • Geraldo

    Ronaldo é grandioso. o último grande jogador que apareceu no Brasil, o último que eu confiaria em uma copa do mundo, que não refugava( à exceção de 98). Considero-o entre os 3 maiores jogadores dos últimos 20 anos, um pouco abaixo de zidane e romário. esse trio me fez ser apaixonado por futebol.

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