8 ou 80 – 14 a 21 de abril de 2001

por Mauro Beting em 21.abr.2009 às 9:08h

O blag começa nesta terça-feira uma sessão de regressão. Toda semana ela irá voltar oito anos aos meus textos publicados à época nos veículos onde trabalhava.

Em abril de 2001, escrevia uma coluna diária no “Agora São Paulo”, uma coluna semanal no portal PSN.com, canal a cabo onde trabalhava como comentarista, além de também comentar na Band.

Notas que vão contar um pouco da bola que rolava então, com palpites e pitacos de época. Com todos os erros e raros acertos deste que vos tecla.

Por que oito anos? No futebol, é o tempo exato entre duas Copas do Mundo. Tempo mais que suficiente para tentarmos entender onde erramos.

Voltemos ao tempo. Para 16 de abril de 2001

Pra não dizer que
não falei de rosas

William, do Ponta Porã, fez um gol, tirou o calção, e saiu comemorando até ser preso por atentado ao pudor – embora outros atentados continuem à solta vendendo discos, dando audiência nas domingueiras televisivas, ou prestando depoimentos às CPIs. Já deve estar com contrato assinado com a “G Magazine”. Para azar dos seus compradores.

Patrícia Limonge, da Água Branca, aproveitou algum passe errado do [palmeirense] Taddei contra o Sport Boys (não, não é um concorrente do KLB, mas um time do Peru que se veste de rosa) para dançar funk à frente (se bem que de costas) das câmeras da Band, no Palestra Itália. Já deve estar com contrato assinado com a “Playboy”. Para sorte dos seus leitores. [Nota do Redator em 2009 – Sim. Ela posou para a Playboy. E Sexy. E… Desde então, se notabiliza por desfiles de lingerie no programa da Luciana Gimenez]

O futebol tem sido um acessório para todo tipo de gente. De jogador de time de quinta categoria, de modelo-apresentadora de TV-socialite—funkeira em dia de jogo sem graça, de empresário de boleiro e pagodeiro, de cartola dublê de contador, de jogador de futebol dublê de artista, de técnico dublê de comentarista, de jornalista dublê de comerciante, de dublê dublê de qualquer coisa.

Com tanto acessório, fica difícil enxergar o principal. De tanto dar bola a quem não tem, quem sabe não acha espaço. Vale quem vende – quem tem o que vender, quem só pode se vender. Pouco importa. Vale o que se pesa, não o que se pensa. É com pesar que eu passo. Para que falar de futebol se isso é o que menos anda importando?

Sete anos, sete

meses, uns dias

Fábio Rochemback tem nome e bola imponentes. Vai jogar no Barcelona o seu futebol de gente grande para chuteiras ainda imaturas. Em setembro ele era um júnior colorado. Em janeiro já era procurado pela Europa. Em abril está de malas prontas.

Eduardo Costa vai jogar na Europa no meio do ano. Realidade do Brasil sub-20, contestado no seu Grêmio, tem potencial imenso a ser desenvolvido. Mas não mais em Porto Alegre.

Estivéssemos nos anos 70 (antes do nascimento de Fábio e Eduardo), os dois poderiam fazer duelos históricos no Rio Grande. Como bandeiras dos clubes e das torcidas, seriam hasteados em campo e tremulados em qualquer discussão de bar. “Eduardo tem mais força”, “Fábio é mais técnico”, “os dois são de seleção”. Mas vão ser lá na Europa. Que nesse país de primeiro mundo da bola, o dinheiro é de quarto – e o atraso para pagá-lo é de sétimo mundo.

Fábio e Eduardo têm uma bela história a escrever em campo. Mas que história eles vão contar para os filhos de seus dias de Gre-Nal? Eles mal deixaram as fraldas e já se vestem de Armani. Não é culpa deles. Longe disso. É mérito. E sorte de viver num tempo em que um golzinho caprichado pode valer pela carreira e pela aposentadoria.

E pensar que Falcão ficou sete anos regendo o Beira-Rio até reinar em Roma. Fábio não ficou sete meses como titular. E outros mais vão ficar ainda menos na nossa memória.

[NOTA DO REDATOR EM 2009 – Falando em Colorado, falando em Europa, falando em (quase) sete anos depois, Pato fez quase o mesmo pelo Internacional. Só que ainda mais jovem, ainda mais rápido]

Leomar, Washington…

A seleção do que há de melhor entre os brasileiros vai ficar restrita ao que há de melhor no Brasil [N.R-09 – Leão resolveu convocar para a Seleção uma base de atletas que atuavam em clubes brasileiros].

Uma pena, que não é assim que se faz. Não é com o simplismo tacanho do tipo “quem está aqui tem amor à camisa, quem ganha em dólar, não”. Bobagem. O “brasileiro” Luizão só não é “estrangeiro” por um joelho torcido. Se for para poupar os ouvidos dos “gringos” perseguidos como Rivaldo, tudo mal. Se for para não os cansar com a viagem longa, ok, o jogo é com o Peru. Mas se é apenas para jogar para a torcida, fazer média com a imprensa, Leão começa perdendo. E o Brasil segue derrotado.

O Brasil não tem mais gente para fazer três ótimas seleções. Mas continua com elenco para montar um bom time, mesmo com as limitadas (em teoria) limitações (na prática) aos estrangeiros.

Das caras nem tão novas assim, Alessandro [NR-09 – hoje é o ala do Botafogo] é lateral-direito que marca mal, mas apoia como raros. Leo [NR-09 – É o mesmo lateral que voltou ao Santos] está jogando bem, Juan [NR-09 – o hoje titular absoluto do Brasil] é de seleção, Éwerthon [NR-09 – então atacante do Corinthians] tem potencial, Washington… bem, vive os seus melhores dias, e o Leomar [NR-09 – chamado por Leão de ‘volante nota 7’] …. é um bom rapaz.

[NOTA DO REDATOR em 2009: O Washington é o W9 do São Paulo. Ele vive dias melhores por estes dias. Mérito dele. Demérito meu]

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  • Bruno Pontes

    Bela iniciativa Mauro. Tem que ser muito macho pra colocar o que escreveu a 8 anos atrás e analisar os palpites de ontem, hoje. Parabéns.

  • renato biasotto

    simplesmente delicioso!!!! parabéns mauro, e continua a nos brindar com maravilhas como essas nos proximos 80 anos!!!!

  • ERIK

    BOA SACADA, MAURO. NAQUELA ÉPOCA JÁ TE ACOMPANHAVA, MAS DAÍ A LEMBRAR O Q ESCREVIA SERIA DEMAIS. LIA SUA COLUNA NO AGORA, HJ ACOMPANHO O BOM VITOR GUEDES.

  • Eduardo C. Nakashima

    Boa iniciativa Mauro! Fiquei só com uma dúvida… Quando você fala de jornalistas dublês de comerciantes, quem seriam? Hoje ainda continuam comerciantes ou você mudou de idéia? Abraço.

    EDUARDO, certas coisas continuam as mesmas. Algumas pessoas, não.
    Eu sempre pensei igual. e continuo pensando do mesmo modo: jornalista não é mastro para empunhar bandeira, nem marechal para fazer campanha. não é crime fazer merchandising. mas eu não faço. e não tenho raiva de quem faz. aliás, tenho imenos amigos e colegas que fazem. e muitos deles não falam bem ou mal por conta disso.

  • Nick

    (1) Injustiça com a moça, ela gosta tanto de futebol que até casou com um jogador (a propósito, dentre outras atividades já citadas no post, ela também participou do “Teste de Fidelidade” do finado programa do João Kléber).
    (2) Eduardo Costa? Fábio Rochemback? Aonde estávamos com a cabeça (e eu me incluo) para achar que estes caras jogavam alguma coisa?
    Prezado Mauro, excelente a iniciativa. Nada como olhar em perspectiva para uma melhor percepção dos fatos. Abs.

  • Camilo

    Adorei