As dez finais mais legais do Paulistão

por Mauro Beting em 27.abr.2009 às 19:34h

A ideia é do nosso LANCENET! Eu fui “obrigado” a fazer a minha lista. Segue a explicação. E a lista.

E a volta de Raí e o título são-paulino de 1998, contra o Corinthians? E o gol do corintiano Viola, contra o Guarani, em 1988? E o golaço de Elivélton na prorrogação de Corinthians 2 x 1 Palmeiras, em 1995? O São Paulo que foi ao Japão ganhar o mundo e voltou e venceu o Palmeiras por 2 a 1, em 1992? A vitória da Democraria Corinthians, em 1982, contra o São Paulo, em 1982? A taça dividida entre Santos e Portuguesa, em 1973? A decisão entre os invictos Palmeiras e São Paulo, em 1972? E o jogo extra vencido pelo Santos contra o São Paulo, em 1967? O jogo da lama entre Palmeiras e São Paulo, na decisão de 1950? O gol do são-paulino Renganeschi fazendo número, no jogo decisivo contra o Palmeiras, em 1946? O gol polêmico do corintiano Carlito, contra o São Paulo, em 1938? A melhor de três vencida pelo Palestra Itália contra o Corinthians, em 1936?

Por que essas 12 grandes decisões não estão na lista abaixo? Deveriam. Eu não gostei da minha lista definitiva. Possivelmente você também não gostará da sua. Como equiparar e escolher partidas de épocas, regulamentos e clubes tão distintos?.

Tentei levar em conta a emoção do jogo final (não necessariamente das duas partidas do mata-mata). A qualidade das equipes. A história que ficou. O clima da época. O que sempre causa discussões e injustiças. Sobretudo com superequipes que, de tão boas, chegaram a tirar a graça do campeonato. Como aquele time de Pelé.

SP-42 – PALMEIRAS 3 X 1 SÃO PAULO

Seis dias antes do jogo decisivo no Pacaembu, em 20 de setembro, o clube do Parque Antárctica adotou o nome Palmeiras, obrigado pelo estado de guerra do Brasil contra a Itália do Palestra. Mesmo o clube se chamando “Palestra de São Paulo” desde março, as intolerantes autoridades da época forçaram a mudança, sem saber que o termo “palestra” era uma palavra grega, não italiana. Sem saber que poderiam mudar o nome, não a essência do clube.

O Palmeiras honrou a história, o futebol, o velho Palestra e o próprio Brasil, entrando com a bandeira nacional no Pacaembu que o vaiava não apenas como time, mas como clube de “traidores da pátria”. No gramado, o clássico foi 3 a 1 até os 19 minutos do segundo tempo, quando o São Paulo tirou o time de campo por discordar de um pênalti de Virgílio em Og Moreira. O Palestra Itália morrera líder e o Palmeiras nascera campeão contra o São Paulo, que no ano seguinte ganharia o seu primeiro estadual, e viria a ser o grande time dos anos 40 no futebol paulista.

SP-54 – CORINTHIANS 1 X 1 PALMEIRAS

Campeão do centenário da Independência, em 1922, o Corinthians começou o badalado SP-54 querendo ainda mais o título do quarto centenário da cidade de São Paulo. Ele e todos os rivais. Mas o Timão era o melhor do Estado, para não dizer do país. Era o bicampeão do Rio-São Paulo (em 1954, ganhando o titulo do Palmeiras). Foi um dos melhores times da história do clube.

Campeonato por pontos corridos, o jogo aconteceu em 1955 (à época, os torneios terminavam no início do ano seguinte), e era válido pela penúltima rodada. O Palmeiras precisava vencer. Aconselhado por um pai-de-santo, o presidente do clube mandou o Verdão entrar de camisas azuis (!) no Pacaembu. Motivo de ainda maior motivação para os corintianos, que fizeram 1 a 0 com Luisinho, aos 9 minutos. Ele teria dito: “mas que m… de time é esse de azul?”. Nei empatou aos 6 minutos. E ficou nisso. O título do IV centenário paulistano ainda é a última volta olímpica corintiana no Pacaembu. E o último estadual conquistado até 1977.

SP-57 – SÃO PAULO 3 X 1 CORINTHIANS

Na penúltima rodada, o Corinthians perdeu a invencibilidade para o Santos, na Vila. Para ser campeão, precisaria vencer o São Paulo, que também só dependia dele, no último jogo. E ainda havia o Santos, que poderia ser tricampeão se houvesse empate no Pacaembu, na última rodada, e se o Peixe ganhasse do Palmeiras (como venceu, por 4 a 1).

No turno, empate por 1 a 1, o corintiano Alfredo (em lance de jogo com o são-paulino Maurinho) quebrou a perna, e houve a briga entre Luisinho e Gino, que só terminaria no dia seguinte, com uma tijolada do Pequeno Polegas corintiano no centroavante são-paulino, no meio da rua, Mas, no Pacaembu, liderado pelo experiente craque Zizinho, e bem armado pelo treinador húngaro Bela Gutman, o São Paulo foi melhor no jogo decisivo.

O Tricolor fez 2 a 0, o Corinthians diminuiu, e Maurinho, em posição discutível, marcou o gol da vitória do último título tricolor até a inauguração completa do Morumbi, em 1970. Com a vitória santista sobre o Palmeiras, o Corinthians acabou na terceira colocação.

SP-59 – PALMEIRAS 2 X 1 SANTOS

Palmeiras e Santos terminaram empatados com 63 pontos. Teriam de fazer uma melhor de quatro pontos (duas vitórias, então). Logo, disputariam o que foi chamado de supercampeonato. O Santos de Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe, e que ainda tinha um moleque Coutinho no ataque que fez 151 (!?) gols, que buscava o bi em 1959 contra um Palmeiras que não vencia o estadual desde 1950.

Três jogos no Pacaembu, em janeiro de 1960. No primeiro, 1 a 1, jogo igual. No segundo, o Santos abriu o placar, o Palmeiras virou, e Pepe empatou. 2 a 2. Se houvesse novo empate no terceiro jogo, seriam jogadas prorrogações de 15 minutos até a vitória final. Não foi preciso. Pelé fez 1 a 0, Pagão sentiu entrada dura de Valdemar Carabina e ficou fazendo número. Julinho empatou para o Palmeiras no fim do primeiro tempo. Aos 3, Romeiro bateu com efeito impressionante a falta da virada e do título palmeirense. Entre 1958 e 1969, só o Palmeiras evitou que o Santos ganhasse todos os títulos estaduais. Quase todos eles conquistados por antecedência, e com decisões tão “tranqüilas” que acabaram não ficando para a história – a não ser a de 1967, contra o São Paulo, em jogo extra.

SP-74 PALMEIRAS 1 X 0 CORINTHIANS

Se vencesse o segundo jogo, o Corinthians (vencedor do turno) seria campeão paulista pela primeira vez desde 1954. O Palmeiras (campeão do returno) havia sido bicampeão brasileiro em fevereiro daquele ano, cedido seis dos 22 jogadores do Brasil na Copa-74, e ainda tinha o status de melhor equipe do país.

No primeiro jogo decisivo, no Pacaembu, empate por 1 a 1, com superioridade alvinegra. Na partida decisiva, até os palmeirenses esperavam pelo pior. No Morumbi, mais de 80% do estádio era alvinegro. Mas o Corinthians entrou travado, o treinador palmeirense Brandão marcou Rivellino até com o meia Leivinha, e a melhor qualidade e entrosamento verdes foram suficientes para a vitória, com um gol de Ronaldo, aos 24 do segundo tempo.

Ao final, os poucos palmeirenses gritaram “zum, zum, zum, é o 21” em alusão a mais um ano na fila alvinegra. Rivellino, o craque corintiano, foi vendido um mês depois para o Fluminense, “culpado” por nova derrota.

SP-77 CORINTHIANS 1 X 0 PONTE PRETA

Vinte e dois anos de jejum terminaram no chute de bate-pronto do pé de anjo de Basílio, aos 36 minutos do segundo tempo. Num dos gols mais chorados da história do Paulistão.

Num gol que só poderia ser corintiano.

A Ponte Preta tinha mais time. Perdera o primeiro jogo com um gol de rosto de Palhinha; na segunda partida, recorde de público no Morumbi, a Macaca virara a decisão por 2 a 1; na negra, o atacante campineiro Ruy Rey cavou uma expulsão tola, e a cova da Ponte. O Corinthians fez seu jogo e refez a história.

Guiado pelo mesmo Oswaldo Brandão que dera ao clube o último estadual, em 1954. Na véspera do terceiro jogo de 1977, ele dissera a Basílio que o gol do título seria dele. Dito e feito. Mais que qualquer um dos 25 paulistas, quatro títulos brasileiros, e um mundial, o jogo do coração corintiano é o de 13 de outubro de 1977.

SP-84 SANTOS 1 X 0 CORINTHIANS

Campeonato por pontos corridos (o primeiro desde 1972), Santos e Corinthians ultrapassaram o Palmeiras na reta de chegada e vieram à última rodada do Paulistão para decidir o torneio como se fosse uma autêntica finalíssima. A vantagem do empate era santista. O Timão lutava por mais um tri de um clube que já não era a Democracia Corinthiana de 1982-83. Mas ainda era muito bom.

Só não foi melhor que o Santos do goleador Serginho Chulapa, autor do gol do título, no segundo tempo, escorando belo lance pela esquerda entre Zé Sérgio e Humberto. Até hoje os corintianos lamentam um pênalti não marcado sobre o meia Zenon, no primeiro tempo.

Além de derrotar o maior rival, o Santos comemoraria o último título importante até 2002. Quando, mais uma vez no Morumbi, na mesma meta de fundo, contra o mesmo rival, o lateral Léo faria um magnífico gol que daria a virada da virada, e o título brasileiro de 2002 aos Meninos da Vila – Parte 2.

SP-86 INTER DE LIMEIRA 2 X 1 PALMEIRAS

Havia dez anos que o Palmeiras não ganhava um título. Eram 180 minutos de decisão em São Paulo, no Morumbi, contra a Inter de Limeira do técnico Pepe e de um punhado de jogadores experientes. Mas poucos do nível do ótimo time que o Palmeiras tinha. Um bom grupo despedaçado por vaidades distantes por um comando frouxo.

No primeiro jogo, empate sem gols. Na segunda partida, um belo gol do artilheiro Kita, uma falha feia do lateral Denys no recuo de bola ao goleiro Martorelli. 2 x 0 Inter no segundo tempo. O gol de honra do zagueiro Amarildo não diminuiu a vergonha verde no Morumbi. O Palmeiras foi antifitrião da primeira festa do interior paulista.

Os céus de São Paulo foram forrados por fogos corintianos, são-paulinos e santistas que celebraram naquele 3 de setembro de 1986 mais um ano de fila rival.

SP-93 PALMEIRAS 4 X 0 CORINTHIANS

No primeiro jogo decisivo, 1 x 0 Corinthians, gol de Viola, que imitou um porco na celebração. Imagem suficiente para pilhar ainda mais a Via Láctea montada pela Parmalat para acabar com o jejum de 16 anos sem títulos do Palmeiras.

No dia dos namorados, o Verdão de Luxemburgo fez 3 x 0 nos 90 minutos polêmicos de uma vitória tecnicamente incontestável, mas discutível pela arbitragem que não expulsou Edmundo por agredir o corintiano Paulo Sérgio, e erradamente expulsou o palmeirense Tonhão. Na prorrogação, bastava um empate. Mas o matador Evair, de pênalti, tratou de tirar o Palmeiras da fila sobre o maior rival, não deixando o Corinthians devolver a derrota de 1974.

Mais que a Copa Rio-51, a Libertadores-99, os títulos brasileiros, do Robertão, da Copa e da Taça do Brasil, 12 de junho de 1993 é a data da vitória da vida do Palmeiras.

SP-99 CORINTHIANS 2 X 2 PALMEIRAS

Um mês antes, nos pênaltis, o Palmeiras eliminou o Corinthians da Libertadores que viria a conquistar em 16 de junho, vencendo o Deportivo Cali. No domingo anterior à decisão sul-americana, pela primeira vez na história de uma final paulista, um dos clubes poupou a equipe titular e entrou com oito reservas; o mistão do Palmeiras foi vencido por 3 a 0 pelo Corinthians, então campeão brasileiro (futuro bi).

No outro domingo, o time de Felipão entrou quase todo com os cabelos pintados de verde e com as faixas de campeão da Libertadores. O Corinthians abriu o placar, Evair virou em menos de três minutos, e o gol de empate alvinegro só saiu aos 28 do segundo tempo. Logo depois, o corintiano Edilson (que havia sido campeão pelo Palmeiras em 1993) fez o que havia combinado previamente com Vampeta: na lateral do campo, deu cinco embaixadinhas, jogou a bola sobre a cabeça, e levou uma bolada de Júnior. Paulo Nunes partiu para cima dele, e nem volta olímpica o Corinthians pôde dar. Mas celebrou o título paulista, sete meses antes do título mundial, no Rio.

A ideia foi proposta pelo LANCENET!

Na enquete com mais de 70 mil votos, veja o que o internauta considerou:

1) Paulistão 93 – 42,88% dos votos

2) Paulistão 57 – 17,38% dos votos

3) Paulistão 77 – 15,02% dos votos

4) Paulistão 99 – 15,02% dos votos

5) Paulistão 84 – 5,9% dos votos

6) Paulistão 86 – 2,39% dos votos

7) Paulistão 54 – 0,46% dos votos

8) Paulistão 42 – 0,43% dos votos

9) Paulistão 74 – 0,35% dos votos

10) Paulistão 59 – 0,17% dos votos

O que mostra que, apesar de jovem, ele entende de bola e sabe de história. Além de mostrar o tamanho da torcida tricolor. A única final listada vencida pelo São Paulo (a de 1957) acabou sendo a segunda mais votada.

(sempre lembrando que a lista não se restringe a grandes times – o Santos de Pelé só aparece perdendo -; apenas cita as mais emocionante, marcantes e/ou inusitadas)

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  • http://www.futebolpitacos.blogspot.com gustavo roman

    Mauro, bom saber que nós damos nossa contribuição(cada um da sua forma)para a preservação da história futebolística brasileira.Dessas 10 finais listadas por vc tenho 5 completas e 1 em compacto no acervo.Eu possuo as imagens e jornalistas como vc(historiadores e estudiosos do nosso futebol)não deixam cair em equecimento jogos como esses.É preciso preservar essa história,passa-la adiante para nossos filhos,netos e bisnetos,para que eles possam ver quem foram Ademir da Guia,Pelé,Sócrates e todos os demais craques que estiveram nessas decisões.
    Fico feliz de poder contribuir com a preservação dessa história e principalmente fico feliz por ter achado em vc uma pessoa séria e que também se precocupa com essa preservação…
    abraços e vamos continuar a apresentar essa história(infelizmente)desconhecida para tantos.

  • HUMBERTO

    Para qualquer corinthiano que tenha mais de 40 anos,a final mais emocionante foi a de 77.Tinha 15 anos e foi emocionante gritar pela primeira vez:CAMPEÃO!!!!

  • Rodrigo

    Gustavo Roman,

    Você vende cópias desses arquivos ?
    Deixa o e-mail aí, cara, para entrarmos em contato contigo.

  • Nick

    Prezado Gustavo, também tenho interesse em obter cópia das finais de que vc dispõe. Quando me cadastrei, informei o meu email. O Mauro poderia, se possível, encaminhá-lo a você para entrarmos em contato. Abs.

  • Edmar

    Mauro,

    Acho que você errou na final de 1959. Não é : Palmeiras 2 x 1 Santos ?

  • http://www.futebolpitacos.blogspot.com gustavo roman

    Mauro vou deixar meu e-mail para contato aqui.se vc nao quiser divulga-lo nao tem problema é so nao aprovar o comentario e eu ja peço desculpas a vc…mas aqui vai ele
    e-mail para contato dos mais de 4500 jogos no acervo gugaroman@hotmail.com
    abraços e desculpe qq coisa

  • Felipe

    “Mas o Timão era o melhor do Estado, para não dizer do país. Era o bicampeão do Rio-São Paulo”
    É, o Brasil é só Rio e São Paulo. 1954 – época do “Rolinho” do Internacional (Larry, Bodinho, Oreco, Florindo, Salvador) e do início do super-time do Grêmio dos anos 50 (Aírton Ferreira da Silva, Calvet, Gessy).

  • http://15253545 luiz eduardo

    corinthians ganha

  • http://15253545 luiz eduardo

    ganbian