Santa Cruz 1 x 1 Sport

por Mauro Beting em 09.fev.2009 às 11:07h

ESCREVE WAGNER SARMENTO

Uma vez clássico, sempre clássico

Santa Cruz e Sport empataram por 1 a 1 num Clássico das Multidões que diz muito mais do que os números. A matemática praticamente põe o Leão como campeão do primeiro turno, com cinco pontos de vantagem sobre o Tricolor do Arruda, a duas rodadas do fim. O jogo, no entanto, foi do Santa. Não pelos três pontos na tabela, mas pelo resgate do orgulho coral, que andava um tanto baleado nos últimos tempos.

Antes da partida, a vitória do Sport, a despeito da tradição do confronto, era favas contadas. Líder absoluto, 100% de aproveitamento, em ano de Libertadores, o Leão ia a campo com um time forte e entrosado. O Santa Cruz era luta e esperança, força e fé. Era 95 anos recém-completados à espera do renascimento. Era uma multidão esfomeada por um motivo pra sorrir.

O abismo técnico entre as duas equipes se desfez quando o árbitro Cláudio Mercante deu o apito inicial. Duelavam ali 11 homens de cada lado, igualados pela história, pelo passado – e, no caso do Tricolor, pelo sonho de um futuro melhor.

Impaciente com a fraca atuação no estadual dos laterais-direitos Sidny e Jonas, Nelsinho Baptista tentou surpreender escalando o meia Paulo Baier na ala e Fumagalli como organizador. A ideia não surtiu o efeito esperado, o Tricolor dominava o meio-campo e “Fumagol” acabou sacrificado, sendo substituído no meio do primeiro tempo. Os rubro-negros melhoraram, mas nem tanto. O Santa foi mais perigoso e teve as melhores chances.

Aos 36 minutos da segunda etapa, quando a Cobra Coral sufocava o Leão, o rei da selva se impôs. O predestinado Ciro, promessa leonina, aproveitou um passe errado da zaga tricolor e fez a torcida do Spor rugir: 1 a 0. Nota: o atacante tem sete gols no Campeonato Pernambucano e é a maior promessa rubro-negra para a disputa da Libertadores.

O gol não abateu o Santa. Pelo contrário, instigou. O jogo valia mais que a disputa do turno. Valia a honra. Valia a paixão fervorosa da torcida mais apaixonada do Estado, da multidão de descamisados. Valia a alegria de quem, desde 2005, só tem tido motivos pra chorar.

No minuto seguinte, pênalti pro Santa Cruz. A chance do empate estava nos pés do maior ídolo tricolor. Marcelo Ramos e o gol. Mas havia uma trave no meio do caminho. Frustração.

O Sport se aproximava do título do turno. Mas havia um Santa Cruz no meio do caminho. Havia 95 anos de uma história que não poderia ser subestimada por três anos ruins. Havia o Santa Cruz de sempre, que só perdeu um dos últimos dez clássicos contra o Leão. Havia luz no fim do túnel. Havia a cabeça de Adílson pra empatar o jogo. E não havia Série D que diminuísse a força do time das massas.

O Tricolor do Arruda não venceu, mas convenceu. Provou que é mais Santa Cruz do que nunca.

ESCREVEU WAGNER SARMENTO

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  • renato

    Realmente, belo comentario, sou rubro -negro, mas não sei o que acontece com o sarna, quando joga contra o meu sport põe o coração na chuteira e joga como time grande, mas será necessário apenas uma semana pra voltar a mostrar o time de bairro que é e entregar os pontos para um ypiranga ou sete de setembro da vida. fazer o quê??