Flamengo x Botafogo: tem troco?

por Mauro Beting em 24.abr.2009 às 13:09h

Flamengo quer devolver derrota de 1989; Botafogo, os dois últimos vices estaduais; quem é “pé-frio”: o Fogão ou Cuca?

Vai fazer 20 anos que a fila de 20 anos sem títulos estaduais do Botafogo acabou numa bola cruzada para Maurício empurrar Leonardo, e empurrar para dentro da rede de Zé Carlos o gol redentor alvinegro. Faz dois anos que, na decisão carioca, o Botafogo para na camisa rubro-negra e/ou na arbitragem e/ou no melhor time e/ou no Obina da vez.

Flamengo e Botafogo cobram com juros e correção futebolística as dívidas passadas. Em 1972, o Botafogo fez 6 a 0 no Flamengo. Por nove anos mandou mensagens do tipo “aqui pra v0x6!”. Até o time de Zico (e que time!) devolver os 6 a 0, em 1981. Desde a primeira final estadual, decidida por Garrincha em tarde de Mané, em 1962, até a do ano passado, vencida por Obina em tarde de Diego Tardelli, o clássico é um bumerangue: o que foi volta. Resta saber quando.

O Flamengo foi 100% na Taça Guanabara até cair feio para o Resende. Cuca virou “eterno vice” para o botafoguense. Juntou os cacos, arrumou o sistema defensivo melhor protegido e menos exposto, e repetiu boas partidas decisivas (como na campanha do bi, em 2008, com Joel Santana no banco da Gávea). Falta, agora, ajustar o ataque. Emerson se supera na velocidade. Mas não é o que foi Souza em 2007, o que foram Obina-Tardelli em 2008. Zé Roberto também não tem sido o insinuante meia-atacante que foi pelo Botafogo em 2007 (que gol ele deu para Dodô no primeiro 2 a 2 daquele ano!), e não pode ser o nome do gol do Flamengo. Quem sabe a história não reserve a Josiel um daqueles lugares improváveis do panteão dos campeões que pintam do nada – como o vascaíno Cocada, em 1988. Ou o próprio Obina que saiu do banco em 2008 para marcar três gols em dois jogos; ou mesmo Toró, o melhor em campo naquelas finais.

O Botafogo mexeu mais no time em relação a 2009. Mas Ney Franco não mudou. Continua o mesmo comandante sereno, detalhista, prático. Sem grandes nomes, arruma a defesa, dá um jeito no meio-campo (que fica melhor com Leandro Guerreiro mais à frente que com Fahel), e dá gás a um ataque perigoso de renascidos como Maicosuel, de experientes como Reinaldo, de goleadores como Victor Simões.


Pode parecer pouco. Mas é só a defesa não bobear como Emerson no gol decisivo da Taça Rio para o Botafogo tentar superar o trauma de ver um gol mal anulado de Dodô, no fim do jogo decisivo do RJ-07, e ainda perder nos pênaltis defendidos por Bruno, grande diferencial daquela decisão. Na primeira partida, até a expulsão do goleiro Júlio César, o Botafogo era melhor e ganhava por 2 a 0. Com Max, sofreu o gol do pênalti que “expulsara” Júlio César, e ainda cedeu o empate doado pelo reserva da meta. No segundo jogo, quando o Botafogo só tinha o RJ-07 para pensar, jogava melhor, mais bonito e mais consistente que o Flamengo. Mas… Havia um Bruno no meio da meta, e uma bomba de Renato Augusto (o que não sabia chutar…) de longe para empatar por 2 a 2. E não bastava o Botafogo permanecer no gramado no intervalo para “sentir” o clima decisivo. Decisão era com o Flamengo.

Em 2008, a história se repetiu como tragédia para o Fogão. Já não tinha um time tão bom. O Flamengo continuava com Leo Moura e Juan voando pelos lados. E Tardelli para dar os gols para Obina, que saía do banco para a história, compensando até frango histórico de Bruno, no segundo jogo decisivo. As duas vitórias do time de Joel Santana contribuiriam logo depois para a queda de Cuca. Treinador tão bom quanto Ney Franco. Ainda não tão vencedor. Mas, um dia, como bem (e mal sabem) rubro-negros e alvinegros, a história pode virar.

Só não me pergunte quando.

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  • lourenço

    Ótimo coméntario Mauro Beting!!
    Como sempre!!!!!!

  • clebio aparecido gonçalves

    relaxa mauro o mengao vai devolver com juros o que o mauricio fez em 89 …

  • israel tomaz de araujo neto

    fala brother sou bem realista acho que da flamengo,apesar de estar torcendo pro foguinho nesta final mas acho que nao aguenta.tri vice a vista.