Fluminense 0 x 1 Flamengo

por Mauro Beting em 13.abr.2009 às 11:46h

* Jogaço. O Flamengo melhor, mais incisivo, mais marcador, mais objetivo, mais feliz, mais contundente. Merecedor da vitória em um Fla-Flu digno da história – ao menos na emoção.

* Aquilo que Cuca deseja de um time ele viu. Marcação à frente, muita gente chegando ao ataque, alas e meias espetados. Mas não pode perder tantos gols.

* Kleberson jogou demais. Marcando como volante e organizado como meia. Uma das diferenças rubro-negras no Fla-Flu: os volantes do Flamengo sabem jogar com a bola. Os do Flu…

* A boa marcação rubro-negra impediu que os laterais do Fluminense chegassem. Só saía algo bom quando a bola chegava a Conca e Thiago Neves. E foi pouco, até pela decepcionante atuação de Fred.

* Houve um pênalti para o Flamengo, num lance difícil para o árbitro principal. Mas para o assistente que ficava ao lado da trave, dava para ver o empurrão.

* Fernando Henrique fez ao menos quatro boas defesas. Mas, diferentemente de Rogério Ceni, no domingo, que falhou em lances que não deram gols, a falha de FH foi determinante e decisiva.

* FH salvou o primeiro gol “certo” de Leo Moura; mas, no rebote, nem o pulo redentor de Edcarlos justifica o gol incrível perdido por Josiel – se é que existe ainda algo incrível no futebol.

* Melhor continuar com Cuquinha no gramado e Cuca distante? Pela boa partida do Flamengo, dá para discutir. Mas é maldade que Cuca não merece, em absoluto.

* A entrada do meia Marquinho no lugar do volante Wellington Monteiro qualificou a saída de bola tricolor no segundo tempo. Parece ser o melhor jeito de dar fluência ao jogo.

* Emerson tem feito os gols que Josiel não faz. E dá ao Flamengo a velocidade que tem faltado em muitos momentos.

MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Foi um jogaço no Maracanã colorido, com linda festa das torcidas antes e durante a partida. Dentro de campo, a irregularidade do Fluminense e as várias chances desperdiçadas pelo Flamengo tornaram a disputa eletrizante até o final, com a justa vitória rubro-negra, na melhor atuação em 2009 da equipe de Cuca, comandada à beira do campo por Cuquinha, irmão do treinador suspenso.

O mérito do Fla foi impor um ritmo mais veloz e intenso, matando a cadência do Flu de Parreira, que pretendia tocar com calma e preparar as jogadas para Fred concluir. A linha de quatro formada pelo Fla na intermediária com Léo Moura e Juan pelos lados e Ibson e Zé Roberto no meio abafava a saída do Flu e expunha as sérias limitações dos laterais Mariano e Leandro e dos volantes Wellington Monteiro e Jaílton. E quando Conca, novamente recuado pela esquerda, tentava armar de trás, era pressionado ora por Willians, ora por Kléberson. Ao Tricolor restavam os contragolpes e as bolas paradas. E o time até ameaçou no primeiro tempo, em cabeçadas de Everton Santos e Luiz Alberto, além da cobrança de falta de Thiago Neves que tocou na trave do goleiro Diego.

O time de Cuca também achou rapidamente a melhor maneira de atacar: sair em bloco pela direita com Willians ou Aírton, Léo Moura e Kléberson ou Ibson e fazer a inversão rápida para que Juan e Zé Roberto pegassem Mariano sozinho na marcação. Assim, o time pressionou, criou oportunidades, como a cabeçada por cima de Léo Moura, e marcou o seu gol, que seria o da vitória, no chute de Juan que Fernando Henrique aceitou. No final da primeira etapa, uma chance inacreditável desperdiçada: Luiz Alberto perdeu para Léo Moura, que arrancou livre e tocou fraco em cima do goleiro tricolor. No rebote, o ala do Fla rolou e Josiel, livre na pequena área, chutou em cima de Edcarlos, que pulou na bola mais no reflexo do que na intenção de cortar.

O Fluminense cresceu no segundo tempo com as mexidas de Parreira. Marquinho substituiu Wellington Monteiro no intervalo e melhorou a saída de trás pela esquerda; os garotos Maicon e Alan entraram depois, nas vagas de Mariano e Everton Santos, e abriram os jogos pelos lados, obrigando o Fla a recuar. No entanto, o Tricolor não teve uma chance cristalina para empatar. Muito pela boa marcação rubro-negra, que teve em Willians seu maior destaque, mas também pelo jogo burocrático e previsível de um Flu que novamente não mostrou “punch” em uma partida decisiva.

A entrada de Emerson no lugar de Josiel deu velocidade ao contragolpe do Fla, que, mesmo pressionado, teve várias chances de ampliar, a melhor delas com o próprio Emerson, que ganhou de Jaílton e chutou em cima de Fernando Henrique. O goleiro do Flu ainda se redimiu da falha no gol sofrido com outras boas defesas no final que seguraram um Flamengo que precisa melhorar seu poder de conclusão. O time cria bastante, conclui muito, mas marca poucos gols proporcionalmente. Em uma partida mais complicada, sem tantas oportunidades, essa deficiência pode ser fatal.

A classificação antecipada na Copa do Brasil será útil para a final da Taça Rio. Enquanto o Botafogo, mesmo com a cabeça na decisão regional, terá que se desgastar para tirar a vantagem do Americano na competição nacional, o Fla poderá se preparar apenas para a difícil empreitada de evitar o título do rival, mordido pelos últimos dois vice-campeonatos, sem necessidade de mais dois jogos decisivos. Manter o volume de jogo, a fibra e a concentração da emocionante semifinal adicionando uma melhor pontaria poderá tornar o Flamengo mais forte na busca de seu quinto tricampeonato e da hegemonia regional.

MELHOR ESCREVEU ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

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  • Antonio F. Filho

    Vamo lá MENGÃO! vamos arrebentar com o “foguim”! Que galera é essa!?

  • Diego Calandrini

    Primeiramente, quero agradecer por esse blog que é o melhor de todos que leio..Sobre a análise do jogo, acho que faltou citar o nome do Ibson que em minha opinião acabou com o jogo, tanto na defesa como saindo para o ataque…Eu não gostei quando vi o Kleberson na escalação pois ele não vem jogando bem, mas nesse jogo ele foi muito bem e não foi aquele jogador burocrático que estava sendo..Acho que os tricolores devem comemorar por não ter sofrido uma goleada..Uma última pergunta: O Fred chegou????

    DIEGO, muito grato. De fato, de minha parte, faltou falar um pouco mais de Ibson. O típico homem de meio que, graças a Deus, começa a aparecer cada vez mais no futebol brasileiro. Volantes-meias que jogam.

  • Cristiano

    Mauro, o flamengo realmente foi muito superior ao fluminense, tanto taticamente, quanto técnica e principalmente fisicamente. Se jogasse sempe assim com essa determinação, o flamengo seria um time difícil de ser batido.
    Afinal de contas qual time no Brasil tem dois alas como Léo Moura e Juan?
    Abs

  • Bruno Leonardo

    Em minha opinião, o melhor da partida foi o Kléberson, quando vi que seria titular fiquei receioso, nem tanto pelo futebol praticado com a bola nos pés. Mas pelo seu poder de marcação, que considerava deficiente, pois não é que o Kléberson me surpreendeu. Marcou muito, e em cima, não à distância como fazia no Brasileiro do ano passado. O Ibson também jogou bem, o que aliás é de praxe. Outro que me surpreendeu positivamente foi o Willians, quando levou o amarelo no começo do jogo, fiquei preocupado que repetisse o roteiro do clássico contra o Vasco, mas ele soube segurar a onda na marcação e apoio quando possível com autoridade.

  • Eduarda Silvestre

    FLAMENGO ÔôôÔÔ VAI GANHAR