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HISTÓRIA EM JOGO – HOLANDA 4 X 0 ARGENTINA – COPA-74 | Blog Mauro Beting
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HISTÓRIA EM JOGO – HOLANDA 4 X 0 ARGENTINA – COPA-74

por Mauro Beting em 25.abr.2009 às 20:51h

Acesse e veja.

É ofícial, no site da Fifa: a Holanda jogou com 12!

O número 22 Harry Vos (um zagueiro) está entre os 11, ops, 12 titulares. A Argentina, coitada, apenas com 11. Pior – Telch saiu de maca no segundo tempo, e Squeo acabou a partida mancando.

“12” x 9!

Não havia como. E mesmo se fosse a Máquina platina dos anos 40, a Argentina dos generais e de Kempes de 1978, o time de Maradona em 1986…

Nada parecia deter a Holanda. Tantos pareciam em campo que a pisada de bola da Fifa em seu site é compreensível. Apenas 11 camisas laranjas não poderiam devastar uma escola tão tradicional daquele jeito.

Os argentinos deram um só chute em gol. Os holandeses tiveram 11 chances – e porque tiraram o pé na segunda etapa chuvosa.

No primeiro tempo, porém, foi um furacão. Os agentes laranjas fizeram os melhores 45 minutos deles na Copa-74.

No blag, na sessão HISTÓRIA EM JOGO, vamos contar o que vi então, e o que estou revendo agora, com a inestimável ajuda de Gustavo Roman (www.futebolpitacos.blogspot.com), que disponibilizou as imagens, e de André Rocha (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), que inspirou a série.

PARA VER OS GOLS – http://www.youtube.com/watch?v=H16ofliLHF8

PARA VER MELHORES MOMENTOS EM HOLANDÊS – http://www.youtube.com/watch?v=kd8zi-DZSnQ&feature=related

OUTROS JOGOS: Clique ao lado em “HISTÓRIA EM JOGO”

PARA REFLETIR, ESCREVE ANDRÉ ROCHA

A campanha argentina na primeira fase

Os “hermanos” sofreram para se classificar no complicado grupo D que foi totalmente dominado pela ótima Polônia, que terminaria em terceiro lugar no Mundial da Alemanha. Logo na estreia, o time albiceleste foi surpreendido pela seleção de Lato na derrota por 3 a 2. Na segunda rodada, empate com a Itália por 1 a 1. A salvação da Argentina foi a goleada por 4 a 1 sobre o Haiti, que garantiu a vaga no saldo de gols (dois dos argentinos contra um da Azzurra). Os destaques da equipe nesta fase foram Babington, meia do Huracán, e Yazalde, atacante do Sporting Lisboa.

A mecânica da Laranja

O esquema base, algo próximo de um 4-3-1-2, se desmanchava na primeira ação ofensiva. A ordem de Rinus era que o jogador que estivesse com a bola deveria ter uma opção mais atrás, na cobertura, outra ao lado, indo na sua direção para a tabela e outra se projetando para receber em velocidade. Quando o jogador com a bola passasse a um companheiro, ele tinha que se movimentar também, dando opção.

Eram os “triângulos”, que tinham maior ênfase nas laterais do campo. Pela esquerda atuavam Krol, Van Hanegem, e Rensenbrink. Pela direita, Suurbier, Jansen ou Neeskens e Rep. Haan e Rijsbergen normalmente ficavam mais atrás, e girando por todo o campo estava Cruyff. Ele parecia buscar todos os setores procurando o ponto fraco do oponente para depois explorá-lo.
Outra novidade era a compactação das linhas da equipe e a troca de funções. Como os dez jogadores atuavam muito próximos, não era difícil um zagueiro se mandar para o ataque contando com a cobertura de um meia ou até de um atacante. A ideia era correr muito em pequenos espaços para não ter que dar piques longos e cansar rapidamente. Daí o massacre físico imposto sobre a maioria dos adversários.
Logicamente, tudo isso funcionava com incrível sincronismo pela inteligência tática dos jogadores, a técnica que permitia que a equipe ficasse com a bola durante muito tempo, errando poucos passes, e pela genialidade e liderança de Cruyff, que regia a equipe e era o desafogo nos momentos de dificuldade. Talvez pela falta dessa combinação quase perfeita encontrada por Rinus, ninguém tenha tido sucesso na ousadia de repetir um sistema de jogo nos mesmos moldes.

Contra a Argentina, o massacre sem pressing

No duelo contra o time sul-americano pela primeira rodada da fase semifinal, o time holandês foi mais intenso na movimentação do que na marcação avançada e obsessiva. Com uma postura mais conservadora e respeitosa na retaguarda, a equipe de Michels abusou da troca de posições e das ultrapassagens pelos lados.

A Argentina tentava colocar os atacantes holandeses em impedimento, mas sofria com a dinâmica holandesa. Com Rep e Rensenbrink abertos e nenhum centroavante mais enfiado, os zagueiros Perfumo e Heredia avançavam e penavam com as penetrações de Van Hanegem, Cruyff, Neeskens e até Jansen. A equipe comandada por Vladislao Cap, sem seus armadores Babington e Brindisi, tentava coordenar suas jogadas ofensivas pelos lados e acabava facilitando o combate dos adversários muito bem espalhados pelo campo.

Uma das variações de Michels no jogo, especialmente no primeiro tempo, foi a utilização de Jansen como um ala pela direita e Suurbier invertendo o lado e indo pela esquerda. Na defesa, um trio formado por Haan, Rijsbergen e Krol garantia Jongbloed. Pelo meio, Cruyff recuava para trabalhar com Van Hanegem e Neeskens entrava como centroavante para receber as bolas dos dois pontas, os únicos que ficavam mais fixos para garantir um ponto de apoio para as ultrapassagens.

Em números, um ousadíssimo 3-4-3 que conseguia algo inimaginável: fazer um adversário acuado levar seguidos contragolpes em desvantagem numérica na defesa.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA

JOGO DE PALAVRAS –

Fala, Johan Cruyff – O gramado pesado pela chuva da manhã nos favoreceu. No segundo tempo, ela ficou mais forte, e nós, também. Sabíamos como jogar assim. Os argentinos, não. Além disso, tivemos a sorte de logo abrir o placar. E tivemos um dia de inspiração fenomenal. Foi uma partida extraordinária. A Argentina era uma equipe fabulosa. Não se pode julgá-la por aquele placar e por aquela partida. No primeiro tempo, nos impusemos de modo total e absoluto. Na metade do segundo tempo, os argentinos desapareceram.

Fala Vladislao Cap, treinador argentino – Eu nunca vi nada parecido. Meus jogadores jamais viram um time assim. É uma nova maneira de conceber o jogo. Eles são um rolo-compressor.

Fala Ángel Bargas, zagueiro reserva argentino – Os holandeses não têm especialistas. Existe um goleiro e dez jogadores que fazem tudo – e sabem fazer tudo. Ao mesmo tempo estão muito perto de todos e muito longe uns dos outros. É uma vertigem total esse borrão de camisas laranjas em campo. Os mais perigosos são os que não têm a bola, todos coordenados pelo Cruyff.

LOCAL: Parkstadion, em Gelsenkirchen, Alemanha. 23 de junho de 1974. 19h30 locais. 55.348 pagantes.

PLACAR VIRTUAL 1o. TEMPO – HOLANDA 8 x 0 ARGENTINA

PLACAR VIRTUAL 2o. TEMPO – HOLANDA 3 x 0 ARGENTINA

PLACAR VIRTUAL FINAL – HOLANDA 11 X 0 ARGENTINA

HOLANDA – 4-3-3 – Jongbloed (8); Suurbier (20), Rijsbergen (17), Haan (2) e Krol (12); Jansen (6), Neeskens (13) e Van Hanegem (3); Rep (16), Cruyff (14) e Rensenbrink (15). TÉCNICO – Rinus Michels.

ARGENTINA – 4-3-3 – Carnevali (1); Wolff (20), Perfumo (14), Heredia (10) e Sá (16); Balbuena (4), Telch (18) e Squeo (17); Houseman (11), Yazalde (22) e Ayala (2). Técnico Vladislao Cap.

COMEÇOU – Holanda ataca à esquerda, de camisa laranja de manga comprida, calções e meias brancas.

4min – Pela direita, o ponta-esquerda Rensenbrink domina na entrada da área e manda a bomba, bem espalmada por Carnevali. Cruyff começa um pouco mais atrás que de costume, vigiado à distância pelo zagueiro-esquerdo Heredia. Mas não marcado individualmente.

5min – El Mariscal Perfumo mostra suas armas e pega por trás Rensenbrink. Meio-campo argentino não consegue acompanhar os rivais e a bomba estoura na defesa para o grande zagueiro, à época no Cruzeiro.

6min – Segunda linha de impedimento argentina que funcionou. Saída do treinador Cap era usar o mesmo remédio estratégico holandês.

8min – Espetacular tabela de quase todo o meio e ataque holandês, iniciada em lindo lance de Van Hanegem, com toques de primeira, de cabeça, de taquito, de voleio, interceptada por boa saída do goleiro Carnevali. A Argentina não vê a bola. Mas a Holanda não acerta os tiros.

10min – Tiro longo e longe de Neeskens. A Argentina dá a bola e o campo para a Holanda, que só recebe marcação mais dura nos últimos 30 metros. E olhe lá.

10mn – Carrinho por trás de Rijsbergen em seu marcado, o centroavante Yazalde, ainda no campo argentino. O árbitro nada marca. Na sequência…

10min – GOOOL. 1 X 0 HOLANDA, CRUYFF. DE ESQUERDA. GOLAÇO. A linha de impedimento argentina não funcionou. Bela enfiada de Van Hanegem para a meia-lua, onde Cruyff escapou da zaga (que parou pedindo impedimento inexistente), fintou seco o goleiro, e bateu bonito de canhota. Justíssimo.

14min – Blitz total. Rensenbrink perde gol bisonho ao bater muito mal de canhota, em belo lance criado por Cruyff, na frente do goleiro. Na quizomba, Jansen só não amplia porque a bola bate no peito de Quique Wolff. Um massacre. Mas como perdem gols os holandeses!!!

15min – Jansen, de carrinho, quase amplia, depois de Neeskens vencer o goleiro, que teve de sair feito louco para tapar mais uma falha da linha de impedimento argentina. Desta vez do enorme Perfumo.

18min – Falta sobre o lateral Wolff, o único que joga nesse time platino. Jongbloed forma a maior (e desnecessária) barreira da história do futebol interplanetário. Veja a foto. São sete holandeses.

O maior dique holandês - e do mundo

O maior dique holandês - e do mundo

19min – Wolff chuta a bola no dique holandês. Ela espirra rumo à linha lateral. Cinco (!?) holandeses dão o bote sobre o zagueiro Heredia, e um sexto tenta pegar um argentino que escapa pela ponta direita. O lance célebre do arrastão laranja. A melhor imagem do Futebol Total. Mas, na boa: precisava de tudo isso? Não era um desgaste desnecessário físico? Claro que, psicologicamente, devastava qualquer oponente. Mas não seria mais interessante guardar energia para outras demonstrações de força?

o maior arrastão de todas as Copas

o maior arrastão de todas as Copas

20min – Bela troca de bola acaba em gol de Neeskens. Mas o lance estava parado por impedimento de Rensenbrink.

21min – A Argentina tenta algo. Perfumo dá um bico para a intermediária. Na altura do grande círculo, quatro argentinos impedidos pela adiantada linha de zaga laranja. Além de jogar demais, eles não deixam ninguém jogar.

22min – AMARELO. Neeskens. Deu uma tesoura absurda em Houseman. Falta duríssima e desnecessária. A Holanda está batendo mais que a Argentina.

23min – Bom contragolpe platino, boa interceptação de Suurbier, desarmando Ayala. A marcação holandesa continua individual: o lateral-direito Suurbier segue o ágil Ayala por todo o ataque; o zagueiro-direito Rijsbergen cuida do apagado e entregue centroavante Yazalde; o lateral-esquerdo Krol acompanha o ponta-direita Houseman; Haan fica na sobra.

24min – Linda enfiada de bola de Rep para Neeskens. Carnevali sai da meta e impede ótimo lance. Pela direita, pela esquerda, por dentro, por cima, por baixo. Só dá Holanda. 1 x 0 é nada.

25min – GOOOOOL. 2 X 0 HOLANDA. KROL. Pé direito, de fora da área. Jansen bateu o escanteio, Carnevali conseguiu afastar a bola da área, mas, no rebote, na corrida, quase no bico da grande área, pela esquerda, o lateral laranja encheu o pé e fez bonito gol. 2 x 0. E ainda é pouco.

27min – Novo bote holandês. Nove no combate, todos muito próximos.

Mais um arrastão laranja

Mais um arrastão laranja

36min – Belíssimo lançamento de Jansen, da meia direita, nos pés de Rensenbrink, que perde a bola na saída de Carnevali. A Holanda tira um pouco o pé do acelerador. A Argentina, porém, ainda não achou a bola e nem os pedais.

INTERVALO – O melhor tempo holandês na Copa, auxiliado por uma pavorosa e apavorada exibição argentina. Um alfajor inesquecível da Laranja Mecânica.

SEGUNDO TEMPO – MUDOU. SAI machucado o lateral-direito WOLFF (o melhor do time), ENTRA o zagueiro GLARIA para tentar acompanhar Rensenbrink e ainda se virar com o apoio de Krol. No primeiro lance, o zagueiro argentino dá uma tesoura por trás em Rensenbrink. Dá para entender o porquê de sua entrada…

3min – Balbuena perde bisonhamente a bola pela linha lateral. Já vi seleções argentinas atuarem mal, perderem-se feio. Mas nunca vi um time tão mal preparado fisicamente e tão amedrontado pela esmagadora superioridade rival. Não só a Holanda joga muito. A Argentina também joga nada. Ridícula.

5min – Houseman tenta cair pela esquerda, com Ayala rodando mais o ataque. Em vez de Krol segui-lo, Michels destaca o volante Jansen na contenção ao ponta.

10min – AMARELO. SUURBIER. Ele tenta bela tabela pelo meio até ser obstruido por Telch. Como o árbitro nada marcou e o holandês perdeu o lance, Suurbier simplesmente deu um passapé, uma rasteira no meio-campista argentino. Na segunda etapa, Jansen é muito mais um lateral pela direita, com Suurbier fazendo o papel de infiltração pelo meio. Dá para dizer que os dois trocaram de função. E numa ótima. Até porque Ayala agora atua mais por dentro. Com isso, seu marcador (Suurbier) o segue pelo meio. E Jansen tem ótima chegada à frente, vindo pela direita.

11min – Começa a chover forte. E o ritmo holandês já não é o mesmo. O time claramente se poupa. E a Argentina agradece a Deus.

13min – Pênalti!!! E o juizão tem dó e não marca sobre Rensenbrink, que fez belíssima jogada pela esquerda. JUIZ ERRRRRRRROU!

15min – Holanda agora marca no próprio campo e espera a Argentina. Poderia ser um pouco mais ousada. Até porque o saldo conta num possíve desempate.

17min – MUDOU ARGENTINA. ENTRA o meia-atacante KEMPES, SAI HOUSEMAN. Quatro anos depois, Mario Kempres seria o craque e artilheiro da Copa, e faria dois belos gols contra a Holanda, na decisão, em Núñez.

21min – Balbuena tenta arrancar as amígdalas de Neeskens. Só falta marca o árbitro. Como a chuva está mais forte, e os holandeses ainda têm Alemanha Oriental e Brasil à frente, melhor tirar um pouco o time de campo, o pé do acelerador e o tornozelo das divididas com os argentinos.

23min – Estratégia de chamar a Argentina dá certo. Bote de 8 holandeses em pequeno espaço arma contragolpe que Cruyff desperdiça em espetacular contragolpe, bem defendido por Carnevali, com o pé esquerdo.

Só sobrou Cruyff para armar o contragolpe

Só sobrou Cruyff para armar o contragolpe

27min – GOOOOOOL. 3 X 0 HOLANDA. REP. CABEÇA. Cruzamento da ponta esquerda, e de canhota (a perna menos excelente) de Cruyff, no segundo pau, para Rep mandar entre Carnevali e a trave esquerda argentina. Belo gol.

28min – A Holanda treina e espera o tempo passar. A Argentina reza sob a chuva forte em Gelsenkirchen.

32min – Numa trombada com o goleiro Carnevali, o meio-campista Telch sai machucado. Como eram apenas duas alterações, os co-hermanos vão terminar a partida com 10. Enquanto os holandeses parecem ter 100 em campo. O time de Cap passa a atuar num 4-3-2.

38min – Squeo sente a parte posterior da coxa direita e faz número em campo. Argentina praticamente reduzida a nove jogadores…

39min – MUDOU HOLANDA. ENTRA ISRAEL, sai SUURBIER. Como ele vinha atuando no meio e entra um zagueiro e/ou volante, nada muda.

42min – Perfumo abraça Cruyff que partia em direção à meta argentina como se estivesse começando o jogo. Hoje, seria cartão amarelo. Então, não. E, no fundo, era apenas um gesto reverente do grande zagueiro, El Mariscal, reconhecendo a derrota e superioridade rival.

44min – Agora chega! Há limites. Perfumo novamente agarra Cruyff de modo patético. O árbitro nada faz. O camisa 14 quer mais.

45min – GOOOOOL. 4 X 0 HOLANDA. CRUYFF. PÉ DIREITO, QUASE FORA DA ÁREA, PELA PONTA ESQUERDA. Espetacular tabela entre Van Hanegem e Neeskens. O primeiro bate de canhota, a bola explode no peito do goleiro e sobra quase fora da área para Cruyff, que pega um chute impossível e faz um gol incrível. A bola merecia chegar até ele.

ACABOU – O show holandês, e o martírio argentino. Sem forçarem no segundo tempo, os laranjas tiveram 11 chances de gol em 90 minutos; fora um chute longo de Ayala nas mãos de Jongbloed, mais nenhuma finalização ou chance tiveram os co-hermanos. Uma das maiores lavadas da história das Copas. Apesar da chuva forte no segundo tempo.

NOTAS:

HOLANDA –

Jongbloed – 7 – Fez uma defesa em chute fraco, no meio do gol, de Ayala, no segundo tempo. Atuando de joelheiras, poderia ter jogado pelado. Porque mais nada precisou fazer.

Suurbier – 8 – Ayala foi o melhor e mais movediço rival. Suurbier começou pela lateral e acabou como uma espécie de meia pela direita, marcando e também jogando.

(Israel – Jogou seis minutos)

Rijsbergen – 8 – O centroavante Yazalde desonrou os cones. Nem sujar o rival conseguiu. Mérito, claro, de Rijsbergen, que até poderia ter se mandado mais ao ataque.

Haan – 7 – Na sobra, mais uma vez, sem problemas contra um inerme ataque argentino. Comandou bem os impedimentos. Mas poderia ter jogado mais à frente, e mais com o time.

Krol – 9 – O bom ponta-direita Houseman seria campeão pela Argentina em 1978. Mas, contra Krol, na Alemanha, não driblou, não atacou, não cruzou, e não marcou. Krol fez um belo gol e sempre foi boa opção à frente.

Jansen – 8 – Pela direita no primeiro tempo, quase um lateral-direito ofensivo no segundo tempo, tomou conta dos setores com a mesma eficiência e vocação ofensiva.

Neeskens – 9 – Incansável, nem precisou dar um pé atrás. Combinou com Van Hanegem e Cruyff belos lances ofensivos, muitas vezes sendo o centroavante da equipe. Técnico e veloz.

Van Hanegem – 9 – Mais participativo, incisivo e ágil que em jogos anteriores, ainda com a canhota afiadíssima para inverter as bolas e realizar belos dribles.

Rep – 8 – Um belo gol cortando em diagonal – especialidade dele, e muita inteligência tática na troca de função e posição com Cruyff. Jogador moderníssimo.

Cruyff – 10 – Fez o primeiro e o quarto gol. Passou a bola na cabeça de Rep, no terceiro. Poupou-se no segundo tempo. Conduziu a Holanda a uma atuação alucinante no primeiro tempo.

Rensenbrink – 8 – Melhor partida dele na Copa. Mesmo contra o ótimo Wolff e, depois, contra o violento Glaria, foi para cima e criou vários lances.

Rinus Michels – 10 – O primeiro tempo para guardar nos olhos, e a sabedoria de se resguardar no tempo final para o restante da Copa-74.

ARGENTINA –

Carnevali – 8 – Não fosse o goleiro do Las Palmas (Espanha, 27 anos), teria sido o dobro. O que não significa que ele fosse uma sumidade. O reserva (Pato Fillol, campeão em 1978), então com 23 anos, camisa 12, foi o último grande goleiro argentino.

Wolff – 6 – O lateral-direito do River Plate, então com 25 anos, hoje apresentador de TV de sucesso, foi o único que mostrou futebol e sangue argentino. Mas como não era o dia dos co-hermanos, saiu machucado no intervalo.

(Glaria – 2 – O zagueiro do San Lorenzo, 26 anos, entrou para dar porrada em Rensenbrink. Nem isso conseguiu.)

Perfumo – 4 – O zagueiraço do Cruzeiro, 31 anos, terminou o jogo de modo patético, agarrando-se a Cruyff.

Heredia – 3 – O bom e jovem zagueiro-esquerdo do Atlético de Madri (23 anos) tentou marcar Cruyff. Nem porrada conseguiu dar.

Sá – 3 – Campeoníssimo pelo Independiente argentino (onde atuava mais como zagueiro de área), Sá (29 anos) levou um vareio de Rep.

Balbuena – 4 – Outra das estrelas do Independiente, 28 anos, apenas correu. Por vezes, nem isso. Pelo lado direito, deveria trancar Krol e, sobretudo duelar com Van Hanegem. Nada fez.

Telch – 4 – Meio-campista do San Lorenzo, 31 anos, deveria coordenar o meio-campo. Saiu machucado depois de trombar com Carnevali. Não é preciso dizer que nem na foto aparecia correndo atrás de Neeskens ou quando Cruyff flutuava.

Squeo – 1 – Notado no fim de jogo, quando passou a fazer número, machucado na coxa; isto é, quando continuou fazendo número, e apenas isso. O meia do Racing tinha 26 anos.

Houseman – 4 – O ponta-direita do Independiente tinha 20 anos. E nada fez contra Krol. Mas ao menos tentava algo.

Yazalde – 0 – Bem marcado por Rijsbergen, o centroavante do Sporting de Lisboa, 28, deveria ter simulado contusão quando entrou em campo. Bisonho.

Ayala – 6 – O bom ponta-esquerda e meia de articulação do Atlético de Madri (24 anos) teve o jogo inteiro Suurbier na marcação. Deu o único chute argentino na meta.

Vladislao Cap – 4 – O time não ajudou. A marcação frouxa, menos ainda.

ÁRBITRO – Robert Holley Davidson (Escócia) – Anulou mal um lance de gol holandês, e não marcou um pênalti para a equipe da Holanda. Nota 4.

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  • http://chuteirasdeouro.blogspot.com/ João Tavares

    Parabéns!
    Post maravilhoso para quem ama a história do Futebol.
    A análise tática da equipe é muito boa.
    A Holanda conseguiu a façanha de derrotar os 3 grandes da América do Sul na mesma Copa.
    Aproveitei e conferi os outros posts “História em Jogo”.
    Uma coisa que me incomoda é a falta de estudo da história tática por alguns jornalistas. Afirmar que o Brasil em 70 jogava sob o sistema 4-2-4 para mim é um absurdo. O time apenas tinha Tostão como centroavante (improvisado por sinal).
    Assisti todos os jogos da Copa de 70 e Rivelino nunca foi ponta esquerda naquele time. Era meia e jogava muito mais recuado que Pelé, Tostão e Jairzinho.
    Você conhece algum jornalista online que já fez algum trabalho mais profundo sobre a tática do Brasil em 1970?

    Agradeço.

    JOÃO TAVARES,
    eu já fiz há algum tempo. e farei em breve a mesma análise.

  • Neto

    Ô Mauro, continuo com a dúvida. Depois da laranja, alguém mais tentou montar o carrossel ou pelo menos chegou perto dele? Aqui no Brasil se fala em muitas tentativas, como o bragantino de luxemburgo e o botafogo de Cuca. Hoje tem algum time que jogue parecido? Me parece que o Manchester trás Berbatov e Rooney para a marcação, solta Cristiano Ronaldo e mantém uma cobertura excelente no meio e nas alas quando Ferninad ou Vidic vão ao ataque. E sempre chegam com no mínimo três para finalizar. É o que mais se aproxima ou tô enganado?

    O Manchester roda demais. Mas ninguém como a Holanda.

  • Nick

    Parabéns Mauro pelo brilhante resgate da história do futebol.
    A Holanda de 74 está no rol das seleções que encantaram, mas não levaram (Brasil de 50, Hungria de 54, Brasil de 82).
    Abs.

  • Neto

    Ô João, permita-me opinar. O Brasil jogava em um 4-1-3-2. Começava assim, com Jairzinho e Tostão à frente. Mas, se vc perceber ao olhar o jogo, toda vez que o time era atacado, todos voltavam para atrás da linha da bola, menos Jairzinho, que vinha, no máximo, até o meio do campo. Tostão sempre caia na esquerda, o que era natural e esperava de costa a chegada dos meias. Quem mais encostava era Gérson, que fazia com ele a tabelinha na entrada área. Clodoaldo era o único volante, mas logo à frente dele estavam Gérson e Rivelino, centralizados. Como quase todo mundo era canhoto, era natural o time um pouco penso. O que fez Zagallo? Troxe Carlos Alberto para entrar em diagonal, porque era deixado esse vazio pelos meias, enquanto Jairzinho puxava a marcação. Note que o apoio pela direita era melhor do que pela esquerda, já que o nosso lateral esquerdo devia ser mais atento até pela falta de ‘cacoete’ de marcação de Rivelino e Gérson. Pelé era o 1, que ficou no imaginário de Zagallo até hoje e, que em vão, tentou reproduzir em Giovanni, Raí e Rivaldo. O jogador que faz o elo entre meio e ataque e volta para compor o setor defensivo. Os zagueiros ficavam e os laterais nunca apoiavam ao mesmo termpo, daí pouco se vê o Brasil sofrendo contra-ataques, porque o time concentrava o jogo na intermediária do time adversário. Como já falamos antes, foi o embrião da laranja mecânica.

  • http://blogs.abril.com.br/futebolearte André Rocha

    João Tavares,

    Eu fiz uma análise sobre o Brasil de 1970 há cerca de um ano em minha coluna “Olho Tático” no site “Papo de Bola”.

    Aqui eu não consigo colar o link, mas se for do seu interesse, posso te passar através do meu blog. É só comentar lá em qualquer post.

    JOÃO,
    essa análise do ANDRÉ ROCHA eu assinaria em cima, não embaixo.
    Pode ler de olhos fechados. Pensando na Kim Basinger, como diria Stanley Kubrick.
    Abraço!

  • HUMBERTO

    Tinha 12 anos em 74 e como toda garotada daquela epoca,esperava outro show de bola do Brasil e fiquei,como todo mundo,pasmo com a laranja mecanica(até time de botaõ fiz daquele time).Agora de uma coisa me lembro bem:no jogo contra o Brasil,que valia vaga prá final a Holanda fez talvez o pior primeiro tempo daquela copa,o Brasil perdeu pelo menos 2 claras oportunidades de gol,a Holanda respeitou demais a lenta seleção brasileira ,no segundo tempo quando os laranjas viram que o bicho não era tão feio vieram pra cima.Mauro naquela copa outro time jogou tambem muita bola:a Polonia,vc poderia postar algo a respeito dela tambem.Abraços.

  • http://blogs.abril.com.br/futebolearte André Rocha

    O link:

    http://www.papodebola.com.br/olhotatico/20080423.htm

    E essa de ler de olhos fechados do Mauro foi boa demais! Hahaha

  • http://chuteirasdeouro.blogspot.com/ João Tavares

    Obrigado André Rocha e Mauro!

    Realmente, a análise feita pelo André é perfeita!

    André, posso reproduzir a sua matéria no meu blog??

    Abraços.

  • http://chuteirasdeouro.blogspot.com/ João Tavares

    Neto, seu comentário também é excelente. Obrigado e Parabéns!

  • Dejan Nóbrega

    Análises e comentários fascinantes de André e Mauro!
    Sobre o jogo foi um dos maiores massacres de todos os tempos, uma Holanda avassaladora não dando a menor chance a uma Argentina muito inferior tanto taticamente como técnicamente, totalmente perdida em campo.
    Essa partida mostra toda a qualidade daquele grupo que merecia ter ganho aquela copa para o bem e justiça do futebol.

  • marcosomag

    Realmente, eu não sei até hoje como a Holanda conseguiu surpreender aos seus rivais com aquele esquema. Pressionar o homem da bola nos cantos é estratégia manjadíssima no basquetebol desde tempos quase imemoriais. A saída é simples, embora exija treinamento: girar a bola para aproveitar o lado fraco da defesa de quem pressiona. E como diz o veterano jornalista Orlando Duarte:futebol é ocupação de espaço. Ao compactar demais o time, a Holanda dava quase todo o gramado ao adversário. Com um pouco de calma, os argentinos poderiam ter vencido por goleada em contra-ataques. Embora todos os times hoje em dia joguem bem compactados (entre 30 e 40 metros de campo), ninguém fez mais a loucura de confundir as linhas como os holandeses fizeram naquela Copa. O último que tentou radicalizar na compactação do time foi o Marcelo Bielsa, na Argentina de 2002. Os adversários fizeram farinha da Argentina nos contra-ataques. Embora todos os times de hoje tenham um pouco daquela Holanda, tenho em mente que nunca mais alguém vai tentar a tática suicida que eles adotaram naquele Mundial.

  • marcosomag

    Citei o basquetebol por achar que o Rinus Michels copiou a rotação defensiva para fazer aquela pressão toda. Aliás, outros técnicos copiaram tática diretamente do basquete para o futebol. Antonio Lopes, no Vasco de 1997, usava claramente a tática “isolation” para deixar o Edmundo com espaço para jogar e o Muricy também usa a rotação do basquete no marcação, além de usar a formação de contra-ataque típica do basquete (começando pelo meio e abrindo o jogo para as laterais nas costas da defesa adversária).

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