Paz armada

por Mauro Beting em 24.mar.2009 às 12:06h

Adoraria falar do encontro entre passado e presente brilhantes de Ronaldo como o futuro igualmente promissor de Neymar. Mas na justa vitória corintiana sobre o Santos por 1 a 0, ganharam as manchetes os que nos fazem perder algumas esperanças. Confrontos entre torcedores profissionais e policiais nem tanto ofuscaram o clássico coberto de boas expectativas, mas que acabou mais em patadas e pancadas que com as promessas de bom futebol.

Também no Pituaçu no Ba-Vi sem gols, também no Maracanã do clássico dos milhões que terminou com o jejum de seis jogos sem vitórias vascaínas, a festa não foi completa. Aliás, não foi festa. Foi tragédia para alguns. E continuará sendo mais policial que esportiva a página enquanto autoridades do esporte, da polícia, do governo, da Justiça e do Brasil continuarem dando um bico na bola e seguindo um jogo que não pode prosseguir. Estamos brincando com vidas. Estamos matando ou morrendo. E é só um jogo. E é apenas uma só vida que temos.

A solução, se tivesse, já teria apresentado. Como, acredito, os senhores dos botões também. Mas além da falta de vontade política e administrativa para mudar esse jogo e trocar alguns jogadores e torcedores de pescoços, faltam ideias para os que idealizam, faltam ideais para os que distorcem a essência do espetáculo.

Clássico de uma torcida só é antifutebol. É contraproducente. É a intolerável institucionalização da intolerância. É deseducar o cidadão para a prática do debate, do contraditório, da compreensão das diferenças, da divergência dos gostos, da convivência dos opostos, de tudo aquilo que se faz desde que se escolhe viver – e não morrer. Não ver a outra cor num estádio é não se enxergar no próprio espelho. A imagem que se vê é a invertida. Quem ama o branco, no fundo, entende quem ama o preto. E um estádio só branco ou só preto é imagem distorcida do ato de amor que é torcer.

Uma torcida só é uma violência. Em tempos de beligerância, pode até ser discutida. Mas não implementada a ferro e fogo. Como é ainda pior levar menos de 10% de rivais aos estádios. É um convite à banda podre das ricas torcidas profissionais. Sim, porque não são apenas as organizadas as vilãs. Claro que 110% dos 171 das arquibancadas estão nelas escondidos. Mas há vida inteligente e pacífica entre as torcidas. A maioria silenciosa da turma do barulho. Essa gente não pode pagar pelos maus de espírito.

Mas ainda menos o torcedor de fato, aquele que torce pelo clube, e não por uma facção, esse não pode expiar pelos muitos pecados de baderneiros e bandoleiros que se escondem no anonimato e na falta de rigor das autoridades e/eou das regras rasgadas do jogo.

É dever voltar à mesa de discussão. Mesmo que já tenhamos ouvido essa história da carrocinha (é de cachorro, não de fábula), é preciso mudar o final infeliz dela.

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  • thataziinha

    naoo gosteii diisso!(simpliismentii)

  • Fábio

    Finalmente um comentário que vale a pena ser lido…

    Em meio a tanta baderna, a imprensa tem sido nada mais que o “isqueiro” a incendiar tudo isso…

    Menos mal que você, Beting, figura como uma das poucas mentes sãs em meio a tanta sandice no futebol…

  • BASILIO77

    Quando a PM não concorda com o que está sendo feito é isso que dá.
    Quando ela está de acordo, já dá m…imagine quando está contra o planejamento estabelecido.
    Pra mim está claro que a PM quer jogo de UMA TORCIDA SÓ.
    Se eu fosse PM também ia querer.
    E tem dirigente que também quer. Mas não assume.
    E as coisas vão rumando pra isso aos trancos e barrancos…e a traumatologia cheia de gente!!!

    A coisa ruma para:
    Jogo de uma torcida só.
    Elitização do público através do aumento de preço.

    Não há outro caminho, o dinheiro fala mais alto.
    E tem que ser assim mesmo. Vivemos no capitalismo ou não?
    Abraço.

  • Henrique – São Paulino da Praia Grande

    É inadmissível, feio, vergonhoso o que acontece nas arquibancadas brasileiras.

    Uma vez, ouvindo o Sr. Muibo César Cury, no Jornal em Três Tempos, ele contou que na década de 50 e 60, quando ia ao estádio ver um clássico entre o seu Palmeiras e Corinthians, sentavam-se lado a lado alvi-negros e alvi-verdes, sem briga, sem ofensas. Ao término da partida, se comprimentavam e iam para suas casas, tristes ou alegres, sem brigas.

    Penso que devia haver uma ruptura entre clube e organizadas, sem cota para organizadas, sem qualquer espécie de privilégios.

    Não é possível que não haja como solucionar o problema. A lei tem que ser rigorosíssima com esse tipo de gente. Cadeia mesmo.

    Clubes, Congresso Nacional, Polícia, Ministério Público, vamos tentar fazer algo. Como será que a Europa solucionou esse problema? Ação, meu povo.

    Mauro, vc poderia escrever algo sobre o que dá certo e o que não deu certo pelo mundo afora no combate à violência nos estádios. Eu gostaria muito de ler algo a respeito.

  • antonio sergio

    Perfeito… só acho que para apagar os focos de incêndio que continuam acesos, jogo de uma torcida só. Lá na frente com os animos serenados, nova legislaçao, polícia preparada volta-se ao que era. Senao vai começar a estória de instalar cameras aqui, ali, acolá e no final nao adianta nada.

  • Alan Tenorio

    Gostaria de Saber pq no seu programa de tv PFC não tem torcedor do Santos, Lamentavel falta de respeito com a torcida Santista.

    ALAN, pq tb não temos torcedores do Flamengo, Grêmio, Inter, Fluminense, Cruzeiro, Vasco, Atlético Mineiro…

  • LUIS HENRIQUE F TOSOLI

    otimo texto mauro, não sei se voce concorda mas absurdamente vivemos em um pais onde se diz que existem leis que “pegam” e outras “que não pegam” em qualquer lugar civilizado existem leis que devem ser cumpridas caso contrarios devem ser punidos os infratores, estes bandos que se infiltram em torcidas desorganizadas devem ser tratados como qualquer um que descumpra a lei, agressão é agressão em qualquer lugar, homicídio é homicidio em qualquer lugar, infelizmente vivemos este caos em que as autoridades que deveriam dar uma resposta a população nada fazem, a continuar assim em dias de jogos os outros cidadãos que não vão aos estádios terão que ficar ´presos em casa, reféns de uma DESESTRUTURA de segurança pública País.

  • francisco quintal

    Caro Mauro,

    Esse seu comentário está lotado de substancia. Mas como voce disse no final, a CBF vive encastelada e não está nem ahi para o futebol brasileiro. Lá o negocio é o orçamento anual.

    Saudações Sãopaulinas

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