Vasco 0 x 4 Botafogo

por Mauro Beting em 12.abr.2009 às 14:34h

* Maicosuel fez o primeiro (possivelmente o mais belo gol do RJ-09), fez o quarto, e fez tudo de ótimo na brilhante vitória alvinegra que eliminou o Vasco do RJ-09.

* Foi a primeira derrota na Taça Rio. E bastou para tirar o Vasco do Estadual de um modo como não se poderia esperar mais depois de excelente campanha.

* Foi uma goleada que devolveu os 4 a 1 recentes, e recolocou o Fogão numa condição impressionante, porém não inédita: basta uma vitória para fechar o RJ-09.

* O Vasco tentou jogar, mas não conseguiu. O Botafogo voltou a marcar muito bem, e garantiu o resultado com o contragolpe vibrante de um trio ofensivo melhor que a encomenda.

* E depois dizem que tem equipe que joga melhor quando tem um jogador a menos… Com a justa expulsão de Leonardo em falha de Paulo Sérgio, o Vasco definhou e chamou a goleada.

* Dorival Júnior tem imensos méritos pelo futebol apresentado pelo Vasco com elenco tão mexido e tão mediano – para ser bonzinho. Não pode ser cobrado pela tunda de Páscoa.

* Ney Franco é um que consegue, com pouco, fazer muito. Pode até perder a Taça Rio, e, por tabela, o RJ-09. Mas está fazendo muito mais do que poderia. Desde o BR-08.

* Gabriel é nome para ganhar um lugar no Botafogo durante o BR-09.

* Maicosuel é um “craque’ bienal. Joga bem a cada dois anos. Conseguirá manter o pique?

MELHOR ESCREVE ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Aos 42 do segundo tempo, em meio à festa nas arquibancadas e com 4 a 0 no placar, o técnico Ney Franco ouviu uma voz chamando insistentemente o seu nome. Quando se virou, era Dorival Jr., o treinador adversário, no limite da área técnica, batendo palmas em reconhecimento ao trabalho do comandante do oponente.

A bela imagem, que poderia ser mais vista em nossos campos tão repletos de intolerância e “desculpismos”, foi o retrato da grande vitória com gosto de revanche de um Botafogo atento na marcação, letal nos contragolpes e que teve uma atuação coletiva tão superior à do adversário que só precisou da inspiração de apenas um dos membros de seu temido trio de ataque para desequilibrar a partida: Maicosuel foi o grande destaque da semifinal e, com os dois gols, agora é o artilheiro do Estadual com 12 gols.

Ao contrário do confronto da primeira fase do returno, o Bota iniciou o jogo mais ligado e respeitando o Vasco. Fahel começou na zaga pela direita para que Leandro Guerreiro colasse em Carlos Alberto. Depois o posicionamento se inverteu em função do cartão amarelo para Guerreiro; Léo Silva fechava Jéferson e os alas avançavam para marcar os laterais adversários no campo vascaíno, impedindo a saída de bola rápida.

Ofensivamente, a intenção era clara: deixar Victor Simões como referência e fazer Reinaldo e Maicosuel flutuarem em torno dele. E o camisa 10 alvinegro descobriu no lado esquerdo o melhor espaço para criar as jogadas e abrir espaços. Por ali, ele marcou o golaço que abriu o placar – após passar por Paulo Sérgio e Amaral e acertar o ângulo de Tiago – e iniciou a jogada que terminou na assistência de Simões e o chute preciso de Thiaguinho que começou a encaminhar a vitória do campeão da Taça Guanabara.

O pecado do time cruzmaltino na primeira etapa foi mexer na estrutura do meio-campo. Ao invés do posicionamento habitual – Amaral mais plantado, Nilton à direita, Jéferson bem aberto pela esquerda e Carlos Alberto liberado para, junto com o atacante de movimentação, ontem Rodrigo Pimpão, fazer a bola chegar a Élton -, Dorival, talvez para compensar as limitações físicas de Carlos Alberto, resolveu manter Jéferson como meia de ligação ao lado do capitão vascaíno e plantou Nilton ao lado de Amaral.

O 4-2-2-2 fez com que o Vasco perdesse sua forte jogada pela esquerda com Jéferson e Ramón e centralizasse muito a marcação, deixando a cobertura dos laterais por conta dos lentos zagueiros Leonardo e Titi. As mudanças abriram ainda mais a cratera que já existia do lado direito da defesa cruzmaltina e por ali o Botafogo deitou e rolou.

No segundo tempo, Dorival acertou o posicionamento, colocando Nilton para ajudar Paulo Sérgio e abrindo Jéferson pela esquerda. O Vasco cresceu, mas o gol que poderia dar início à reação foi perdido logo aos 2 minutos pelo camisa 10 vascaíno, que chutou torto à frente de Renan. Nilton ainda cabeceou com perigo após cobrança de falta e o Gigante da Colina continuou lutando.

Mas Gabriel, o jovem e talentoso lateral-esquerdo que substituiu o contundido Thiaguinho na ala, fez a diferença ao provocar a justa expulsão pelo segundo amarelo de Leonardo, por conta de um imprudente carrinho frontal, e marcar um belo gol, após ganhar a disputa com Paulo Sérgio quase na linha de fundo e bater sem ângulo, surpreendendo Tiago.

Com o Vasco entregue, bastou ao Bota tocar a bola aos gritos de olé da torcida alvinegra, minoria entre os 66.255 pagantes, e fechar o placar com uma bela combinação de seu “tridente” ofensivo finalizada com perfeição por Maicosuel, um talento que se encontrou em General Severiano e novamente foi decisivo para o time de Ney Franco, que está a uma vitória do título estadual e vai para a decisão da Taça Rio com a autoridade de uma vitória justa e digna dos aplausos até do técnico derrotado.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA http://blogs.abril.com.br/futebolearte

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