Taça Rio – Primeira Rodada

por Mauro Beting em 09.mar.2009 às 14:32h

<<<Só pude ver os melhores momentos – que não foram tantos – dos jogos do Rio. Passo os comentários ao amigo que vê muito e enxerga bastante>>>

ESCREVE ANDRÉ ROCHA

http://blogs.abril.com.br/futebolearte

Vasco 3X0 Friburguense – A vitória vascaína em São Januário foi um retrato da maioria dos jogos no Cariocão 2009: sob forte calor, sem muitos atrativos, com a equipe grande se impondo com alguns sustos por conta das próprias deficiências e os erros da arbitragem influenciando o resultado.

O time de Dorival Jr. voltou a mostrar bom volume de jogo e combinações pelos lados. Embora tenha forçado mais pela esquerda, foi pelo lado oposto, em cima de Victor Hugo, meia improvisado pela ala esquerda, que o Vasco, mesmo sem Paulo Sérgio – que não foi escalado por uma insegurança da diretoria cruzmaltina que reflete o momento vivido pelo clube -, criou as jogadas dos gols de Carlos Alberto e Élton, ambos em lances irregulares.

No primeiro, Fagner, o substituto na lateral-direita, enfiou bela bola, mas Carlos Alberto estava impedido por centímetros ao receber o passe. O meia-atacante, que voltou a atuar na ligação do meio com o ataque, bateu na saída do goleiro Marcos e comemorou o gol e a gravidez de sua esposa. Lance difícil, mas um equívoco da arbitragem comandada por Pathrice Maia. Assim como a falta de Élton, que tirou a bola das mãos do goleiro, após jogada de Carlos Alberto também pela direita, e empurrou para as redes.

No final, o golaço de Pimpão, que substituiu Alex Teixeira, fez justiça à superioridade do Vasco. Assim como foi justa a homenagem ao Dia Internacional da Mulher, com rosas entregues às senhoras e senhoritas em São Januário.
Mesquita 0X1 Fluminense – Carlos Alberto Parreira viu de uma cabine do Engenhão o Flu de Gílson Gênio começar a partida com um esquema semelhante ao do time de Renato Gaúcho vice campeão da Libertadores do ano passado, mas repetindo os equívocos da atual temporada.

No 4-3-2-1, com Conca e Thiago Neves liberados para encostar em Everton Santos e Leandro Bonfim pensando o jogo no meio, o Tricolor até rascunhou um bom futebol em alguns momentos do primeiro tempo. Mas novamente faltou uma referência na frente. Everton Santos se mexia bem, mas esvaziava a área do Mesquita, que apenas se defendia. A melhor chance acabou caindo nos pés de Luiz Alberto, que emendou para fora o rebote do chute de Conca.

Na segunda etapa, Gilson tentou repaginar a equipe trocando Leandro Bonfim por Maicon. A equipe ficou mais arrumada com dois homens no ataque, porém o domínio continuava inócuo. Com as saídas de Romeu e Conca para as entradas de Marquinho e Tartá, o Flu apelou para o 4-3-3 e imprensou ainda mais o adversário. Mas a assistência precisa e a conclusão correta não apareciam para criar o lance salvador.

Até que aos 45, Tartá cruzou, Thiago Neves ajeitou de cabeça e Everton Santos, em momento pra lá de iluminado, marcou seu quinto gol em cinco partidas na temporada (três pelo Estadual).

O torcedor Parreira vibrou com a vitória conquistada no final. Mas o técnico deve ter ficado preocupado. A torcida pela estreia imediata de Fred deve ter ganhado mais um adepto.

Tigres do Brasil 2X3 Botafogo – O abismo técnico entre o campeão da Taça GB e um dos lanternas da competição, que hoje estaria rebaixado, não se refletiu no gramado do Estádio Los Larios em Xerém, que testemunhou uma partida equilibrada e até de bom nível.

O Bota sentiu demais a ausência da movimentação de Reinaldo na frente e mostrou fragilidades gritantes no sistema defensivo, especialmente pela direita, entre Emerson e Alessandro. Ofensivamente, o time pouco produziu nos primeiros 45 minutos. Além dos gols, só um bom chute de Maicosuel no travessão. Não fossem as falhas do goleiro Marcos Paulo nos chutes de Juninho, este em cobrança de falta, e do artilheiro Victor Simões, que comemorou homenageando o “Pantera” Donizete, a primeira etapa poderia ter terminado sem gols, o que complicaria ainda mais a vida da equipe de Ney Franco no que viria em seguida.

Com mais coragem, o time do técnico João Carlos Costa voltou do intervalo mantendo a estratégia de forçar as jogadas pela esquerda, com boas tabelas entre Joelton e Edson, e diminuiu logo aos 2 minutos, com Leandro Chaves. O Alvinegro, que parecia acomodado, sentiu o golpe e procurou cadenciar o jogo e buscar os contragolpes. Mas Victor Simões sentiu claramente a falta de ritmo de jogo e perdeu gol feito diante do goleiro adversário. Para complicar, Maicosuel, apesar de alguns lampejos, não repetiu as boas atuações do primeiro turno.

A entrada de Gabriel na vaga de Thiaguinho fez o Botafogo atacar também pela esquerda e o jovem ala foi premiado com um belo gol aos 40 minutos. Parecia tudo definido, mas o “eterno” Sorato ainda marcou nos acréscimos, fazendo justiça ao placar e mostrando que o Botafogo, se deseja garantir o título carioca sem decisão, precisará manter a concentração e a seriedade na Taça Rio.

FLAMENGO 3 X 1 CABOFRIENSE – Sem Fábio Luciano e Aírton, suspensos, e com Juan claramente no sacrifício, Cuca resolveu mexer na estrutura da equipe que goleou o Ivinhema. Em um 4-2-2-2, com Léo Moura muito adiantado, Zé Roberto fixo pela esquerda e Josiel isolado e sem inspiração, o Fla, mesmo saindo na frente com o gol de Douglas, penou durante toda a primeira etapa e no início do segundo tempo, até levar o empate da Cabofriense no gol de Anselmo, em jogada pela direita às costas de Juan.

Vendo sua equipe confusa atrás e sem poder de fogo no ataque com a nova formação, Cuca trocou Juan por Kléberson, deu liberdade a Zé Roberto para circular e voltou ao 3-2-3-2. Em dois minutos, saiu o belo gol de Ibson, com mais uma assistência de Léo Moura, e o Fla melhorou, embora ainda sofresse pelo desentrosamento da zaga formada por Everton Silva, Douglas e Wellinton com os volantes Willians e Toró, além da total inoperância de Josiel. Impressiona como os homens de área do Fla só rendem quando entram no decorrer da partida.

Após as entradas de Everton e Obina nas vagas de Josiel e Ibson, Kléberson foi para o meio e o Flamengo ganhou uma opção mais incisiva pela esquerda. Mas foi pela direita que o time se impôs e criou suas melhores jogadas, com Zé Roberto, as chegadas esporádicas de Everton Silva e, obviamente, Léo Moura, o melhor em campo. No final, cruzamento do camisa 2 e cabeçada certeira de Everton, sem chances para o goleiro Flávio.

A vitória foi importante para dar moral. Mas ainda falta um teste real para o Fla de Cuca. E o treinador rubro-negro a cada jogo demonstra que ainda carece de um maior conhecimento das características de seus jogadores. Escalar Juan sem as condições físicas ideais como lateral foi uma temeridade que nem os desfalques justificam. Fosse o time de Cabo Frio mais qualificado e teria explorado com mais eficiência o buraco pela esquerda.

ESCREVEU ANDRÉ ROCHA

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  • http://sobreflamengo.blogspot.com André Monnerat

    Por que os homens de área do Flamengo só rendem quando entram durante o jogo?

    Porque, normalmente, eles entram em campo quando o Flamengo precisa ir pra cima, para reforçarem o ataque. Junto com o que estiver entrando, normalmente, mais uma ou duas substituições pra jogar o time pra frente. Assim, o cara que entra tem companhia na frente, coisa que o cara que saiu não tinha – porque o Flamengo tem entrado em campo, sempre, com um esquema que isola o centro-avante.

  • http://blogs.abril.com.br/futebolearte André Rocha

    Xará Monnerat, realmente pode ser uma das razões.

    Mauro, por gentileza, coloque o endereço atual do blog.

    E, mais uma vez, obrigado pelo espaço.

    Abraços a todos!

  • Marcelo Lopes

    Falando também do Flamengo.
    Zé Roberto é atacante?! Onde que esse “técnico” viu que esse cara é atacante?! muito mal ele é um meia-armador, fazendo a função igual à que o Léo Moura foi designado a fazer, ou seja, jogar com apenas 1 atacante e querer que ele faça tudo sozinho lá na frente é uma piada… e de mal gosto!
    Como bem falado acima, esse “técnico” ainda carece de conhecer o elenco e, pior, de conhecer um pouco mais sobre esquemas táticos vencedores (ele conhece de perdedores ou, no máximo, empatadores)…. quem quer vencer, joga no ataque e não apenas defendendo, como fazia com aquela retranca absurda com 3 zagueiros(?), 6 no meio e APENAS 1 NO ATAQUE (lembrando que o Zé Roberto não é atacante).
    Bons tempos aqueles em que se jogava com 3 atacantes (tudo bem, 1 era meia-atacante) e apenas 1 ou 2 volantes para contenção. Em que podia-se tomar 2 ou 3, mas fazia 4 ou 5.
    Infelizmente esses técnicos de hoje pensam mais em defender do que atacar, como no caso do Sr. Cuca. Com esse esquema dele, nem os melhores atacantes do mundo conseguiriam fazer muita coisa, a não ser que dessem muita, mas muita, sorte.
    Abraços e S.R.N.

  • AUGUSTO CESAR

    Mauro,o fato é que T.Neves não é meia e sim atacante.Quando atua abrindo pelas pontas,cria muito mais jogadas(como o decisivo contra o Figueirense,que empatou o jogo na 1ª final da Copa do Brasil).O Fred será o homem de área,e o E.Santos entra no 2º tempo pra aumentar o placar!
    O que o FLU precisa é de pegada,melhorar a marcação urgentemente,e o Parreira entende do assunto.