Bora Bahêeea! Vinte anos de 1988

por Mauro Beting em 20.fev.2009 às 20:31h

O Internacional havia acabado de vencer o Gre-Nal do século, de virada, e com um Casemiro a menos.

Era o favorito da mídia, da moda, dos modos, da moeda, das moendas. Tri brasileiro, como não iria conquistar o tetra? Vice da Copa União de 1987, como não reconquistaria o título, em fevereiro de 1989?

E contra o Bahia… O que tinha o Bahia? Tinha o Bobô, desde janeiro de 1986. Bom de bola, fez um belo BR-86 com o Bahia, quase virou Seleção… Mas não virou. Nem ele e nem o time. Mas a direção apostava naquela equipe que começara em 1986. Já havia alguns bons jogadores. Mas não havia mais Pereira na zaga, vendido antes do mata-mata. Também… Campeonato maluco! Começa em 1988 e acaba no Carnaval de 1989? No meio dos estaduais já iniciados?

Mas era Bahia. De todos os Santos e Bobô. E de um anjo Charles. Charles anjo 45. Do júnior para o time de cima de uma hora a outra. Mas com o apoio maciço da Fonte Nova. A fonte da juventude tricolor. Casa cheia, não importava o rival, o campeonato.

O time de Evaristo de Macedo foi o 3o. do grupo na primeira fase, depois de derrotas para as futuras vítimas Inter e Fluminense. Na segunda, chegou em quarto lugar. No cômputo geral, foi o terceiro melhor na primeira parte do campeonato, atrás de Vasco e Inter. Pelo clube carioca ter ganho os grupos, no complexo regulamento da época, o Bahia herdou o lugar na fase seguinte, por ser o melhor entre os não-classificados.

Se o Vasco soubesse…

E veio o mata-mata. E quem diz que o Bahia era favorito? O Sport tinha boa base, bom time, campeão oficial do BR-87, Libertadores-88 disputada… Era duro. Mas não era a hora. Foi Bahia, com dois empates, o decisivo, com prorrogação e tudo, na Fonte Nova.

Semifinal. Empate no Maracanã com o Fluminense. Era só repetir o 0 x 0 na Fonte Nova. Mas Washington, que começara a vida no Galícia, não quis papo. O artilheiro do Flu fez 1 x 0 diante de mais de 110 mil pessoas. Bobô conta no livraço de Bob Fernandes (Bora Bahêeea) que conseguiu ouvir Washington gritando “Gooool! Porra”. E mais nada.

A Fonte secou. Emudeceu.

Mas Bobô fez gritar Bahêea no gol de empate. Gil Sergipano, num gol literalmente inenarrável, virou o jogo e a história. 2 x 1 Bahia

A decisão foi contra o Inter. Que tinha melhor campanha em todo o campeonato. O Vasco, ao final das contas, teve 4 pontos a mais que o Bahia (mesmo tendo 4 jogos a menos), e foi apenas o 5o. colocado.

Acontecia naqueles anos malucos. Mas quem pode tirar o mérito do campeão?

A mídia bem que tentou. Todo dia eram os mesmos clichês. É mandinga, é macumba, é trabalho, é galinha, é pinga, é alho. E o time foi ficando ainda mais bravo. E ainda melhor. Grande técnico e estrategista, conhecedor da bola e da alma dela e do boleiro, Evaristo botou pilha. O time ficou ligado em 220.

Agora, a vantagem de empate e de mandar o último jogo em casa era colorada. Consolidada com o gol de Leomir, logo de cara, no começo do jogo de ida, em Salvador. Mas a capital poderia se chamar outro salvador por aquela noite quente. Bobô empatou de cabeça. Bobô virou de bico. 2 x 1. De novo.

Agora, pela terceira vez, era “só” empatar. Só isso… Contra o favorito Inter. Contra um time do Sul maravilha. Contra tudo. Contra todos.

E quem diz que deu a “lógica”? Quer dizer, deu, sim. O melhor time daquele mês fez o que quis, pouco concedeu ao Inter. e saiu do Beira-Rio iluminado pela Fonte Nova que brilhava na Bahia.

O campeonato era baiano. Era Bahia. Era de novo a capital brasileira.

Há vinte anos completos. Há tantos anos esperado – ou, vá lá, desde 1959, quando a Taça Brasil “encomendada” para o Santos de Pelé foi parar na Bahia de todos os Santos – menos o de Pelé.

O Bahia ganhou 13 jogos, empatou 11, e perdeu 5. Marcou 33 gols e sofreu 23. Saldo de 10. Aproveitamento de 57%.. O time campeão em Porto Alegre jogou com Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Claudir e Paulo Robson (uma zaga firme, sem talentos); Paulo Rodrigues (volante elegante), Gil Sergipano, a “elegância sutil” de Bobô e Zé Carlos; Charles do Gol e Marquinhos.

Do time da estreia, saíram o bom zagueiro Pereira, e mais Osmar, Renato e Sandro.

Todos nomes que não sairão da história.

Valeu, Bahia.

Aproveite a festa para tentar repetir algo parecido em 2009. Afinal, se você gosta de bola como gosta de números, não é preciso muito esforço para juntar 1959, 1989, 2009…

**** Mais da campanha histórica: http://www.esporteclubebahia.com.br/o-clube/campeonato-brasileiro-1988 ****

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  • Paulo

    belíssimo texto para reviver a bela conquista do bahia.
    parabéns por conseguir fugir do ranço bairrista do eixo rio são paulo

  • Vascão Bicampeão da América e Tetrabrasileiro

    Parabéns ao Bahia, que tem a maior torcida do Nordeste (maior talvez em números absolutos no Brasil do que o Fluminense). Mas o melhor time DISPARADO naquele ano era o Vascão. Se inventassem os pontos corridos desde 1971, teríamos ganho o título de 88. O de 92, também. Viva o Vasco, sempre entre os melhores! O sentimento não pode parar!!!!!

  • Douglas

    Bom dia Mauro,

    Muito legal essas lembranças do futebol que vc nos trás, parabéns!

    Outra curiosidade que espero que você me responda por e-mail ou por aqui mesmo se possível…

    Porque você com todas as qualidades que possui como entendedor de futebol e ainda com aquela risada engraçada rss saiu do Terceiro Tempo programa apresentado pelo Milton Neves ?

    Ah gostaria de saber se o Morsa saiu também, e porquê ?

    DOUGLAS, saímos por conta de problemas que afligem o planeta – econômicos. Apenas isso. Estamos conversando para voltar. Mas, pelo visto, com o novo horário do programa, 18h30, será inviável, porque, nessa hora, trabalho na Rádio Bandeirantes, que desde 2003 é minha prioridade – o que me impediu várias vezes de fazer mais coisas pela TV Bandeirantes.

    Torço muito para os dois voltarem…

    Grande abraço!

  • Nathan Mailer

    São Paulo, sábado, 21 de julho de 2001
    Matéria do UOL

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    FUTEBOL

    Presidente do São Paulo rompe silêncio e suspende atleta, que receberá só ganhos de imagem

    Rogério ficará 28 dias sem salário
    RODRIGO PLANET
    DA REPORTAGEM LOCAL

    O silêncio acabou. Ontem, após mais de dez dias sem qualquer pronunciamento, o presidente do São Paulo, Paulo Amaral, anunciou, por meio de uma nota oficial, a suspensão do goleiro Rogério Ceni por 28 dias.
    “A diretoria deliberou aplicar ao atleta a pena de suspensão (…), em virtude de conduta indisciplinada e incompatível com as suas obrigações legais e contratuais, ofensivas às tradições do São Paulo”, diz o comunicado assinado pelo presidente são-paulino.
    Anteontem, antes da decisão de Amaral, o goleiro havia recuado na exigência de que o presidente do São Paulo se retratasse publicamente e lhe pedisse desculpas. A advogada do jogador, Gislaine Nunes, que após o recuo do goleiro fez elogios ao presidente do São Paulo, disse ontem que não iria comentar a punição.
    Rogério não se apresentou ontem para treinar com a equipe.
    Segundo o diretor jurídico do São Paulo, Francisco de Assis, a diretoria decidiu, em consenso, substituir a pena de multa em até 40% do salário do jogador pela suspensão. “Com a multa, ele continuaria trabalhando e recebendo. Então, em consenso, decidimos pela suspensão”, afirmou.
    Com a medida, o jogador não deve treinar no clube neste período nem receber o salário.
    “Ele não vai receber o salário. O valor pelo contrato de imagem, que não é regulamentado pela CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas”, o Rogério continuará recebendo”, disse o diretor de comunicações, Eduardo Alfano.
    “Pela CLT, a suspensão poderia ser por até 29 dias. Por um mês, significaria um período de licença, e o jogador teria de ser remunerado. O perídodo de 28 dias foi simplesmente uma questão de escolha”, disse Francisco Assis.
    A notícia da suspensão de Rogério foi recebida com surpresa pelo técnico Nelsinho Baptista. “Não esperava. Mas é uma decisão administrativa do clube, e nós temos que acatar”, disse.
    Na Colômbia, o lateral Belletti achou correta a punição ao goleiro. “O presidente é que estava certo. Ele mostrou um fax do Arsenal em papel timbrado dizendo que o clube inglês não tinha interesse pelo Rogério. Tomara que o Leonardo seja o capitão”, disse.
    O atacante França também ficou surpreso com a suspensão de Rogério. “Não estou chateado, mas foi uma surpresa para todos nós. Apesar disso, não podemos deixar a peteca cair”, afirmou.
    Já o meia Leonardo, que com a punição a Rogério deve ser o novo capitão do time contra o Peñarol, quarta-feira, pela Mercosul, estranhou a situação. “Não é comum acontecer isso. O ideal era não ter o problema. Mas, agora, é importante que tudo se resolva da melhor forma para nós, jogadores, e para o clube”, afirmou.
    Ontem, o meia retornou ao estádio do Morumbi para treinar, depois da longa temporada no futebol italiano. “São quase sete anos sem vir aqui. É muito bom voltar para cá, um lugar onde só tenho boas recordações”, disse.
    Mesmo com a suspensão, Nelsinho afirmou que Rogério foi inscrito na Copa Mercosul.
    O técnico confirmou que a vaga dele será ocupada por Roger. “O Roger é o segundo goleiro do São Paulo. É um atleta que escalaremos com tranquilidade, sem medo de errar”, disse Nelsinho.
    Com dores lombares, Roger não treinou ontem com o time.

  • Cristiano Santos – Salvador- Ba

    Excelente comentario, Mauro o mais ímportante é eu ter vivido isso tudo, ninguem pode tirar isso de min, sou campeão Brasileiro de futebol, um time de massa, quase todos jogadoeres vindos da divisão de base, jogava por musica, e amam o Bahia, hoje acabou, ficou a lembrança.

    Abraço!

    Otimo trabalho.