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HISTÓRIA EM JOGO – Holanda 2 x 0 Uruguai – Copa-74 | Blog Mauro Beting
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HISTÓRIA EM JOGO – Holanda 2 x 0 Uruguai – Copa-74

por Mauro Beting em 20.fev.2009 às 17:47h

Eu cheguei do futebol com os amigos correndo para ver a Copa. A primeira que eu lembrava do baixo dos meus sete anos. Havia ouvido falar bem dos times holandeses. Gostava do Ajax. Adorava o goleiro (como eu) Mazurkiewicz, do Atlético Mineiro. Adorava e temia o são-paulino Pedro Rocha. Como os pontas-esquerdos brasileiros, temia o lateral Forlán. Mas eu, como o mundo, não sabíamos nada da Holanda. Só que era laranja. Na primeira Copa colorida, chamaria a atenção aquele borrão na TV. Chamou muito mais, desde os primeiros minutos daquela tarde que começava ensolarada, em São Paulo. Daquele dia em que o mundo viu algo que não veria mais, um mês depois.

No blag, na sessão HISTÓRIA EM JOGO, vamos contar o que vi então, e o que estou revendo agora, com a inestimável ajuda de Gustavo Roman (www.futebolpitacos.blogspot.com), que disponibilizou as imagens, e de André Rocha (http://blogs.abril.com.br/futebolearte), que inspirou a série.

Vamos apresentar a Holanda em toda a Copa-74. Minuto a minuto, jogo a jogo do time que mudou o mundo. Sem conquistá-lo. Tanto revolucionou que nem os holandeses repetiram a fórmula. Ficou no tempo. Ficará para sempre.

JOGO DE PALAVRAS –

Fala, Pedro Rocha – O nosso treinador só sabia que a Holanda tinha bons jogadores… Pediu atenção especial para o 14, o Cruyff. O nosso volante, o Montero Castillo, disse para deixar com ele, que o Cruyff não iria andar em campo… Pois é… No intervalo, perguntei ao Castillo porque ele não conseguira fazer o que prometera. Ele me disse: “Mas, como? Eu corria atrás dele o campo todo e ele não parava? Como iria segurá-lo? Não dava nem para dar porrada”. Foi um vareio que tomamos. Dois a zero foi pouco.

Fala, Johan Cruyff – Estávamos muito nervosos. Além de nunca termos atuado juntos, cinco jogadores estreavam em algumas funções. O goleiro era novo na equipe. O Haan e o Rijsbergen não haviam atuado daquela maneira. O Jansen demorou a chegar ao elenco. O Haan teve de ser zagueiro – era volante. O Jansen ocupou o lugar dele – embora atuasse na mesma posição do Neeskens… O próprio Neeskens teve de se sacrificar. Eu não estava 100% fisicamente. Perdemos nosso zagueiro Hulshoff por contusão. E tudo isso junto, num só jogo, o da estreia… Não sei como tudo funcionou tão bem. Não tínhamos um time antes da estreia. E quando acabou o jogo, tínhamos uma senhora equipe. Todos correram muito, se doaram bastante. Deveríamos ter feito mais gols. Mas essa é outra questão. Para mim, futebol é criar chances de gol. Fazer o gol é um tanto casual e está fora do futebol. Depende de um monte de circunstâncias: sangue-frio, casualidade, sorte, falha contrária..

LOCAL: Niedersachsenstadion, em Hannover, Alemanha. 15 de junho de 1974. 16h locais. 53.700 pagantes.

PLACAR VIRTUAL – HOLANDA 17 X 1 URUGUAI

HOLANDA – 4-3-3 – Jongbloed (8); Suurbier (20), Haan (2), Rijsbergen (17) e Krol (12); Jansen (6), Neeskens (13) e Van Hanegen (3); Rep (16), Cruyff (14) e Rensenbrink (15). Técnico Rinus Michels.

URUGUAI – 4-3-1-2 – Mazurkiewicz (1); Forlán (4), Jáuregui (2), Masnik (3), Pavoni (6); Montero Castillo (5), Mantegazza (1) e Espárrago (8); Pedro Rocha (10); Cubilla (7) e Morena (9). Técnico Roberto Porta.

COMEÇOU – Holanda ataca para o lado esquerdo do vídeo. Cruyff dá o primeiro toque na bola de um time histórico, tocando a bola para Van Hanegen.

40s – Bela caneta de Espárrago sobre Jansen! É a vitória da escola sul-americana sobre os robóticos europeus!!! Sei… Sei…

2min – O veterano (pleonasmo para aquela equipe uruguaia) ponta-direita Cubilla (34 anos) corta rumo à ponta-esquerda. O lateral-esquerdo Krol o segue individualmente. Marcação opressiva holandesa. Homem a homem.

3min – Falta feia do Uruguai – outro pleonasmo. Falta dura do são-paulino Forlán – outra redundância. Embora não tenha intencionado esquartejar Neeskes, o fato é que o lateral-direito arrancou a carne do meia holandês, na primeira de uma longa série de infrações sul-americanas.

5min – Belo lance de Cruyff pela esquerda, Masnik dá um balão para longe. Impressionante (à época…) a marcação obsessiva holandesa no campo rival. Jansen (sobretudo), Neeskens e Van Hanegen dão o bote num campo mais “curto” que o habitual àqueles tempos.

6MIN – GOL. 1 X 0 HOLANDA. REP. Troca de bola desde a defesa, pelo lado direito. O lateral Suurbier (29 anos) abriu pela direita o jogo com Cruyff. O centroavante (teoricamente…) pegou a bola no meio-campo (como um armador), passou bonito por dois rivais e devolveu ao lateral que mais parecia um ponta, que cruzou de canhota, no meio da área. O ponta-direita Rep (23 anos) subiu como um centroavante, ganhou do zagueiro Jáuregui (28), antecipou-se ao excepcional Mazurkiewicz (goleiro do Atlético Mineiro, 29) e abriu o placar. Dentro da área uruguaia, eram quatro famintos holandeses.

10min – Montero Castillo (30 anos) tenta operar as amígdalas de Neeskens. O Uruguai só bate. Time de alguns grandes jogadores (envelhecidos) é atropelado pela técnica e velocidade laranja. À frente, Cubilla corre, e o grande artilheiro Morena segue isolado pelo esquema tático de Porta. Desse modo, Suurbier ganha liberdade para apoiar sem ser incomodado pelo lado direito. Krol ainda se entretem com Cubilla. Mas nada que tire o descanso do goleiro Jongbloed (33). Na falta, em vez de ser registrado um B.O., o árbitro húngaro Palotai não deu nem amarelo.

11min – Sem bola, o bom meia Espárrago (29 anos, do Sevilla), tromba com Cruyff. Na sequencia, o 14 laranja deixa no bagaço meio time até o centroavante Morena voltar ao próprio campo e dar um pontapé no craque rival. Falta feia. Amarelo? Só o sorriso do juiz.

12min – Espárrago sai pelo lado esquerdo do meio-campo uruguaio. Seis holandeses estão em volta dele.

13min – Apenas o zagueiro-esquerdo Rijsbergen fica atrás. E além do meio-campo de ataque holandês. O Uruguai não está atrás. É empurrado para trás pelo time laranja.

19min – Fora o gol, chance, mesmo, mais nenhuma holandesa. Até porque, pela segunda vez em que entrou em diagonal, do centro para a ponta esquerda, Cruyff foi travado. Mas a bola continua toda laranja.

20min – Outra vez Cubilla tenta escapar pela esquerda, de novo Krol o acompanha. A bola sai pela linha lateral. O Uruguai está morto.

22min – Aleluia! Defesa de Jongbloed, que joga adiantado, e saiu muito bem numa bola em que não era preciso sair. O goleiro de 34 anos usa lente de contatos e era a terceira opção de Rinus Michels. Os dois melhores se machucaram e ele veio para o time principal pela primeira vez.

22min – O lance que representa a essência do Futebol Total holandês (“totaalvoetbal): a bola é recuada pela meia-esquerda para o campo uruguaio. O zagueiro-direito Jaurégui tenta lançar o meia Mantegazza, na ponta direita. No bote para tentar recuperar a bola e/ou deixar o time uruguaio impedido, 10 (!!!) holandeses, em bloco, se adiantam e fazem o pressing opressivo. Pela primeira vez na história da Laranja Mecânica e do futebol mundial. O condutor do avanço para armar a maior linha de impedimento vista era o volante Jansen (27 anos). Observe que a área ocupada pelos 10 laranjas é inferior a 15 metros.

24min – Mantegazza leva o primeiro amarelo. Ufa. O Uruguai não consegue passar da própria intermediária. Ou passa mal a bola ou é engolido pela obsessão rival em marcar a saída de jogo lá na frente.

30min – Outra porrada de Mantegazza no hábil meia-esquerda canhoto Van Hanegen (30). A Holanda corre, cria, marca, mas não chuta. O Uruguai insiste em sair jogando com o lateral-esquerdo Pavoni. Mas a bola não passa do meio. Talvez um chutão para o isolado Morena seria uma solução? O craque Pedro Rocha está engolido pelo múltiplo Jansen.

35min – Krol sai da lateral, vai cortando pelo meio e manda o balaço, por cima da meta. Apesar de o centroavante todocampista ser Cruyff, falta, de fato, um goleador a Rinus Michels. Um 9 de ofício.

38min – Suurbier pega mal o sem-pulo, livre dentro da área. Jansen cruzou da linha de fundo, e Rensenbrink ajeitou de cabeça. Em resumo: o volante cruzou como ponta, o ponta foi armador, e o lateral-direito foi centroavante.

* Patrocínio? Placas de publicidade? Marketing? Era um outro mundo. Veja a foto.

PLACAR VIRTUAL PRIMEIRO TEMPO

– HOLANDA 3 X 0 URUGUAI

RECOMEÇOU – Antes do apito inicial, Pedro Rocha cruza com Cruyff, fala qualquer coisa, o holandês ri e o cumprimenta. Possivelmente deve ser um pacto de não-agressão holandesa…

1min – Aleluia! Chance de gol uruguaia!? Pedro Rocha livre, às costas de Suurbier, pega mal de canhota e perde boa chance. Desta vez, bote defensivo holandês abriu buraco na lateral direita.

3min – Uruguai resolve tentar jogar e parte pela direita. Lançamento feito para o ataque. A linha de impedimento laranja (composta por 6 atletas) deixa 6 (!??!) uruguaios impedidos.

4min – Forlán tenta esfolar Krol. Cartão amarelo para o uruguaio. A Holanda está com três atacantes na área, e mais os três meio-campistas e o lateral-esquerdo Krol marcando a partir de 25m do gol de Mazurkiewicz. Não era assim que se jogava. E, convenhamos, depois da Copa-74, também ninguém marcou igual.

5min – Jogada espetacular e ensaiada em cobrança de falta. O excelente Van Hanegen pega mal e isola, de sem-pulo. Mas todo o lance foi lindo.

5min – Menos de dois minutos depois de receber o amarelo (já tardio), o violentíssino Forlán entra de sola na coxa de Van Hanegen. O árbitro húngaro só chama a atenção do uruguaio. Hoje, pegaria um gancho de 6 meses no TJD, e os holandeses saíram no pau com o meigo lateral.

7min – Cruyff desarma Espárrago na lateral direita holandesa. O homem é uma máquina. Ou uma franquia. Parecem ter 3 Cruyffs em campo. E apenas 5 uruguaios no gramado.

8min – Forlán evita o gol de Rep, em belo lance de Neeskens pela ponta direita. O meia virou ponta, o ponta foi centroavante, depois de uma troca de bola inteligente, sem pressa, dos holandeses.

10min – O lateral Pavoni tropeça na bola e cai dentro da área holandesa. Mas foi a primeira vez que os uruguaios chegaram com 4 no ataque. Embora o ponta Cubilla pareça valer por 4 – em peso. Para piorar, Krol o marca individualmente. Cubilla até tenta atuar pelo outro lado. Mas Krol não deixa.

11min – O imenso Pedro Rocha faz bela jogada pela ponta direita. Mas Van Hanegen retoma a bola, com a ajuda de Krol e de Jansen. São 3 holandeses contra um uruguaio. Na zaga, troca de lado entre Haan e Rijsbergen.

12min – Jansen bate bem da meia direita para boa defesa do excelente Mazurkiewicz. Por estes minutos, Neeskens trocou de função com Cruyff. O 14 holandês resolveu fazer a de Neeskens, recuando e armando o time a partir da meia direita.

14min – Neeskens pega mal e a bola voa. Mas a tabelinha de Jansen com o ataque holandês é muito bonita. A Holanda alterna o 4-3-3 para algo próximo ao 4-2-4, com a penetração de Cruyff.

15min – UM ARRASTÃO. Ou um time de futebol americano pulando sobre o quarter-back rival. É o que aconteceu com Pedro Rocha, aos 15min. O craque são-paulino tentava organizar o que sobrava do Uruguai quando três holandeses deram o bote, e mais cinco se adiantaram ou para tomar a bola ou para deixar o Uruguai impedido. Isso na intermediária uruguaia. Nunca havia visto algo semelhante. E não se viu nada parecido depois.

O desfecho do lance é de dar dó e nós nos uruguaios. São quatro holandeses em cima do pobre rico Rocha. O mais impressionante: fora o goleiro Jongbloed, todos os 10 de linha ocupam uma faixa de menos de 20 metros de campo. É o pressing que faria a fama do Milan de Arrigo Sacchi, no final dos anos 80.

16min – Cruyff manda a bomba, Mazurka manda a escanteio. Deixaram o 14 livre. O gol holandês amadurece.

18min – Milar (19) substitui o pregado e acabado Cubilla. Bom finalizador, de boa técnica, o atacante é a esperança celeste de diminuir as dores do atropelamento.

20min – Masnik chuta Neeskens, derruba o rival, e pula sobre o pé esquerdo do holandês. Na cara do bandeirinha. Nada acontece com o violento agressor. Apenas um amarelo tímido para o capião e feitor uruguaio.

22min. EXPULSO. Montero Castillo, pelo conjunto da obra, é expulso. Acertou sem bola Cruyff. Mas já havia feito 6789 infrações piores. A Holanda que já tinha 79 atletas a mais em campo fica com ainda mais espaço. O Uruguai passa a atuar no 4-3-2.

25min – Rensenbrink isola e perde gol fácil. Impressionante como finaliza mal o time laranja. O ponta estava livre, dentro da área.

26min – Suurbier manda no ângulo, Mazurkiewicz defende, sem dar rebote. Impressionante. Mas a jogada anterior de Cruyff sobre Jáuregui foi de cinema. O 14 rodopiou e escapou como se fosse uma Ferrari. Como é que Cruyff corria tanto se fumava ainda mais?

28min – GOLAÇO MAL ANULADO! Lindo lance de Van Hanegen com Cruyff. Ele levanta o pé e toma a bola no alto, da cabeça de Masnik, que se abaixa para tentar o corte. Não foi jogo perigoso. Foi um golaço pessimamente anulado, que saiu da história. Uma lástima. Depois do lance, Mazurka empurra a cabeça de Cruyff, que finge agressão que não aconteceu.

29min – Jansen invade a área livre, pela direita, e manda o balaço na trave esquerda. No rebote, Rensenbrink, da ponta esquerda, emenda para grande recuperação de Makurkiewicz. Um a zero é um placar mais que mínimo pela máxima diferença entre as equipes.

32min – Mais uma linha de impedimento que causa Óoooooo da torcida em Hannover.

38min – INCRÍVEL. A Holanda ficou quase 10min sem uma chance de gol!!!! O time parece um pouco cansado e, na experiência, e na violência, os uruguaios vão se salvando. Os lances pela direita continuam sendo o forte holandês. Suurbier não para e se apresenta muito bem, chegando fácil ao fundo, e cortando bem pelo meio. Mas as finalizações continuam sendo ruins. Ah se o Van Basten já existisse em 1974…

39min – Jaurégui ganha o cartão. De crédito do árbitro. Ele bate, segura, e nada. Uma vergonha. Mas a arbitragem, à época, usava bem menos os cartões.

41min – GOL. 2 X 0 HOLANDA. REP. Ufa! Tudo começou em mais uma saída errada uruguaia. O goleiro tentou lançar com as mãos, a bola foi interceptada rapidamente e foi parar na meia esquerda, para o cerebral Van Hanegen. Belo toque às costas de Forlán para Rensenbrink que, em ritmo de treino, rolou para dentro da área. Na marca penal, Rep só precisou tocar para o gol vazio. Belo gol.

43min – Cruyff aparece como o centroavante que deveria ser. Mas chega um pouco tarde… Jogou demais o craque holandês, e em todos os lances e cantos do campo. Mas faz falta um fazedor de gols. Os holandes finalizaram muito mal. Por isso não golearam. Embora continuem dando show até o fim.

44min – Neeskens chuta muito mal e fraco e perde a 17a. chance holandesa. Nove delas depois da expulsão de Montero Castillo.

46min – PÊNALTI!? Árbitro húngaro deve estar com pena dos uruguaios. Rep é derrubado dentro da área em carrinho claro de Masnik. Ele deixa o jogo seguir. E nenhum holandês reclama.

FIM DE JOGO – Um massacre de apenas 2 x 0.

NOTAS:

HOLANDA –

Jongbloed – 7 – Como líbero, e por estar estreando na equipe, sem problemas. Até porque a bola não chegou.

Suurbier – 9 – Incansável, ofensivo, técnico, abusado, deu o cruzamento – de canhota – para o primeiro gol. Partidaço. Um dos motivos para a Holanda atacar tanto. E ainda mais pela direita.

Haan – 8 – Sem ser molestado pelo excelente Morena, pôde comandar a defesa holandesa com categoria. No segundo tempo, trocou de lado e manteve o ritmo.

Rijsbergen – 7 – Menos qualificado da zaga, mais duro, com menos recursos. Mas foi bem contra o inexistente ataque rival.

Krol – 9 – Futuro líbero, o lateral foi um segundo ponta-esquerda com a bola, e ainda anulou o gordito Cubilla, o acompanhando em todos os cantos.\

Jansen – 9 – Marca, morde, comanda o impedimento, arma, finaliza. Meio-campista completo, de ótima técnica.

Neeskens – 8 – Apanhou demais. E também jogou demais. No segundo tempo, inverteu por vezes de posição com Cruyff.

Van Hanegen – 9 – Estilista, tem canhota privilegiada para passar. Elegante, só precisava entrar mais na área. Belo passe para o segundo gol.

Rep – 9 – Oportunista. É mais centroavante que ponta. Goleador.

Cruyff – 10 – O futebol total. Centroavante no primeiro tempo, meia, ponta e até volante no segundo. Hábil, ágil, incansável. Brilhante.

Rensenbrink – 7 – Deu a assistência do segundo gol, e apanhou demais de Forlán. Poderia ter rendido mais.

Rinus Michels – 10 – A culpa é toda dele.

URUGUAI –

Mazurkiewicz (Atlético-MG) – 8 – Não fosse ele… Seguro, colocado, quase perfeito.

Forlán (São Paulo) – 4 – O lateral-direito sempre soube jogar. Mas sempre bateu mais do que a Convenção de Genenbra permitia.

Jáuregui (River Plate-URU) – 4 – Não é fácil enfrentar uma Holanda como aquela. O zagueiro-direito fez o que poderia.

Masnik (Nacional) – 3 – Fez pênalti não marcado, e deveria ter sido preso por pisão em Neeskens. O experiente zagueiro-esquerdo foi o retrato em preto e azul da falência da escola uruguaia em 1974.

Pavoni (Independiente-ARG) – 4 – O campeoníssimo lateral-esquerdo e capitão do Independiente argentino foi massacrado por Suurbier e Rep.

Montero Castillo (Nacional) – 1 – O volante disse que iria pegar Cruyff. Foi a única coisa que cumpriu. Só não disse que seria na porrada, e acabaria expulso.

Mantegazza (Nacional) – 3 – Tentou marcar Van Hanegen pela meia direita. Não conseguiu, e também não armou.

[Milar (Liverpool-URU)] – 4 – Entrou?

Espárrago (Sevilla-ESP) – 4 – O meia pela esquerda tentou ajudar Rocha e dar um pé aos demais companheiros.

Pedro Rocha (São Paulo)- 5 – O verdugo foi atropelado por colegas medrosos e pelo arrastão holandês. O brilhante meia-armador não foi visto em Hannover.

Cubilla (Nacional) – 3 – Correr, o ponta-direita correu, e até pelos dois lados… Mas, como o Uruguai, em 16 rpm, e contra um Krol que não o deixou em paz.

Morena (Peñarol) – 3 – Para um dos maiores centroavantes uruguaios que vi… Não foi visto. Esquecido pelo time.

Roberto Porta – O técnico? Uma porta. Mas quem salvaria os uruguaios contra os holandeses? Como atleta, foi goleador pelas seleções do Uruguai e também da Itália.

ÁRBITRO – Karoly Palotai (Hungria) – 4. Anulou gol legal, não deu pênalti no fim, deixou o Uruguai bater o jogo todo.

****Veja um bem editado clip da vitória holandesa****

http://www.youtube.com/watch?v=M5YLG57a2GE

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  • Raul Araujo

    Excelente Mauro essa sua idéia de recontar esse fantásticos jogos históricos, principalmente para os jovens como eu que não tiveram a oportunidade de ver essas grandes seleções. Só um jornalista com sua competência poderia fazer algo como isso: uma análise tática dos jogos 3 décadas depois de acontecer. Lendo seu texto me senti assistindo o jogo assim como aconteceu no primeiro texto sobre Hungria x Inglaterra. Por falar nisso, Mauro qual injustiça você acha maior, aquela Hungria não ter ganhado em 54 ou essa Holanda não ter ganhado em 74? Valeu e espero ansiosamente pelos próximos textos.

    RAUL, muito grato pelos elogios desmedidos…
    Honestamente, a Hungria-54. Era muuuuuuuuuuuito mais time que a Alemanha-54. Porque a Holanda perdeu para uma ótima equipe de craques como Beckenbauer, e monstros como Gerd Muller, Overath, Maier e Breitner.

  • http://- André

    Muito bom !! Fico pensando eu nos meu quase 30 anos, quantos jogos bons como este eu perdí ! Mas haverão outros !! Um dos maiores jogos que já assistí, quando comecei a gostar de futebol foi São Paulo Unión Española, de Sierra, Cabrera, etc. Lembra desse jogo Mauro ?? Pena que o Sierra não foi bem no São Paulo posteriormente, mas era um baita jogador, de lançamentos precisos e muita técnica.

    Abraço !
    ANDRÉ, estava lá, pela Rádio Gazeta,. 4 x 3 São Paulo, Libertadores-94.
    Você pode procurar o Gustavo Roman para ter acesso a esse e outros jogos.

  • Luiz Filho

    Já tinha ouvido Histórias sobre este jogo, mas agora que vontade de vê-lo.
    O lance poderia tentar com os donos dos direitos a disponibilização destes jogos no Lancenet!. Bem que poderias tentar com o Marcelo Damato, certamente ele o apoiaria.

    O Futebol e as novas gerações agradeceriam.

    P. S.: Nasci em 1982, uma pena.

  • César

    Impressina o toque de bola, e o refino das jogadas, mas o que é mais incrível (e isto é chover no molhado…) é a movimentação do time. No jogo editado que aparece no youtube, logo no primeiro lance vemos uma das mais maravilhosas linhas de impedimento que já vi. Todo o time estava em menos de 1/4 do campo.
    Marcação impecável e com todos ao mesmo tempo (incrível o lance que seis jogadores da Holanda marcam ao mesmo tempo ao volante uruguaio.
    Honestamente me pareceu um jogo de um time de futebol contra um time de cones (excessão feita ao goleiro, que pode ser consagrado após este jogo).
    Já vi muitos jogos lindos (como bom santista me lembro do 7X6 contra o seu Palmeiras que vi em tape e do jogo 5X2 contra o Fluminense em 95), mas este jogo é uma das coisas mais espetaculares já vi.
    Harlen GlobeTroters é pouco pra isso.

    Abraços.

  • Erico

    Como que é fazer uma analise, desse jogo, onde que não tem nada a haver com o futebol de hoje.

    Alguma equipe jogou parecido a isso ?

    Só você mesmo pra fazer isso, Mauro

    Abraços

  • Erico

    Não tem como fazer o Argentina x Holanda de 74 também ?

    ERICO, faremos a análise de TODOS os jogos. Digo faremos porque o André Rocha irá ajudar, sobretudo nesse jogo em questao.

    E, claro, nem a Holanda repetiu o que aconteceu naquele verão alemão.

    Abração.

  • http://www.futebolpitacos.blogspot.com gustavo roman

    Caro amigo Mauro mais uma vez parabens pela analise perfeita.pra variar peguei minha copia do jogo botei no dvd,peguei meu laptop botei no colo e assisti a partida…e impressionante como com a sua descriçao consegui ver detalhes que antes haviam passado despercebido quando assisti da primeira vez esse jogo…
    por favor mantenha essa otima ideia e se possivel eu teria uma sugestao pra vc(mais um pedido q uma sugestao)pq vc nao faz a analise de gremio 0x1 flamengo final do brasileiro de 82…eu como rubro-negro ia adorar
    abraços do amigo e parabens mais uma vez

  • http://blogdojaovitor.blogspot.com/ João Vitor Dias de Sousa

    Sensacional Mauro,você teve uma grande idéia,você e o André,avise sempre quando terá,que passarei por aqui para ler.
    Partidaça da “Laranja Mecânica”,incrível,a marcação,a linha de impedimento,a versatilidade deste time,dificilmente terá outro igual!!!
    Parabéns pelo texto Maurão,brilhante como sempre!!!
    Grande Abraço

  • Dejan Nóbrega

    Esse Cruyff era realmente Fantástico, o maior jogador de todos os tempos, depois de Pelé é claro!!!

  • Pingback: HISTÓRIA EM JOGO - HOLANDA 4 X 1 BULGÁRIA - COPA-74 » Mauro Beting()

  • alexandre

    excelente Mauro!!!!

    e pensar que vi esse jogo ao vivo!!!!…tinha 11 anos, foi num sábado ao meio-dia, tv P&B. Todo mundo falava nas tais camisas laranjas da Holanda e daqueles cabeludos que mais pareciam hippies. Era a minha seleção da Copa 74 e de toda a gurizada. Meu pai não acreditava no que via. Era pra ter sido uns 5xo no minimo..Lendo as considerações do Mauro dá pra ver que faltava mesmo um finalizador…Mas a inovação tática, o posicionamento, a inversão de posicionamento, a tática perfeita do impedimento, a marcação implacável, o senso de doação coletiva, a liderença de Cruyff…são momentos únicos do futebol…e, eu vi!!! abração.

  • Cláudio José Vitoriano da Rocha

    Mauro, sensacional a idéia de comentar esses jogos históricos, que tal falar de Brasil x Uruguai na semi-final da copa de 70, jogo dramático e de grande apelo de revanche dos brasileiros e até de deboche dos uruguaios, que não cansavam de lembrar de 1950! Quanto à Holanda de 74 foi simplesmente uma aula de futebol total, com arte e elegância foi uma pena não ter vencido a aquela copa, mas, e dai? O futebol é um esporte fantástico e às vezes uma equipe ganha sem merecer, não que a Alemanha não merecesse, afinal tqmbém era uma bela equipe , mas o que ficou na história daquele mundial foi a “Laranja Mecânica” de Cruyf, Krol, Rep e Cia! Eu tinha 11 anos e assistí tudo, um abraço e parabéns.

    CLÁUDIO, muito grato. Em setembro acabo a saga holandesa em 1974, e logo inicio a brasileira na Copa-82.

    E vá preparando o dinheiro para meu novo livro, que trata de sete grandes seleções da história do futebol.

  • ANDRÉ CAIO GALO DOIDO

    Eu como torcedor do clube atletico mineiro, o famoso galo, o maior do brasil,sempre gostei do bom futebol e ver grandes times jogando e esta seleção eu não a vi jogar,mas sei que foi ótima pois todos a elogia,e mesmo sem ver a jogando, eu sou fã dela,pois além de ter um uniforme lindo como o de 1998,o time do galo de 1999 lembrava bastante esta holanda infelizmente tambem deu azar e não foi campeão,duas seleções que são e vão ser inesquecíveis clube atletico mineiro de 1999;veloso,caçapa,galván,ronildo,gallo,valdir benedito,bellet,robert,ramon,marques,guilherme.uma máquina os cruzeirenses lembram como ninguém,aquele 4 x 2,com gol de peito do guilherme,que tempos depois foi roubar dos perrelas,voltando o assunto grandes elencos são para serem lembrados,e o galo em 2010,vai ser de dar arrepios nos adversários,galo eterno.um abraço pra massa a mais fanática do brasil os números comprovam e ponto.

  • ANDRÉ CAIO GALO DOIDO

    eu de novo pra mostrar que o galo é insuperável,até nas mensagens,pois,o galo o que a raposa não tem,e todos sabem o que é,torcida,galo de 1977,argentina de cannigia e maradona,riquelme,schelloto,alemanha de beckembauer,holanda de gullit,cruyff,brasil de garrincha,pelé,reinaldo,marques,edmundo,evaire aí vai,clube atlético mineiro que além de grandes titulos tem uma torcida famosa em todo o mundo.

  • Ailton

    Aonde poderia coseguir dvd da copa de 1974, 1978, 1982 e 1986.

  • Max Nicola

    Muito bom o seu blog, parabéns. Fiquei encantado ao ver dois sãopaulinos nesse timaço do uruguay, Forlan e Pedro Rocha, dois dos melhores jogadores daquela seleção. Foram campeões paulistas em 1971, ao lado de Gerson e Toninho Guerreiro, e também em 1975, um ano depois. Uma pena que perdemos o jogo para Holanda, mas é como Pedro Rocha declarou, o carrossel holandês era imbatível mesmo. Os tricolores deram o troco em Cryuff 18 anos depois, quando Raí e Cia derrotaram o Barcelona pelo mundial de clubes, e o então técnico holandês declarou “se é para ser atropelado, melhor que seja por uma Ferrari”

  • Vitório Botega

    Mestre Mauro Beting, gostaria de saber onde posso encontrar mais detalhes desse e dos demais jogos da Copa de 1974? Exemplo: escalações em especial dos 5 reservas de cada equipe. O senhor conhece algum livro, site que tenha essas informações?? Abraço.

  • Ademar Rios

    Felizmente, aquela seleção holandêsa que praticava o futebol total, era show de bola, porém convenhamos, quando a mesma pegou a seleção brasileira, tentou por várias vezes deixar os
    nossos atletas em total impedimento, conseguiu, porém deram sorte por algumas vezes, porém
    se naquele lance que o P. C Cajú, pegou sózinho a bola e ficou de cara com aquele goleirão ho-
    landês e fizesse o gol a historia seria outra. Abraços.

  • Sérgio

    Por favor. Que grante título o atletico conquistou a não ser o brasileiro de 1971?
    Campeonatos regionais é obrigação de atlético e cruzeiro.
    Esse galo ñ ganha nada
    nem resfriado.

  • Fernando LP

    Puxa vida, isto merecia ser mostrado num programa de televisão!!!! Se é que já não foi mostrado, e eu não tive o prazer de assistir.Simplesmente fantástico. Na época da copa de 74 tinha 9 anos de idade, e fiquei fanatico pela holanda, e claro pelo Cruyff. Nunca vi algo semelhante novamente. Digno de ser eternizado. Pensar que isso aconteceu em 1974!!! Será que não caberia um programa especial sobre essa holanda de 1974!!?? Eu gostaria muiiiiiito de assistir, e acho que o mundo do futebol também. Abraços Mauro, bota isso aí num programa de futebol da band, please…rs.

  • http://historiaemjogo cida

    Bela história Mauro, infelizmente entrei hoje no site do são Paulo e vi a notícia da morte do Pedro Rocha, nos comentários alguém falou do lance em que o time da Holanda correu para marca-lo. Nunca o vi jogar, mas, sempre soube que foi um grande jogador, e tenho mais orgulho de ser são paulina. tenho coleção de lances, incluindo o do aniversário de 10 anos. Tudo isso quer dizer que eu já te conhecia. abraço.