A bola e o cachorro

por Mauro Beting em 15.mar.2009 às 10:28h

ESCREVE NETO STRIFEZZI

A figura mitológica de Ulisses é o símbolo da capacidade do homem para superar suas adversidades. Rei de Ítaca, Ulisses lutou durante 20 anos nas batalhas da Guerra de Tróia.

Quando voltou para casa, ninguém o reconheceu. Só seu cachorro, conta a lenda.

Pela terceira vez, Ronaldo volta para casa. E repetindo Ulisses, supera todos os obstáculos e é reconhecido apenas por ela: a bola.

Torcedores, imprensa e corneteiros teimam em duvidar do retorno do Rei Fenômeno. Chamam-no de gordo, acabado, lento, sem mobilidade.

Ela não. A bola insiste em reconhecer seu mito. Com saudades de seu jeito de tocá-la, ela teima em procurar seu herói. Mesmo que seja no último minuto, dando contornos épicos a uma história de amor que parecer resistir a tudo. Ao tempo, ao desgaste dos joelhos, às noitadas regadas a bebida e mulheres.

Para ela, a bola, pouco importa com quem tem de dividir seu Rei. A bola o reconhece e o procura onde ele estiver.

Acostumado às batalhas em Eindhoven, Barcelona, Milão, Roma, Paris, Madrid e Yokohama, dessa vez a Odisséia aconteceu na escondida Presidente Prudente.

Lugar perfeito para um humilde Rei, que para celebrar sua volta, tentou derrubar o muro que separava o mito de seus mortais súditos.

A batalha se deu contra o “inimigo” mais tradicional, mais temido. Desde 1917, foram batalhas épicas inesquecíveis, com vitórias para os dois lados.

Mas dessa vez, a bola viajou pelo ar para reconhecer seu Ulisses, o único e verdadeiro vencedor da Epopéia de Presidente Prudente.

ESCREVEU NETO STRIFEZZI

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