O torcedor, esse bravo cidadão

por Mauro Beting em 19.abr.2009 às 14:05h

ESCREVE JOÃO PAULO TOZO

http://ferozesfc.blogspot.com/2009/04/chazinho-de-coca-no-palestra-italia.html

O jogo nem havia começado, mas a derrota já havia acontecido – derrota do cidadão.

Fui ao Palestra Itália acompanhado de minha namorada para assistir a um grande clássico. Mas fomos impedidos, simplesmente por sermos o peixe(ops) pequeno da história.

A saga começou quando fomos adquirir nossas entradas no posto autorizado da loja MCS (POSTO TIM) DO SHOPPING ARICANDUVA. O inicio das vendas estava programado para as 10:00 do sábado e as 10:20 nós estávamos lá, quando fomos informados pelo atendente de que os ingressos só chegariam as 12:30. Bem, enrolamos do jeito que deu e retornamos no horário dito. Com um pouco de atraso, as vendas foram iniciadas.

Um cadastro tosco e realizado manualmente era feito. Comprei 2 entradas inteiras, no valor de R$40,00 cada.

Por volta das 16:30 estávamos na porta do Palestra Itália, e exatamente as 17:15 entramos, ou tentamos entrar.

Fila encarada, revista realizada, ingresso travado na catraca.

O ingresso da minha namorada não estava sendo aceito. Quando surge o primeiro personagem do capítulo Palestra, o “cara da catraca”.

Tentou uma, duas, três vezes e nada. Quando ele nos informou que o problema era da catraca e então tentou em uma outra, sendo mal sucedido mais uma vez. E então entra em cena o segundo personagem, “o Supervisor das catracas”.

A essa altura, a minha preocupação era a de que eles alegassem de que eram entradas falsas. Mas o buraco era ainda mais embaixo.

O Supervisor, cheio de astúcia, verificou os ingressos e repreendeu o pobre catraqueiro. Não era falso, era para a partida errada. Nos venderam entradas para o jogo contra a LDU, pela Taça Libertadores, em jogo a se realizar na próxima terça-feira, sendo que tais ingressos só terão suas vendas iniciadas nesse domingo. É mole?

LDU, aí vamos nós!


Já sentindo que seria lesado, busquei algum responsável e que pudesse resolver a situação, sem que nós torcedores, consumidores, pessoas de bem, fossemos prejudicados pela falha, pela falta de responsabilidade alheia. E então entra o terceiro personagem da saga, “o representante da federação paulista”.

O escalão dos personagens aumentava a cada nova investida, mas a resolução apresentada era cada vez mais pífia, cada vez mais cretina.

Esse personagem disse que pouco poderia fazer, mas me aconselhou a buscar um tal de “chefe dos representantes da federação”. Por um minuto achei que fosse falar com o Del Nero, mas que nada. Na verdade esse quarto personagem era uma espécie de supervisor desses senhores que não sei o que faziam por lá. E seguindo a tendência de resoluções patéticas apresentadas, esse senhor disse que nada poderia fazer, mas que eu tentasse falar com o segurança de não sei qual setor, para que ele me permitisse conversar com não sei qual responsável, de não sei qual departamento.

Ah tá, agora sim.

Já estava quase na hora do jogo e nós já sabíamos qual seria o desfecho do caso, mas era patético, vergonhoso e humilhante nos ver naquela situação, de mãos atadas devido a incompetência alheia, sendo que era para estarmos devidamente bem instalados nas arquibancadas.

Antes, porém, apareceu um personagem coadjuvante, já que nem soube me dizer que função lhe cabia. Só disse que iria resolver uma questão e voltaria para me ajudar – devo estar lá esperando ele até agora.

Por fim o quinto personagem, “o segurança do tal setor”.

Obviamente que ele nada poderia fazer, era apenas um segurança, mas pelo simples fato de ter sido o único a me dar ouvidos, apesar de ser o único desses todos que estava efetivamente dando um duro danado, conversando com torcedores mal educados e pessoas com dúvidas, passou a ser o único digno de ser chamado de profissional, no meio de tantos personagens inúteis, setores desnecessários e uma empáfia dos diabos.

O Palmeiras não merece tamanha desorganização, nós cidadãos, torcedores e consumidores não merecíamos tamanho descaso.

Coube nos recolher a nossa insignificância e ir para nosso bar predileto, assistir confortavelmente ao jogo, sendo servido da forma como merecemos.

E claro, não vou me esquivar de nossa responsabilidade no caso. Afinal, fomos desatentos ao não olhar o detalhe da discórdia. Mas caramba, será que além de passar por tudo isso, ainda devo nos achar culpados? Desatentos, apenas isso.

Os ingressos? Bem, nós somos os únicos no mundo que já temos entradas para o jogo de terça contra a LDU.

E por sorte poderemos ir ao jogo. Mas e se não pudéssemos? Quem iria no ressarcir? De quem é a culpa?

Um golaço da desorganização, um golaço da falta de vergonha na cara. Dá-lhe derrota da cidadania.

ESCREVEU JOÃO PAULO TOZO

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  • http://1982esporteclube.blogspot.com/ 1982 Esporte Clube

    O Palmeiras é, há muito tempo, o pior exemplo de como se trata o torcedor/consumidor.

  • Daniel Varella

    ACREDITO QUE TENHA DESORGANIZAÇÃO MESMO. ESTAVA NA FILA COM MEU PAI IDOSO E A POLÍCIA LANÇOU GASES DE PIMENTA NA ENTRADA DA TURIASSU.

    MAS FICA UMA PERGUNTA: VOCÊ QUANDO COMPRA O INGRESSO, NÃO OLHA QUE JOGO ESTÁ MARCADO ATRÁS? DESCULPE, MAS VOCÊ TEM 50% DE CULPA, CONCORDA?

  • Aversa

    O Brasileiro começa em 20 dias e o Palmeiras só faz mais um jogo aqui na Libertadores. Se não resolverem isso, mandem embora todas as empresas e exceto o setor visa, que parece funcionar bem, vendam ingressos somente no Palestra desde 4 horas antes do jogo, como sempre foi pelo menos até a década de 90.
    Lamentável esse tipo de situação. Na verdade o ideal era que todos os ingressos fossem vendidos como Visa.

  • pablo

    por essas e por outra q estamos parados no tempo e no espaço, e o nosso grande palmeiras cada dia mais desacreditado.